segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

POEMA DE FERNANDO DA ROCHA PERES


VISAGEM

Amo os objetos
os mais simples,
toscos e velhos,
inusitados sempre.
Uma calçadeira.
Um maçarico.
Uma cadeira de barbeiro, e tudo
de madeira ou ferro.
As coisas úteis
que o tempo estagnou
carregam lembranças.
Todos, na penumbra,
destilam uma poeira
interior e ensinam
que a vida permanece
no tateio do usado,
de uma natureza outra.
Os objetos nos espreitam
como se fossem corujas
dentro de casa.

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