<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185</id><updated>2012-01-10T15:55:10.675-08:00</updated><title type='text'>Jornal Sidarta</title><subtitle type='html'>Destina-se a divulgar trabalhos literários e de artes plásticas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>81</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-366976396374744191</id><published>2011-12-26T10:46:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T10:50:12.527-08:00</updated><title type='text'>SIDARTA DO FIM DE ANO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;PINTURA E POEMA DE CADU LACERDA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6T3CMShmJ6s/TvjBe4thn1I/AAAAAAAAAcs/UEpeMCRRwPo/s1600/luacadu.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 398px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690510865546190674" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-6T3CMShmJ6s/TvjBe4thn1I/AAAAAAAAAcs/UEpeMCRRwPo/s400/luacadu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esperança é a primeira que morre&lt;br /&gt;Na transformação poética da cor&lt;br /&gt;Relega ao próximo vidente&lt;br /&gt;A dor de renascer&lt;br /&gt;Sol, lua, estrela&lt;br /&gt;A Terra, o vento e o ar&lt;br /&gt;É a luz do firmamento&lt;br /&gt;Só a quem eu devo amar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-366976396374744191?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/366976396374744191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/sidarta-do-fim-de-ano.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/366976396374744191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/366976396374744191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/sidarta-do-fim-de-ano.html' title='SIDARTA DO FIM DE ANO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6T3CMShmJ6s/TvjBe4thn1I/AAAAAAAAAcs/UEpeMCRRwPo/s72-c/luacadu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-8673044653909986289</id><published>2011-12-26T10:32:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T10:45:51.345-08:00</updated><title type='text'>TRÊS CONTOS DE SONIA COUTINHO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Um dia notável&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-0fTzC0UEG0k/Tvi-y7q6T3I/AAAAAAAAAcI/MG7Do7OdarM/s1600/amanhecer.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 135px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690507911403032434" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-0fTzC0UEG0k/Tvi-y7q6T3I/AAAAAAAAAcI/MG7Do7OdarM/s320/amanhecer.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois de quase uma semana reclusa, no feriado ela decide sair, afinal, para ir ao supermercado. Mesmo porque isto já se tornou inevitável, não tem mais nada em casa para comer.&lt;br /&gt;Todo esse tempo preferiu evitar a rua com medo de tiroteios entre policiais e traficantes em fuga das favelas próximas, ocupadas.&lt;br /&gt;Como não tem estoque de comida, ficou até sem leite nem pão.&lt;br /&gt;Não há como preparar sequer o café da manhã.&lt;br /&gt;E, sem café, ela não funciona.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Pouco depois, passando com seu velho carro pela Borges de Medeiros, vê que há pouquíssima gente caminhando ou correndo pela calçada próxima da lagoa.&lt;br /&gt;Inteiramente incomum, para um feriado.&lt;br /&gt;O medo de balas perdidas deixou as ruas quase desertas.&lt;br /&gt;Não foi disparado um só tiro, mas muita gente ainda acha que pode acontecer.&lt;br /&gt;Claro que também está chuviscando, mas só um pingo ou outro, muito de leve. Normalmente, isto não assustaria os caminhantes.&lt;br /&gt;Ela também sentiu muito medo. Mas agora já está calma, então segue na direção do Leblon.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Estaciona, como de costume, no segundo piso do supermercado e, sempre evitando elevadores, desce por uma rampa até o térreo, vai diretamente para o café.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Compra a comida em pequenas quantidades, porque assim ela própria pode carregar, não precisa de entregador.&lt;br /&gt;E também porque adora o supermercado e, com isso, tem motivo para vir aqui quase todos os dias.&lt;br /&gt;Passou a conhecer muitos dos funcionários, isto ameniza a solidão, traz uma sensação de pertencer.&lt;br /&gt;Lembra que, já faz algum tempo, nenhum dos seus amigos aparece em seu apartamento.&lt;br /&gt;Está sentindo falta.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Quantos anos faz que não tem marido? Até perdeu a conta. Filho, nunca teve, e os parentes que lhe restam moram em outro estado.&lt;br /&gt;Sei que sou esquisita, pensa, levando a bandeja com o café e dois pães de queijo até uma mesa. Mas, pelo menos, como todas as mulheres, adoro ir a shoppings e supermercados.&lt;br /&gt;Eles lhe garantem uma certa alegria.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Este supermercado mudou de dono e passou algum tempo fechado para reformas.&lt;br /&gt;Agora reabriu, e ela está gostando do seu novo novo aspecto.&lt;br /&gt;Principalmente porque não se desfizeram do piano que fica no café. Espera que o mesmo velho ainda venha, às vezes, tocar nele antigas melodias americanas.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Faz suas compras de alimentos com a segurança de uma Sobrevivente. Depois, pega para levar uma revista de que gosta muito.&lt;br /&gt;Pensa, com satisfação, que depois do almço ficará deitada em sua cama, recostada numa almofada, folheando a revista.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Logo ao chegar ao seu apartamento, vai ao computador ver se há e-mails para ela – nenhum.&lt;br /&gt;Meio triste, dispõe-se a telefonar para alguém, mas neste momento ouve os estampidos: PAM. PAM. PAM. PAM.&lt;br /&gt;Meu Deus, será que estão acontecendo tiroteios, afinal? Corre para a varandinha e então vem o alívio. Ainda há estrelinhas subindo, foram fogos de artifício que alguém soltou, em comemoração ao Quinze de Novembro, à proclamação da República.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Pouco depois, cumpre seu projeto e se deita em sua cama, ainda com a roupa da rua.&lt;br /&gt;Recosta-se numa almofada e fica folheando a revista nova.&lt;br /&gt;É quando alguém toca a campainha da porta.&lt;br /&gt;Meu Deus, e o porteiro não avisou a chegada de ninguém!&lt;br /&gt;Deve ser ele! Nem espia pelo olho-mágico para ver quem é, tem certeza de que é o Brad Pitt.&lt;br /&gt;E então, a surpresa:&lt;br /&gt;- Robert! Robert Pattinson! É você!&lt;br /&gt;É a primeira vez que ele vem; mas, mal ela abre a porta, Robert vai entrando, sem cerimônia.&lt;br /&gt;Afrouxa o nó, tira a gravata, depois o paletó, os sapatos e as meias, vai pondo tudo em cima e ao lado de uma poltrona.&lt;br /&gt;Fica apenas com a camisa social aberta ao peito e as calças jeans.&lt;br /&gt;- Vamos para a cama – diz.&lt;br /&gt;E, vendo seu ar inseguro – é a primeira vez com ele – declara:&lt;br /&gt;- Não se preocupe, Sei do que você gosta, querida. Os outros já me explicaram tudo. Ficaremos apenas um ao lado do outro, nos abraçando e acariciando como se fôssemos irmãos. Você não quer?&lt;br /&gt;Mas claro que sim, ela quer.&lt;br /&gt;O que ele disse corresponde inteiramente à verdade. É isso mesmo que ela costuma fazer com todos eles, quando aparecem.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Antes de dormir, ela pensa: hoje, 15 de novembro de 2011. Um dia notável. Porque é ...exatamente hoje. Porque é... exatamente agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----//-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O que lhe resta da vida&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-wtnK69gdNOU/Tvi_M1PO_eI/AAAAAAAAAcU/ZYYsdm3pqyw/s1600/chaveiro.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 146px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690508356352933346" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-wtnK69gdNOU/Tvi_M1PO_eI/AAAAAAAAAcU/ZYYsdm3pqyw/s320/chaveiro.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Quase todo dia ela sai do Catete e vai a um shopping elegante, na Zona Sul do Rio. Tem mais de 60 anos, não precisa pagar o ônibus. É um grande prazer para ela ir a esse shopping - e tudo fica quase de graça. Vive em busca de coisas assim, em seu esforço para “aproveitar o que lhe resta da vida”, mesmo com o pouquíssimo dinheiro da sua aposentadoria.&lt;br /&gt;Desce do ônibus exatamente às dez na frente do shopping. É a hora em que ele abre. Uma pontualidade que lhe vem da repetição diária do percurso. Vê que há uma porção de gente já à espera para entrar. O Natal está próximo e o o shopping anda muito cheio.&lt;br /&gt;Entra junto com as pessoas aglomeradas, quase se acotovelando com elas, e começa a caminhar pelos corredores do térreo.&lt;br /&gt;Este andar tem mais restaurantes do que lojas. Mas aqui fica a banca sofisticada onde ela sempre compra o jornal e aproveita para dar uma olhada nas revistas. E aqui fica também a lanchonete onde todo dia ela toma um café pingado e come um pãozinho de queijo. A balconista coloca a xícara na bandeja com um biscoitinho no pires e mais um pequeno copo plástico com água gasosa. Ela mesma carrega a bandeja para uma das mesas.&lt;br /&gt;Bebericar o café, dando pequenas mordidas no pão, traz-lhe uma sensação de imenso relaxamento. Quando acaba, sobe a escada rolante para o segundo andar. Aqui, sim, há várias vitrinas interessantes.&lt;br /&gt;Entra numa loja de produtos femininos orientais. Gosta da bijuteria exótica, que espia longamente. Quando a moça lhe pergunta se pode ajudar, ela responde que “se precisar de alguma coisa te chamo, querida”.&lt;br /&gt;Continua a caminhar, mas já se sente um pouco cansada. Não é mais tão fácil para ela como antes percorrer os três andares do shopping. Segue um pouco mais devagar e logo vai sentar-se num sofá próximo.&lt;br /&gt;São muito convenientes esses conjuntos de sofás e poltronas de couro falso, mas bonito, colocados, em todos os andares, no corredor mais largo onde ficam as escadas rolantes. Permanece sentada quase meia hora num sofá preto, sabe que ninguém a tirará daí.&lt;br /&gt;Não tem o menor medo de que os seguranças vestidos com bons ternos escuros a incomodem. Fica olhando um deles. São uns sujeitos grandes e mal-encarados, sempre de prontidão nos cantos mais discretos.&lt;br /&gt;Não tem motivo para temer. Não é uma compradora e sim uma penetra, que vem mais para espiar roupas, objetos, pessoas. Mas às vezes até que leva as coisinhas baratas que vai descobrindo.&lt;br /&gt;E vem sempre vestida inteiramente de acordo, cuida muito disso. Seu dinheiro é mínimo, mas considera esta uma despesa indispensável, mesmo que sacrifique a comida.&lt;br /&gt;Não faz mal repetir roupas, mas precisam ser de boa qualidade, neutras e informais. Assim se vestem as mulheres que moram ali perto e quer ser confundida com elas.&lt;br /&gt;Esse aspecto minuciosamente correto lhe garante a aceitação. Passa despercebida. Poderia ficar aí sentada horas, folheando seu jornal. Mas prefere continuar a caminhar, e pouco depois se levanta. É quando vem a boa surpresa do dia.&lt;br /&gt;Numa bancada de venda de produtos para surfistas, vê, entre camisetas e relógios, pequenos chaveiros diferentes e engraçados. Adora chaveiros, tem uma porção deles enfiados numa grande argola de plástico azul, que carrega sempre na bolsa. Aproxima-se e fica manuseando os chaveiros, sob o olhar amável da vendedora sorridente.&lt;br /&gt;Seu coração dá um salto, quando ela encontra um chaveiro que é uma pequena sandália havaiana azul, esmaltada em cima, com borboletas amarelas.&lt;br /&gt;- Quanto é este? – pergunta à moça.&lt;br /&gt;E ouve a maravilhosa resposta:&lt;br /&gt;- Dez reais.&lt;br /&gt;Meu Deus, dez reais, que bom, é barato, ela pode levar.&lt;br /&gt;Puxa sua carteira da bolsa, tira de dentro os dez reais, paga, diz que não é preciso embrulhar o chaveiro e volta para o sofá com ele. Quer transferir imediatamente para o chaveiro novo as chaves do seu apartamento, que estão em outro, já velho, meio enferrujado.&lt;br /&gt;Voltará para o Catete com mais um dos seus pequenos objetos dispensáveis, às vezes sem nenhuma utilidade, mas que gosta tanto de comprar. Maravilha!&lt;br /&gt;Claro que está velha. Claro que é pobre. E claro que passará mais um Natal e fim de ano sozinha: seu marido morreu, nunca teve filhos, seus pais também morreram e o que resta da sua família mora em outra cidade, muito longe.&lt;br /&gt;Mas, neste momento, ela esquece de tudo isso. Ganhou seu dia. Já pode ir para casa. Decide não comer um sanduíche, como almoço, no shopping mesmo.&lt;br /&gt;Preparará alguma coisa para almoçar quando chegar em casa, assim o dia sairá mais em conta.&lt;br /&gt;Fica mais algum tempo no sofá, depois se levanta, adiante joga o chaveiro velho num recipiente para lixo, e segue para a escada rolante, a saída do shopping, chega ao ponto do ônibus.&lt;br /&gt;Sabe que, com seu novo pequeno objeto para olhar e apalpar, com seu brinquedinho, não haverá nenhum problema pelo resto do dia.&lt;br /&gt;Durante a tarde inteira, enquanto não começam as novelas que a anestesiam até a hora de dormir, evitará aquela angústia desesperada, não pensará outra vez em se atirar pela janela e não precisará de nenhuma dose extra do seu remédio forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----//-----&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Presente, ausente&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-YHT6fmh0-j0/Tvi_-cDYkVI/AAAAAAAAAcg/FnNC7D-LNIE/s1600/pacote.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 255px; DISPLAY: block; HEIGHT: 276px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690509208585802066" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-YHT6fmh0-j0/Tvi_-cDYkVI/AAAAAAAAAcg/FnNC7D-LNIE/s320/pacote.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acordou, saiu rapidamente da cama.&lt;br /&gt;Foi até a cozinha, pegou o interfone, ligou para a portaria do prédio. A resposta do porteiro veio rápida: não, ninguém deixara pacote algum para ela.&lt;br /&gt;Desligou com um nó na garganta, os olhos cheios de lágrimas. Caminhou vagarosamente, encurvada, para sua cadeira de balanço.&lt;br /&gt;Mas que idiota tinha sido. Claro que já deveria saber. Era tarde demais, estava com 79 anos.&lt;br /&gt;Sim, tardíssimo! Como chegara a imaginar que ainda seria possível? Tinha de encarar a realidade. Não havia como fugir disso.&lt;br /&gt;Ninguém lhe daria outra vez, nunca mais, um ursinho de pelúcia de presente de Natal.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ESTES TRÊS CONTOS SÃO INÉDITOS&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-8673044653909986289?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/8673044653909986289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/tres-contos-ineditos-de-sonia-coutinho.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/8673044653909986289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/8673044653909986289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/tres-contos-ineditos-de-sonia-coutinho.html' title='TRÊS CONTOS DE SONIA COUTINHO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-0fTzC0UEG0k/Tvi-y7q6T3I/AAAAAAAAAcI/MG7Do7OdarM/s72-c/amanhecer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-3457609847285097749</id><published>2011-12-26T10:25:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T10:31:54.368-08:00</updated><title type='text'>TODA A VERDADE SOBRE A TIA DE LÚCIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Uma resenha de Rubem Mauro Machado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-qpp506AqfMc/Tvi81lMpuDI/AAAAAAAAAbw/j2sB1gr2MNk/s1600/4.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 172px; DISPLAY: block; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690505757886887986" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-qpp506AqfMc/Tvi81lMpuDI/AAAAAAAAAbw/j2sB1gr2MNk/s320/4.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;A arte de Sonia Coutinho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O universo dos contos de Sonia Coutinho é concentrado e fechado, com freqüência opressivo, girando sempre, como já salientei em outra ocasião, em torno de uma personagem única, bem determinada (em mais de um sentido do termo): a mulher de classe-média, já experiente e vivida, dedicada ao trabalho intelectual e/ou artístico, que veio buscar na vida da cidade grande – no Rio de Janeiro – a independência, o livre mover-se, o escape da armadilha da mediocridade provinciana. E que por seu orgulho paga o alto preço da solidão. Esta é lamentada; mas é de se duvidar que esse alter ego tenha qualquer dúvida sobre a decisão, dura mas inevitável, que determinou o seu modo de estar no mundo.&lt;br /&gt;O que poderia ser uma leitura penosa, no entanto, se converte em prazer, pelo talento da escritora, que nos leva a deslizar com a suavidade de um barco pelo seu texto ágil, de frases econômicas e certeiras, temperado em alguns momentos por uma pitada de humor ou ironia.&lt;br /&gt;Qualidades essas todas presentes nos 20 contos, alguns muito curtos, reunidos no seu último livro Toda a verdade sobre a tia de Lúcia, que acaba de ser lançado pela 7 Letras.&lt;br /&gt;Alguns deles, como os dois que abrem o volume de apenas 90 páginas, Invisibilidade e Chocolate amargo, estão com certeza entre os melhores que a autora já escreveu, oscilando entre a melancolia e a fantasia que liberta.&lt;br /&gt;Tenho antipatia pessoal por minicontos em geral. Mas gosto de contos curtos, de alta concentração, de que Violência, contido em apenas uma página, é belíssimo exemplo. O conto-título por sua vez explicita bem a temática dominante neste e em outros livros. Outros contos ajudam a compor um mundo de fragmentação e carência, de amores frustrados ou fugitivos. Nele a personagem de muitos nomes busca o tempo todo encontrar, ou dar, um sentido ao absurdo da existência. “Todos acabamos descobrindo o que se costuma chamar de “o grande mistério da vida”. Mas é sempre tarde demais.” resume em Descoberta. No entanto, a arte, exercitada ou apenas referida, permeia todo esse pessimismo radical. É como se Sonia afirmasse que, por meio da atividade artística, incluindo-se aí a literatura, somos capazes de transcender a imanência que nos ata, somos capazes de nos justificar, e assim de algum modo obter a gratificação que redime todas as agruras e limitações inerentes ao curto percurso que toca a cada um neste planeta insignificante, mas que ainda assim guarda tudo o que amamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cTC6qo7_GpU/Tvi9ZZT-IOI/AAAAAAAAAb8/zPnuVqgYxcU/s1600/todaaverdade.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690506373171650786" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-cTC6qo7_GpU/Tvi9ZZT-IOI/AAAAAAAAAb8/zPnuVqgYxcU/s320/todaaverdade.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-3457609847285097749?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/3457609847285097749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/toda-verdade-sobre-tia-de-lucia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3457609847285097749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3457609847285097749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/toda-verdade-sobre-tia-de-lucia.html' title='TODA A VERDADE SOBRE A TIA DE LÚCIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-qpp506AqfMc/Tvi81lMpuDI/AAAAAAAAAbw/j2sB1gr2MNk/s72-c/4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4568703400226225343</id><published>2011-12-26T10:17:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T10:25:22.786-08:00</updated><title type='text'>ELLA, PRESENTE DE JOÃO UBALDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-M9ooTh37MRc/Tvi7cdXa8gI/AAAAAAAAAbk/leZ-LvhZ6BA/s1600/ellafitzgerald.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 230px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690504226776216066" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-M9ooTh37MRc/Tvi7cdXa8gI/AAAAAAAAAbk/leZ-LvhZ6BA/s320/ellafitzgerald.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ubaldo lembrou que ouvimos essa música ainda em Salvador. E me mandou por e-mail...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;iframe height="360" src="http://www.youtube.com/embed/-65ze5P9wGI?rel=0" frameborder="0" width="480"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4568703400226225343?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4568703400226225343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/ella-presente-de-joao-ubaldo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4568703400226225343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4568703400226225343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/ella-presente-de-joao-ubaldo.html' title='ELLA, PRESENTE DE JOÃO UBALDO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-M9ooTh37MRc/Tvi7cdXa8gI/AAAAAAAAAbk/leZ-LvhZ6BA/s72-c/ellafitzgerald.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-1775843119408186182</id><published>2011-12-26T10:13:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T10:16:56.279-08:00</updated><title type='text'>UM CONTO DE ELIAS FAJARDO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Tela de Neo Rauch&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-KUVf3WGOARw/Tvi5t-flaxI/AAAAAAAAAbY/wM3v3Hvg23w/s1600/neorauchelias.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; DISPLAY: block; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690502328703347474" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-KUVf3WGOARw/Tvi5t-flaxI/AAAAAAAAAbY/wM3v3Hvg23w/s320/neorauchelias.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O encontro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sei se estou morta ou viva, dormindo ou acordada, parece que vou pra um lugar encantado. Me sinto assim quando na cama com ele. Estou falando de um cara muito especial, o Carlos, que sabe tirar leite das pedras, se é que você me entende. Mas quando faço amor com ele penso em outros (e outras) e isso aumenta a excitação e a sensação de me sentir traindo, sei lá, e ao mesmo tempo preservando um terreno só meu, que ninguém pode alcançar. Toda vez que vou pra cama carrego tudo que já fiz e imaginei fazer nela. Em cada beijo, todos os beijos. E assim por diante, se é que você está me entendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde eu estava com a cabeça quando fiz aquilo?, pergunta-se Rubem. Nem dá pra dizer como foi. Todos os começos a gente devia escrever num diário ou apenas no diário imaginário da fantasia. Não registro nada, por medo de que alguém descubra, e também por achar que nada do que possa registrar vai ser tão intenso (ou bem escrito) quanto o que vivi. Não sou nada, ou melhor, sou 39, 42 ou 25, dependendo da ocasião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Profissionalmente, sou uma mulher meio realizada. Meio porque sempre que me empolgo, minha amiga Mara me diz: “Menos, Norma, menos.”&lt;br /&gt;Dou aulas de português e literatura. Tem horas que acho isso o máximo: mostrar pra rapaziada o conto “O espelho”, de Machado de Assis, e dizer que ele “ se desenvolve em torno de uma teoria da alma que supõe um ceticismo radical frente à constituição imaginária e alienada do eu, suportada pelo vazio e reposta pelo comércio especular das aparências.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amizade pra mim é algo muito precioso, mais valorizado até do que o amor. Parece que quase todos os homossexuais pensam assim, mas será que sou mesmo um homossexual? Já fiz com mulher, homem, gente grande, coroa, criança, bichos. Sou como todo mundo é, só que não confessa. Nem admite. Eu mesmo não admito, se me disserem ou me cobrarem a minha vida pregressa, nego tudo que acabei de fazer indagorinha e que me deu muito prazer. Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagina, tou brincando. Você acha que uma mulher como eu, professora do segundo grau do município, enfrentando uma rapaziada que não quer nada com nada, vai falar difícil em sala de aula? Começo sempre do início: digo a um bando de mais de trinta moços e moças desinformados, mal nutridos, desinteressados, quem foi Machado de Assis, porque o que ele escreveu nos interessa e assim por diante. Tento ser como o elefante do Carlos Drummond de Andrade: toda manhã juntar os cacos e recomeçar.&lt;br /&gt;Tudo bem, a profissão não é nada. O mais complicado é a vida amorosa, ainda mais agora que a minha melhor amiga me confessou...&lt;br /&gt;péra aí... xii, tocou o telefone. Depois continuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui tentando me entender comigo mesmo, não sei se isto é um diário, uma confissão ao gravador, ao computador: o que interessa é rasgar o véu da fantasia. E já que me rasguei todo, vou ser mais claro: o sexo não é só carnal, são sentimentos, idéias, desejos trocados e desencadeados. Tenho muitos amigos e um namorado, mas não sei o quê nem a quem quero, a quem entrego meus melhores pedaços. Estou só como uma pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A janela deixa entrever uns telhados, a Igreja da Glória se espreguiça entre a neblina que cobre parte do morro. Vento frio e sol quente de inverno brincam de entrar e sair no apartamento de Norma. “Não sei se vou à praia ou se pego um cinema. Vou ligar pra Mara e dizer que não quero mais saber desta triangulação, deste ménage à trois mal resolvido, não sou mulher de deixar pra amanhã o que posso fazer hoje. Ou sou?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubem chega à janela do seu apartamento no centro de Juiz de Fora a tempo de ver os últimos raios do sol se pondo atrás dos edifícios, uma revoada de pombos, freadas no asfalto. O carrilhão da igreja badala as seis da tarde.&lt;br /&gt;Espanto, sombras,&lt;br /&gt;ângulos agudos, crepúsculo.&lt;br /&gt;Rubem garante a si mesmo que não provocou, apenas foi um participante. O namorado nos braços de outro, e com o seu consentimento. A gente sempre fantasia, imagina mil detalhes, mas quando acontece parece que nem foi real: mais uma cilada da imaginação desenfreada. Não era bem isso que ele estava pensando em curtir. Nem eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mara entra na casa de Norma: uma lufada de vento, um pequeno furacão de cabelos ruivos e fala solta. Amigas do peito e de dividir tudo. Até o namorado, pensa Norma, desconsolada. Carlos até que gostou da brincadeira, mas ela, mesmo, não sei. Quanto mais moderna e contemporânea a gente se torna, mais conservadora por dentro. Quem diria que eu pudesse me chamar assim. Estou mexida, desarvorada, ora, isso não passa de um ataque de ciúmes bobo, adolescente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“todos os temas&lt;br /&gt;um tema:&lt;br /&gt;o tempo”&lt;br /&gt;escreve Rubem no seu lap-top, assim mesmo sem maiúsculas, uma tentativa de hai-kai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma: “Você fica aí andando de um lado pro outro, porque não atende o telefone?”&lt;br /&gt;Carlos: “Ué, mas o telefone não tocou”.&lt;br /&gt;Norma: “Não tocou porque eu ainda não liguei, ora”&lt;br /&gt;Estava tudo tão bom, nós dois no maior amor, escrevendo com pilot no banco do parque: “Norma e Carlos”, e agora é como se me tivessem tirado o tapete debaixo dos pés. Tenho de culpar alguém, talvez eu mesma, com todo meu liberalismo de butique, mania de achar que posso tudo. Não posso porra nenhuma! E dá uma vontade danada de implicar com o Carlos, criar caso por conta de pequenas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais difícil não é o que fazer, mas o que não fazer. Se temos uma relação boa, de confiança recíproca e intensa sexualmente, qual o problema se alguém se mete na nossa cama, de repente? As relações abertas, ainda que fugazes, iluminam a mesmice da vida. Mas não é tão simples. Ando cansado do sexo fortuito, todo mundo faz com todo mundo, quero alguém pra chamar de meu. Mas como, se, mesmo numa cidade conservadora como esta, ninguém é de ninguém?&lt;br /&gt;As pessoas tremem de frio, enfiam as mãos nos bolsos do casaco, uma lufada de inverno percorre a rua Halfed. Bancos, loterias, lojas de móveis e eletrodomésticos, lojas de CD com ruído de duplas romântico-sertanejas. E um coração solitário que olha pela janela do quinto andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou dizer pra ela que não quero dividir meu homem. Carlos é meu, e ninguém tasca. Esta coisa sueca de partilhar namorado não combina com meu temperamento latino. Mas não quero ferir Mara, minha amiga, minha amada companheira.&lt;br /&gt;Norma: Mara, toma mais uma cerveja, minha linda, depois descemos pra comprar mais.&lt;br /&gt;Mara: Menos, amiga, menos. Assim a gente não consegue estudar pro concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na academia de ginástica, no meu primeiro dia! Putzgrila, eu tinha que fazer merda! Olhei demais prum coroa que não era nem essas coisas e ele me encarou feio: “Tás querendo o quê, meu! Pára de olhar pro meu pinto.” A ducha fria gelou o peito de Rubem.&lt;br /&gt;Não preciso disso, tenho namorado, mulheres com que transo de vez em quando, pra que ficar nessa fissura? Não quero agir como bicha vagabunda, posso ser expulso da academia!&lt;br /&gt;Eu queria deitar na cama e escolher uma palavra pra ficar repetindo, repetindo até que o som se descole do sentido e tudo pareça um outro universo, diferente desse onde só faço dar com os burros n’água.&lt;br /&gt;Rastros de conversa na esquina.&lt;br /&gt;Tique taque do relógio na noite.&lt;br /&gt;O canto do canário ilumina a madrugada.&lt;br /&gt;Carlos toma um valium e tenta dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se é que você está me entendendo, eu não quero ser palmatória do mundo.”&lt;br /&gt;“Mas Norma, o que é palmatória?” pergunta Mara, meio falsa, meio a sério.&lt;br /&gt;“Palmatória é uma coisa que nas escolas de antigamente, as professoras usavam pra dar porrada nas mãos dos alunos!”, e Norma dá umas palmadas na bunda da amiga que morre de rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João chega em casa com a pulga atrás da orelha. Sente que o outro o olha de banda, mas não dá o braço a torcer. O bom cabrito não berra.&lt;br /&gt;“Vamos ao cinema, Rubem?” Está passando um filme com o Leonardo de Caprio.”&lt;br /&gt;Um Rubem de olhos lânguidos o enlaça apaixonadamente: “Se ele soubesse quanta doideira se esconde aqui nesta cabecinha...” E emenda: “Vamos sim, cara, tem uma sessão daqui a pouco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Norma com uma sensação de dor de corno, e ao mesmo tempo percebendo um certo encanto no que aconteceu. Os três estavam bebendo na Lapa e, aos poucos, foram se soltando. Lembrou-se do Peter O’Toole que dizia ser bonito dependendo do ângulo de luz. Carlos é assim também: um sujeito que fotografa bem, comprido, anguloso, esguio como bambu ao vento, com uma cara marcada de espinhas mal curadas. E Mara também estava especialmente bela, com um colar vagabundo de contas de madeira comprado no camelô, batom carmim nos lábios grossos, olhos cor de jabuticaba sem pintura. O que a gente leva da vida é a vida que a gente leva, pensa Norma, e não consegue mais parar de rir. Vamos esticar lá em casa, propôs Carlos, e os três vão andando tropegamente para o apartamento na rua Riachuelo, oitavo andar, uma única janela que se abre para os telhados vizinhos e um visual de final do século XIX, uma torneira pingando e a pia da cozinha cheia de louça suja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João acorda tonto. Bebeu demais no bar Marraquech, não segurou as pontas de duas caipirinhas e ainda pediu uma terceira. Depois deu um bolo em Rubem, deixou o amigo esperando sem dar notícias e se enfurnou em casa, disposto a dormir, mas sem conseguir. Aos poucos vai relaxando, a relação com Rubem o incomoda. João ainda não desistiu de ser hetero e sonha com namoradas para dar uma satisfação a si mesmo, à família e à sociedade.&lt;br /&gt;Melhor tentar dormir do que encarar a noite de Juiz de Fora, tão desanimada quanto um final de festa. Uma sensação boa vai invadindo João: imagina que, por dentro de suas têmporas, estão presos dois elefantes, um de cada lado da cabeça. Os elefantes vão empurrando a pele e os ossos com as trombas, e o crânio vai se distendendo; o cérebro vai sendo penetrado pela água limpa do regato que lhe irriga também as veias intumescidas e o couro cabeludo já um pouco sem cabelos. Imagina as mandíbulas presas ao resto da cabeça por dois parafusos que ele vai afrouxando, desenroscando, então o queixo cai, a garganta se solta, uma baba escorre pelo canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mara detesta que lhe acariciem as costas. Sente cócegas, irritação, sei lá. Mas adora que lhe passem a mão na frente. E por aí vai. Norma já nem sabe de quem é a mão que lhe percorre os seios. Os três juntos numa cama estreita pra tanto corpo, santíssima trindade da sacanagem e do tesão. Carlos vem por cima, mas não se importa de ficar por baixo. Norma prefere o meio, vira sanduíche entre a amiga e o namorado. Risos, beijos, chupões, pernas e braços entrelaçados entre um gole e outro de cerveja. Mulher fazendo papel de homem e homem de mulher, Carlos sendo penetrado pelos dedos das duas e Mara sendo enrabada pela amiga. Todos os gatos (e gatas) são pardos na imprecisa madrugada. Quem gozou, gozou, quem não gozou, gozasse. Bocas, sexos, coxas, suspiros. E um sono reparador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João acorda lembrando de um episódio que preferia esquecer. Estavam ele, um amigo, uma garota, uma garrafa de cachaça e vários baseados num wolks, numa estrada vicinal. Conversa vai, conversa vem, mais um trago, mais um tapa, mais um aperto escondido. Carícias de homem se confundem com as de mulher, uma desconfiança percorre cada um dos participantes. A moça quer que lhe dêem logo o dinheiro que combinaram antes de avançar mais, o amigo quer João, mas acha que deseja a garota, e ele, João, quer apenas dar mais uma bicada na cachaça para ver se acha algum sentido num programa tão insensato. As sombras das árvores atravessam a estrada, são longos dedos negros que se movem, surgem e desaparecem. Uma coruja brilha seus olhos diante dos faróis, morcegos cruzam a luz emitida pelo carro, mais um aperto, risos nervosos, nenhum dos três parece se divertir com a situação, mas é preciso mostrar que estão a fim, ninguém quer desistir primeiro. João arrisca um beijo no amigo, que foge com a boca, finge nojo. A moça ri a bandeiras despregadas, desprende o fecho do sutiã e deixa sair os peitos meio murchos, que João acaricia. O amigo também quer ver mais de perto e tira as mãos do volante. O carro começa a balançar, o amigo não vê a curva, não faz a curva e o carro entra pasto a dentro, mergulha no rio. João, o único que sabe nadar, sobrevive e vai embora sem socorrer o amigo e a garota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mara, Carlos e Norma acordam com gosto de cabo de guarda chuva na boca. Quero ir-me embora desta cama, desta situação o mais rápido possível, se é que vocês estão me entendendo! exclama Norma, tentando vestir a saia. Carlos está feliz, sente-se dono de um harém, quer mais sexo, mais carícias, dormir abraçadinho. E Mara não quer nada, não sabe se ri ou chora. Nos metemos numa canoa furada, eu pelo menos estou me sentindo cheia de furos, de desacertos, não gostei nada, e não vou me fingir de moderninha dizendo que foi bom, diz Norma, olhando de cara a decepção refletida nos olhos dos dois parceiros. Um sol quente de manhã entra pela janela, a empregada da vizinha liga o rádio alto, na rua lá embaixo um alto-falante oferece pamonha quentinha. Agora não adianta moralizar, pondera Carlos, o que está feito está feito, o que não tem remédio remediado está. Mara acende um cigarro, não diz o que sente nem o que deixou de sentir. A fumaça envolve três cabeças descabeçadas em cima de uma cama desarrumada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João desconfia que foi por causa do desastre de carro que ele aceitou, sem resistência, fazer sexo a três com Rubem e um desconhecido que eles pegaram na rodoviária. O cara, cabreiro, não queria ir, mas Rubem o convenceu com uma boa conversa e alguns reais a mais. E foram os três pro apartamento de Rubem com um certo entusiasmo inicial, mas que, depois da primeira cerveja, desandou. Mãos, pernas e bocas se tocam e se desencontram. Rubem tenta descontrair botando um cd de jazz mas não houve jeito. O sujeito sai porta afora feito cachorro que quebrou o pote, mergulha na neblina do inverno mineiro enquanto Rubem e João olham pra cara um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não agüento mais esta história, vou passar uns dias no interior, resolve Norma. E pega um ônibus para Juiz de Fora, onde vai se hospedar na casa de uma prima. O ônibus corre pela BR e as cenas se misturam na cabeça de Norma. Nós três na cama foi ótimo, nunca tinha tido tanto prazer, meu namorado e minha amiga, os seres que mais amo entrando e saindo de mim. E porque não? Se eu não fosse tão culpada ia achar é bom, querer mais. O ônibus acelera. Norma e a paisagem fora e dentro de si mesma. As árvores, o rio, a montanha cheia de lanhos e água escorrendo depois da chuva. E ela, cheia de sentidos e sentimentos, perdida e achada, desencontrada, mas feliz. Liga pra Carlos pra dizer tudo isso, mas o celular dele está fora de área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rubem e João se encontram na rodoviária de Juiz de Fora. Vão esperar um amigo que vai chegar do Rio de Janeiro. Os dois andam ressabiados, mal se olham, poucas palavras e silêncios longos. Muita gente saindo do ônibus e eles não encontram o tal amigo. Norma tenta sair do ônibus, pra que pressa, meu Deus, eu vim descansar, desce a escada e a mala despenca de suas mãos e vai cair no pé de João, que disfarça a dor e dá um sorriso amigável pra morena:&lt;br /&gt;“Não tem problema, moça, sua mala está em boas mãos”. João, Rubem e Norma saem conversando: nunca se viram antes, mas parecem velhos amigos. Rubem empurra a mala de rodinha de Norma e os três tomam um táxi para a rua Halfed.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-1775843119408186182?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/1775843119408186182/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/um-conto-de-elias-fajardo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1775843119408186182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1775843119408186182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/um-conto-de-elias-fajardo.html' title='UM CONTO DE ELIAS FAJARDO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-KUVf3WGOARw/Tvi5t-flaxI/AAAAAAAAAbY/wM3v3Hvg23w/s72-c/neorauchelias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-113976685108507997</id><published>2011-12-26T10:09:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T10:13:22.416-08:00</updated><title type='text'>POEMA DE FERNANDO DA ROCHA PERES</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zJGlU1VjLCA/Tvi4-TfXXQI/AAAAAAAAAbM/eca7EGj2dXc/s1600/CORUJASFERNAN.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 210px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690501509705850114" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-zJGlU1VjLCA/Tvi4-TfXXQI/AAAAAAAAAbM/eca7EGj2dXc/s320/CORUJASFERNAN.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;VISAGEM&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amo os objetos&lt;br /&gt;os mais simples,&lt;br /&gt;toscos e velhos,&lt;br /&gt;inusitados sempre.&lt;br /&gt;Uma calçadeira.&lt;br /&gt;Um maçarico.&lt;br /&gt;Uma cadeira de barbeiro, e tudo&lt;br /&gt;de madeira ou ferro.&lt;br /&gt;As coisas úteis&lt;br /&gt;que o tempo estagnou&lt;br /&gt;carregam lembranças.&lt;br /&gt;Todos, na penumbra,&lt;br /&gt;destilam uma poeira&lt;br /&gt;interior e ensinam&lt;br /&gt;que a vida permanece&lt;br /&gt;no tateio do usado,&lt;br /&gt;de uma natureza outra.&lt;br /&gt;Os objetos nos espreitam&lt;br /&gt;como se fossem corujas&lt;br /&gt;dentro de casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-113976685108507997?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/113976685108507997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/poema-de-fernando-da-rocha-peres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/113976685108507997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/113976685108507997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/poema-de-fernando-da-rocha-peres.html' title='POEMA DE FERNANDO DA ROCHA PERES'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zJGlU1VjLCA/Tvi4-TfXXQI/AAAAAAAAAbM/eca7EGj2dXc/s72-c/CORUJASFERNAN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-7164087007561159759</id><published>2011-12-26T09:54:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T10:08:47.594-08:00</updated><title type='text'>A ESCRITA COMO NECESSIDADE DE VIDA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Entrevista de Sonia Coutinho a Lima Trindade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bqgf4AzANdo/Tvi3UAUXwTI/AAAAAAAAAa0/JVwB0-54z6g/s1600/fotosonia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690499683493331250" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-bqgf4AzANdo/Tvi3UAUXwTI/AAAAAAAAAa0/JVwB0-54z6g/s320/fotosonia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonia Coutinho nasceu em Itabuna-BA. Aos oito anos passou a viver em Salvador e, em 1968, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se tornou jornalista, tradutora e escritora. Traduziu cerca de cem livros. É uma das mais importantes escritoras brasileiras em atividade. Conquistou o Jabuti por duas vezes, o Status, para literatura erótica, e, pela Biblioteca Nacional, o Prêmio Clarice Lispector de contos. Participou de diversas antologias no Brasil e no exterior e teve quase toda a sua obra reeditada pela 7Letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Lima Trindade&lt;/strong&gt;: Como se deu sua aproximação com a literatura, quais os primeiros livros que leu? Gostaria que falasse um pouco de sua formação como escritora. Você cresceu num ambiente de leitura e estímulo ao pensamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sonia Coutinho&lt;/strong&gt;: Meu pai era um intelectual. Formado em Direito, tornou-se político e foi eleito deputado estadual em três legislaturas. Escrevia poesias e traduziu poemas, por exemplo, de Baudelaire. Tínhamos muitos livros em casa e bons livros. Desde muito pequena eu adorava ler e pulei das histórias de fadas para os livros adultos do meu pai. Lembro de ter lido, ainda menina, os contos completos de Guy de Maupassant e um livro de contos de Katherine Mansfield, que amei: “Felicidade”. Meu irmão também é um intelectual, embora não da área de literatura e sim de ciência política. Meus primeiros contos foram as redações de português, na escola. Os professores me encorajavam muito. Mas, fora desse belo quadro que acabei de traçar, não posso dizer que tenha recebido estímulo para me tornar uma escritora. Sofri uma grande pressão, por parte da família, para não abandonar os modelos estabelecidos. Houve muitos e dolorosos conflitos. Mesmo assim, continuei e continuo escrevendo. O jornalismo e a tradução, minhas duas atividades profissionais, acho que foram muito importantes em minha formação de escritora. Também, com certeza, as viagens que tive a oportunidade de fazer e o grande número de pessoas do meio literário e artístico com as quais entrei em contato, nesse percurso. O lado pior para a literatura, em tudo isso, é que nunca tive o tempo necessário e ainda não tenho, para me dedicar detidamente a ela ou a outras atividades artísticas que me dão prazer. Mesmo a esta altura, preciso continuar traduzindo para sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LT&lt;/strong&gt;: A mudança para o Rio de Janeiro, em função do contato com editores e escritores, favoreceu sua carreira literária, deu-lhe maior visibilidade? Considera que possa ter causado também algum tipo de perda no plano artístico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Não vim para o Rio apenas em função desses contatos que você menciona. Na Salvador dos anos 60, eu vivia uma situação pessoal que sentia como sufocante e limitadora, em vários planos. Vir para o Rio e fazer jornalismo na grande imprensa foi uma experiência muito enriquecedora para mim. Alarguei minhas fronteiras humanas. Claro que o Rio também foi duro, sob vários aspectos. Mas acho que não havia outra saída e que o saldo foi positivo. Hoje, tudo mudou e não sei se uma atitude como a que tomei seria ainda necessária. Talvez já seja possível ficar aí (Salvador) numa boa, sem diferença nenhuma. Com relação à literatura, acho que, se minha vida se alargou, o mesmo deve ter acontecido com meus escritos. E estando no Rio, mais perto da imprensa dita “nacional”, claro que tive mais visibilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LT&lt;/strong&gt;: Enxerga diferenças no lugar que mulher e homem ocupam dentro da literatura brasileira? A crítica especializada guarda algum tipo de preconceito, velado ou explícito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Não creio que, quando um resenhista escreve sobre um livro de autor que ele não conhece, faça alguma diferença se é homem ou mulher. Mas ainda vejo, sim, uma diferença na questão do reconhecimento, da validação final do trabalho. É mais fácil para um homem ser reconhecido do que para uma mulher. Você constata isso comparando, por exemplo, a diferença de número entre escritores dos dois sexos que ocupam cadeiras na Academia Brasileira de Letras. As mulheres entraram, mas são comparativamente poucas. Em eventos literários importantes, sempre são convidados muito mais autores homens. O número de escritores homens que aparecem na mídia é bem maior, embora muitas mulheres estejam escrevendo e publicando. E vai por aí. Poucas escritoras conseguem entrar no panteão dos Grandes, no Brasil. Ou em toda parte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Kátia Borges&lt;/strong&gt;: A Bahia aparece em seu romance “Atire em Sofia” como um lugar sombrio, uma Salvador sem nome, mas com as características da cidade. Por que essa espécie de sublimação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Embora eu guarde uma grande nostalgia de Salvador, a ponto de nunca ter me afastado inteiramente da cidade, foi aí que tive as experiências mais duras da minha vida. Fiz mais de vinte anos de análise para tentar descartar esses traumas e não sei se consegui inteiramente. A cidade que aparece no “Atire em Sofia” tem mais a ver com essas experiências pessoais profundas do que com qualquer cidade real, embora apresente características de Salvador. Talvez por isso eu não dê nome a esse lugar sombrio, cheio de aparições e assombrações e onde acontece um crime...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LT&lt;/strong&gt;: Sua produção de livros de contos e romances é muito equilibrada. Tem alguma definição pessoal para o conto? O que busca hoje num romance, seja seu ou de outro escritor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: No momento, estou sem nenhum projeto de escrever um romance. Há muito tempo escrevo apenas contos e não com a frequência que desejaria. Talvez porque, de dez anos para cá, tenha enfrentado novos problemas que interferiram com minha criação literária. Está difícil realizar projetos que exijam mais planejamento, mais horas de computador, como é o caso de um romance. Quanto à segunda parte da sua pergunta, não tenho uma “definição” para o conto. Poderia falar em tendências que tenho observado. Nos últimos anos, apareceram cada vez mais os contos curtos. E “contar uma história”, no sentido convencional, saiu de cena por completo, a não ser como um jogo. Vejo também, no conto hoje, uma descrença total no “realismo”, digamos assim. O autor fala diretamente com o leitor, os personagens tiram suas máscaras. Num romance de outro autor, não busco nada específico, a não ser, talvez, que ele alargue, de alguma forma, minha percepção da vida... Quanto aos meus romances, nunca tive expectativa prévia. Nasceram ao sabor do que ocupava minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-irPWD5W5FMs/Tvi3lm7GFwI/AAAAAAAAAbA/N5wLivBgsIc/s1600/fotosoniasidarta.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; DISPLAY: block; HEIGHT: 210px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690499985914074882" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-irPWD5W5FMs/Tvi3lm7GFwI/AAAAAAAAAbA/N5wLivBgsIc/s320/fotosoniasidarta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mayrant Gallo&lt;/strong&gt;: Qual o seu livro que você mais aprecia? Qual o seu conto que você considera perfeito? E por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Escrever literatura sempre foi para mim uma atividade penosa, embora também “salvadora”. Escrevo por uma forte necessidade interior, mas não diria que “por prazer”. Não “lambo a cria”, como se diz. Assim, fica complicado dizer que livro meu mais aprecio. E não considero “perfeito” nenhum conto meu. Essa idéia de perfeição nem me passa pela cabeça. O que quero é botar para fora algo que está dentro de mim, pedindo para sair – e completar o processo, o que nem sempre acontece. Muita coisa fica pela metade, inacabada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MG&lt;/strong&gt;: Como monta seus personagens? De modelos da vida real ou de modelos imaginados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Minha literatura sempre esteve bem próxima da vida, nunca foi uma coisa “de gabinete”. Parto de uma experiência vivida, de um episódio de que participei, ou de uma pessoa de verdade que, de alguma maneira, me impressionou. Mas tudo é transformado e, no final, ficam apenas fiapos do que vi ou vivi. O problema é que as pessoas encontram esses indícios e acham que tive, integralmente, experiências que nunca aconteceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MG&lt;/strong&gt;: Você escreveu “Rainhas do crime”, o que nos leva a crer que é uma leitora do gênero policial. Como explica o fato de que, no Brasil, o gênero policial que, pelo mundo, gerou grandes livros, como “O longo adeus”, ou “Santuário”, seja ainda considerado subliteratura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Não vejo pessoas considerando o policial subliteratura, pelo menos no meio em que transito. O que se pensa do policial é que se trata de um gênero específico. Quanto a mim, embora simpatize com o gênero, nunca fui, na verdade, grande leitora de policiais, salvo durante os três anos em que preparei uma pequena dissertação de mestrado que foi publicada com o título “Rainhas do crime”. O que me levou ao policial foi mais a questão da autoria feminina. Não havia escritoras policiais entre nós, quando escrevi a dissertação, salvo Maria Alice Barroso, autora de “Quem matou Pacífico?”, na verdade mais um romance regionalista. Nesse período, anos 80-90, começou a surgir, nos Estados Unidos, o chamado “romance policial feminista”, criado, entre outras autoras, por Sara Paretski, de quem traduzi três romances. Paretski põe em cena uma detetive mulher, Warshawski, bem diferente da Miss Marple da Agatha Christie. Warshawski traz a imagem da mulher sozinha na metrópole, da mulher que trabalha e se sustenta, uma figura que começava a se impor no Brasil. Isso me interessou e então propus, na Escola de Comunicação da UFRJ, fazer minha dissertação sobre autoria feminina no policial. Por outro lado, naqueles anos 90, havia um grande interesse pelo policial entre nós. O autor mais cultuado era Rubem Fonseca, que justamente aboliu a fronteira entre literatura “culta” e “de massa”, escrevendo romances “eruditos” com fortes elementos do policial. Depois da pesquisa para o “Rainhas do crime”, escrevi um romance que é quase um policial, “Os seios de Pandora”. Criei uma repórter que funciona como detetive, Dora Diamante. Em seguida, por uma série de fatores, eu me desinteressei do policial e hoje não leio quase nenhum. Mas respeito o gênero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KB&lt;/strong&gt;: O que acha de alguns críticos, que afirmam que o romance acabou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Confesso que não gosto muito de ler crítica literária. Sempre senti que aprendo muito mais lendo o que os outros escritores escrevem. Mas gosto de ler ensaios sobre arte contemporânea. E lembro que um estudioso de arte, Arthur Danto, já falou, há alguns anos, no fim da arte... Mas a arte continua a ser feita e os romances continuam a aparecer aos montões nas livrarias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KB&lt;/strong&gt;: Como é sua relação com a literatura feita hoje em Salvador? Sente-se em “obrigação” com a produção de sua terra, a exemplo de vários autores que se tornam espécie de embaixadores, ou esta é uma visão provinciana e que a incomoda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Não acho que é visão provinciana, mas não tenho poder para me tornar “embaixadora” de alguma coisa. O máximo que consigo, enfrentando muitas dificuldades, é tocar adiante minhas coisas. Sinto, no entanto, uma simpatia natural pela literatura feita na Bahia. Tenho sempre vontade de me tornar amiga dos escritores baianos. Afinal, continuo sendo uma escritora baiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KB&lt;/strong&gt;: Você atua também como tradutora. Quais os maiores desafios que enfrentou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Sou tradutora profissional, traduzo porque preciso ganhar dinheiro. Então, vou cumprindo as tarefas que as editoras me passam, os desafios têm sempre de ser vencidos. Não posso pensar em traduzir nesses termos de “desafio”. Mas diria que não existe tradução fácil. Todas desafiam, têm problemas, exigem pesquisas, consultas a dicionários, à internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LT&lt;/strong&gt;: O surgimento da net, em sua opinião, estimula a formação de novos leitores? A experiência como blogueira tem sido positiva? Contribui para a aproximação entre escritor e leitor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Sim, acho que a net estimula a formação de novos leitores e, mais ainda, o surgimento de novos escritores. Cada um pode ter seu blog e escrever – e muita gente está fazendo isso. Faço o Sidarta há quase dez anos, com interrupções, e gosto imensamente. Entro em contato com grande número de pessoas interessadas no que ponho em meu jornal eletrônico. E acredito que muita gente procurou meus livros depois de ler meu blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LT&lt;/strong&gt;: A conquista de dois prêmios Jabuti ajudou a consolidar seu nome? Acha que sua obra obteve o reconhecimento que merecia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Ter ganho dois Jabutis com certeza me ajudou a me firmar como escritora, mas o grande público toma pouco conhecimento disso. Também ajudou, embora fosse pouco divulgado, ganhar o Prêmio Clarice Lispector de Conto da Biblioteca Nacional, com “Ovelha negra e amiga loura,” de 2006. Quanto a reconhecimento, pergunto: o que é isso? Se me responderem que ser reconhecido é ganhar bastante dinheiro, obter larga simpatia e muitas amizades, direi que não tenho o reconhecimento que desejava. Queria muito mais, não importa se mereço ou não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LT&lt;/strong&gt;: Existe algum segredo para manter vivo o interesse pela escrita, após tantos livros publicados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt;: Literatura para mim é vida. Manter aceso o interesse pela escrita corresponde a manter aceso o interesse pela vida. E não acho que eu tenha tantos livros publicados, não. Poderia ter escrito muito mais e muito melhor, se tivesse conseguido mais tempo livre e mais apoio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta entrevista foi postada originalmente na revista eletrônica Verbo 21, de Lima Trindade, e teve a participação de outros intelectuais baianos, como entrevistadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-7164087007561159759?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/7164087007561159759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/escrita-como-necessidade-de-vida.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7164087007561159759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7164087007561159759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/12/escrita-como-necessidade-de-vida.html' title='A ESCRITA COMO NECESSIDADE DE VIDA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-bqgf4AzANdo/Tvi3UAUXwTI/AAAAAAAAAa0/JVwB0-54z6g/s72-c/fotosonia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-3710567301983701766</id><published>2011-10-21T12:04:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T12:27:31.761-07:00</updated><title type='text'>TODA A VERDADE SOBRE A TIA DE LÚCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lrKrbLuYfe4/TqHGcyK-zDI/AAAAAAAAAao/s9A21qCTVYU/s1600/P1011166.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666028004015262770" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-lrKrbLuYfe4/TqHGcyK-zDI/AAAAAAAAAao/s9A21qCTVYU/s320/P1011166.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Vocês estão convidados para o lançamento do meu novo livro de contos, "Toda a verdade sobre a tia de Lúcia", que acabei de receber - e achei lindo...Estou aqui "lambendo a cria"...&lt;br /&gt;"Toda a verdade" será lançado no dia 25 deste mês de outubro, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, a partir das 19 horas, num evento coletivo da 7 Letras em que também será lançado o número dois da revista Lado7 e alguns outros livros de autores da editora. Aí está o convite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-L880cwvRoJY/TqHDflIN1tI/AAAAAAAAAac/DfrVanF9aCM/s1600/toda%2Ba%2Bverdade%2B-%2Bconvite.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 180px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666024753518728914" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-L880cwvRoJY/TqHDflIN1tI/AAAAAAAAAac/DfrVanF9aCM/s320/toda%2Ba%2Bverdade%2B-%2Bconvite.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Está na orelha do livro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Embora guardem características que configuram o já conhecido e apreciado universo ficcional da autora, os contos deste livro trazem uma Sonia Coutinho diferente e renovada.&lt;br /&gt;Uma das novidades é a constante presença, como personagens, de figuras das artes e da literatura, que exercem o seu fascínio. Em cena, Joseph Beuys, Van Gogh e Kasimir Maliévitch; ou Clarice Lispector e Vladimir Maiakóvski, entre outros.&lt;br /&gt;Já a extensão dos contos ganha aqui flexibilidade. Há alguns longos mas, entre eles, surgem os que se estendem por apenas duas ou três linhas. Muito curtos, mas poderosos, com seu mistério inquietante.&lt;br /&gt;É a nova microficção de Sonia Coutinho, às vezes escrita diretamente nas redes sociais da internet, e que ela publica pela primeira vez.&lt;br /&gt;Experimental, mas de leitura fácil e atraente, “Toda a verdade sobre a tia de Lúcia” é um convite irresistível, para quem gosta de literatura. Vale a pena conferir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xNgirQJGUSs/TqHDXKY9R-I/AAAAAAAAAaQ/-wltObWRpdI/s1600/fotosoniasidarta.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 220px; DISPLAY: block; HEIGHT: 210px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666024608902236130" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-xNgirQJGUSs/TqHDXKY9R-I/AAAAAAAAAaQ/-wltObWRpdI/s320/fotosoniasidarta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Desculpem, gente... Fica pouco modesto eu colocar isso em meu blog... Mas, se não gostarmos de nós mesmos, quem vai gostar? Era o que dizia sempre meu analista... Então, vai a propaganda... O livro está legal mesmo, não posso mentir...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-3710567301983701766?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/3710567301983701766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/toda-verdade-sobre-tia-de-lucia.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3710567301983701766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3710567301983701766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/toda-verdade-sobre-tia-de-lucia.html' title='TODA A VERDADE SOBRE A TIA DE LÚCIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-lrKrbLuYfe4/TqHGcyK-zDI/AAAAAAAAAao/s9A21qCTVYU/s72-c/P1011166.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-5342887980506173301</id><published>2011-10-21T11:52:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T12:03:33.420-07:00</updated><title type='text'>KARINA RABINOVITZ</title><content type='html'>COM KARINA, A POESIA&lt;br /&gt;TOMA AS RUAS DE SALVADOR&lt;br /&gt;Entrevista de Karina Rabinovitz a Sonia Coutinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Karina &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-m1lSyN5CMQI/TqHAYjPITRI/AAAAAAAAAZg/FbjRghAJe5A/s1600/karina_rabinovitz.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 302px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666021334216887570" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-m1lSyN5CMQI/TqHAYjPITRI/AAAAAAAAAZg/FbjRghAJe5A/s320/karina_rabinovitz.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As intervenções urbanas da artista e poeta Karina Rabinovitz andam mexendo com a cabeça dos baianos ainda pouco familiarizados com os procedimentos da arte contemporânea. Karina é jovem, mas já são longos os caminhos que percorreu, nas trilhas que levam da arte à poesia, ou vice-versa.&lt;br /&gt;Sua publicação mais recente de poesia impressa na folha é o “livro do quase invisível”, que saiu em 2010 na coleção Cartas Bahianas, da editora P55.&lt;br /&gt;Ela já havia publicado, em 2005, outro volume de poemas, “de tardinha meio azul”, pela editora infinito publicações (selo criado pela própria autora).&lt;br /&gt;Mas, além dos livros tradicionais de poesia, Karina vem fazendo intervenções poéticas, videopoemas, intervenções urbanas, tudo em parceria com a artista visual Silvana Rezende. Seu trabalho pode ser acompanhado através do blog que ela edita, o sussurros, (www.karinarabinovitz.blogspot.com)&lt;br /&gt;No momento, Karina está finalizando o projeto “um livro de água”, composto de poemas e videoarte. Ela dá oficinas da palavra e de vídeo na Oi Kabum – Escola de Arte e Tecnologia. E já recebeu vários prêmios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SONIA&lt;/strong&gt; - Descreva sua trajetória como artista-poeta.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KARINA &lt;/strong&gt;- Não sei se há um ponto de partida, não saberia dizer qual o começo. É uma trajetória de muitos flashes de perplexidade com a palavra e certamente de um amor que já estava, antes de eu saber com a consciência.&lt;br /&gt;A partir da consciência e da organização, poderia datar o ano de 2004. Comecei a me reunir com mais 3 amigos (Marlon Marcos, Paula Janaína e Silvana Rezende) com a idéia de criar uma editora nossa independente, para produzir e lançar nossas idéias artesanalmente, a infinito publicações. Fizemos 3 encontros – os primeiros passos pro infinito... Daí minha parceria com Silvana Rezende, que é artista visual, se consolidou e nós seguimos trabalhando juntas para a criação do meu primeiro livro “de tardinha meio azul”, que são poemas meus com ilustrações de Silvana e foi lançado em 2005, em Salvador. Nós começamos a trabalhar também com videopoesia a partir de poemas do livro. E o livro nos levou a participar de eventos (OffFlip – Festa Literária Internacional de Paraty, Bienal do Livro da Bahia, Poesia na Boca da Noite), nos quais começamos a inserir videoinstalações e intervenções poéticas.&lt;br /&gt;A partir deste nosso trabalho em parceria, passamos a criar e realizar juntas, ações de intervenção urbana. Desde 2005 até hoje são diversas ações diferenciadas para deslocar a poesia do seu espaço habitual e fazê-la transitar pela rua. Colagem de fragmentos de poemas nos muros da cidade; caixinha de acrílico com bilhetes poéticos em pontos de ônibus; confetes de poesia e parangolé-poesia no carnaval; poemas bordados em vestidos ou em compotas de doces, em exposições de artes visuais; babadinhos de poesia, nos murais de cartazes de universidades, restaurantes e espaços culturais; lambe-lambe poesia, uma videoinstalação para praças públicas; entre outros.&lt;br /&gt;Em fevereiro de 2009 criei meu blog (www.karinarabinovitz.blogspot.com) que é um inventário de minha poesia: as ações, poemas e outras coisas mais como canções e vídeos a partir dos poemas. Uma janela sempre aberta. Em 2010 lancei meu 2º livro de poemas “livro do quase invisível”, pelo selo Cartas Bahianas, da Editora P55, a convite de Claudius Portugal, editor do selo. O livro foi lançado em Salvador, pela editora, e em São Paulo e Rio de Janeiro, de maneira independente. Também em 2010 recebei o Prêmio Roquette Pinto (patrocínio da Petrobrás e apoio do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura), para a realização do projeto "poesia eletrônica" (www.myspace.com/karinarabinovitz). Foram 72 programas de rádio-arte, nos quais trabalhei a poesia oralizada e sonorizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1wbGIr0u6oI/TqHAttG0-kI/AAAAAAAAAZs/fadl-FqKazM/s1600/bilhete_poetico_pto_onibus.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666021697643674178" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-1wbGIr0u6oI/TqHAttG0-kI/AAAAAAAAAZs/fadl-FqKazM/s320/bilhete_poetico_pto_onibus.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SONIA &lt;/strong&gt;- Para chegar a esta fusão de gêneros, você partiu, digamos, de onde? Que artistas ou escritores a influenciaram?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KARINA &lt;/strong&gt;- É que eu aprendi primeiro a ler poesia (antes mesmo de eu saber ler), nas coisas do mundo, nas coisas dos dias. Minha mãe me ensinou esta leitura. Ela me levava pra assistir o sol, ler os caminhos, contemplar belezas. Depois eu comecei a ver muita poesia na música, na dança, no cinema, no teatro. E fui passear por diversas linguagens artísticas, atuando e trabalhando.&lt;br /&gt;A partir do momento que a palavra se tornou meu objeto predileto, o que me move é um desejo grande de ver e sentir a poesia no dia a dia, misturada com as coisas mais comuns da vida. Naturalmente trabalho com a idéia de escrever neste mundo contemporâneo, que quase “exige” mais agilidade na escrita e formatos diversos para se mostrar um poema. É este mundo contemporâneo que me estimula diariamente à fusão de gêneros na poesia.&lt;br /&gt;Sobre as influências, a primeira delas é de meu irmão mais velho. Ele foi o primeiro poeta que conheci e foi vendo ele, que entendi que existia a possibilidade de ser artista, ser poeta.... Tenho muita influência dos poetas da música – Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Zé Miguel Wisnik. As letras das músicas foram os primeiros poemas que tive acesso. E depois vieram Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Mario Quintana, Guimarães Rosa, Manoel de Barros. Hoje em dia ando visitando Paulo Leminski, Angélica Freitas, Carlito Azevedo, Narlan Mattos, Ricardo Domeneck, Alice Ruiz, Kátia Borges.&lt;br /&gt;Outra grande influência no meu processo de construção pessoal foi a de Rogério Duarte. Tive o prazer de ser sua aluna, no meu último semestre na Ufba (Faculdade de Comunicação) e só em ir para as aulas dele e o ouvir falar sobre arte, sem dúvida transformou coisas em mim, que não daria pra explicar aqui com palavras e espaço restrito.&lt;br /&gt;Especialmente em relação à fusão, minhas referências são Augusto de Campos, Arnaldo Antunes, Waly Salomão. Queria fazer as loucuras que Waly fazia! Mas como não sou tão explosiva assim, tento levar esta vibração para minhas intervenções poéticas, que são quase o avesso das ações de Waly, porque elas são mínimas e sutis, mas há uma mesma célula lá dentro, de desejo de sonho e um não-conformismo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-56Tu6N5-3MU/TqHA1PQT6vI/AAAAAAAAAZ4/KSBpGYd4D3c/s1600/fragmento_poema_na%2Brua.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666021827069340402" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-56Tu6N5-3MU/TqHA1PQT6vI/AAAAAAAAAZ4/KSBpGYd4D3c/s320/fragmento_poema_na%2Brua.JPG" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;SONIA &lt;/strong&gt;- O que você está produzindo, no momento?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KARINA&lt;/strong&gt; - Em 2010, ganhei o edital de Apoio à Criação Literária da Fundação Pedro Calmon/Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e estou escrevendo “um livro de água”, em parceria com Silvana Rezende. Eu escrevo as palavras e ela escreve as imagens. É um livro que deverá ter uma versão impressa e outra digital. Ainda estamos na fase de criação (devemos entregá-lo em setembro/2011), mas pretendemos que ele seja muito vivo em seu formato. “um livro de água” vai falar de um universo específico: ilha. Trabalhar metáforas que envolvem uma ilha e as questões de solidão, alcance do outro. Não por acaso trabalhar com esta metáfora de ilha ao escrever nestes tempos atuais, que cultivam a solidão, mesmo dizendo que não...&lt;br /&gt;Além deste livro novo, estou trabalhando numa nova série de intervenções poéticas: o “poesia atravessada” (poemas em faixa de pedestres) e o móbile_poemas de rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-s0GM_MbejdU/TqHA9f9TcDI/AAAAAAAAAaE/vC0IOjUwqII/s1600/lambe_lambe_poesia%2B%2528foto_valter%2Bornelas%2529.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 251px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666021968991973426" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-s0GM_MbejdU/TqHA9f9TcDI/AAAAAAAAAaE/vC0IOjUwqII/s320/lambe_lambe_poesia%2B%2528foto_valter%2Bornelas%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SONIA &lt;/strong&gt;- Você dá dedicação exclusiva à sua arte, ou trabalha em alguma outra coisa?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KARINA &lt;/strong&gt;- Infelizmente não ganho o suficiente com a poesia... Trabalho atualmente como arte-educadora na Oi Kabum – escola de Arte e Tecnologia, ministrando Oficina da Palavra e tratando de questões sociais na Oficina de Vídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SONIA &lt;/strong&gt;- Quais são os seus planos e/ou projetos, agora?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KARINA &lt;/strong&gt;- Meu plano mais próximo é editar e publicar “um livro de água”, quando ele ficar pronto.&lt;br /&gt;Na lista dos planos também está: distribuir CDs com o meu “poesia eletrônica” para alguns institutos de cegos do país. E continuar brincando com as palavras até o (sem) fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-5342887980506173301?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/5342887980506173301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/karina-rabinovitz.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/5342887980506173301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/5342887980506173301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/karina-rabinovitz.html' title='KARINA RABINOVITZ'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-m1lSyN5CMQI/TqHAYjPITRI/AAAAAAAAAZg/FbjRghAJe5A/s72-c/karina_rabinovitz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-2653068503192665395</id><published>2011-10-21T11:45:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T11:52:00.204-07:00</updated><title type='text'>UM CONTO DE MIRIAM MAMBRINI</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Miriam Mambrini&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-OvEVZ8PRz5U/TqG_DM5VFUI/AAAAAAAAAZU/hAF9V6O4H6A/s1600/miriamam.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; DISPLAY: block; HEIGHT: 299px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666019867930989890" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-OvEVZ8PRz5U/TqG_DM5VFUI/AAAAAAAAAZU/hAF9V6O4H6A/s320/miriamam.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;MENINO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino entra na sala descalço, vestido num pijama de malha desbotado. As luzes estão apagadas, mas, na luminosidade difusa que vem do corredor, consegue distinguir a mulher diante da janela, olhando para fora. A mãe. Sua mãe. Ela dá um longo suspiro e esfrega o nariz com o dorso da mão.&lt;br /&gt;- Você tá chorando, mamãe?,&lt;br /&gt;Ela se assusta ao ouvir a voz do filho. Sem se voltar, responde:&lt;br /&gt;- Não. É o resfriado.&lt;br /&gt;- Tá frio aqui – diz o menino, se aconchegando a ela, buscando o calor do seu corpo.&lt;br /&gt;A mulher fecha a janela, mas continua olhando através da vidraça. Ao lado, na ponta dos pés, o filho olha também.&lt;br /&gt;- Papai tá demorando, não é? – pergunta depois de algum tempo.&lt;br /&gt;- Ta – diz ela num tom duro.&lt;br /&gt;- Ele deve ter ido tomar um chope com os amigos. Às vezes ele vai, não é?&lt;br /&gt;Ela olha o relógio, que antes já consultou dezenas de vezes, e percebe que os ponteiros estão prestes a se juntar.&lt;br /&gt;- Meia-noite! Que é que você tá fazendo acordado a esta hora? Vai pra cama, menino!&lt;br /&gt;- Estou com insônia.&lt;br /&gt;Ela dá um risinho sem alegria.&lt;br /&gt;- E você lá sabe o que é insônia?&lt;br /&gt;- Sei. É ficar na cama sem dormir. Desde que você me mandou pra cama eu estou lá sem dormir.&lt;br /&gt;- Então deita no sofá. Quando o sono vier, você vai pra cama.&lt;br /&gt;- Você fica comigo?&lt;br /&gt;Vão os dois para o sofá. A mãe põe no colo a cabeça do filho e brinca distraída com seu cabelo cacheado, até que a respiração tranqüila e regular a convence de que ele dormiu. Então, desliza o corpo com cuidado, levanta-se, coloca uma almofada sob a cabeça do menino e volta a olhar pela janela.&lt;br /&gt;- Não tou dormindo – diz ele de repente, abrindo os olhos – Você conta uma história?&lt;br /&gt;- Agora não.&lt;br /&gt;- Conta!&lt;br /&gt;- Não insiste, menino!&lt;br /&gt;Ele ainda está encolhido no sofá, de olhos postos na mãe.&lt;br /&gt;- Não fica preocupada, não aconteceu nada com o papai. Ele já chega.&lt;br /&gt;Ela se irrita:&lt;br /&gt;- E quem disse que eu estou preocupada? Se tiver acontecido alguma coisa, pior pra ele!&lt;br /&gt;O menino se senta no sofá e balança as pernas, batendo-as de encontro ao estofado.&lt;br /&gt;- Mamãe... você vai se separar do papai? – pergunta hesitante.&lt;br /&gt;- De onde é que você tirou essa idéia, Lucas?&lt;br /&gt;- Foi você que disse. Eu ouvi. Foi num outro dia que eu tive insônia. Quando o papai chegou, você disse pra ele que, se continuasse assim, o jeito era vocês se separarem.&lt;br /&gt;A mãe se senta perto do menino e fala num tom tranquilizador:&lt;br /&gt;- Aquilo não foi pra valer.&lt;br /&gt;- Então quer dizer que vocês não vão se separar?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Se vocês se separassem, eu me matava – diz ele, dramático.&lt;br /&gt;Ela abraça o filho e o aperta com força contra o peito.&lt;br /&gt;- Nunca mais diga uma bobagem dessas. Onde já se viu?&lt;br /&gt;Tem vontade de acender a luz para dissipar todas as trevas, mas desiste, pensando que a luz acesa vai despertar o filho de todo.&lt;br /&gt;– Vocês não vão se separar, não é? – insiste ele.&lt;br /&gt;– Não. Mas se um dia por acaso nós nos separarmos, nada vai mudar pra você. Você vai continuar indo ao colégio, à praia, à pracinha ...&lt;br /&gt;O filho a interrompe:&lt;br /&gt;- Quem vai me levar na praia, você ou papai?&lt;br /&gt;- Quem é que você prefere?&lt;br /&gt;- Prefiro o papai. Você tá sempre com medo. Não deixa eu entrar na água direito.&lt;br /&gt;Faz uma pausa e olha interrogativamente para a mãe&lt;br /&gt;– Eu vou continuar morando com você aqui em casa?&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;- E o papai, aonde é que ele vai morar?&lt;br /&gt;- Ô Lucas, acaba com essa história. Eu não vou me separar do seu pai.&lt;br /&gt;- Você jura?&lt;br /&gt;- Jurar, eu não posso porque não depende só de mim.&lt;br /&gt;- Ah, você não jurou, quer dizer que vocês podem se separar.&lt;br /&gt;Por entre as sombras da sala, a mãe entrevê o rosto concentrado do menino. Aos pouco, ele se descontrai.&lt;br /&gt;– Se vocês se separarem, vou fazer feito a Fernanda, que mora com a mãe e sai com o pai no sábado. Ela disse que é maneiro, o pai leva ela onde ela quer, até no parque de diversões. Ela já foi na montanha-russa.&lt;br /&gt;- Tá vendo? Não é tão ruim assim.&lt;br /&gt;- A Fernanda agora tá chateada porque a mãe vai casar de novo e ela vai ter que morar com o namorado da mãe. Olha, vou te avisando – continua, mudando de tom – se você arrumar um namorado, eu não vou mais querer morar com você. Vou pra casa da minha avó!&lt;br /&gt;- Assim já é demais! Até namorado você resolveu me arranjar!&lt;br /&gt;– Você promete que não arranja namorado?&lt;br /&gt;– Prometo. Agora vai pra cama.&lt;br /&gt;- Deixa eu ficar só um pouquinho mais? Deixa?&lt;br /&gt;- Tá bem. Só mais um pouquinho.&lt;br /&gt;Ele estende os braços, se pendura no pescoço da mãe e dá um beijo molhado no seu rosto.&lt;br /&gt;- Não fica triste, mamãe. Daqui a pouco o papai vai chegar.&lt;br /&gt;Deita-se no sofá, e põe a cabeça no colo da mãe. Os olhos começam a se fechar, mas lembra-se de alguma coisa e os abre de novo.&lt;br /&gt;- Sabe uma coisa engraçada? Outro dia perguntei ao papai se ele ia se separar de você.&lt;br /&gt;A mãe se espanta:&lt;br /&gt;- Perguntou pra ele também?&lt;br /&gt;- É. E ele respondeu parecido com você. Disse que não gostaria que isso acontecesse, mas não dependia só dele – Faz uma pausa, as pálpebras descendo pesadas de sono – Isso é bom, não é?&lt;br /&gt;Já está dormindo quando a mãe responde que é muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Formada em Letras pela PUC do Rio, Miriam Mambrini é autora de O baile das feias (contos, Obra Aberta, 1994), Grandes peixes vorazes (contos, 7Letras, 1997), A outra metade (romance, 7letras, 2000), As pedras não morrem (novela, Bom Texto, 2004), O crime mais cruel (romance, Bom Texto, 2006), Maria Quitéria 32 (crônicas, Bom Texto, 2008), Vícios Ocultos (contos, Bom Texto, 2009, em livro e audiolivro). Participou de várias antologias de contos e ganhou, entre outros prêmios, o Stanislaw Ponte Preta (1991). Participa do grupo de criação literária Estilingues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-2653068503192665395?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/2653068503192665395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/um-conto-de-miriam-mambrini.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2653068503192665395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2653068503192665395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/um-conto-de-miriam-mambrini.html' title='UM CONTO DE MIRIAM MAMBRINI'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-OvEVZ8PRz5U/TqG_DM5VFUI/AAAAAAAAAZU/hAF9V6O4H6A/s72-c/miriamam.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-2614598363407452122</id><published>2011-10-21T11:33:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T11:44:24.222-07:00</updated><title type='text'>JANAÍNA AMADO E JACINTA PASSOS</title><content type='html'>JACINTA PASSOS, UMA &lt;em&gt;NOVANTIGA&lt;/em&gt; POETA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;JANAÍNA AMADO &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RKSYSyVehdA/TqG8jOnshPI/AAAAAAAAAY8/wmSKgFMeYJg/s1600/jana%25C3%25ADna.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 289px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666017119614829810" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-RKSYSyVehdA/TqG8jOnshPI/AAAAAAAAAY8/wmSKgFMeYJg/s320/jana%25C3%25ADna.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Janaína Amado tem transitado entre a história e a literatura, com publicações nas duas áreas. Aposentou-se como professora titular do Departamento de História da Universidade de Brasília (UnB). É autora ou co-autora de 20 livros na área de história, alguns destinados a escolas, outros ao público adulto. Publicou também livros de ficção, como o romance Dandara (São Paulo, Maltese, 1995) e três volumes infanto-juvenis. Organizou Jacinta Passos, Coração militante (Salvador, EDUFBA/Corrupio, 2010) contendo a obra e a biografia da poeta e jornalista baiana Jacinta Passos, sua mãe. Seu pai é o escritor e tradutor James Amado, irmão de Jorge Amado. Eis o depoimento de Janaína sobre Jacinta:&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ela vivenciou a Bahia do início do século XX, imersa na experiência longa e recente da escravidão: senhores e senhoras, os brancos baianos, alicerçados em terras, religião, racismo e alianças políticas, mandavam, enquanto o povo humilde, analfabeto, negro ou mulato obedecia sem remuneração, ao som de suas danças afro-brasileiras e suas revoltas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vivenciou a Salvador dos anos 1930 e início dos 40, quando a pequena e provinciana cidade da Bahia despertava para os debates literários que rompiam com a tradição parnasiana, para o movimento das esquerdas e das agitações estudantis, as passeatas exigindo nas ruas o fim da Segunda Guerra e das ditaduras, na Europa e no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vivenciou a pequena porém agitada São Paulo de meados dos anos 40, quando os intelectuais se uniram para fundar a Associação Brasileira de Escritores e contribuíram para a restauração da democracia no país, quando o Partido Comunista do Brasil foi pela primeira vez legalizado, elegendo Luiz Carlos Prestes e outros para comporem a Assembléia Nacional Constituinte, na democracia.&lt;br /&gt;Ela vivenciou a fervilhante capital da República do inicio dos anos 50, o Rio de Janeiro onde tudo acontecia, da vida noturna trepidante ao vigor dos debates intelectuais e das decisões políticas fundamentais, o centro da vida do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vivenciou paixões intensas, por homens que a amaram e alguns a abandonaram. Vivenciou a maternidade, gerando uma filha da qual foi afastada. Vivenciou durante três décadas a experiência ilegal, clandestina e estigmatizadora de militante do Partido Comunista, tendo sido presa. E, a partir de 1951, vivenciou a violência extrema dos diversos internamentos em sanatórios, tratada a eletrochoques, injeções de insulina e isolamento severo, vindo a morrer quando internada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas essas vivências, ela expressou no jornalismo — foi uma das mais ativas jornalistas da Bahia na década de 1940 — e, sobretudo, na poesia. Rabiscando poemas desde muito jovem, publicou em vida quatro livros de poesia elogiados pelos maiores críticos e intelectuais da época (Aníbal Machado, Gabriela Mistral, Oswald de Andrade, José Paulo Paes, José Mindlin, Antonio Cândido...), e escreveu literatura, em poesia e prosa, durante toda a vida, inclusive quando interna, até a véspera de sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos falando de Jacinta Passos (1914-1973), poeta, escritora, intelectual e jornalista nascida de família rural abastada em Cruz das Almas, Recôncavo da Bahia, católica fervorosa que se transformou em comunista ardorosa, mulher de hábitos livres num Brasil machista, casada em 1944 com o jornalista e escritor James Amado (irmão de Jorge Amado) e, a partir de 1951, diagnosticada como esquizofrênica paranóide, separada e sozinha, vindo a falecer como louca em um sanatório de Aracaju.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As trajetórias literária e humana de Jacinta Passos ficaram esquecidas nas décadas seguintes à sua morte, pois as pequenas tiragens de seus livros estavam esgotadas, pouco se sabendo sobre sua existência atribulada. Recentemente, a poeta voltou a ser alvo de interesse, com a publicação de uma primeira biografia (Dalila Machado, A história esquecida de Jacinta Passos. Salvador, 2000), de um livro de ensaios (Gilfrancisco, Jacinta Passos: a Busca da Poesia. Aracaju, 2007), de uma monografia de Especialização (Danielle Fuad, Passagem de Jacinta Passos pelo Jornal “O Imparcial” (1943). Salvador, 2008), e de Jacinta Passos, coração militante (Salvador, Edufba/Corrupio, 2010), volume organizado por sua filha Janaína Amado, que reúne toda a poesia e a prosa, inclusive a inédita, de Jacinta, uma nova biografia, sua fortuna crítica, diversas fotografias — que revelam uma belíssima mulher — , além de ensaios de escritores e críticos produzidos especialmente para a edição. Foi criado ainda o site http://jacintapassos.com.br.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Jacinta Passos com Janaína em criança&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3siHeZ9AzTM/TqG8zSeJkXI/AAAAAAAAAZI/txRz6L3Z5_o/s1600/jacinta.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 235px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666017395526439282" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-3siHeZ9AzTM/TqG8zSeJkXI/AAAAAAAAAZI/txRz6L3Z5_o/s320/jacinta.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A poesia de Jacinta Passos, que apenas começa a ser desvendada, é lírica e política, as duas vertentes muitas vezes se mesclando. Seu primeiro livro, Momentos de poesia, de 1942, revela a profunda experiência mística da autora: Senhor,/eu quis fazer de minha vida/meu mais belo poema em teu louvor. Ou:Ouço vozes estranhas/[...]São vozes de sofrimento, de amarguras,/vozes de todas as criaturas/que falam por minha voz./Todas as criaturas que sofreram/ esta ânsia indefinida/ – angústia milenária como a vida –/ de querer atingir o inatingível (O Mar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência avassaladora do amor está presente desde o primeiro livro: Existimos fundidos num ser único/ que ignora a sucessão no tempo, [...] como um astro sem memória perdido no espaço sem princípio e sem fim (O Momento eterno). Nos segundo e terceiro livros, Canção da partida, de 1945, e Poemas políticos, de 1951, o amor desabrocha em erotismo: Agora teu corpo é fruto./Peixe e pássaro, cabelos de fogo e cobre./ Madeira e água deslizante, fuga/ ai rija/ cintura de potro bravo (Canção do amor livre).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois outros temas são caros à poesia de Jacinta Passos: a política e a situação da mulher, o segundo contido no primeiro. Seu último livro, A Coluna, de 1958, é um longo poema épico sobre a Coluna Prestes. Mas raramente Jacinta foi panfletária. Seus versos transformaram política em boa poesia, como em “1935”, sobre a fracassada revolta comunista deste ano, que assim começa: Tenso como rede de nervos/pressentindo ah! Novembro/ de esperança e precipício./Fruto peco. É sobretudo a mulher pobre, duplamente oprimida, a protagonista de vários versos de Jacinta: Nós somos gente marcada/– ferro em brasa em boi zebu –/ninguém precisa dizer:/ Bernadete, quem és tu? (Canção da partida). E: [...] Mulher virgem, condição/para homem dar – nobre gesto –/ resto duma divisão/ se a divisão deixou resto./[...] A flor caída no rio/que a leva para onde quer,/sabia disso e caiu,/seu destino é ser mulher (Canção simples).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez seja a evocação da infância “o princípio organizador da obra de Jacinta Passos”, como concluiu o poeta Fernando Paixão. Em seus poemas líricos que evocam a cultura popular de sua Cruz das Almas natal, Jacinta “se apropriou do espírito narrativo do povo e o devolveu crescido e com roupagem nova”, explicou o escritor e crítico Ildásio Tavares. E Jacinta sai cantando: Boi da cara preta não não meu boizinho,/ não pegue neném, não, ele é meu filhinho (Cantiga de ninar). Ou: Camilo, você é pobre/e nunca foi senador,/mas por que é igualzinho/ao retrato de vovô? Ou ainda: Tanta laranja madura/ai tanta!/que aroma vem do quintal./A maré já deu passagem/cresce meu canavial/minha vara de condão/cavaleiro, teu punhal./ Jasmim da noite floriu./ Jasmim./Acabou-se o bem e o mal./Já tirei os meus sapatos,/Vesti meu manto real (Chamado de amor). "&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-2614598363407452122?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/2614598363407452122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/janaina-amado-e-jacinta-passos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2614598363407452122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2614598363407452122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/janaina-amado-e-jacinta-passos.html' title='JANAÍNA AMADO E JACINTA PASSOS'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-RKSYSyVehdA/TqG8jOnshPI/AAAAAAAAAY8/wmSKgFMeYJg/s72-c/jana%25C3%25ADna.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-1158269349559361291</id><published>2011-10-21T11:18:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T11:32:40.548-07:00</updated><title type='text'>UM CONTO DE KATIA GERLACH</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Qs8eD3nWMVI/TqG5J1vx5aI/AAAAAAAAAYk/c3SMCP0TvDU/s1600/fotokatia.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; DISPLAY: block; HEIGHT: 135px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666013384906237346" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-Qs8eD3nWMVI/TqG5J1vx5aI/AAAAAAAAAYk/c3SMCP0TvDU/s320/fotokatia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;PELETERIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darlene desenterra o dia das ruas e as mãos dos bolsos que é para acudir os cabelos. A cabeleira crespa alisada para trás; os fios brilhosos, afixou-os com dedadas de gel e, entrementes, tombam sobre o semblante; o arco não é auréola, Santa Darlene-creio-em-deus-pai. Passos ligeiros e baforadas curtas, os de trás respiram o ar convulsivo da Darlene e basta cravar o olhar nela para recuarem. Há pouco saíra da tourada. Tequila on the rocks: noite toda, a unha postiça do indicador girando o gelo na circunferência do copo servido pelo bartender com quem dividia as comissões. Ah, Darlene, em cujos cartões postais para a família, você conta ser dançarina de sapateado na Broadway, se a fosforescência do mundo acabar, onde você vai estar? As amigas não lhe vão servir para nada, a Edileuza, a Creuza, a Marlene e todas as outras, astoria queens, simulam lealdade, enquanto se arrepiam de invídia verdejante, colocam no palco a tragédia grega de Gotham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz entubada da Edileuza passa despercebida pelos espectadores ébrios e ela prolonga os intervalos para esconder a tosse de cachorro, à medida que pede mais cigarros à Darlene porque cantar paga menos do que dançar, as gorjetas variam e a Edileuza não enxerga justiça nisso, afinal a Darlene não vai além de um strip parcial por ser católica praticante. A Creuza e a Marlene acompanham no coro de fundo e depois da apresentação, o quarteto se arma em muralha caso algum valentão resolva tostar guimbas nas pernas grossas de uma delas, sentadas a mesa. Desequilibram-se nas cadeiras quebradiças do barril noturno s.a., o rapaz do bar teima em piscar maliciosamente para aquelas damas alçadas pelos anos, via-se logo a malaise do Francisco, bezerro carente de mãe, uma delas bem que serviria para acolhê-lo nos seios enganosamente maternais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darlene abotoa e desabotoa a camisa de tachinhas prateadas ao seguir pela calçada que se manifesta. O estômago mareado, ondas ondulantes duvidosas, o barco em jornada sem bússola, o que a roupa justa não contém é a carne morena que esbanja e de que Waldecy gostava até o domingo quando vomitou palavrão e deu um casaco de chinchilas para a Edileuza. Puro despeito de um homem de mãos tenras, dedos de veludo, uns mimos e umas manias que a Darlene aguentara por causa da linhagem dele. Raro um daqueles dando sopa nas margens cinzentas do East River, cordão de ouro com crucifixo, família de nível, educado em escola particular, cheiroso de perfume francês, superando as ilusões de asfalto da Darlene. No fundinho da anima, a Darlene desconfiava que o Waldecy a visse como criada de cama e mesa, sem que esta ciência inibisse o esforço dela para agradá-lo. Trocava roupas de cama e toalhas de banho dia sim, dia não, passava lençóis a ferro, cuidava das roupas íntimas do Waldecy para que não encardissem, quarar inviável no porão sem área de serviço, mas ela aprendera a moderar na amônia para obter a alvura ideal e não rasgar o tecido. A mãe a educara para evitar o encardimento das roupas do marido. O Waldecy não era marido, todavia, entretanto, não obstante, ainda assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob os vinhedos enrijecidos pela poluição, as crianças do barrio atiravam jatos de água em todas as direções, contentavam-se com os arco-íris empalidecidos, o céu prometia manter-se azul até nove da noite, um ar úmido embolorava o peito. Darlene volta sempre do trabalho. Sim, está sempre voltando do trabalho e esconde o ódio fervente do tapa levado pelo Waldecy no fim de semana, homem que dava tapa na bunda como na cara, humilhando-a sem reconhecimento. Ela garantia que ele agora brincava com o pequeno anel de ouro, o brasão da família e alisava os dentes da boca pequena com a língua da maneira que gesticulava ao assisti-la azeitar a salada e o frango grelhado. Creuza, Edileuza e Marlene não se cansavam de bajular o Waldecy pela educação de cavalheiro, o humor, o jeito sóbrio, tão distinto dos frequentadores do barril. Quem naquelas bandas se dava ao trabalho de abrir a porta do carro para uma mulher? Ou se levantava para ajudar uma dama a sentar-se? A Darlene enxergava os olhos relampejantes das amigas quando o Waldecy comprava uma rosa do camelô florista, torcia o caule espinhoso e encaixava-a na orelha pingada da Darlene, mulher de rosto bonito malgrado a pelugem. Ela não contava a ninguém sobre a intimidade com o sujeito, fazia segredo das inúmeras vezes em que o Waldecy transformara o carro em jaula no estacionamento do supermercado, abandonando-a ao léu com uma fresta minúscula da janela aberta para não asfixiar antes de despelar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que amigara o Waldecy, Darlene fecha as pálpebras roxas, quase negras, e não dorme. As chinchilas, pequenas almas balbuciantes viajadoras de uma ponta da américa a outra eram alminhas maléficas que mordiam-na corpo inteiro, para acordá-la aos berros e de cara com a porta de vidro fumê do minibar onde o Waldecy guardava o Tesouro. As peles penduradas, as fisionomias do último sofrimento recheando as feições debilitadas: Darlene enfastiava-se do abatedouro. Waldecy chutava-a de súbito nas pernas para que o deixasse dormir. Ela transpirava, indecisa quanto à necessidade do edredom, seguia à cozinha para um copo d’água, o líquido engolido aos goles qual o convívio com o Waldecy, quem, divorciado três vezes, dissera-lhe num daqueles momentos de tapa na cara que se ele encontrasse uma mulher que facilitasse a regularização dos papéis, encheria as malas e a Darlene que olvidasse o Waldecy. Podiam esbarrar na rua que ele não a reconheceria, de propósito, língua no canto do céu bucal e uma risada irônica nascendo de dentes tão miúdos quanto os dos animaizinhos, retratos de natureza morta por detrás da opacidade insuficiente do minibar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe do Waldecy, a quem Darlene se apresentara por via telefônica, criava as chinchilas, investia na ração enviada e se responsabilizava pelo despacho climatizado das criaturas. A temperatura da quitinete no porão da casa de tijolos descascados e escadas rangentes deveria ser mantida no nível do ambiente natural das chinchilas, de modo que Darlene e Waldecy não dispensavam os agasalhos entre as paredes de gesso branco que o proprietário, o seu Giuseppe, embriagado de grappa no café da manhã e aliciador de garotinhas no barril, se negava a forrar de papel e exigia que a Darlene preparasse cafezinho para ele cada vez que cobrava o aluguel às vésperas do dia do vencimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manhã noturna, as luminárias acesas no porão, Darlene amarra o cinto do roupão de pelúcia, caminha para a cozinha sem não antes enxergar os bibelôs umidecidos, as pessoas e as coisas quase levam susto ao acordar menos o Waldecy dormindo que nem água de poço. Waldecy vislumbrava nos restos precários dos animais a sua fortuna, os sonhos, as nuvens azulinhas. Quer preparar um catálogo fotográfico, convida Darlene e as amigas para o ensaio na Times Square mas, à Edileuza, ele pede que vista um vestido longo, negro para a foto de luxo. Recomenda à Darlene e as outras uma boa maquiagem e jeans, e, Darlene, querida, faça-me o obséquio de um batom discreto e não aquele rosa fúcsia borrado que você tem mania de usar no trabalho, o meu catálogo é direcionado para gente fina, Alexander McQueen coisa e tal. A idéia é aterrissar na Times Square antes que o dia tome forma, evitar o tumulto dos pedestres, pegar os primeiros raios de sol alaranjado que o canal do tempo previu. O Waldecy de fronte ao espelho dá tapinhas na cara com a loção pós-barba old spice, passa o pente no cabelo ralo, não costuma banhar-se na manhã, exala uma mistura de talco e colônia, a pia salpicada de fios atômicos, pasta de dente destampada, toalha largada, Waldecy não perde o hábito como deixa perder os fios de cabelo no chão do lavatório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem diria, ela, Darlene, fotografada no triângulo da Times Square. O Waldecy insistia para que ela parecesse menos rabugenta, ô Darlene, olha para as tuas amigas, sorridentes, abre a boca num sorriso, vai? O Waldecy não dava sossego embora eles levassem a vida fifty-fifty, aluguel, comida, roupas, passeios, tudo dividido pela metade, ela ralava no barril e ainda complementava o dinheiro com serviços de limpeza apesar de odiar faxinar. Isto sem contar a sina do Pedro Augusto, o filho dela internado no hospital da capital, ninguém descobria a doença do menino, a família não cessava de lhe telefonar, Darlene, o menino não cresce, o menino não engorda, o menino não come, aliás, parece sim que está sendo comido por dentro e, ela, o que sabia do Pedro Augusto? Gestara a criança por nove meses, parto normal, bebê normal, amamentado por um ano e daí? Daí que ela precisava ganhar dólar, já completava oito anos, o Pedro Augusto nas fotos, nas telas de computador, as mãozinhas encostadas no vidro para tocá-la, ele a chamava de mãe e senhora, com respeito, aprendera a pedir roupas e tênis, o Pedro Augusto, o menino melhor vestido na cidade pobre à beira do rio das cinzas podre e barrento como na maioria das cidades brasileiras que não se fotografam. O Pedro Augusto tem que estar bem e na próxima semana preciso pinçar as sombrancelhas que entortam a minha testa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O domingo correu, sessão de fotos, café da manhã no pão nosso, o copo de café com leite cheio de aleluias, a missa das onze, estavam de folga e à toa. Vieram todos para a casa, o Waldecy liderando, prometeu preparar um risoto de carne seca e abóbora que sabia cozinhar melhor do que ninguém, nunca ia para o fogão, porém, quando resolvia vestir o avental era para arrasar com um prato elegante, nada de arroz e feijão, bife, galinha assada. A comida vinha de um jeito na travessa que a Darlene deslembrava os modos de segurar garfo e faca. Acabou que substituiu a carne seca por camarão porque você Darlene não tirou o sal da carne seca, portanto estragando parte dos planos para um almoço magnífico. As meninas o admiravam, Darlene este Waldecy é o teu bilhete lotérico, aposta cheia. Às tantas, o Waldecy zonzo de vinho abre a geladeira das chinchilas, tira um casaco e presenteia a Edileuza. Toma, Edileuza, é teu, em agradecimento pelas fotos de hoje. Nem a Darlene tem casaco de chinchila, ele ousa dizer, olhando-a de esguelha. A Edileuza estala os lábios, muito no cinismo de quem canta para arrancar gorjetas dos homens. Ela acaricia a pele com as mãos, veste o casaco fora de estação, você tem certeza, Waldecy?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhece, amanhece, não pára de amanhecer nesta cidade que aperta as noites como os sapatos espremem os pés e a Darlene desce a avenida estreita da broadway no queens, os dias de inverno se aproximam, a vida fifty-fifty com o Waldecy continua a mesma bosta, o Pedro Augusto não cura, pede a ela que volte e ela não quer ver o menino que nunca viu, não quer largar o marido que não tem, não quer partir de onde não pertence, Tequila on the rocks, a unha comprida do indicador faz o gelo contornar a circunferência do copo, tomava bebida de homem, one shot, many shots, tiro certeiro, vários tiros. Noutro domingo, estivera no confessionário, tocou na perna do padre com o dedo lambuzado de Tequila e podia jurar que girara a circunferência do mundo a seu favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Kátia Bandeira de Mello-Gerlach, natural do Rio de Janeiro, é escritora radicada em Nova York e colaboradora do jornal literário português www.pnetliteratura.pt. Seu primeiro livro de contos "Forrageiras de Jade" foi lançado pelo Projeto Dulcinéia Catadora em 2009.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foto de Ricardo Esteves&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7KIfc5ogPdE/TqG5Tb0_yVI/AAAAAAAAAYw/ma_ulXwhMbY/s1600/boca2%2Bcopy%2B%2528600%2Bx%2B401%2529.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666013549747489106" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-7KIfc5ogPdE/TqG5Tb0_yVI/AAAAAAAAAYw/ma_ulXwhMbY/s320/boca2%2Bcopy%2B%2528600%2Bx%2B401%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"Ricardo Esteves est séduit par les détails, les entrelignes parlent en secret puisque c’est dans l’expiration que chacun s’expose… beaucoup plus que ce qui reste gravé dans la rétine, il reste ce qui chante dans l’âme. Dans la fraction de sa vision, il montre l’envers de l’univers si familier à tout être humain avec la délicatesse culturelle de chacun.Ricardo Esteves nasceu no Rio de janeiro e atualmente mora na França onde trabalha como fotografo de publicidade e de arte."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-1158269349559361291?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/1158269349559361291/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/um-conto-de-katia-gerlach.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1158269349559361291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1158269349559361291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/um-conto-de-katia-gerlach.html' title='UM CONTO DE KATIA GERLACH'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Qs8eD3nWMVI/TqG5J1vx5aI/AAAAAAAAAYk/c3SMCP0TvDU/s72-c/fotokatia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4275377268897263351</id><published>2011-10-21T11:06:00.000-07:00</published><updated>2011-10-21T11:17:13.437-07:00</updated><title type='text'>MÁRCIA CAVENDISH WANDERLEY</title><content type='html'>AS TERRAS PROIBIDAS DE LUIZA LOBO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 157px; DISPLAY: block; HEIGHT: 236px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666010022340224546" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-Umhn8Neh0YA/TqG2GHNkZiI/AAAAAAAAAYY/52a9MOaAQek/s320/capalivroluiza.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;Um “Casa grande &amp;amp; senzala” do Vale do Paraíba do Sul, é o que se pode dizer deste romance portentoso de Luiza Lobo, escrito em tom rememorativo, às vezes proustiano, de quem se lembra de um passado não vivido nem testemunhado, mas a respeito do qual reuniu documentação confiável e verídica, tornando-se histórica e antropologicamente sustentável. O que não seria novidade, dada a quantidade de cientistas políticos e sociais, antropólogos, historiadores, juristas etc a utilizarem, no passado e no presente, a literatura como fonte secundária para suas investigações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Este romance é bastante confiável inclusive porque sua autora (a qual apresentei com honras no meu livro Mulheres: prosa de ficção no Brasil 1964/2010, recentemente lançado) é um dos últimos ramos da família Teixeira Leite e assim teve acesso a todas as informações que constituem a argamassa da narrativa, utilizando fontes primárias, em conversas com os e mais antigos parentes e aderentes remanescentes da sua e de outras famílias que viveram a saga das fazendas do café do vale do Paraíba do Sul, na então província e depois Estado do Rio de Janeiro. Isso para não falar de documentos secretos por tantos anos guardados em baús e ainda em poder da família, que a autora pôde manusear. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Um resgate que acompanha quase três séculos de história de família e da história do ouro negro, que deslocou o eixo da economia brasileira, inicialmente centrado no núcleo canavieiro do Nordeste, depois na região central das Minas de ouro e pedras preciosas e finalmente no Sudeste e Sul cafeeiros, completando o período agroexportador da economia brasileira. Mas enquanto durou este último ciclo no Sudeste, o do café, a produção e comercialização foram tão bem sucedidas que os barões agrários, responsáveis por esta produção, ficaram suficientemente ricos para alimentar os luxos e o fausto do Imperador e sua corte, e a própria cidade do Rio de Janeiro foi transformada e tornou-se mais bela e fascinante com o capital gerado no Vale do Paraíba do Sul. Foi por isto mesmo que tantos proprietários rurais se tornaram barões, pois os títulos eram doados pela monarquia à guisa de recompensas. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No final desse processo a monarquia, já bastante abalada pelos protestos contra a pútrida escravidão e pelos ecos dos gritos republicanos, irá ruir diante dos questionamentos e ditames da República, definitivamente instalada a partir de 1889. Tudo isso está contado em forma romanesca por Luiza, que desloca também o foco narrativo do protagonista básico da história, a elite cafeeira rural, para a voz dos escravos e negros, representados principalmente por Manuel Congo – uma verdadeira força moral que determinará o destino de sua família pelo vaticínio mortal proferido na hora de seu enforcamento em praça pública, em Vassouras. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Esse sortilégio teria determinado a decadência e as agruras sofridas não só por uma, mas por todas as famílias daquela região. É uma estória triste e longa de decadência e mortes que nos convence como verdadeira, porque a prosa de ficção é eficiente neste papel de “suspension of disbelief”, embora saibamos que não foi diferente o destino das famílias da elite canavieira dos engenhos, quando as empresas usineiras tomaram conta da produção do açúcar e multiplicaram essa produção muitas vezes. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;José Lins do Rêgo é um dos escritores que desenha esse quadro com sensibilidade e graça em Menino de engenho, Usina e outros livros que contam a estória daquelas famílias. No Sudeste, a abolição da escravatura e a imigração promovida desde o Império com vistas a uma industrialização que somente floresceria na República, serão a sentença de morte da economia cafeeira. Aqueles escravos, tanto no Nordeste quanto no Sudeste, tiveram muitas vezes tratamento desumano – e Luiza relata os casos das atrocidades e barbaridades que alguns proprietários de fazendas, como os Wernecks, por exemplo, faziam com seus escravos, que às vezes eram até enforcados, como no caso de Manuel Congo. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Entretanto, a partir de uma certa data, na região Sudeste, esse comportamento bárbaro tornou-se mais suave e os escravos passaram a auferir mais direitos e benesses de seus proprietários. É àqueles homens e mulheres, os 147 escravos da fazenda Cachoeira Grande, pertencente ao barão de Vassouras, seu ancestral Francisco Jose Teixeira Leite, que Luiza dedica seu livro, corroborando a intenção acima mencionada de realizar o descentramento das vozes dos poderosos para abrir espaço a outras, sempre subjugadas e inaudíveis. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O mesmo acontece em relação às mulheres. Conquanto Luiza advirta no inicio do terceiro capítulo da primeira parte: “Das mulheres não falo porque não são importantes”, é delas que mais falará, e não apenas através das chamadas “baronesas loucas”, e nem tão loucas, mas enlouquecidas pelo patriarcalismo castrador, mas também através da voz de uma personagem como Elisa, aparição fulgurante e iluminada como um relâmpago rápido em noite escura, em toda sua leveza, inteligência, paixão e revolta femininas vivas contra o status quo de mulheres emudecidas e apagadas que fizeram o cenário das fazendas do Vale do Paraíba e das casas grandes – ali, onde “nenhuma delas foi feliz”. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Dessas e de outras vozes submersas e emudecidas no decorrer da história fala a autora, que não deixou de lado as peripécias da Maçonaria em suas lutas pela libertação dos escravos e pela República; das idas e vindas de sua própria família em direção à ruína inapelável, que, como as outras, tão aprisionadas estavam em suas próprias redes por sistemas de parentesco que garantiam a limpeza da raça branca que pouco lhes sobrou em termos materiais. Contudo, restou o que ficou do talento manifestado em alguns membros daquelas antigas gerações. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Eliza é um destes membros que, conquanto tenha vivido um curto espaço de tempo no mundo, manifestou possuir a inteligência, a vivacidade e outras qualidades intelectuais e sensíveis que surpreendemos agora neste excelente romance com fôlego para contar a história que envolveu a saga dos Teixeira Leite e outras famílias. Eles fizeram, apesar da nódoa escravista, a grandeza e o brilho da Monarquia e de uma época de ouro da província e hoje Estado do Rio de Janeiro. Parabéns Luiza.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Márcia Wanderley&lt;/span&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kelyJNYFqFc/TqG1qHgiWJI/AAAAAAAAAYM/4vjhPpeoLgM/s1600/marciawanderley.jpg"&gt;&lt;/p&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 180px; DISPLAY: block; HEIGHT: 123px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5666009541383444626" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-kelyJNYFqFc/TqG1qHgiWJI/AAAAAAAAAYM/4vjhPpeoLgM/s320/marciawanderley.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Marcia Cavendish Wanderley é pernambucana, professora de sociologia da literatura da UFF, e autora dos livros A voz embargada (São Paulo, Edusp, 1996), Do jeito delas: vozes femininas da língua inglesa (Rio de Janeiro, 7Letras / Faperj, 2008) e Mulheres: prosa de ficção no Brasil no Brasil – 1964/2010 (Rio de Janeiro, Ibis libris / Faperj, 2011). Publicou um livro de poemas: O terceiro jardim (Rio de Janeiro, Editora da Palavra, 2006). &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4275377268897263351?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4275377268897263351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/marcia-cavendish-wanderley.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4275377268897263351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4275377268897263351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/10/marcia-cavendish-wanderley.html' title='MÁRCIA CAVENDISH WANDERLEY'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Umhn8Neh0YA/TqG2GHNkZiI/AAAAAAAAAYY/52a9MOaAQek/s72-c/capalivroluiza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-3803047293224790780</id><published>2011-05-20T11:46:00.000-07:00</published><updated>2011-05-20T11:58:40.788-07:00</updated><title type='text'>A FESTA DO LADO 7</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Entrevista de Jorge Viveiros de Castro a Sonia Coutinho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-6ywpsD7N_ME/Tda3omBH0oI/AAAAAAAAAXM/ntm9qfWKh54/s1600/1jorge.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 316px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608872293964436098" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-6ywpsD7N_ME/Tda3omBH0oI/AAAAAAAAAXM/ntm9qfWKh54/s320/1jorge.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; A editora 7 Letras, casa de pequeno porte que ganhou nome entre as melhores do país, prepara grandes transformações em sua atuação, a fim de acompanhar as mudanças no mercado livreiro. Afinal, estamos diante da chegada forte da tecnologia digital na área do livro, prometendo trazer maciçamente um dispositivo eletrônico como veículo alternativo para a leitura. Marcando a virada, no próximo dia 31 haverá o lançamento de uma nova revista, a Lado7, com duplo formato impresso e digital, na Livraria Travessa do Shopping Leblon. Jorge Viveiros de Castro, o editor – meu editor - começou a editar livros quase menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - Jorge, você já está com a editora 7 Letras há bastante tempo, não? Há quanto tempo, mesmo? Que idade tinha, quando se tornou editor?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; - Comecei a trabalhar como livreiro em 1988, aos 21 anos. Fundei a Editora Diadorim em 1993, e logo em 1994 passei para a 7Letras – portanto posso dizer que sou editor desde os 26 anos, e hoje a editora está quase chegando à maioridade, com 17 anos de estrada.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-p7j3sEifveU/Tda39QG9GaI/AAAAAAAAAXU/d4gQw33JILA/s1600/jorgeB.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 291px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608872648860572066" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-p7j3sEifveU/Tda39QG9GaI/AAAAAAAAAXU/d4gQw33JILA/s320/jorgeB.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - Fale um pouco desse percurso, lembre alguns episódios que marcaram você.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; - Posso dividir a trajetória da 7Letras em 3 fases. No início a editora funcionava dentro de uma pequena livraria, e comecei a trabalhar com livros em pequena tiragem, especialmente de poesia, que lançávamos na própria livraria. Nessa época fazia tudo praticamente sozinho, com a ajuda de uma estagiária.&lt;br /&gt;Alguns anos depois a editora se separou da livraria e passou a publicar um número maior de títulos acadêmicos, principalmente na área das ciências sociais. Desde então o catálogo da editora foi crescendo em número de títulos e em variedade de gêneros, também com muitas coedições. Durante essa etapa a editora se profissionalizou como empresa, e passei a atuar mais no setor administrativo – ainda que sem perder o foco na questão editorial, bem como tentando não deixar de lado a paixão pela leitura.&lt;br /&gt;A terceira fase teve início quando nos mudamos para a sede atual, em Botafogo, e montamos um estúdio de gravação para ampliar as experiências de criação editorial já tendo em vista a chegada das novas ferramentas e dispositivos de leitura em formato digital, que permitirão o trabalho com áudio e vídeo como complemento da leitura. De certa forma, esta fase marca também uma volta às origens, pois estamos novamente trabalhando com poesia em pequenas tiragens, agora agregando aos livros gravações em áudio dos poetas para veiculação online em formato digital.&lt;br /&gt;Posso lembrar de vários episódios marcantes, como o dia em que o depósito da editora (que ficava no subsolo da livraria) inundou numa daquelas enchentes de verão e tivemos que fazer uma verdadeira “operação de guerra” para salvar os livros – contando inclusive com a inestimável ajuda do poeta Carlito Azevedo, editor da revista Inimigo Rumor e um dos principais autores do catálogo da 7Letras até hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SGfrHIEpyjY/Tda4S5Z-sSI/AAAAAAAAAXc/SCIVkpF2M_I/s1600/jorge%2B-%2Bfoto%2Bmet.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 309px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608873020723474722" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-SGfrHIEpyjY/Tda4S5Z-sSI/AAAAAAAAAXc/SCIVkpF2M_I/s320/jorge%2B-%2Bfoto%2Bmet.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - A 7 Letras lançou vários dos melhores autores da nova geração brasileira. Como você se sente, com relação a isso?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; - Tenho orgulho da trajetória da 7Letras, e de ver reconhecido o trabalho de muitos autores em quem apostamos desde o primeiro instante, ainda quando eram inéditos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - Tem alguma coisa a dizer sobre a literatura no Brasil, agora? Acha que está saudável, ou é doente terminal, como dizem alguns?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; - Acho que está muito saudável. Há muitos jovens escrevendo, muito mais do que na minha geração; o acesso à informação e até mesmo à leitura vem sendo ampliado com as novas tecnologias desde o surgimento do computador e da internet, e vejo com bons olhos o surgimento de escritores jovens – tanto poetas quanto contistas e romancistas – que falam (e escrevem, ou traduzem) a língua de seu tempo, com talento e criatividade. O mais difícil é a boa literatura chegar a um número expressivo de leitores, em meio a um mar de obras estrangeiras e dos gêneros de consumo rápido tipo autoajuda e similares. Mas ela existe, como sempre, e também está sendo produzida justo agora por uma nova geração que praticamente já nasceu na era da informática. Sem falar nos autores já estabelecidos e ainda atuantes. &lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-bGncYCgOFRE/Tda4okSQGCI/AAAAAAAAAXk/OYrINLC8SOM/s1600/jorgetocand.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 158px; DISPLAY: block; HEIGHT: 200px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608873393011038242" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-bGncYCgOFRE/Tda4okSQGCI/AAAAAAAAAXk/OYrINLC8SOM/s320/jorgetocand.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - Que tal essa atividade de editor? É exaustiva? É gratificante? Qual é o saldo de tudo isso, neste momento?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; - Ufa, confesso que tenho de parar pra pensar. É exautiva sim. É gratificante também. De certa forma parece que não saí do lugar: estou com uns três arquivos abertos aqui no fundo dessa mesma tela nesse exato momento, cada um com um livro inédito em processo de edição, como parece que passei cada dia desses quase 20 anos de atividade editorial. Posso dizer que é difícil trabalhar com livros, mas fico feliz de ter conseguido construir minha própria editora como uma casa aberta aos autores brasileiros, e vê-la hoje tão cheia de gente talentosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - Além de editor, você é escritor. Foi um precursor do chamado miniconto entre nós. Acha que conseguirá levar as duas coisas? Temos outros exemplos de editores que são também escritores.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; – Atualmente, o tempo da escrita parece cada vez mais raro, especialmente nessa fase de implementação dos livros em formato digital, que exige novos saberes, investigações e investimentos. Procuro não deixar de lado a leitura dos autores mais diversos – além da literatura, gosto de obras científicas, especialmente nos campos da matemática, biologia e história – para que as ideias continuem fluindo. Um dia a coisa explode e algum dos projetos literários toma forma. Ou não. Espero que sim, tenho muito material bruto espalhado em arquivos e cadernos, algumas ideias recorrentes e alguns projetos em andamento. Pelo menos não tenho dificuldade para encontrar uma editora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - A 7 Letras está lançando uma revista importante, a Lado 7. Antes, você tinha a Ficções. Diga alguma coisa sobre o projeto da nova revista.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; - A revista Lado7 marca a entrada da editora no mundo dos formatos digitais. Além de contos, poemas e ensaios, a revista pretende ampliar o diálogo e a interação entre os diversos gêneros, convidando artistas plásticos e quadrinistas e também utilizando os recursos de sons e imagens que estão se aprimorando com as novas mídias. O mais importante é criar e expandir um campo de experimentação, aberto a descobertas – tanto de novos autores e obras quanto de novos processos editoriais.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-vERXBuK836E/Tda5Nb_TF2I/AAAAAAAAAX0/7y2q0nrf93A/s1600/2jorge.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 305px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608874026439219042" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-vERXBuK836E/Tda5Nb_TF2I/AAAAAAAAAX0/7y2q0nrf93A/s320/2jorge.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;SC&lt;/strong&gt; - Como é que a 7 Letras se posiciona diante da chegada do livro digital? O que você pretende fazer, com sua editora, com relação a isso?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;JVC&lt;/strong&gt; - Estamos ainda engatinhando, como a própria indústria do livro. A intenção da editora é seguir com as ideias plantadas no projeto “Lado7” (e resumidas no conceito da revista), e utilizar de maneira criativa todo o repertório de recursos que ajudem a multiplicar as experiências da leitura para o maior número possível de leitores. Vejo o livro digital como um suporte a mais, um complemento para a experiência (insubstituível) da leitura em papel, e que precisa ser explorado como um terreno ainda desconhecido, com muita coisa ainda a ser descoberta e aprimorada. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-3803047293224790780?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/3803047293224790780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/festa-do-lado-7.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3803047293224790780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3803047293224790780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/festa-do-lado-7.html' title='A FESTA DO LADO 7'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-6ywpsD7N_ME/Tda3omBH0oI/AAAAAAAAAXM/ntm9qfWKh54/s72-c/1jorge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-8344668989583233321</id><published>2011-05-20T11:34:00.000-07:00</published><updated>2011-05-20T11:46:01.171-07:00</updated><title type='text'>CONTOS DE LUCI COLLIN</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-b2KMJb6R7Zs/Tda02u7NznI/AAAAAAAAAW8/8px3f3t5Lnk/s1600/lucicoll.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 208px; DISPLAY: block; HEIGHT: 233px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608869238338866802" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-b2KMJb6R7Zs/Tda02u7NznI/AAAAAAAAAW8/8px3f3t5Lnk/s320/lucicoll.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; IMAGENS DESABRIGADAS&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;às quatro. encontrar-me-ei com ela às quatro, conforme me disse. conforme eu disse a mim mesmo. conforme mentiu. às oito estarei ainda lá esperando? e qual relógio poderá afirmar: são quatro? meu relógio é de ouro e tem até aquela corrente mas esqueço de dar corda, me esqueço da sequência das horas. quantos minutos são necessários para que cada coisa se faça? na verdade um dos ponteiros caiu há muito, muito mesmo. ficou solto ali dentro daquele visor encardido. sim, é um relógio antigo e guarda o tempo passado. todas as horas são um punhado de grãos indistinguíveis. mas sei que quando o coronel sai e bate a porta daquele jeito são três em ponto. encontrar-me-ei com ela às quatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conforme disse, o lugar deve ser este. conforme combinamos. mas advertiu que mentia. mas não acreditei que mentia. mas não acreditei que fosse capaz de mentir. por isso vim. por isso estou aqui. e são talvez já oito horas. não neste meu relógio indolente. nos outros relógios do mundo são oito. serão nove, quem sabe? neste relógio que observo, tendo há muito esquecido qual dos ponteiros se perdeu, o tempo é sempre um caminho impossível. conforme menti a mim mesmo ela estaria aqui, conforme eu quis acreditar que jamais mentiria. são oito. punhado de intraduzíveis. não, ela não veio. e já que sempre me esqueço a sequência das horas, não importa se está atrasada – não significa que não vem. num relógio como o meu, de ouro e com aquela corrente, quatro pode ser imediatamente depois de oito. e isso quer dizer que encontrar-me-ei com ela daqui a pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na verdade ela jamais disse que estaria aqui na hora combinada. eu é que inventei um horário. ela nem tem relógio! nem relógio ela tem! como poderia combinar um encontro comigo ou com qualquer outro alguém!? dei a ela um pequenino relógio com uma delicada pulseira. ela recusou. anos atrás. jamais quis aceitar presentes. e eu sempre a insistir, reconheço! lembro-me que tive que devolver à loja aquela gaiola com o casal de canários. anos atrás. punhado de impermanências. não quis o relógio e não quis os canários e nem o chapéu lilás que ofereci e nem as luvas e nem o pequeno lenço de seda e nem o livro de sonetos e nem o terço de madrepérolas e nem aquele abajur estampado com motivos orientais e nem o jarro de porcelana pintado à mão e nem a caixinha adamascada e nem o exótico vidro de perfume e nem a estatueta de jade e nem os chás importados e nem o colar de coral. e não tendo aceito o relógio jamais poderia estar aqui na hora combinada. se chegasse, eu poderia suspeitar que um dia aceitou um relógio, delicado ou não, de algum estranho. mas não de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às cinco não aguentei e descasquei uma das laranjas que iria oferecer. às seis aquele gato esquisito sentou-se aqui ao meu lado. às sete três moças passaram apressadas para apanhar o bonde e eu soltei as flores que segurava. às oito uma folha de jornal perdida foi sendo arrastada pelo vento e eu acompanhei seus movimentos sem sentido. às nove minha cabeça começou a doer e os meus pés começaram a latejar. às dez uma sirene soou e não consegui distinguir de onde vinha aquele som. às onze garrafas foram quebradas no beco. à meia-noite uma criança pequena começou um choro monótono e depois o pai da criança começou a berrar. à uma hora eu olhei para o céu. às duas não aguentei e descasquei uma das flores que iria oferecer. às três aquela folha de jornal sentou-se aqui ao meu lado. às oito cinco moças saídas de um baile passaram apressadas em direção ao vento. às nove eu soltei as laranjas que segurava e acompanhei seus movimentos sem sentido. às dez um gato começou seu choro monótono e depois minha cabeça começou a latejar. às onze não consegui distinguir aquele som que veio do beco e olhei para os meus pés. ao meio-dia o pai da criança passou apressado para apanhar as garrafas. à uma o céu monótono será quebrado mas o som será confundido com aquele da sirene. às duas meus pés pararão de berrar. às duas e trinta a criança terá virado um homem esquisito que passa em direção à folha de jornal. às três em ponto o coronel sai, meus pés, então, conseguirão partir. às quatro, conforme me disse, mentirá.&lt;br /&gt;outra vez.&lt;br /&gt;conforme me disse.&lt;br /&gt;conforme eu disse a mim mesmo. meu relógio é de ouro e tem até aquela corrente. esqueço de dar corda. esqueço a sequência das horas. um dos ponteiros caiu. sai e bate a porta daquele jeito. o lugar deve ser esse. nos outros relógios do mundo. encontrar-me-ei.&lt;br /&gt;um relógio afirmou:&lt;br /&gt;às quatro. &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-5TXlck3oFIc/Tda1LxTgrtI/AAAAAAAAAXE/-1in9PBiRLI/s1600/nuvensceuescu.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 138px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608869599754890962" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-5TXlck3oFIc/Tda1LxTgrtI/AAAAAAAAAXE/-1in9PBiRLI/s320/nuvensceuescu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;UM PONTO SOBRE O OUTRO&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Não, nenhuma palavra que dissesse ajudaria: Reva é mesmo um mistério, logo vi, quando Florine me disse: cuidado, ou melhor, quando disse: jamais compreendi Reva Frankton, eu pensei puxa, estou mesmo me sentindo diferente mesmo estou mesmo me sentindo desta vez mesmo é assim que estou mesmo me sentindo: um amontoado de dúvidas: Reva é com certeza um mistério e só existiram duas pessoas com este perfil na minha vida: Kade e Lebrec só esses dois elementos essas duas outras oportunidades me causaram tal sensação de estranhamento aquele desconforto com as cenas: mistério, mas não pelo mesmo motivo: Kade é um apanhado de silêncios, de incomunicáveis e Lebrec, bem a história de Lebrec se resume no seguinte: ausência, ausência foi a palavra dita por Herlinda para definir aquele momento em que olhamos para uma pessoa que compôs uma sequência de dias das nossas vidas (e não só sequência: também fatias quero dizer) e percebemos finalmente: nada existiu ou melhor: nada existe e então você pode me acusar de estar sob influência de Lindy (Herlinda) mas isto não é verdade eu posso lhe provar: Koci me conhece e sempre sustentou que eu tenho entendimento de montanhas, de cremes, de brancos, de não, de lentes, de sempre, de um qualquer descuidado, de qualquer pausa, de qualquer pequeno vento insistindo sobre o tecido enfim Koci com certeza diria: tem sim ou, se Koci não usasse palavras assim tão objetivas, tão diretas, tenho certeza que se faria entender mesmo que as sentenças caracteristicamente fossem indistintas e embaralhadas uma vez que Koci é o próprio embaralhamento, convenhamos, mas não é mistério, mistério está aqui: Reva, Reva Frankton é: mistério absoluto: Florine disse e isto não é novidade para mim: eu já vivi algo parecido com Kade e ainda isso: eu já vivi algo parecido com Lebrec (quando revelou seu verdadeiro nome: Liebross) todos esses fatos devem ser meticulosamente considerados eu quero, em outras palavras, esclarecer: toda vez que alguém entra na sua vida pode acontecer isto mas temos que apontar que o contrário: o contrário também acontece: o mistério pode estar no momento em que alguém sai, quero dizer: sai da sua vida, sai levando um pedaço, foi o que disse Hal: sai levando um pedaço que não se conhecia: Leb fez isso, Kade fez, e Reva está fazendo porque Reva é só isso: um mistério e no fim parece ser apenas e portanto isto: um pão que manifesta um envelhecimento, que está condenado a ser esquecido já que o dia está quente, está terrivelmente quente e neste mercado de bairro os pequenos pontos verdes podem ser vistos, os pequeníssimos pontos de bolor já se instalaram ali no pão e este pequeno exemplo ilustrativo é exatamente como: Reva e não adiantará Ryther me telefonar dizendo: esqueça, que você bem sabe que Ryther Stroy está se tornando especialista em dizer: esqueça isto, pelo menos foi o que me disse quando Hal desapareceu, quando Tamra desapareceu, quando Yem perdeu-se no mapa, quando Herlinda deu tanta corda no relógio que aquele objeto recusou-se e finalmente quando toquei no assunto: Reva é um sofisticado mistério uma vez que a virtude dos pêssegos é serem imediatos e as únicas palavras que neste momento poderiam me ajudar a compreender este tipo de pilha de cartas de baralho viradas sobre a mesa que é o meu peito agora são as seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KOZMIC BLUES&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ouvir vozes quando é um solo de guitarra é solidão. Esperar que a porta se abra. Suspirar é solidão. Não falar em corpo. Repetir o mesmo gesto. Repetir. Não saber dizer se repetiu o mesmo gesto é solidão. A paisagem igual a umidade por dentro o fogo o frio. As cores que se abandonam. As mãos que envelhecem, os toques melhores que aguardarão para sempre. A folha tombar no outono é solidão.&lt;br /&gt;Microfonia.&lt;br /&gt;Alguém tossindo na platéia. Ruídos num pianíssimo. Uma poltrona que range. Desafinar na noite de estréia. Sob as luzes. Desafinar em todas as noites subseqüentes. Atrasar um tempo. Comer um compasso. Estar circundado de não pode ser é solidão. Chorar no escuro.&lt;br /&gt;Plagiar.&lt;br /&gt;Quebrar um copo e não precisar varrer os cacos. Uma corda que arrebenta no meio da melodia perfeita. Cair de joelhos sem ter nada a dizer. Ouvir a série harmônica. Não ouvir a série harmônica. Janela de quarto de hotel. Dicionário onde se espera encontrar como se diz “eu gostaria” naquela língua remota. Varal vazio. Ritmo da colher no prato de sopa. Ouvir a própria voz compondo finais de frases medíocres. Tudo isto.&lt;br /&gt;A mecânica da representação.&lt;br /&gt;Seguir atentamente as coordenadas até a próxima estação e descer no lugar errado. Descer carregando peso é solidão. Escrever a própria história com mistérios. Ver ondas indo embora e esquecer que sempre cumprem voltar. Resumir as coisas da vida em uma página e meia. Pensar nas horas em que o coração existiu sendo alegria. É com certeza.&lt;br /&gt;Na água que evapora, o lentamente é solidão.&lt;br /&gt;O silêncio que soterra os objetos. Mantos imensos de vidro. Magma. Força da lava veloz que só se pode aceitar. O transparente que existe por si também é. Estar longe do porto de onde se parte de onde se chega de um onde. Enxergar tanta água. Catar por entre os escombros da noite o vago ainda de um sorriso. Desconsiderar que se nasce do fruto é solidão.&lt;br /&gt;Cisco no olho.&lt;br /&gt;Ter um medo palpável do tempo que perpetua estragos por dentro. Ter medo da resposta e da pergunta. Planta sem água. Água sem sede. Relógio sem corda. Ferida exposta. Mosca contra o vidro. Vidro de veneno. Asa quebrada é solidão. Fogo na floresta. Chave sem fechadura. Estrada que virou um labirinto é solidão.&lt;br /&gt;Suor é a maior solidão.&lt;br /&gt;A fome ensurdecedora não dimensionável é. Detalhes vinte cento e oitenta vezes a mesma cena. O diamante que aguarda na caixinha escura escura e o macio daquele escondido também é. O nome da coisa sem porquê é solidão. Querer aplacar as pretensões de infinito. Os restos da festa as garrafas vazias o canto da sala as sobras as flores e os copos em silêncio. As paredes impregnadas de apelos monódicos. O respirar solene um ar cansado. A pedra sobre o estar é solidão.&lt;br /&gt;O maestro baixou a batuta. Pensar em como será o longe nos olhos miúdos dos pássaros. O baixista disse “três”.&lt;br /&gt;Sou um lugar onde eu nunca fui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-8344668989583233321?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/8344668989583233321/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/contos-de-luci-collin.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/8344668989583233321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/8344668989583233321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/contos-de-luci-collin.html' title='CONTOS DE LUCI COLLIN'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-b2KMJb6R7Zs/Tda02u7NznI/AAAAAAAAAW8/8px3f3t5Lnk/s72-c/lucicoll.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-8703898439399220019</id><published>2011-05-20T10:32:00.003-07:00</published><updated>2011-05-20T11:33:58.046-07:00</updated><title type='text'>CADERNO DE POESIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;DINU FLAMAND&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;TRADUÇÃO SONIA COUTINHO &lt;/span&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; DISPLAY: block; HEIGHT: 253px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608862679347080786" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-XbuS85Gdwz0/Tdau48xtrlI/AAAAAAAAAW0/xQB3RYvJMxU/s320/dinu2.jpg" /&gt;ANIMA MAL NATA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o vento levanta de repente um redemoinho enfumaçado&lt;br /&gt;um gato caminha a passos lentos sobre o muro&lt;br /&gt;pensando que talvez os pardais não saibam mais voar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;leio sobre os infelizes&lt;br /&gt;que herdam a anima mal nata&lt;br /&gt;um sinal de nascença - mas na alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e enquanto a confusão persiste – o fundo&lt;br /&gt;da minha interioridade explodindo para fora –&lt;br /&gt;prossigo com a mesma tristeza carnívora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfrentando todos os obstáculos sem saber porquê&lt;br /&gt;quando ficaria satisfeito com a sombra clara da tua axila&lt;br /&gt;e o migratório triângulo em teu ventre...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PRESO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chega com um cheiro de pele quente&lt;br /&gt;da cama de outro&lt;br /&gt;tira do cabelo um sol cheio de grama&lt;br /&gt;e estende a mão&lt;br /&gt;entre seus dedos a água toma a forma de um copo&lt;br /&gt;enquanto ela envia para as profundezas a emoção de um beijo esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma felicidade amuralhada a protege do sono&lt;br /&gt;como uma fortaleza&lt;br /&gt;ela está impregnada de uma densa fosforescência&lt;br /&gt;intangível&lt;br /&gt;enquanto pulsa em minha direção&lt;br /&gt;de uma distância insuportavelmente&lt;br /&gt;próxima&lt;br /&gt;onde me afogo em anos luz de encargos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu abriria já o meu peito para recebê-la&lt;br /&gt;bem dentro do meu silêncio&lt;br /&gt;ruidoso&lt;br /&gt;nos verdes cumes de Abril&lt;br /&gt;mas nenhuma das minhas palavras a atinge&lt;br /&gt;e fico à espera&lt;br /&gt;preso no latido do eco vazio&lt;br /&gt;que me repete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;O poeta e tradutor premiado Dinu Flamand faz jornalismo em Bucarest&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;NARLAN MATOS TEIXEIRA&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-hiEkuoX4faM/TdarIuTvRvI/AAAAAAAAAWk/Y9suoJ0vyqU/s1600/narlan2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 201px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608858552294655730" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-hiEkuoX4faM/TdarIuTvRvI/AAAAAAAAAWk/Y9suoJ0vyqU/s320/narlan2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;ELEGIA AO NOVO MUNDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu me perguntas meu amigo&lt;br /&gt;Onde eu estive durante meu longo silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;Estive na açucena das canas e na amargura dos canaviais&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;......................&lt;/span&gt;onde as folhas tremiam de medo dos homens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;Os canaviais me sussuraram em gritos horrendos&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.......................&lt;/span&gt;o sangue amargo que lhe adocicou a boca&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;As mãos ásperas que lhe enxugaram a face&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;O canavial que morria de fome antes de completer 27 anos de idade&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;Das vozes sem estrela que embalavam ao longe línguas estranhas&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;Ó canavial verde, de que cor é meu sangue vermelho ?&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;Meu sangue tem medo da morte do açoite da noite&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;Meu sangue tem medo de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu me perguntas meu amigo&lt;br /&gt;Onde eu estive durante meu longo silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;Eu estive nos navios negreiros mercantes&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.......................&lt;/span&gt;que mercaram meu destino até a América até agora&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;beberam minhas lendas como se bebe um barril de rum podre&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;........ &lt;/span&gt;mercaram cada estrela do céu e do mar infinito&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;cada pássaro cada pluma de meu cocar&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;e desenharam mapas com meu sangue&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;e ergueram totens sobre minha tribo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;e atearam fogo nos campos sagrados do meu povo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.........&lt;/span&gt;e suas lanças me repartiram as veias em continentes distantes diferentes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu me perguntas meu amigo&lt;br /&gt;Onde eu estive durante meu longo silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..........&lt;/span&gt;Estive pelas escumas dos mares nunca d’antes&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..........&lt;/span&gt;Por onde vieram a pólvora a baioneta o espelho a tuberculose a siflis&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;..........&lt;/span&gt;Por onde vieram a espada e o elmo &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;....................................&lt;/span&gt;As nuvens jamais se esquecerão disso! &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No atlântico negro&lt;br /&gt;Nos tombadilhos de velhos navios piratas&lt;br /&gt;Nos calabouços da crueldade humana&lt;br /&gt;Nas prisões da Serra Leoa – que ainda doem em alguma dobra do meu corpo&lt;br /&gt;Em Angola&lt;br /&gt;Na Guiné-Bissau&lt;br /&gt;No Senegal&lt;br /&gt;No Benin&lt;br /&gt;Estive no reino da Guatemala&lt;br /&gt;E na provincia de Yucatán&lt;br /&gt;E na provincia de Cartagena de las Indias&lt;br /&gt;E nos grandes reinos e grande provincia do Peru&lt;br /&gt;E no novo reino de Granada&lt;br /&gt;E nas ilhas de Cuba e Trinidad&lt;br /&gt;E nos reino dos Aztecas&lt;br /&gt;Onde espadas de brutalidade fenderam meu corpo nu&lt;br /&gt;Onde os cães de caça dos barões das índias se alimentavam dos braços e das pernas de crianças indefesas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu me perguntas onde eu estive meu amigo&lt;br /&gt;E somente agora posso quebrar meu silêncio:&lt;br /&gt;Eu estive comigo. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;O baiano Narlan Matos Teixeira é professor nos Estados Unidos, em Urbana-Champaign&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;HENRIQUE WAGNER&lt;/strong&gt; &lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 210px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608858772694268802" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Iy_QrDG-8zE/TdarVjXGe4I/AAAAAAAAAWs/l2W-DNa3q_A/s320/henriquew.jpg" /&gt;AUTO-RETRATO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma cidade&lt;br /&gt;e outra, os bois&lt;br /&gt;comem capim.&lt;br /&gt;Os homens de baixa estatura&lt;br /&gt;jogam tênis de mesa&lt;br /&gt;e suas esposas fazem&lt;br /&gt;uma sempre cheirosa&lt;br /&gt;torta de maçã.&lt;br /&gt;Não é que seja importante&lt;br /&gt;o tipo de recheio ou a massa&lt;br /&gt;usada na torta.&lt;br /&gt;Há, no entanto, no tênis de mesa,&lt;br /&gt;aqueles que ganham e aqueles&lt;br /&gt;que perdem. Os homens&lt;br /&gt;de alta estatura vivem&lt;br /&gt;pendurados feito suas gravatas,&lt;br /&gt;o rosto brilhando de suor.&lt;br /&gt;Entre uma cidade&lt;br /&gt;e outra, o cheiro é de&lt;br /&gt;silêncio mastigado&lt;br /&gt;e estrume de boi. E de vaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PARA AMARRAR O CADARÇO&lt;br /&gt;&lt;em&gt;a Sarah Kane&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Basta escolher mãos&lt;br /&gt;pequenas e ágeis&lt;br /&gt;e ler o Tesouro da Juventude&lt;br /&gt;ao pé da letra.&lt;br /&gt;É preferível usar&lt;br /&gt;tênis vermelhos&lt;br /&gt;a brancos, sempre.&lt;br /&gt;Há que tirar manga&lt;br /&gt;do pé e participar&lt;br /&gt;das gincanas do colégio,&lt;br /&gt;ainda que as mocinhas&lt;br /&gt;finjam desprezo ou insatisfação.&lt;br /&gt;Jamais esquecer que a mãe&lt;br /&gt;faz a nossa vitamina&lt;br /&gt;de banana, quando ainda&lt;br /&gt;estamos bêbados de sono,&lt;br /&gt;e no entanto, evitar&lt;br /&gt;agradecimentos óbvios.&lt;br /&gt;Encher o caderno&lt;br /&gt;de dez matérias&lt;br /&gt;com desenhos de monstros&lt;br /&gt;nervosos e nojentos.&lt;br /&gt;Fazer tudo o que possa&lt;br /&gt;ser feito como se&lt;br /&gt;não estivesse&lt;br /&gt;usando óculos.&lt;br /&gt;Deixar as calças rotas&lt;br /&gt;de tanto cair no chão,&lt;br /&gt;na hora da pelada,&lt;br /&gt;e de vez em quando&lt;br /&gt;ser chamado ao S.O.E.&lt;br /&gt;Amar, distintamente, a namorada,&lt;br /&gt;quando não for mais&lt;br /&gt;possível amá-la&lt;br /&gt;de verdade.&lt;br /&gt;Porque o segredo mesmo&lt;br /&gt;está na qualidade&lt;br /&gt;do cadarço. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Henrique Wagner faz jornalismo cultural em Salvador&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-8703898439399220019?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/8703898439399220019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/caderno-de-poesia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/8703898439399220019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/8703898439399220019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/caderno-de-poesia.html' title='CADERNO DE POESIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-XbuS85Gdwz0/Tdau48xtrlI/AAAAAAAAAW0/xQB3RYvJMxU/s72-c/dinu2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4047863681326051891</id><published>2011-05-20T10:32:00.002-07:00</published><updated>2011-05-20T10:52:16.885-07:00</updated><title type='text'>CARLITO AZEVEDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-YlIZWm1mJRs/TdaqLGERisI/AAAAAAAAAWU/oMwRpiptk50/s1600/carlito.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 160px; DISPLAY: block; HEIGHT: 213px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608857493520353986" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-YlIZWm1mJRs/TdaqLGERisI/AAAAAAAAAWU/oMwRpiptk50/s320/carlito.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Apresentação do livro “Mil olhos de uma rosa”&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Mil olhos de uma rosa” constitui-se, já por sua depuração verbal, já por sua recusa a qualquer tentativa de dar um sentido ao sem-sentido de nossos dias, num dos mais indispensáveis livros de contos de nossa moderna literatura. E esses dois elementos, depuração e recusa ao ilusionismo, estão no cerne de cada escolha assumida e desenvolvida por Sonia Coutinho.&lt;br /&gt;A começar pelo perfil das personagens, pessoas solitárias, sem entender bem como chegaram aí (há um “Inimigo Oculto” conspirando?), sem vislumbrar como possam sair disso. Mas se a solidão é uma, muitas são suas formas (mil olhos tem essa rosa doente e contemporânea, para lembrar o poema de William Blake): ela pode nascer da exacerbação do amor, l’amour fou, capaz de levar à loucura ou ao crime; mas também surge de seu extremo oposto, a diluição do amor em amizade erótica, irresponsável, desenergizada, l’amitié amoureuse de que se fala em “Camarão no jantar”.&lt;br /&gt;No conto “Joie de vivre” insinua-se que a arte, eu mundo de cores e harmonias, em especial quando se trata, como é o caso, da arte de Henri Matisse, pode ser uma fuga. Mas, em outro conto, a presença aterradora de um Joseph Beuys, encarando um coiote que é a própria América, mostra que a arte apenas aparentemente é fuga: arte é risco. E a solidão tem a espessura da pintura metafísica de um De Chirico, outra presença sutil e incontornável do livro.&lt;br /&gt;Apesar da exuberância da natureza no primeiro conto, que dá título ao volume, também a onda ecológica não constitui solução. Se no conto e abertura a “narrativa vegetal” parece sobrepujar a “narrativa policial” que se esboça, já no último conto, em sutil espelhamento com aquele, nenhuma “verdade” se acende, romanticamente, da presença da natureza.&lt;br /&gt;Uma última e mais radical saída seria a morte, nossa única questão filosófica, segundo Camus. Não à toa são lembradas aqui a morte de Stefan Zweig, George Eliot e, mais sutilmente, através da citação de uma casa funerária chamada “Estrela da Manhã”, a “indesejada das gentes” de Manuel Bandeira, ou à morte a las cinco en punto de la tarde, do terrível refrão de Lorca.&lt;br /&gt;Mas essa solução, talvez por ser a mais fácil, também não interessa.&lt;br /&gt;Talvez não haja solução, ou melhor, um dos méritos da autora é saber que não cabe à arte oferecer soluções. O que há é a beleza, a coragem para a travessia.&lt;br /&gt;Estranho paradoxo da arte: com sua força corrosiva, este novo livro de contos de Sonia Coutinho nos estimula para a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4047863681326051891?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4047863681326051891/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/carlito-azevedo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4047863681326051891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4047863681326051891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/carlito-azevedo.html' title='CARLITO AZEVEDO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-YlIZWm1mJRs/TdaqLGERisI/AAAAAAAAAWU/oMwRpiptk50/s72-c/carlito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-1462965934672118393</id><published>2011-05-20T10:32:00.001-07:00</published><updated>2011-05-20T10:50:03.361-07:00</updated><title type='text'>FUAD ATALA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4eMv6WbC8sw/TdaodbFwG4I/AAAAAAAAAWE/AK9QvcNPcJA/s1600/limabarreto2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 177px; DISPLAY: block; HEIGHT: 232px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608855609378085762" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-4eMv6WbC8sw/TdaodbFwG4I/AAAAAAAAAWE/AK9QvcNPcJA/s320/limabarreto2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lima Barreto, persona non grata na imprensa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida literária no Brasil sempre manteve estreitas ligações com o jornalismo. Um exemplo marcante foi o Correio da Manhã, jornal de oposição, fundado em 1901 pelo gaúcho Edmundo Bittencourt. Perseguido pela ditadura, o jornal deixou de circular em 1974. Aberto a todas as tendências, por suas páginas passaram os grandes nomes das nossas letras. De sua redação sairam inúmeros imortais para a Academia de Letras. Foi pioneiro em muitas iniciativas, criou suplementos e lançou concursos literários.&lt;br /&gt;Seu surgimento, num momento de transformações tecnológicas no mundo, foi a grande novidade da imprensa na virada do século XX. Ao contrário dos demais órgãos, quase todos praticando a chamada “imprensa de balcão”, alugada ao governo, apresentou-se como jornal independente. Sem vínculos com grupos financeiros, governo ou partidos – não obstante sendo um jornal político – que, em nome da liberdade e da justiça, “para o bem do povo e do país”, viera para combater o poder dominante e todas as formas em que sua força corruptora se manifestasse.&lt;br /&gt;Edmundo era de temperamento arrebatado, que perseguia obsessivamente a liberdade e o que considerava de justiça e de direito, para o bem da nação e do povo, do qual se dizia porta-voz e defensor. Tinha uma ética e seu nome era “ortografia da casa”. Essa ortografia ia muito além da simples representação de normas gramaticais, de fidelidade a regras e princípios. Ela incluía a conduta moral perante seus ideais de purificação do regime corrompido e dos corruptos em geral.&lt;br /&gt;Ficou famoso o seu index, a lista negra cujos nomes não poderiam sob qualquer hipótese ser mencionados no jornal. Em nome dessa postura, Edmundo Bittencourt cultivou muitos desafetos. Pelo grau de virulência de suas críticas, que muitas vezes derivava para a injúria e a ofensa, causaram escândalo na época suas brigas com Carlos de Laet, ex-colaborador de primeira hora do jornal, José do Patrocínio, (o “tigre da abolição”, no dizer de Joaquim Nabuco), Alcindo Guanabara e o senador gaúcho Pinheiro Machado. um de seus maiores desafetos. Tendo se batido com ele num duelo a pistola na ainda remota praia de Ipanema, depois de meses seguidos de pesadas acusações e denúncias, Edmundo, inexperiente em balística, levou a pior, saindo ferido na perna por um tiro possivelmente sem intenção letal do exímio atirador que era Pinheiro Machado.&lt;br /&gt;Um dos casos mais clamorosos foi o que ocorreu com Lima Barreto. Descoberto para a grande literatura brasileira somente depois de morto, o autor de “Clara dos Anjos” teve uma vida miserável, toda feita de frustrações, privações, crises de alcoolismo e internações em hospício. Carregava ainda a amargura de nunca ter tido oportunidade de provar seu talento.&lt;br /&gt;Lima Barreto trabalhou no Correio da Manhã em 1905. Atribui-se a ele a série de artigos sobre descobertas arqueológicas ocorridas durante a abertura da Avenida Central, atual Rio Branco, e a demolição do Morro do Castelo. O escritor conheceu a redação do Correio da Manhã por dentro e provou de perto das manifestações do caráter dominador de seu dono.&lt;br /&gt;Em 1909, depois de enfrentar toda sorte de barreiras, Lima Barreto publicou “Recordações do escrivão Isaías Caminha”, um romance à clef, com todos os ingredientes de uma vingança contra o meio que o rejeitava.&lt;br /&gt;O “Isaías” é um livro áspero, amargo, escrito no estilo dos antigos romances de chave. Em suas páginas, Lima Barreto destila forte agressividade contra instituições como o Exército, do qual foi funcionário, a imprensa em geral e a sociedade, que ele tanto desprezava. Ali estão estampados também os preconceitos que alimentava, além de extravasar seu ressentimento – sentia-se discriminado por causa da cor - contra as injustiças que sofria do meio em que trabalhava.&lt;br /&gt;O principal personagem do livro é o próprio Correio da Manhã, logo o jornal mais poderoso da época, do qual o escritor faz uma sátira mordaz. O romancista o descreve como “um museu de mediocridades”, a cuja frente estava um “diretor violento, mestre de descomposturas”, que “destruía reputações em nome da moral”. Ali estava o Edmundo Bittencourt que ele sentira bem próximo. Para Lima Barreto, esse diretor não passava de um “êmulo de Tartufo, corrupto e devasso”.&lt;br /&gt;Os personagens foram identificados por vários pesquisadores que desvendaram a chave de “Recordações do escrivão Isaías Caminhas”. Para Gondim da Fonseca, Ricardo Loberant era Edmundo Bittencourt. Os demais personagens são quase todos do jornal.&lt;br /&gt;Como era previsível, o livro foi mal recebido. A imprensa praticamente o ignorou. Quanto ao Correio da Manhã, o mais satirizado, manteve-se em olímpico mutismo, permanecendo a obra e seu autor no temível index por muitos anos. Uma postura típica do “espírito da casa”.&lt;br /&gt;Em seu “Diário íntimo”, o autor acusaria o golpe. Comentando a pequeníssima repercussão na imprensa, Lima Barreto cita O Paiz e A Tribuna como os únicos que se ocuparam da obra. Quanto ao Correio, registrou: “...nenhuma linha... era esperado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este texto faz parte do livro "Correio da Manhã - Réquiem para um leão indomado", em preparo por Fuad Atala, que iniciou sua carreira no jornal. Fuad foi também secretário de redação e editor de "O GLOBO", em duas oportunidades, e teve breves passagens por "Última Hora" e "Jornal do Commercio". No livro, ele traça um perfil do polêmico proprietário do “Correio da Manhã,” Edmundo Bittencourt. Fuad Atala é autor do romance “Os ratos de São Sebastião" e co-autor do livro ecológico "Floresta da Tijuca". Também escreveu monografias sobre o maestro e compositor Alceo Bocchino e as pianistas Magdalena Tagliaferro e Guiomar Novais. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-1462965934672118393?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/1462965934672118393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/fuad-atala.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1462965934672118393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1462965934672118393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/fuad-atala.html' title='FUAD ATALA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4eMv6WbC8sw/TdaodbFwG4I/AAAAAAAAAWE/AK9QvcNPcJA/s72-c/limabarreto2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-6195199081784178237</id><published>2011-05-20T10:32:00.000-07:00</published><updated>2011-05-20T10:41:45.725-07:00</updated><title type='text'>A REBELIÃO DAS TINTAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-sjYo4qqJXmU/Tdamwd6BOvI/AAAAAAAAAV0/J8bn_4dQKkk/s1600/chicocolorido.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-sjYo4qqJXmU/Tdamwd6BOvI/AAAAAAAAAV0/J8bn_4dQKkk/s320/chicocolorido.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608853737528441586" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Assustado com a explosão de cores, Chico Cunha sai correndo da sua sala de aulas, na Escola de Artes Visuais, no Parque Lage.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Q6qDZaJsB1c/TdanPIU5qLI/AAAAAAAAAV8/-8UkSy2yDTo/s1600/chicoplage.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-Q6qDZaJsB1c/TdanPIU5qLI/AAAAAAAAAV8/-8UkSy2yDTo/s320/chicoplage.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5608854264311556274" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Pouco depois, as tintas parecem que se assentaram em toda parte, mas estão calmas. E, perto da piscina, Chico arrisca afinal um meio sorriso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-6195199081784178237?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/6195199081784178237/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/rebeliao-das-tintas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/6195199081784178237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/6195199081784178237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/05/rebeliao-das-tintas.html' title='A REBELIÃO DAS TINTAS'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-sjYo4qqJXmU/Tdamwd6BOvI/AAAAAAAAAV0/J8bn_4dQKkk/s72-c/chicocolorido.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-2897352532730773623</id><published>2011-03-07T10:44:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T10:50:36.086-08:00</updated><title type='text'>ORQUÍDEAS PARA CLARICE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-itaGbPqvb7s/TXUn_Gk3QBI/AAAAAAAAAVk/d6wBPGY4k48/s1600/orquideaslindas.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581411278246068242" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-itaGbPqvb7s/TXUn_Gk3QBI/AAAAAAAAAVk/d6wBPGY4k48/s320/orquideaslindas.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Conto de Sonia Coutinho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Conto com minhas palavras a história de Vera, tal como ela me contou, no dia em que foi internada.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Acorda muito cedo, como costuma fazer agora. Sim, agora que estou quase velha, pensa Vera, com uma naturalidade que jamais imaginaria alcançar, apenas poucos anos atrás, com relação a esse assunto. Mas, de repente, numa longa situação de divorciada sem filhos, está chegando aos 57 anos.&lt;br /&gt;(E, o pior, sem se livrar dos resíduos de uma Dolorida Paixão por um homem dez anos mais novo e casado, o belo Henrique.)&lt;br /&gt;Ainda está escuro, Vera acende a luz do abajur. Dá uma rápida olhada no despertador, cuja campainha jamais toca (ela sempre acorda antes da hora), e vê que são quatro da madrugada.&lt;br /&gt;Na mesinha de cabeceira, junto do relógio, está o romance “A maçã no escuro” e, com a ponta presa embaixo dele, um pedaço de papel com anotações feitas por ela, dias atrás.&lt;br /&gt;Vera pega o papel, lê:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Encontrei Van Gogh, esta manhã, no Jardim Botânico.&lt;br /&gt;Foi perto do Rio dos Macacos, que corre paralelo à Pacheco Leão. Dali dá para ver os carros passando na rua, mas não há nenhum ruído de trânsito, apenas o doce murmúrio da água correndo.&lt;br /&gt;Fiquei algum tempo de olhos fechados, ouvindo.&lt;br /&gt;Quando abri os olhos, levei um susto: havia um homem parado à minha frente. À primeira vista, não o identifiquei.&lt;br /&gt;Vi apenas que era um tipo estranho e estrangeiro: pele muito clara, nariz adunco, barba ruiva, usando um chapéu com as abas bem voltadas para cima.&lt;br /&gt;Quando fixei a atenção em seu olho direito, ligeiramente arregalado, o olho que ele usou como eixo de vários dos seus auto-retratos, tive a certeza: era Van Gogh.&lt;br /&gt;Usava um casaco de um azul escuro mas vivo, resplandecente; e, notando que eu o observava, Van Gogh disse:&lt;br /&gt;- O azul cobalto é uma cor divina, não há nada tão belo para colocar em torno dos objetos.&lt;br /&gt;E prosseguiu, como se divagasse:&lt;br /&gt;- Já o carmim é o vermelho do vinho, e é quente e estimulante como o próprio vinho.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera esconde rapidamente o papel entre as páginas do livro.&lt;br /&gt;E pergunta a si mesma se deve conversar a respeito com o Dr. Fabiano. Vai ao consultório dele na próxima quarta-feira. Talvez deva tomar coragem, afinal, e contar tudo. Sim, sobre as aparições.&lt;br /&gt;A leitura da anotação sobre Van Gogh a deixou com uma sensação esquisita, como se saísse de um sonho pesado – sim, esse sonho intenso que chamam de realidade, pensa Vera.&lt;br /&gt;Dá um pulo da cama e, usando apenas uma velha camiseta comprida, vai até o quarto que chama de “meu gabinete” e se senta diante do computador. Acessa a internet, mas não há e-mails novos, o que aumenta sua sensação de solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue para a cozinha, prepara um café com leite, pega umas torradas do tipo que já vem pronto e embalado e uma caixa de queijo cremoso. Enquanto toma o café, pensa outra vez em Henrique. Não é um pensamento saudável, mas não consegue evitá-lo.&lt;br /&gt;Na véspera, um pintor de paredes lhe falara dele.&lt;br /&gt;Uns dois anos antes, Seu Simão tinha pintando o teto do seu banheiro, que a umidade deixara cheio de bolhas e descascado. Foi indicado por Henrique, para quem costumava trabalhar.&lt;br /&gt;Vera agora chamara Seu Simão para conversar sobre a pintura da sua sala, manchada por um vazamento.&lt;br /&gt;Fora um vazamento esquisito. Ela estava no quarto, deitada, quando sentiu aquele repentino cheiro de coisa molhada. Correu ao banheiro, viu que havia um líquido escuro no piso. Na sala, uma parede já estava coberta por grandes borrões avermelhados.&lt;br /&gt;Agora, quando acorda antes do amanhecer e vai até a sala, tem certeza de que são manchas de sangue. Sim, alguém foi assassinado no apartamento de cima e seu sangue escorreu rapidamente do teto até o chão da sua sala.&lt;br /&gt;- Quero toda branco neve - ela disse a Seu Simão.&lt;br /&gt;Estava praticamente tudo combinado, quando ele perguntou:&lt;br /&gt;- E o Doutor?&lt;br /&gt;Com um choque, Vera percebeu que se referia a Henrique.&lt;br /&gt;Como ousava? Mas concluiu que devia ser por causa do indevido tom afetivo com que tratava aquele pintor, e só porque ele fora indicado por Henrique.&lt;br /&gt;Enquanto pintava seu banheiro, Seu Simão encontrara Henrique mais de uma vez em seu apartamento - e devia ter tirado suas conclusões. Embora ultrajada, Vera respondeu à pergunta dele.&lt;br /&gt;- Não falo com Henrique há muito tempo.&lt;br /&gt;Diante disso, o pintor, animado, continuou:&lt;br /&gt;- Trabalhei para ele no mês passado. Henrique deixou a mulher, está morando com uma moça bonita, muito nova. – E acrescentou: - Ela tem o mesmo nome que a senhora, Vera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde que pararam de fazer amor, sempre doía um pouco pensar em Henrique, mas não uma dor tão forte como ela sentiu com a revelação do Seu Simão.&lt;br /&gt;A paixão por Henrique fora substituída por uma amizade-capaz-de-provocar-lágrimas. As palavras do pintor foram como uma punhalada, de punhal-que-não-pode-ser-arrancado.&lt;br /&gt;Vera voltou atrás quanto à pintura da sala, mentiu que talvez os proprietários do apartamento de cima, que pagariam tudo, já tivessem falado com outro pintor.&lt;br /&gt;Verificaria isso e telefonaria para Seu Simão no dia seguinte, disse - já abrindo rapidamente a porta para que ele fosse embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acaba de tomar o café, aproxima-se da mesa da sala, onde está todo o seu material de artesanato.&lt;br /&gt;Tubos de tinta, pincéis enfiados numa garrafa plástica cortada pela metade, godês, pequenos recipientes, um trapo. Desde que se aposentou como professora de francês, é o que anda fazendo. E seu apartamento deixou de ter um aspecto civilizado, transformou-se num desarrumado ateliê.&lt;br /&gt;Senta-se perto da mesa, na cadeira de plástico branco onde trabalha, o chão coberto por jornais estendidos.&lt;br /&gt;Pega uma caixa de madeira crua e começa a lixá-la.&lt;br /&gt;Depois, despeja um pouco de tinta branca PVA numa tigela e, com um pincel e um rolinho, vai pintando a caixa e alisando a tinta.&lt;br /&gt;Separa tubos de tinta - azul ftalocianina, azul turquesa, rosa meio lilás, amarelo limão, laca gerânio, sombra natural.&lt;br /&gt;Na tampa, colará o xérox da foto de Clarice Lispector.&lt;br /&gt;Na caixa anterior, tinha usado a reprodução de um auto-retrato de Frida Kahlo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura, o dia já clareou, Vera apaga as luzes.&lt;br /&gt;Põe a caixa meio trabalhada na mesa, em cima de um plástico. Termino quando voltar do Jardim Botânico, pensa.&lt;br /&gt;Quer chegar cedo para sua caminhada diária, para aproveitar enquanto aquilo não está cheio de gente.&lt;br /&gt;Toma um banho rápido, enfia umas calças de moleton, uma camiseta, uns tênis, desce pela escada mesmo até a garagem, entra em seu velho carrinho. Com o trânsito escasso das seis da manhã, chega ao Jardim em dez minutos.&lt;br /&gt;Tem sempre o mesmo espanto, quando entra aqui. É lindo.&lt;br /&gt;O frescor da manhã, o canto dos pássaros.&lt;br /&gt;Vai caminhando.&lt;br /&gt;No Jardim Japonês, espia as gordas carpas, manchadas de vermelho, branco e preto.&lt;br /&gt;Mas sua favorita é a dourada, que procura com o olhar.&lt;br /&gt;Segue adiante, pisando nas folhas avermelhadas, porque é outono, que cobrem a terra batida das veredas.&lt;br /&gt;Parada agora na margem do Lago, observa a água caindo perpetuamente da jarra que a estátua de Tétis tem nas mãos.&lt;br /&gt;Agora, está bem embaixo de um grupo de macacos, que pulam de um galho para outro. São bichos saudáveis, pêlos limpos e luzidios, suas caras quase humanas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-DkYu2-Uj1XE/TXUoMpq7cpI/AAAAAAAAAVs/SRK16eUccBo/s1600/clarice.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 114px; DISPLAY: block; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581411511005049490" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-DkYu2-Uj1XE/TXUoMpq7cpI/AAAAAAAAAVs/SRK16eUccBo/s320/clarice.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; Quando chega ao orquidário, a porta está inesperadamente aberta, embora o guarda que fica ali de vigia ainda não tenha chegado. Aproxima-se da porta e, antes mesmo de entrar, vê uma mulher lá dentro, em meio às orquídeas.&lt;br /&gt;Na vazia solidão da manhã, a mulher magra, elegante, o rosto bem maquilado, com as maçãs salientes. Seu vestido de seda estampada com pequenas flores, Vera observa. Decote quadrado, cintura justa, saia na altura dos joelhos, parecidos com os que sua mãe usava, lá pelos anos 60.&lt;br /&gt;Ficam as duas ali, se encarando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, é ela, pensa Vera, é ela com a aparência que tinha, quando era jovem e casada com um diplomata.&lt;br /&gt;- Clarice... – diz Vera, num sussurro.&lt;br /&gt;Aproxima-se da outra com uma sensação de encontro inevitável, que mais cedo ou mais tarde teria de acontecer.&lt;br /&gt;E Clarice diz, com sua voz rouca, que parece ter um leve sotaque estrangeiro (mas Vera sabe que a alteração é causada por um defeito em sua língua):&lt;br /&gt;- Não se sabe de onde se vem, nem se sabe para onde se vai, mas que experimentamos, experimentamos! E é isto o que temos.&lt;br /&gt;- Eu queria tanto entender – diz Vera.&lt;br /&gt;- É tolice não entender – responde Clarice. - Só não entende quem não quer. Porque entender é um modo de olhar. Porque entender, aliás, é uma atitude. Como se, estendendo a mão no escuro e pegando uma maçã, a gente a reconhecesse, nos dedos tão desajeitados pelo amor uma maçã. Não peço mais o nome das coisas. Basta reconhecê-las, no escuro. E me rejubilar, desajeitada.&lt;br /&gt;- Você sente esse júbilo, essa alegria? – pergunta Vera.&lt;br /&gt;- Às vezes me basta tanto ser uma pessoa que acorda de manhã. Bastam-me a terra enevoada e as árvores frescas. A corrente da graça é forte, de manhã, e ter um corpo que vive me basta. Apesar de tudo, morremos estranhamente felizes: submissos à perfeição que nos usa.&lt;br /&gt;Vera pronuncia palavras ao acaso.&lt;br /&gt;- Amor, morte, mistério.&lt;br /&gt;E Clarice diz:&lt;br /&gt;- Quem aceita o mistério do amor aceita o da morte; quem aceita que um corpo que se ignora cumpra o seu destino, então aceita que o nosso destino nos ultrapassa, isto é, morremos.&lt;br /&gt;Clarice se cala e Vera percebe que ela se movimenta, vagarosamente, em direção à saída do orquidário.&lt;br /&gt;- Clarice... – fala Vera, baixinho, com uma vontade imensa de lhe oferecer algumas orquídeas, escolhendo amplamente entre as brancas, amarelas, lilases, pintalgadas, de todos os formatos.&lt;br /&gt;Mas fica paralisada, muda. E, quando sai do orquidário, vê que Clarice desapareceu.&lt;br /&gt;Caminha para o estacionamento do Jardim, entra em seu carro e segue para seu apartamento, onde o cotidiano se reinstala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera volta a pensar em Henrique.&lt;br /&gt;Uma longa história. Que se passou, mais do que em qualquer outra parte, em sua imaginação mesmo.&lt;br /&gt;Agora, tem um forte impulso e nem pensa em resistir - vai até o telefone e liga para o celular dele, o que não fazia há muito tempo.&lt;br /&gt;Pergunta:&lt;br /&gt;- É verdade que você se separou da sua mulher e se casou de novo?&lt;br /&gt;- Mas que idéia, de onde você tirou isso? – diz Henrique.&lt;br /&gt;- Seu Simão, o pintor, me contou.&lt;br /&gt;- Ele não sabe do que está falando.&lt;br /&gt;- É com aquela moça com quem vi você, outro dia, em Ipanema, que está casado agora?&lt;br /&gt;- Ora, quer saber de uma coisa? Quem me dera que eu estivesse mesmo casado com ela!&lt;br /&gt;Vera desliga, arrasada. E claro que jamais saberá se é verdade ou mentira, Henrique nunca lhe deu sequer seu endereço, tem apenas o número do seu celular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera vai para a cadeira de plástico branco, junto da mesa com o material de artesanato.&lt;br /&gt;Dá uns últimos retoques na pintura da caixa e depois cola na tampa o xérox de uma foto de Clarice Lispector.&lt;br /&gt;Mais tarde, antes de dormir, abre as últimas páginas de “A maçã no escuro” e lê: “E, quem sabe, a sua seria a história de uma impossibilidade tocada. Do modo como podia ser tocada: quando dedos sentem no silêncio do pulso a veia.”&lt;br /&gt;Não, claro que não dirá nada sobre isso ao Dr. Fabiano, quando for ao consultório dele, na quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este conto está aqui a pedido, de pessoas que leram um trecho dele no Facebook. É inédito em livro.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-2897352532730773623?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/2897352532730773623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/orquideas-para-clarice.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2897352532730773623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2897352532730773623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/orquideas-para-clarice.html' title='ORQUÍDEAS PARA CLARICE'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-itaGbPqvb7s/TXUn_Gk3QBI/AAAAAAAAAVk/d6wBPGY4k48/s72-c/orquideaslindas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4395522272962020341</id><published>2011-03-07T10:41:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T10:43:02.633-08:00</updated><title type='text'>CARLITO AZEVEDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-I04WqRsGtb0/TXUnJKSroOI/AAAAAAAAAVc/al6xYkeklzo/s1600/anjocarlito.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581410351530615010" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-I04WqRsGtb0/TXUnJKSroOI/AAAAAAAAAVc/al6xYkeklzo/s320/anjocarlito.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O ANJO FOGE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando você descobriu que tinha um tumor no cérebro. Quando sonhava todas as noites com um enorme retângulo de água. Quando teve que tentar com o outro mapa. Quando o alarido eletrônico de um bando de maritacas entrou por sua janela. Quando constatou-se a covardia da expedição. Quando ninguém mais dava atenção à morte dos naturalistas. Um ano antes, você chegava às Ilhas Lofoten. E lhe mostraram o quarto exíguo que dali em diante seria a sua casa. Uma cama e um pequeno armário com um copo de vidro virado para baixo e uma garrafa de água. Foi quando deitou na cama com o seu walkman e passou os primeiros dias ouvindo as fitas cassete que encontrou numa caixa de sapatos sob a cama, cheias de gravações de vozes de pessoas cujas feições tentava imaginar: “En el vacio la velocidad no osa compararse, pude acariciar el infinito” ou “el dicho ‘angel boxeador’ se instaló en Crimea; al cabo de un año, en Sujumi, después en El Kubán, en Besarabia. En el país tocaran alarma.” Em outra fita, uma mulher diz em polonês que lhe arrancaram tudo por dentro. Mas já faz muito tempo. Agora, cansado, você encosta o rosto na escotilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Carlito Azevedo nasceu no Rio em 1961. Recebeu o Jabuti por seu primeiro livro, “Collapsus linguae”. Sua antologia “Sublunar” recebeu o Prêmio Alphonsus Guimarães da Biblioteca Nacional. “O anjo foge” está em seu mais livro mais recente, o quarto, “Monodrama”, da 7 Letras, finalista do Telecom.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4395522272962020341?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4395522272962020341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/carlito-azevedo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4395522272962020341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4395522272962020341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/carlito-azevedo.html' title='CARLITO AZEVEDO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-I04WqRsGtb0/TXUnJKSroOI/AAAAAAAAAVc/al6xYkeklzo/s72-c/anjocarlito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-1646702163497767218</id><published>2011-03-07T10:33:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T10:40:57.019-08:00</updated><title type='text'>DOIS CONTOS DE ANDRÉ GIUSTI</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;André Giusti&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-oVAakoDSxQk/TXUllH9VPvI/AAAAAAAAAVM/izzPrZ791rQ/s1600/big-7-1-2010-foto_andre2.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581408632917278450" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-oVAakoDSxQk/TXUllH9VPvI/AAAAAAAAAVM/izzPrZ791rQ/s320/big-7-1-2010-foto_andre2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Domingo, 20 anos depois.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Rique&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Afundado na poltrona encardida que me coube na partilha do divórcio, consigo ver as horas: faltam oito minutos para acabar o dia do meu aniversário de quarenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cansados os dedos no controle da TV, acabei parando num desses seriados que fazem tanto sucesso hoje em dia. É esse tal em que um bando de gente tenta sobreviver numa ilha, ou babaquice que o valha. Jamais gastei meus olhos vendo um capítulo sequer. Conheço de ouvir falar, do que pesco das conversas dos jovens lá do trabalho. Embromam o serviço, de quinze em quinze minutos vão ao cantinho do café falar desses seriados, da vida dos personagens. E contam também uns aos outros sobre festas, lugares, shows, planos e sonhos. Dão gargalhadas, vibram; há os que se emocionam, e todos mostram que acreditam mesmo no que estão falando, no que poderão fazer, no que querem que aconteça. Eles têm o tempo da convicção, Rique. Veja como são belos esses jovens pulando com aqueles penduricalhos eletrônicos no pescoço nos anúncios de celular, passando no metrô com uns grampos no nariz e nos supercílios. Eles baixam posts, Rique, trocam piadas, confidências, declarações de amor pelo twitter, criam comunidades, gostam de samba-jazz-pop-rock-baião-tecno, vão para a Austrália aprimorar o inglês e morar na casa de uma família que nunca viram. A vida lhes pertence, como um dia, lá por 1986 ou 7, nos pertenceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas hoje, Rique, a única coisa que temos é quarenta anos, não nos sobrou muito mais do que essa incógnita meia-idade, casamentos desfeitos e um ou outro episódio de alcoolismo. O passado é alguém que ri ou chora no quarto dos fundos, Rique, e eu não tenho saco nenhum para quem adora seriados de TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano após ano foi diminuindo o número de pessoas que me ligavam no dia do meu aniversário. No último, foram uma ou duas, se bem lembro, até que este ano a coisa zerou: faltam sete minutos para a meia-noite e ninguém ligou no dia do meu aniversário de quarenta anos. E certamente será mais fácil que algum dos idiotas desse seriado consiga fugir da bosta dessa ilha do que esse telefone tocar daqui para a meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que acordei bem, fiz barba, tomei banho, pus roupa nova, uma camiseta e uma bermuda. A camiseta foi minha filha quem deu, veio aqui na quinta-feira com o pretexto de que não poderia vir hoje, que viajaria prum mato escondido do mundo com sei lá quem ou para quê. Ficou dez minutos protocolares, obrigatórios, atendeu duas vezes o celular, não perguntou nada da minha vida, não me falou nada sobre a dela. A bermuda foi minha irmã, mandou que uma afilhada comprasse e viesse aqui entregar. Velha e diabética, não sai de casa porque tem síndrome de pânico; surda, não telefona porque não ouve quem fala do outro lado da linha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda animado, preparei um almoço razoável aqui em casa. Fui à padaria, comprei um frango. Da rua trouxe também nhoque. Bebi até vinho. Depois de duas taças, senti que me tocavam a alma umas certas expectativa e esperança, no quê e em quê, não sei dizer. Há sentimentos que com o passar dos anos tornam-se intrusos na alma como forasteiros em uma cidade inóspita. E como eram mesmo absurdas, já foram embora, Rique, a expectativa e a esperança. Seguiram a euforia da leve embriaguez do vinho, tomaram o rumo da tarde rosada de outono, não esperaram a noite acender as lâmpadas econômicas de minha casa, me deixaram feito mães desesperadas que abandonam no lixo filhos recém-nascidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som da TV continua se perdendo no nada da minha cabeça, como água corrente que cai em uma gruta sem fundo. O filme vai e volta do comercial no mesmo espaço de tempo em que a digital do relógio salta duas vezes avançando o domingo para o fim. Feito um helicóptero que dá rasantes em um campo devastado pela guerra, me volta à lembrança a idéia que fiz deste meu aniversário de quarenta anos na época em que eu, você, tínhamos apenas vinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se contássemos, pareceria inverossímel aos meninos que vêem esses seriados que um dia tivemos vinte anos. Besta que eu era, pensei que num dia como hoje eu ganharia festa surpresa, amigos tantos acendendo as luzes, dando vivas aos berros no momento em que eu, inocente, abrisse a porta de casa, uma grande e moderna casa de estilo e bom gosto num bairro de classe-média elegante. Batendo espantado a porta atrás de mim, eu jogaria nas costas de uma cadeira de palha meu paletó de fino corte, deixaria também de lado minha pasta executiva de couro bom e receberia logo teu abraço, heróico amigo de fidelidade concretada pela alegria e pela tristeza. Abriria, então, os braços para receber outros afagos, mas no fundo achando previsível que me aprontassem uma daquelas, porque afinal eu seria um jornalista consagrado, expoente de minha geração, repleto de boas e influentes relações, e como tal me ladeavam pessoas do mesmo quilate, tão influentes quanto eu e você, colecionadores de discípulos e admiradores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recompondo-me feliz do baque, alguém de nosso séquito pediria então que nos ombreássemos para a foto eterna do dia do meu aniversário de quarenta anos. Queriam ver lado-a-lado os dois jornalistas que derrubaram um presidente, trouxeram à tona os horrores da ditadura militar, revelaram esquemas cruéis do narcotráfico na América Latina, tal como se fôssemos, transportados para a realidade, personagens encarnados de Frederick Forsyth. Lembra, Rique? Dossiê Odessa, que compramos juntos e dividimos a leitura, um dia eu, um dia você, para resumir e entregar como trabalho de faculdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passo que devorava as páginas, ficava claro em minha mente trouxa que sairíamos de uma história de Forsyth para a vida real: destemidos repórteres atravessando uma noite de natal obtendo informações sigilosas da fonte mais importante, a peça crucial do elo entre o corrupto ditador chileno e o governo brasileiro no plano para desenvolver a bomba atômica. Da redação varando a madrugada escrevendo linhas bombásticas, iríamos para casa com as primeiras luzes do dia, sabendo que o país já não era mais o mesmo tendo chegado às bancas o jornal com nossa reportagem. No sossego do ninho, Maria Lúcia aflita, tua mulher aflita, esperam com um resto da ceia aqueles homens exaustos e felizes, insones cumpridores do dever, no aguardo sempre de ir atrás de uma investigação na França, revelar uma missão secreta no Cairo, embarcar numa incursão ao Marrocos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não desestabilizei governos, não abalei qualquer estrutura. Sequer fui ao Paraguai alguma vez em minha vida. Alcancei, no máximo, ser por algum tempo manejo barato dos barões da imprensa a troco do aluguel e do colégio da filha. Também não casei com Maria Lúcia, o que, na minha certeza embotada de ilusão, aconteceria. Ela e seu garbo de Lady of Lake, porte aristocrático de quem viveu na Irlanda no século treze ou na Inglaterra em 1964, bem a tempo de ver um show dos Beatles. Maria Lúcia brincou comigo de princesa, de fadinha dois ou três anos, me desprezou quando eu tinha uns vinte e um e acendeu pela primeira vez uma luz de advertência de que meus sonhos de otário poderiam não ter sido concretizados quando eu tivesse quarenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É breve o tempo em que repasso essas algumas coisas que a vida não me deu. Ao menos possuo uma certa tristeza resignada, que chega a me trazer uma quase paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco mais de outro minuto já foi embora, aproximando mais do passado o dia do meu aniversário de quarenta anos. Da poltrona onde atravessei inerte a noite, acompanho com os olhos baços o facho decrépito de luz da TV incidindo justamente sobre o livro de Forsyth. Ele acabou ficando comigo, depois que a frustração desbotou todo o imaginário da nossa juventude, e como castigo por eu ter sonhado demais, me transformou em tolo funcionário da empresa de água e esgoto, sem admiradores e séquito de discípulos, sem ninguém que apareça de surpresa nesse quarto-e-sala, o único canto que deu para comprar no subúrbio de onde jamais consegui sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia-noite, Rique. Acabou o dia, os babacas não acharam a saída da ilha nem você ligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano que vem faço quarenta e um anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O Corredor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Gravura de Sante Scaldaferri&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 238px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581408936844370482" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-6prAyz0lJrI/TXUl20LMojI/AAAAAAAAAVU/KZEkGpSQKyY/s320/2551.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;O cardiologista então respondeu que mesmo as pessoas que fizeram eletrocardiograma recentemente e não apresentaram qualquer problema não estão livres de ter um enfarte de uma hora para outra. Sei, sei, fez o apresentador da rádio. O médico prosseguiu explicando que homens de trinta e cinco a quarenta e cinco anos devem redobrar os cuidados. Certo, certo. Nesses, o chamado enfarte do miocárdio pode ser fulminante, em questão de segundos, sem tempo para socorro. Claro, claro, pontuava o homem do microfone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxou o cadarço do tênis com força para firmar bem o calçado no pé direito, mas antes de dar o laço parou um momento, esperando que falassem mais sobre homens de sua idade. Aos trinta e seis anos começou a fazer exames regularmente, hemograma, eletro. Só que há mais de um ano sequer ia ao médico, desde que perdera o direito a plano de saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei, sei, e o médico lembrou que o pior horário para se morrer do coração era aquele mesmo, nove, dez da manhã, as artérias estavam mais contritas. E na hora em que o doutor ia explicar o resto, ele esticou o cadarço do outro pé do tênis, dessa vez com mais força que o necessário. Arrebentou. Após o barulho seco de matéria partindo, metade do cordão ficou pendente de sua mão para o nada. Irritado, perdeu a resposta do médico e acabou desligando o rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, na mesma estação, também disseram que um tênis de corrida aguenta no máximo quinhentos quilômetros. Ele corria de cinco a dez todos os dias e o tênis era o mesmo há mais de um ano. Por isso aquele cadarço se desfazendo e o solado totalmente gasto, principalmente nas bordas externas por causa de sua pisada acentuada nas laterais. Os especialistas diziam que um tênis velho e gasto traz problemas às articulações, provoca dores nos joelhos. Mas como não sentisse nada, seguia correndo com seu tênis desbeiçado, o emblema da Nike se desprendendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirou o cadarço partido para aproveitá-lo de acordo com o tamanho que ficou. Ficaram faltando uns dez centímetros. Conseguiu acertar um nó grotesco. Era ver se ele não desatava com o ritmo das passadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esticou a perna no parapeito da cozinha, alongou a parte de trás da coxa. Repetiu o movimento com a outra perna e depois foi para o degrau baixinho da porta que levava ao pequeno quintal. Ali, apoiava apenas a ponta do pé, deixando que o peso do corpo desabasse sobre os calcanhares, alongando as panturrilhas. Fez mais duas ou três posições, mas perdeu apenas quinze segundos em cada uma. Geralmente gastava o dobro, gostava de sentir os músculos bem esticados antes de correr, mas é que em cima da mesa repousava a lista e o dinheiro da mulher para o supermercado, a letra dela complementando o bilhete: pegar as crianças, o banho, o almoço delas, e já eram quase dez da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu a porta de casa, meia-água da casa grande dos sogros, depósito de tralhas que a família foi juntando ao longo dos anos. As tralhas tomaram o rumo da caridade quando ele, a mulher e as crianças foram viver ali há mais de um ano. Ele precisou aceitar o favor que o livrou da angústia do aluguel e o jogou nos braços de outra, a do próprio favor de morar sem poder pagar, de enfrentar nos almoços de domingo a condenação disfarçada nos olhos dos cunhados. Engolia essa última porque ao menos ela não vinha com ameaça de despejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou beirando a casa principal e logo chegou à rua. Tentou ser rápido para evitar o encontro com qualquer um que fosse, mas a sogra olhava o tempo na varanda. Disse que depois iria lá, levar umas roupinhas para as crianças, que papel de vô e vó é esse mesmo, ajudar quando se precisa. O problema da frase é que ela tinha outro significado, outras palavras vestidas daquelas: ajudar porque o pai não anda, não resolve, não deslancha. A sogra calou, ficou vendo-o bater o portão, ganhar a esquina depois de virar mancha confusa o mesmo short largo de sempre com a camiseta desbotada do time. Uma vez, assim que o portão bateu, ela disse, ele ouviu mesmo que carros passassem na hora: se saísse assim todo o dia correndo atrás de emprego…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há mais de um ano mantinha o mesmo horário de acordar, para que ao menos isso não falassem, que acordava tarde, o imprestável. Deixava a mulher um pouco mais na cama e ia fazer o café, aprontar as crianças. Quando todos saíam e ele se via sozinho, era aí que desembestava pelas ruas do bairro. A sogra não desconfiava que ele corria era do desespero. Calçava o tênis e batia a porta, senão o enlouqueceria o telefone que em mais de um ano jamais tocou com alguém dizendo que tinha trabalho para ele. Se as folhas de todos os currículos que espalhou se rebelassem, deixassem as gavetas onde dormiam ou as latas de lixo em que foram jogadas e virassem pássaros, o sol seria encoberto e uma imensa sombra tomaria toda a cidade. Chegou a ser chamado para uma entrevista. Por engano. Foi o que descobriu quando a mocinha do RH olhou seu rosto já vincado, seus muitos cabelos grisalhos e disse apenas: desculpe, procuramos alguém com menos de trinta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era por essas e outras que fincava com decisão os pés pelas ruas do bairro, cortando o vento e muitas vezes a chuva. Com o coração aos saltos nas subidas mais íngremes, ouvia a respiração mais forte até mesmo do que o motor dos carros. Nos últimos tempos, muito perguntou a si mesmo se deveria desistir. Um veneno, um salto, uma arma, mesmo um dos caminhões passando rente. Mas naquela dor que começou de repente do lado esquerdo, acompanhada do formigamento no braço e do enjoo, nunca havia pensado. Era óbvio que se acelerasse a marcha, a dor aumentaria. Dez da manhã, o último eletro há mais de um ano, 35, 45 anos, o tempo do socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da subida, a pontada foi maior, das vistas turvas sumiu a rua, as pernas não o sustentaram mais. Foi direto com a testa em uma mureta pontuda, e pôde sentir o sangue encobrir os olhos, a saliva espumando escorrer do canto da boca. No peito, a dor aguda feito lança irradiava pelo braço. Nela, nunca havia pensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;André Giusti é carioca, nascido em maio de 1968. Seu livro de contos mais recente, o quarto, é “A liberdade é amarela e conversível”, da 7 Letras. André é jornalista e mora em Brasília.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-1646702163497767218?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/1646702163497767218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/dois-contos-de-andre-giusti.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1646702163497767218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1646702163497767218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/dois-contos-de-andre-giusti.html' title='DOIS CONTOS DE ANDRÉ GIUSTI'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-oVAakoDSxQk/TXUllH9VPvI/AAAAAAAAAVM/izzPrZ791rQ/s72-c/big-7-1-2010-foto_andre2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-3226250421504692212</id><published>2011-03-07T10:18:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T10:54:29.684-08:00</updated><title type='text'>CONFESSO QUE PINTEI</title><content type='html'>&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 214px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581405148439129922" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-D7co2M7_sN4/TXUiaTRAL0I/AAAAAAAAAUs/j8HSTC_ZZJY/s320/Nu%2Bcom%2Bflor.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Confesso que vivi” é um livro de memórias de Pablo Neruda – que não li. Mas, de repente, me veio esta variante: “Confesso que pintei.”&lt;br /&gt;Pintei mesmo, com telas e tintas. Adorava pintar, E, neste momento, sinto vontade de “confessar” isto. Habitualmente, não falo mais a respeito.&lt;br /&gt;Fui levada a pintar, por um lado, pelo incitamento de uma amiga, que na época frequentava a Escola de Artes Visuais do Parque Lage e, por outro lado, pelo ativo encorajamento do meu ex-psicanalista, que achava que seria uma boa terapia para mim. Eu estava num momento muito difícil.&lt;br /&gt;Então, levada por uma espécie de desespero, em meados dos anos 90 fui para a EAV e comecei a jogar tinta acrílica e água em telas preparadas por mim mesma, sempre pacientemente assistida pelo artista e professor Luiz Ernesto e, num outro momento, pelo pintor e professor Chico Cunha.&lt;br /&gt;Chico me ensinou a fazer figuras, da maneira como aparece em meu conto “Aula de pintura” que, na verdade, deveria ser dedicado a ele.&lt;br /&gt;Acabei parando de pintar, por motivos vários, inclusive um excesso de coisas para fazer. Mas a nostalgia é imensa. Gostaria de recomeçar, se pudesse.&lt;br /&gt;Não que pense em expor, ou algo assim. Nunca pensei. A maioria das minhas telas foi oferecida a amigos. Não sei se apreciaram nem o que fizeram com elas, mas os presentes foram dados com muita alegria. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A tela que dei a Silviano&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 187px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581406556046129810" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-783h3NdED6U/TXUjsPAqepI/AAAAAAAAAU8/6daQtKFJJUY/s320/telasilviano.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;Um desses amigos, o escritor e professor Silviano Santiago, parece que gostou da minha tela. Até hoje, segundo me consta, ela está pendurada na parede do apartamento dele e já foi até fotografada, como pano de fundo, numa entrevista que Silviano deu.&lt;br /&gt;Todo esse imenso prazer de pintar me inspirou um conto, “Aula de pintura”, que está em meu livro “Ovelha Negra e Amiga Loura.”&lt;br /&gt;O conto tem muito da minha experiência - mas, pelo amor de Deus, não é exatamente autobiográfico.&lt;br /&gt;Sempre misturo minhas experiências, reinventadas, e com a pura invenção, pura ficção mesmo. Isto às vezes, me traz muitos problemas e até agressões...&lt;br /&gt;Espero que nunca mais aconteça.&lt;br /&gt;Seja como for, aí está minha confissão e aí vai o conto, junto com algumas imagens que criei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AULA DE PINTURA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto de Sonia Coutinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta manhã de céu claro e sol caloroso, mas não demasiado quente, de um estranho inverno no Rio de Janeiro, Dorothy vai para a escola mostrar ao professor sua tela mais recente, à qual dedicou horas incontáveis, mas que ainda está inacabada.&lt;br /&gt;Chegou ao ponto, avalia agora, de acordar no meio da noite e seguir pintando até as 11 horas da manhã do dia seguinte – embora sabendo que nunca será uma boa pintora.&lt;br /&gt;Sim, não é coisa que tenha feito desde menina, não exercitou o olhar como atividade primeira, não treinou a mão. Pegou a pintura no meio do caminho, mas ama tanto pintar!&lt;br /&gt;É sua melhor maneira de enfrentar o desespero, a solidão, o esmagamento... O ESMAGAMENTO.&lt;br /&gt;(Depois, talvez explique melhor a si mesma o que quer dizer com esmagamento. Por enquanto, prefere deixar assim.)&lt;br /&gt;Então, pega a tela que ela mesma tinha preparado e ainda não está no chassis, mas sim enrolada num tubo comprido, pega um rolo de papel “alta alvura” e a bolsa com tintas, esponjas, espátulas, desce até a garagem, entra em seu velho carro e segue até a Escola, nesta maravilhosa manhã do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher gordinha e de meia idade, Dorothy, já acostumada a ser chamada de “senhora,” chega ao palacete no meio do parque, que foi da cantora italiana de ópera, casada com um milionário, e onde agora funciona a escola de arte com cursos livres para todas as idades. E encontra um grupo de jovens músicos tocando junto da piscina, no pátio interno, para uma platéia de gente descontraída, alguns sentados em esteiras colocadas no chão pelo pessoal do café.&lt;br /&gt;Segurando sua tela enrolada e sua bolsa de pano com o material de pintura, Dorothy segue pela galeria com coluns, em torno do pátio, até chegar à sala onde toma sua aula de pintura.&lt;br /&gt;Como ainda faltam uns 20 minutos para a hora da aula, vai ao café, pega um chá de erva-doce e alguns pãezinhos de queijo e se senta a uma mesa próxima do grupo musical.&lt;br /&gt;Que bom, mas que ótimo mesmo. Adora comer ali, olhando para aquela piscina e para a vegetação do parque,lá fora, que espia neste momento através da grande porta escancarada de entrada do palacete, mais adiante, bem defronte da sua mesa.&lt;br /&gt;Agora vê o professor se aproximando, pela galeria. É um sujeito bonito, com menos de 50 anos (para ela, um jovem). Ele pinta telas estranhas e poéticas, com meninos algo tristonhos, de olhos redondos e negros, encolhidos ebaixo e grandes lustres de cristal. Em torno deles, uma massa abstrata de tinta grossa.&lt;br /&gt;Depois do chá e dos pãezinhos de queijo, Dorothy entra na sala de aula, que dá para uma varanda sobre a qual se debruçam galhos de grandes mangueiras.&lt;br /&gt;Dorothy comenta com o professor como tudo está bonito lá fora, o dia claro, a piscina verde escuro, a floresta da tijuca descendo pelas encostas do corcovado e os violinos.&lt;br /&gt;Vão chegando os outros aunos da turma, o professor passa um exercício.Com um traço de lápis, divide uma folha de papel pela metade e diz ao grupo para fazer algo figurativo de um lado e uma abstração do outro.&lt;br /&gt;Dorothy sempre teve medo de fazer pinturas figurativas, jamais desenhou em sua vida, ela gosta é de cor. Tinha avisado ao proessor que não sabe fazer figuras. E agora, de repente, precisa fazer uma, ou abandonar a aula.&lt;br /&gt;Sente que, se for embora, talvez não volte nunca, talvez não tenha mais coragem de recomeçar. Mas ela, fazer figuras? Ah, só olhando para fotografias! Não sabe fazer figuras de cabeça nem copiar nada da chamada “realidade”!&lt;br /&gt;Sai aflita da sala de aula, pensando num jeito de se safar da situação, e então encontra um quadro de avisos onde está pregado um convite com uma foto de Torquato Neto.&lt;br /&gt;Sim, é isso! Dá uma olhada em torno, não há ninguém por perto, com um gesto brusco arranca o convite do quadro de avisos.&lt;br /&gt;Volta com ele para a sala, mergulha um pincel tinto na tinta acrílica preta e, com ele, vai esboçando os traços de Trquato.&lt;br /&gt;Sai um Torquato outro, mas ainda assim ele mesmo, verifica, com um deslumbramento infantil por estar fazendo uma figura.&lt;br /&gt;Em torno da cabeça de Torquato, traça de improviso algumas folhas toscas, para equilibrar a composição.&lt;br /&gt;Depois, num frenesi interior, pega um por um os tubos de tinta acrílica: amarelo pele, amarelo de cádmio escuro, violeta, azul cerúleo e sombra queimada.&lt;br /&gt;O rosto todo de Torquato agora está ali, com seu cabelo grande e roxo caindo de cada lado, e com um sinal que ela inventou, no meio da testa, feito um terceiro olho. Os olhos enviesadados, o bigode e a barba, claro que é Torquato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-3U03YuwSEio/TXUkXPZcHgI/AAAAAAAAAVE/TdPfHjHUDtc/s1600/torquato.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 271px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581407294884421122" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-3U03YuwSEio/TXUkXPZcHgI/AAAAAAAAAVE/TdPfHjHUDtc/s320/torquato.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O outro lado da folha de papel, eu deve ser preenchido com uma abstração, ela faz com facilidade, está acostumada com abstrato. Outro aluno se aproxima da sua mesa, olha o exercício que acabou de fazer. Pergunta:&lt;br /&gt;- Mas já acabou, assim tão depressa?&lt;br /&gt;- Se não sair depressa, não sai nunca – responde Dorothy.&lt;br /&gt;Puxa vida, conseguiu fazer uma figura! Está imensamente feliz.&lt;br /&gt;O professor vem e não diz nada, parece que aceita o que ela fez.&lt;br /&gt;Uma colega de grupo que habitualmente se senta atrás dela, aponta para seu trabalho e pergunta ao professor?&lt;br /&gt;- Mas isso é figurativo?&lt;br /&gt;Ele explicara, na aula anterior, que não se pensa, atualmente, que usar imagens seja fazer uma figura figurativa, que a pintura só é figurativa quando a imaem se coloca dentro de um espaço e apresenta proporções.&lt;br /&gt;- Sim, é figurativo – responde o professor. – A figura é grande, está no meio do espaço, não se trata de um padrão de figuras.&lt;br /&gt;E, em seguida, os dois na varanda contígua à sala, o professor aconselha Dorothy com seriedade. Diz que ela precisa estar aberta para uma ampliação do seu repertório, que deve usar mais elementos em seu trabalho.&lt;br /&gt;Mas consegui fazer uma figura, ela protesta, fracamente.&lt;br /&gt;Depois, deixa que o proessor fale, ele diz coisas interessantes, ela ouve. E agradece, quando ele para.&lt;br /&gt;Está felicíssima. Um momento de felicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora, pouco depois, esse momento seja inteiramente apagado, quando guarda as tintas e pincéis em sua sacola, quando entra sozinha em seu velho carro e segu sozinha para seu apartamento, quando encontra a secretária eletrônica sem nenhuma mensagem, quando abre a internet e não há e-mail algum para ela.&lt;br /&gt;Senta-se na cadeira de balanço e reflete sobre seus problemas. Sim, o dinheiro que tem para sobreviver está começando a acabar.&lt;br /&gt;Colocou tudo o quelhe resta numa poupança, vai tirando um pouquinho todos os meses, sempre com a esperança de voltar a conseguir trabalho avulso para fazer.&lt;br /&gt;Mas nada aparece e, segundo seus cálculos, ficará sem dinheiro nenhum dentro de poucos meses. E já não tem ninguém a quem pedir nada.&lt;br /&gt;Então, como será?&lt;br /&gt;Não sabe.&lt;br /&gt;Sabe apenas que, mais uma vez, passará seu sábado inteiramente sozinha e que sua vida, de certa forma, está liquidada. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-3226250421504692212?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/3226250421504692212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/confesso-que-pintei.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3226250421504692212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3226250421504692212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2011/03/confesso-que-pintei.html' title='CONFESSO QUE PINTEI'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-D7co2M7_sN4/TXUiaTRAL0I/AAAAAAAAAUs/j8HSTC_ZZJY/s72-c/Nu%2Bcom%2Bflor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-6561074528761445447</id><published>2011-03-07T10:11:00.000-08:00</published><updated>2011-03-07T10:17:16.469-08:00</updated><title type='text'>TALES OF TWO CITIES</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Cristina Ferreira-Pinto Bailey&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 282px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5581403383407540818" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-C60LamUsYVI/TXUgzkArelI/AAAAAAAAAUk/HBFrwm2vfx0/s320/cristina.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;The Space of the Feminine in Sonia Coutinho’s Fiction &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Cristina Ferreira-Pinto Bailey &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Critics in Brazil and abroad have hailed Sonia Coutinho as one of the most interesting and original female authors in contemporary Brazil. An award-winning novelist and short-story writer, Coutinho has been praised for the formal aspects of her fiction, as well as for her feminist critical analysis of gender relations in Brazilian society. Her short stories are often included in literary anthologies, such as Darlene Sadlier’s One Hundred Years After Tomorrow (1992) and Italo Moriconi’s Os cem melhores contos brasileiros do século [The One Hundred Best Brazilian Short Stories of the Century] (1999). Critics such as Luiza Lobo, in “Women Writers in Brazil Today” (1987), and Lucia Helena, in “Perfis da mulher na ficção brasileira dos anos 80” (1990), have praised Coutinho as one of the best contemporary women writers to create a distinctively female voice in Brazilian letters, while Susan Quinlan, in one of the rare English-language studies on Coutinho’s fiction, discusses the author’s androgynous narrative style in the novel O jogo de Ifá [Ifá’s Divination] (1980), and the representation of Brazil’s multiracial heritage as the key to understanding her female characters (Quinlan 140). Quinlan places Coutinho alongside writers such as Nadine Godimer and Doris Lessing, both of whom wrote on the racial reality of South Africa, and Alice Walker, Toni Morrison and Leslie Silko, writers who have addressed in their works the Afro-American and Native American cultural heritages.&lt;br /&gt;The criticism on Coutinho has mostly discussed her female characters and their struggle to achieve independence and self-fulfillment, including professional, psychological and sexual realization. As Lúcia Helena Viana states, the author “. . . advances the feminine question by writing about the woman who faces the difficulties of living her own freedom, oscillating between being object and subject, multiple, mediated by many different masks, building a new relationship with the male” (173). Most of these studies focus on Coutinho’s short stories; in addition to Quinlan’s examination of O jogo de Ifá, a few other critics have discussed her novels Atire em Sofia [Shoot Sofia](1989) and O caso Alice [The Alice Case] (1991) as detective novels (Brink-Friederici on Sofia), and as examples of Brazil’s postmodern narrative (Villaça). A recent book by Rosana Ribeiro Patricio, As filhas de Pandora: imagens de mulher na ficção de Sonia Coutinho [Pandora’s Daughters: Images of Women in Sonia Coutinho’s Fiction] (2006) studies O jogo de Ifá, Atire em Sofia and O caso Alice, again centering on the female condition as seen through Coutinho’s protagonists. Lobo, explores the relationship of these characters to their urban environment, positing them as city wanderers in the tradition of Baudelaire’s flâneur (Lobo, “Sonia Coutinho Revisits the City”). Lobo discusses this relationship as depicted in several stories by the author, and refers also to Coutinho’s first three novels mentioned above, in order to present a general view of the interaction between the female subject and the urban space.&lt;br /&gt;In this essay I will take a different approach from Lobo’s, and will examine the presence and importance of the urban space in Coutinho’s fiction. My purpose here is, first, to situate Coutinho’s work in the context of Brazilian urban narrative; and, second, to explore several literary tropes associated with post-modernity and the urban space, such as displacement, travel and exile. My main object of analysis will be O jogo de Ifá, a paradigmatic text in which Coutinho advances several themes and narrative strategies she had introduced in earlier books and later develops in subsequent works. I will explore here the contrastive representation of two Brazilian urban spaces, Salvador, the capital city of Bahia, and Rio de Janeiro, and will discuss specifically the images the author creates in the depiction of Salvador. In this way, I will explicate not only an important aspect of Coutinho’s work—the importance of these two cityscapes in the characters’ lives—but also the social and cultural dynamics that take place in Salvador and that are expressive of contemporary urban life in Brazil at large.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonia Coutinho in the Context of Brazilian Urban Narrative&lt;br /&gt;Coutinho emerged in the Brazilian literary scene in the 1960’s, and began to attract critical and public acclaim in the late 1970’s and 80’s, with O jogo de Ifá and the volumes of short stories Os venenos de Lucrécia [Lucrecia’s Poisons] (1978) and O último verão de Copacabana [The Last Summer in Copacabana] (1985). These first volumes came out during a period of social, cultural, and political convulsion in Brazil and in the world. The rapid acceleration of the country’s industrialization and urbanization, which had begun in the 1950s, was embodied in the inauguration of Brazil’s new capital, Brasília, in 1960. Built in the heart of the nation, the new capital was the very symbol of all the promises of progress and development the “País do Futuro” [Country of the Future] seemed to hold for its people. Four years later, however, in 1964, the nation witnessed the military coup d’état that began a twenty-five yearlong dictatorship, and Brasília became less the “Capital da Esperança” [Capital of Hope], which it initially had been called, and more the symbol of political power and political repression.&lt;br /&gt;But Brasília was not the only sign of urbanization during that period, for the country experienced many changes throughout its regions, states and cities. As internal migration continued to increase, to include not only the rural poor, but also the middle classes, these social, political and cultural changes were strongly felt in the nation’s Southeast region, specifically in its two cosmopolitan centers: Rio de Janeiro and São Paulo. Reflecting all these changes, a new and important wave of Brazilian urban fiction emerges in the late 1960’s, 70’s and 80’s, giving continuity to Brazil’s long-standing tradition of urban literature. Coutinho’s name is often mentioned among this new group of urban fiction authors—among them Rubem Fonseca (1925), Tania Faillace (1939), Roberto Drummond (1940), and Sérgio Sant’anna (1941)—whose writings, characterized by innovative narrative techniques and oftentimes a brutally frank narrative voice, reflect the social convulsions and new cultural influences the country was experiencing at the time. Since then, Brazilian contemporary narrative has been characterized as mostly urban in its outlook and thematic concerns.&lt;br /&gt;Brazilian critic Regina Dalcastagnè, for example, points out that “o espaço da narrativa brasileira atual é essencialmente urbano ou, melhor, é a grande cidade, deixando para trás tanto o mundo rural quanto os vilarejos interioranos” [the space of Brazilian narrative today is essentially urban or, better yet, it’s the large city, leaving behind the rural world as well as the small provincial towns] (34). In fact, as Brazil’s rapid industrialization and urbanization, compounded by the process of globalization, has pushed the country to a profound and very visible socio-economic chasm, the large metropolis has become the frequent scenario and theme of contemporary Brazilian narrative. Examples abound, as for example, Patrícia Mello’s pulp fiction, Fernando Bonassi’s short stories, and Ana Maria Machado’s novels, all set in the urban spaces of Rio de Janeiro and São Paulo. The old dichotomy city versus rural space—so significant in Brazilian fiction particularly during the Romantic period, but also in the first part of the twentieth century, with Lima Barreto, Raquel de Queirós, Graciliano Ramos, and others—would thus seem to be losing ground in the national literature.&lt;br /&gt;That dichotomy, however, does not disappear completely from Brazilian literature. For some critics, the opposition between the rural space and the urban space is still part of the narrative representation of the city and, in fact, a meaningful depiction of the city emerges only against the concept of rural space (cf. Lima 12). The rural space has also acquired mythic proportions in dystopian urban novels such as Caio Fernando Abreu’s Onde andará Dulce Veiga? (1990; Whatever Happened to Dulce Veiga? 2000). Moreover, Brazilian urban literature has been occupying itself more and more with the inhabitants and problems of mid-size cities, as for example, Araraquara in Ignácio de Loyola Brandão; Manaus in Milton Hatoum; and Salvador da Bahia in Sonia Coutinho. If the dichotomy rural versus urban space is no longer as prominent in Brazilian letters, a different opposition between center and periphery remains a constant, but with the periphery often representing the more or less provincial space of Brazil’s mid-size and smaller cities.&lt;br /&gt;This more recent dichotomy again reflects various interesting and interconnected phenomena in Brazilian society: the urbanization and growth of towns in the interior of Brazil, outside of the dominant Rio—São Paulo corridor; the migration of middle-class citizens from these areas to the two metropolis, which has contributed to a mutual cultural influence; and, especially since the 1970’s, the emergence and recognition in the national scene of artists (especially musicians) from these various regions, in a movement that has expanded the repertoire of Brazil’s cultural voices. Adding to the voices of composers and singers such as Caetano Veloso and Gilberto Gil from Bahia, Kleiton and Kledir from Rio Grande do Sul, Alceu Valença and Elba Ramalho from the Northeast, and many others, Brazilian writers have challenged the idea of a national culture and identity as homogeneous and centralized, by acknowledging the existence of various urban centers with distinct profiles located in the so-called “periphery.”&lt;br /&gt;The dichotomy center versus periphery raises many issues, and can be understood as expressive of a colonizing relationship between social spaces. Sonia Coutinho challenges the cultural hierarchy that stands behind this dichotomy, through the representation of the cities of Rio de Janeiro and Salvador da Bahia as two different models of urban life in Brazil. In her fiction, Salvador is not the cultural periphery looking up to the cosmopolitan city, but is rather the original space, the navel of the nation, a mythic space hiding the secret to the characters’ and to the nation’s identity. This representation of Salvador, fully developed in O jogo de Ifá, unsettles the cultural hierarchy that normally foregrounds Rio de Janeiro and the Southeast as the face of the country.&lt;br /&gt;Furthermore, Coutinho’s representation of Salvador places her fiction in opposition to that of Jorge Amado—Brazil’s most widely read and translated author—and his portrayal of Bahia and its inhabitants. One reason Salvador is seldom mentioned in her texts, appearing instead only as “a Cidade” or “The City,” is that the author wants to achieve a portrait of the city disassociated from the stereotypical, exotic Bahia that emerges in Amado’s novels, and that has been exploited by the country’s tourism industry. In a 1989 interview in which she discusses her then recently-published novel Atire em Sofia, she declares: “Você fala da Bahia e já pensa em mulata sensual, já pensa em comida típica. . . Eu queria esvaziar isso e colocar em cena uma cidade do Terceiro Mundo, onde tivesse a influência negra, a mistura étnica. E eu queria que as pessoas olhassem para aquilo um pouco de fora, de maneira distanciada” [You mention Bahia and one immediately thinks of the sensual mulatta, and of typical food. . . I wanted to deflate that and to put forward a Third World city, where there is Black influence and ethnic mixture. And I wanted people to look at that a little more from the outside, in a detached way] (“A hora e a vez do romance” [The Time and Moment of the Novel] 58).&lt;br /&gt;Coutinho prods her readers to look critically at the racial and gender stereotypes that inhabit Amado’s Bahia. His work popularized the image of the sensual mulatta, which television and cinema have spread across the globe as the “typical” Brazilian woman. Coutinho rejects such a stereotype and its ideological implications: “From the beginning, I reacted to the myth that Bahia is a paradise, where all of the women are Gabriela, Clove and Cinnamon. Good-hearted and ready to do whatever a man wants” (in Szoka 224). Amado’s vision of Salvador and of its inhabitants conveys the myth of Brazil’s “cordiality” by neutralizing differences and conflicts (cf. Abdala Jr. 54). Coutinho’s vision, on the contrary, depicts the city through critical lenses, as the stage where individuals of different social classes, ethnic backgrounds, gender and ideologies come together, and where conflict takes place.&lt;br /&gt;Coutinho’s fiction also adds a particular perspective to Brazilian urban literature by privileging a female perspective of the city, instead of the more common male viewpoint. Contemporary Brazilian narrative has drawn an urban map that is eminently—if not entirely, as Regina Dalcastagnè sees it (Dalcastagnè 36, 46)—masculine. In fact, the cityscape has been notoriously registered through the eyes of male characters wandering the streets and public areas, while the urban experience of female characters takes place mostly within the limits of the home or other enclosed—and socially appropriate—spaces. The exceptions that come to mind, such as Márcia Denser’s Diana Marini, are often social transgressors, women living “fora da normalidade,” outside the norm (Dalcastagnè 36).&lt;br /&gt;Coutinho’s female characters also find themselves outside the boundaries of “normalcy.” Contrary to the more common perspective of the flanêur, Coutinho’s women characters offer their particular vision of the city as they wander its streets. The urban space thus mapped out reflects the lives of women set against the backdrop of a labyrinthine cityscape. These are women who venture out alone in the streets and other public spaces such as bars, spaces traditionally forbidden to them. Coutinho depicts her characters’ experiences in a concrete and direct form that goes beyond the representation of their inner reality, to include the ways they relate to their physical environment. The urban space thus plays a role in the characters’ psychological and emotional changes. City life, particularly in the larger space of Rio de Janeiro, raises mixed and sometimes contradictory feelings in Coutinho’s women. Feelings of liberty, happiness and excitement intermingle with feelings of fear and uncertainty, like those the anonymous protagonist of “Doce e cinzenta Copacabana” [Grey and Sweet Copacabana] experiences:&lt;br /&gt;. . . sai . . . , segue andando e sente, contra toda expectativa, uma certa alegriazinha, agora—os pombos voam de uma marquise para outra na Avenida Copacabana deliciosamente vazia, como um teatro depois de movimentada representação, mas claro que ainda sente medo, sua situação é um pouco como a de alguém inventado algo, um estilo de vida?&lt;br /&gt;[She goes out, keeps walking, and feels—against all expectations—a certain small happiness; now the pigeons fly from one marquee to another on a deliciously empty Copacabana Avenue, like a theater after the end of a lively performance; but of course she’s still scared, her situation is a little like someone’s who has invented something—a lifestyle?] (44)&lt;br /&gt;The sense of freedom and of communion with the urban space (here represented in the reference to the pigeons’ flight) may be quickly replaced by the dingy reality of daily life (“Doce e cinzenta” 40, 46) but, nevertheless, these characters are making up their own paths as they struggle along. Therefore, the conflicting ways of experiencing city life reflect not only the clash between an individual and the urban environment, but also, and most importantly, the conflicts of a generation of women faced with new life choices.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The City, The Cities in Sonia Coutinho’s Fiction&lt;br /&gt;Coutinho’s female characters very often go through a displacement in space that parallels the author’s biography. The author herself has declared: “A personagem feminina, admito, é constantemente meu alter-ego. Através dela não vivo exatamente minha vida, mas possibilidades de vida” [I admit, the female character is constantly my alter ego. Through her I live, not exactly my life, but possibilities of life] (“A experiência com o conto” [Experiences with the Short Story] 1). Her fiction is not autobiographical per se, but it brings together many aspects of the author’s life experiences. Born in the town of Itabuna, in the cacao region of the state of Bahia, Coutinho moved to Salvador, the capital city, while still a child, and in 1968 left Salvador to pursue a writing career in the city of Rio de Janeiro. Throughout her fiction, these two spaces are constantly set in opposition, and the social and cultural contours of one help define the other’s. Salvador is generally depicted as more provincial and conservative: “O clima fechado, entediante, modorrento e preconceituoso da cidade. Ao mesmo tempo, a beleza deslumbrante de seu cenário” [The city’s stuffy, tedious, lethargic and prejudiced atmosphere; at the same time, the stunning beauty of its scenery] (“A experiência com o conto” 1). Salvador also has a strong African heritage, about which Coutinho writes in Os venenos de Lucrécia and in later volumes.&lt;br /&gt;Rio de Janeiro, in turn, is the cosmopolitan city, in constant movement, apparently more tolerant, and more progressive. Coutinho examines the carioca cityscape through a “microscope” by using Copacabana as a metaphor for the postmodern metropolis. Copacabana offers its population freedom, choice of lifestyle and the mask of anonymity, behind which the individual lives his or her life as chosen. As with the masks in Greek theater, however, the mask of anonymity has a duality, of happiness and melancholy: one may live the liberty it offers, but must also live the loneliness and isolation it can create. Thus, writes Coutinho, in Copacabana “as pessoas na rua têm faces misteriosas e tristes, ao anoitecer” [as night falls, people on the streets have mysterious and sad faces] (“Pai e filho” [Father and Son] 75). These urban inhabitants—in Rio as in Salvador, even if for different reasons—experience what André Bueno has characterized as the discontents created by capitalism in the contemporary metropolis (Bueno 89). As a result, men and women face situations of estrangement and alienation, and Coutinho’s protagonists seem particularly prone to them, given their position as outsiders and their acute self-awareness.&lt;br /&gt;Being an outsider, an exile in their own land, and being acutely aware of their own selves and of their displacement in relation to their urban environment, summarizes the drama of Coutinho’s characters, particularly her women. Moving between Salvador and Rio de Janeiro, her characters, usually middle-class women, seem to suffer twice the problems commonly associated with urban life, because they find themselves split between the patriarchal tradition within which they grew up, and the new social order of the cosmopolitan city, with its promises of freedom, independence, and self-realization. Examining the social and psychological obstacles faced by these women, Coutinho is rather critical of relationships between the sexes, and deconstructs cultural myths of femininity, specifically myths that relate to women’s social roles, female sexuality, class, and race. Her paradigmatic female character is a single woman, either divorced or never married, who is facing the passage of time, and becomes aware of her social situation, and of the obstacles she needs to overcome in order to achieve self-realization.&lt;br /&gt;Violence, a problem rampant in Brazilian cities, also affects Coutinho’s women characters, not in a random way, as urban violence many times seems to do, but rather as a result of the characters’ transgressive position in their social milieu. The theme of violence is important in Coutinho’s fiction, especially in her novels Atire em Sofia and O caso Alice, both of which can be read as crime narratives, and in Os seios de Pandora. Uma aventura de Dora Diamante [Pandora’s Breasts. A Dora Diamante Adventure] (1999), a detective novel. In these narratives the female protagonists are (or appear to be) victims of others’ violence. In turn, in the short stories, violence appears in the guise of self-aggression, such as suicide, a desperate attempt to escape the inimical urban reality, as seen in “Josete se matou” [Josete Killed Herself], from O último verão de Copacabana.&lt;br /&gt;Fond of metafiction, the author may represent the protagonist’s process of self-awareness through the use of an omniscient author-narrator who detachedly observes another woman. This creates a game of masks or personae, a strategy Coutinho fully explores in O último verão de Copacabana, but that is already present in her earlier stories. In these narratives, all the characters are in fact different masks of the same paradigmatic female subject: “. . . uma mulher de classe média e de meia-idade . . . que andasse interminavelmente pelas calçadas de Copacabana, carregando sua sacola de compras repleta de sonhos” [A middle-class, middle-aged woman who wanders endlessly on the sidewalks of Copacabana, carrying her shopping bag filled with dreams] (“Amor, amores”[Love, Lovers] 86). In Copacabana her characters feel the unforgiving dehumanization of life in the large city, while in Salvador they are equally dehumanized by social traditions and expectations.&lt;br /&gt;The streets of Copacabana frame the characters’ search, a search that begins with feelings of dissatisfaction experienced in the space of origin, Salvador, or more remotely, in a small town in the interior of Bahia. There begins their displacement and their exile, as these characters could no longer ignore feeling out of place. Displacement, uprooting, exile, as well as travel and movement through time and space, are recurrent tropes in Coutinho. These form the narrative paradigm that structures all of Coutinho’s fiction since her first publications. For example, in Nascimento de uma mulher [Birth of a Woman](1971), a volume that incorporates a few stories previously published, the theme of travel and displacement is already present:&lt;br /&gt;Desliguei o telefone com uma dor fina no peito, como uma punhalada. Me servi de uma dose dupla de uísque e, com o copo na mão, caminho de um lado para outro deste meu apartamentinho deserto e sujo, na tarde de domingo. Lembrando outro domingo, quase trinta anos atrás, que mudou minha vida, lá na Cidade de onde eu e Dalva viemos.&lt;br /&gt;[I hung up the phone feeling a sharp pain in my chest, like a stab. I poured myself a double shot of whiskey and, holding the glass in my hand, walk back and forth in this small, dirty and deserted apartment, on Sunday afternoon. Recalling another Sunday, almost thirty years ago, that changed my life, there in the City from where Dalva and I came.] (“Conselho em família” [Family Council] 29)&lt;br /&gt;Coutinho’s fiction narrates a process of self-awareness that typically brings her female protagonists from inside enclosed spaces to the open spaces of the streets, from enclosure to expansion and movement, and, in cases of the protagonists’ failed self-realization, back to the closed space of “home.” This pattern is craftily and succinctly presented in her short stories, while her novels offer more complex pictures of women’s lives in the chaotic space of present-day Babels. The urban reality Coutinho writes about—Rio de Janeiro as well as Salvador—is marked by the subject’s estrangement and displacement, and necessitates specific forms of narrative representation. As the author places Salvador and Rio in constant opposition, representational images and metaphors are used for one and the other city. In addition to the leitmotifs of travel, displacement, wandering, and exile, other recurrent images and metaphors are labyrinths, mazes, puzzles, and enigmas, and these are used to describe both cityscapes. I will discuss some of these below, and will then examine specific images used in the portrayal of Salvador in O jogo de Ifá, Atire em Sofia. While examining the representation of the city of Salvador vis-à-vis Rio de Janeiro, I will highlight how the urban space impacts and reflects the constitution of the characters’ self-identity.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of Babel, Labyrinths and Mazes: A Postmodern Aesthetics&lt;br /&gt;In As filhas de Pandora, Rosana Ribeiro Patricio examines the narrative strategies the author employs in the construction of her novels, and highlights the use of intertextuality, mis-en-abîme, and a meta-linguistic and fragmented discourse as characteristic of what the critic calls Coutinho’s “escrita em labirinto,” a labyrinthine writing style (Patricio 173). Nizia Villaça has examined these and other narrative strategies in Coutinho’s Atire em Sofia and O caso Alice as expressions of a neo-baroque aesthetics. Both novels are characterized by ambiguity, metafiction, the presence of fantastic or surreal elements, and a labyrinth-like narrative structure. Villaça cites Omar Calabrese’s theoretical work, in which the contemporary labyrinth, or maze, stands in opposition to the “classical labyrinth” (Villaça 142). The latter—as confusing or challenging as it may be—does provide “a way out” that the subject must seek. In other words, the textual labyrinth offers the possibility of elucidation and resolution to the reader who seeks to decipher its many leads. The contemporary labyrinth, however, according to Calabrese, points to irresolution, to what cannot be solved (cf. Villaça142). Therefore it can be understood as a metaphor for postmodern life and, in Coutinho’s fiction, specifically for urban life and the social relations that take place in the city.&lt;br /&gt;The difference between the labyrinth and the maze parallels another distinction that Regina Dalcastagnè and Renato Cordeiro Gomes, in their readings of Brazilian urban narrative, have pointed out: the distinction between the polis and Babel. The polis represents an ideal of order, a space that enables encounters and communication among its inhabitants. Babel, on the other hand, is emblematic of the postmodern city, where chaos, conflict, and miscommunication are predominant. Gomes also uses the image of the labyrinth to describe the postmodern city, but stresses that the purpose of this labyrinth is to confound, imprison and subdue its inhabitants (Gomes 25).&lt;br /&gt;The textual labyrinth that Villaça discusses in Coutinho’s second and third novels is already present in O jogo de Ifá, which, more so than in subsequent novels, is structured as a game or a puzzle. In fact, this is how the author-narrator describes the novel he admits to be writing: as a kind of a game, a Chinese box, or a model kit that must be assembled (Ifá 13). Quinlan observes how the expression “objeto de armar,” a model kit, is reminiscent of Julio Cortázar’s 1968 novel 62: modelo para armar (62: A Model Kit, 1972) (Quinlan 151). O jogo de Ifá establishes a dialogue with this and with Cortázar’s more famous Rayuela (1963; Hopscotch, 1966). Like Rayuela, Ifá reveals the disorder of an apparently orderly reality through its game-like structure, as it offers the reader the challenge to put together a story line, a jigsaw puzzle whose pieces are the fragmented life stories of the many different characters that appear in the novel. In the subsequent novels, the different narrative voices become the very pieces of the puzzle, or the threads the reader—a postmodern Ariadne—must follow in order to exit the labyrinth. In Atire em Sofia and O caso Alice, these voices emerge anachronistically from various time periods and geographical spaces, and succeed each other at dazzling speed, again underscoring the image of the city as a present-day Babel. Through the use of the labyrinth, the maze, puzzles, and enigmas, Coutinho erects a cityscape like the Sphinx herself, the monster the protagonists must decipher, or else they will be devoured. The reader too must engage in this process of deciphering the city/narrative, and solve its riddle, at the same time attempting to render legible the illegibility of the urban space.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo de Ifá: The Search for the Original Space&lt;br /&gt;O jogo de Ifá, is a short but complex novel structured as a game (which is expressed in the novel’s title) or a puzzle. This is a polyphonic and meta-literary text, full of inter-textual references: historical, literary, and mythological: Brazil’s colonial period, the origins of Bahia, Virginia Woolf, the Minotaur, and many others. A constant reference is Jorge Luis Borges. Along with Cortázar, Borges’s presence in the text helps situate it both in the context of Latin American culture, which is reiterated later in the narrative, and in the context of post-modernity. Borges becomes both an inter-textual reference and a literary influence. Early on in Ifá, the author-narrator states: “Pretendo que meu livro seja uma espécie de jogo. Ou um labirinto” [I want my book to be a kind of a game; or a labyrinth] (22), recalling what Borges himself has said about books and labyrinths being one and the same thing. His influence is seen also in the allusions to the “Aleph,” and in the theme of the double.&lt;br /&gt;In many of his stories, Borges played with the leitmotif “un hombre es todos los hombres” [a man is all men]. Coutinho brings up Borges’s leitmotif, introducing however its female counterpart, where one woman’s destiny reenacts the destinies of other women, and a man and a woman live mirror-like experiences. Renato and Renata, the two protagonists of O jogo de Ifá, are a male and a female projection of the same being. Throughout the novel, we see them repeating each other’s experiences and mirroring each other’s emotional states. For example, the novel opens with Renato’s return trip to his hometown, an event that will be reproduced later, almost verbatim, but with Renata as its protagonist (Ifá 60):&lt;br /&gt;Tinha de ser assim, Renato, de ônibus, refazendo o percurso de dez anos atrás, quando partiu da Cidade para a qual volta agora, penosamente, pela tarde adentro, através da planície deserta . . . .&lt;br /&gt;Pois há exatamente dez anos, quando foi embora para o Rio, você viajou num ônibus igual a este, com um frasco de tranqüilizantes no bolso da camisa, engolindo uma pílula de duas em duas horas, para evitar que a angústia o sufocasse, ou o fizesse gritar interminavelmente, como só se grita no meio de uma noite escura, no coração do deserto.&lt;br /&gt;[It had to be this way, Renato, by bus, retracing the path of ten years ago, when you left the City to which you now return painfully, throughout the afternoon, across the deserted plains. . . . For exactly ten years ago, when you left for Rio, you traveled on a bus just like this one, with a small bottle of tranquilizers in&lt;br /&gt;your shirt pocket, swallowing a pill every two hours, in order to keep your anguish from suffocating you or making you scream ceaselessly, like one can only scream in the middle of a dark night, in the heart of the desert.] (Ifá 9-10)&lt;br /&gt;If Renata repeats Renato’s journey back home, and later the author-narrator repeats both characters’ travels (86), the initial return is already a reenactment of an earlier trip, but in reverse direction. Renata and Renato are returning to “the City,” which they had left ten years before for Rio de Janeiro. Thus Coutinho sets out from the beginning the themes of travel, displacement, and exile that are recurrent in her fiction. In fact, as the novel progresses, the reader finds other female characters who have also left their smaller city for larger urban spaces, but also end up returning to the space of origin. Therefore, the opening paragraphs of Ifá also introduce an important structuring element of this novel: the idea of return, repetition and circularity.&lt;br /&gt;“The City,” a Cidade, whose name is never mentioned in the narrative, more than the stage for the characters’ dramas and conflicts, becomes the very protagonist of the novel. It is depicted as a mythic space (45 and others), the missing link (84), the “dream of a visionary,” like Coleridge’s Xanadu (37) or Manuel Bandeira’s Pasárgada. It is the space to which the protagonists return in search of a revelation, the key for their destinies, and the understanding of their own selves. Renata, Renato, and the author-narrator are seeking a treasure, as Chapter 4, entitled “Mapa do Tesouro” [Treasure Map] suggests, and the City is the treasure chest they strive to open in order to reveal its secrets/treasures.&lt;br /&gt;The juxtaposition of destinies, the repetition with variations of the same life pattern (displacement in the City, dislocation in space, exile, displacement in the new space, return, search for answers) underscores the Borgesean leitmotif, and reminds us that life is cyclical and repetitive. As the character Madá states, “. . . nesta Cidade a vida das pessoas não tem enredo nenhum. Tudo se repete de forma absolutamente previsível” [in this City people’s lives have absolutely no plot. Everything repeats itself in the most predictable way] (15). To which Jamil, a homosexual—and as such an outsider—replies that, indeed, there is something about the City that is unchanging, “immutable”: “Caiam os regimes, substituam-se os governos, industralize-se afinal a Cidade—as novas autoridades terão um comportamento parecido com as anteriores e uma doçura incurável permanecerá sob a fumaça das chaminés das fábricas. Mas há outras coisas para se dizer sobre a Cidade—há o seu lado místico e misterioso” [Regimes may fall, governments may be replaced, the City may finally become industrialized—the new authorities will behave similarly to the previous ones, and an incurable sweetness will remain under the smoke from the factories’ chimneys. But there are other things to say about the City—there is its mystical and mysterious side] (17).&lt;br /&gt;Through Jamil’s comments, Coutinho points to a characteristic associated with Brazil’s supposed “cordiality,” and that has perhaps contributed to the permanence of the status quo: “doçura,” which means sweetness, but also implies docility. Madá elaborates on what this status quo has meant for women: a certain life pattern that determines who a woman will marry, her (limited) social role, and the social environment to which she will be confined. The husband will inherit his father-in-law’s line of business; he must be white, in order to produce light-skinned children, in a city where most of the population are of African ancestry (15-16). Women like Renata, Madá and Tânia, upper-middle class women repressed by the expectations of their social group, or Celeste, also a woman from the upper-classes, who dates Milton, a successful Black university professor, pay a high price for defying the status quo: displacement, exile, and social stigma.&lt;br /&gt;In O jogo de Ifá, the critique of gender relations is deeply intertwined with a critique of racial relations in Salvador and, by extension, the whole country. The various references to the ethnic groups that contributed to the formation of Bahia (Indians, Africans, Portuguese and other Europeans who fought to colonize that region), and to historical events related to the uprising of African slaves, define the ideological frame of patriarchy that has excluded Blacks as much as women, homosexuals, and other minorities. The short narrative, structured on repetition and circularity, creates a narrow textual space that highlights the identification among these minority groups. Even Renato, a white male from an economically decadent middle-class family, serves to represent the exclusion of women from the social space of patriarchal power by living experiences very similar to those Renata goes through. In addition, Coutinho inverts the traditional positions of male and female in the “penis envy” complex. In Ifá, Renato is jealous of the love and attention his father grants his sister and even considers castrating himself in order to partake in the space of patriarchy:&lt;br /&gt;Só não contei nunca aquela manhã no banheiro, quando—eu tinha nove anos— peguei a navalha do meu pai e passei muito tempo a examinar meu próprio sexo enrijecido, imaginando que ia cortá-lo e assim eliminar de vez a diferença entre eu e Léa, decerto o que me tornava inferior e fazia o velho estimá-la tanto.&lt;br /&gt;[I just never told anyone about that morning in the bathroom when—I was nine years old—I grabbed my father’s razor and spent a long time examining my own, hardened sex, imagining I would cut it and in this way eliminate once and for all the difference between Lea and me, certainly what caused me to be inferior and the old man to love her so much.] (26)&lt;br /&gt;By inverting the well-known Freudian “penis envy” complex, the author frees the female characters from cultural stereotypes associated with women, and through a process of estrangement forces the reader into a critical perspective of societal expectations. The same happens through Celeste and Milton’s relationship. Through a Black male character that belongs to the middle-class and is an intellectual and a college professor, a desirable profession, the author controls all the variables, so that there is no question as to the nature of the stigma surrounding Celeste and Milton: racial discrimination.&lt;br /&gt;The City emerges thus as a space of conflict, as a fragmented society wherein its parts live in tension and opposition. Ifá, says Coutinho, depicts Bahia’s “caldeirão cultural” [cultural cauldron] (“A escrita do Candomblé” 1), and this explains the fragmented structure of the narrative: “Talvez exatamente pela mistura cultural nem sempre suave, às vezes conflitante, esse livro é o mais fragmentado dos meus textos, são peças que não se fundem” [Maybe because of Salvador’s cultural mixture—not always smooth, sometimes conflictive—this book is the most fragmented of my texts; made of pieces that cannot be fused (“A escrita do Candomblé” 4; my emphasis). Thus “doçura” as a characteristic associated with Salvador and its inhabitants and “cordiality” as a trait of “Brazilianness” are ideological concepts that must be critically revised. This is what the author does by inserting references to historical events that evoke destruction, death, and rebellion. Among the many historical references, two must be highlighted: the Malê revolt, and the fire that in 1958 destroyed the famous Castro Alves Theater in Salvador’s downtown area.&lt;br /&gt;When first built, the Theater was a source of controversy, seen as an elitist project that used up public money (14), and is thus a symbol of the City’s class conflicts. Its destruction by the fire, however, seemed to have brought the population together, saddened by the loss of this important cultural monument (26), a public landmark that came to identify the City (and in fact allows the reader to identify the City as Salvador). The Theater is also an allegory for the social struggles of women and Blacks. It was built on Campo Grande, the same square where, in the last part of the nineteenth century, the local government built a monument celebrating the battles for Bahia’s independence that took place between 1821 and 1823. This allows for its symbolic association with the social struggles of women, Blacks, and other minorities. Moreover, the images of its destruction bring to mind the immolation of women who challenge the status quo:&lt;br /&gt;Quando as chamas irromperam no grande teatro recém-construído, o clarão foi avistado até o mar. As labaredas saíam por entre as paredes como se estivessem acesas há séculos, mas contidas, e fizeram afundar o grande teto inclinado da edificação, formando uma grande fogueira—o sexo em fogo da Cidade, exposto diante de todos os olhares.&lt;br /&gt;[When the large, recently built theater burst into flames, the blaze could be seen all the way to the sea. The flames came out from between the walls as if they had been lit, but contained, for centuries, and they caused the building’s large slanted roof to collapse, forming a big bonfire—the City’s sex on fire, exposed to everyone’s eyes.] (80)&lt;br /&gt;The images of a bonfire and the exposed sex, and the fact that “Cidade” is a feminine word, thus making the City a female entity, evoke a picture of the bonfires that during the Inquisition punished transgressive women. The City, divided because of class, gender, and racial conflicts, is punished along with its inhabitants.&lt;br /&gt;Extending the complex system of symbolic associations, the area where the Theater was built had been the stage for the slave uprisings of 1835 that became known as the Revolts of the Malês, Islamic Africans taken to Brazil as slaves. It is amidst the convulsion of these events that Renata arrives in the City (66-67), while Renato sees, upon arriving, a procession of Afro-Brazilian gods (35). Fog, shadows and darkness surround the City as the two characters arrive, underscoring the image of the city as a mythic space in which lies the mystery, the “Pedra Filosofal” [Philosopher’s Stone], the revelation Renato and Renata are seeking about themselves. If Renato and Renata embody two sides of the same human life, they represent on the one hand fragmentation and, on the other, multiplicity. Says Renato: “Vivi várias vidas. Ou talvez seja mais correto dizer—vivo várias vidas. Pois o espaço em que se desenrolaram não foi eliminado” [I have lived many lives. Or maybe it would be more correct to say—I live many lives. For the space in which they unfolded has not been eliminated] (19), a statement the author-narrator later repeats (86). There is then a parallelism that unfolds ad infinitum, making Renato’s or Renata’s personal history stand for the history of others—Tânia, Celeste, Madá—and the history of the very space to which they return.&lt;br /&gt;Nevertheless, if the space has not been eliminated, it has proved to be inaccessible except through memory. The book that narrates the city is, as Renato Cordeiro Gomes says, a “book of memories” and a book written from memory (Gomes 37). Memory is labyrinthine; it is a puzzle. The city to which Renato and Renata return does not offer definitive answers, but rather opens itself up like Borges’s Aleph (cf. Ifá 64, 93). The narrative (Coutinho’s, the author-narrator’s) intends then to reorganize a “carrousel of images” (93), everything ever seen and experienced. That the City remains a puzzle to be solved is evidenced in an elliptical passage in one of the last chapters of the novel. In it disjointed phrases and sentences from previous chapters are enumerated; for example:&lt;br /&gt;. . . os filhos da noite não abandonaram os refúgios perdulários do tempo&lt;br /&gt;como a brisa é lenta o mesmo cardápio de dez anos atrás, sopa de verduras&lt;br /&gt;o relógio de pêndulo o silêncio do entardecer da Cidade, belo em excesso&lt;br /&gt;saio para dar uma volta sensação de deslumbramento . . . .&lt;br /&gt;[The children of the night haven’t abandoned their refuges those wasteful of time how unhurried is the breeze the same menu from ten years ago,&lt;br /&gt;minestrone soup the pendulum clock the silence of the sunset in the City, excessively beautiful I go out for a stroll a dazzling sensation] (88).&lt;br /&gt;The passage again suggests an Aleph, as it does also a dream-like state. In both cases, the City offers itself as a kaleidoscope of images, memories, feelings and experiences that traverse time, making Renato’s, Renata’s, and the author-narrator’s displacement, spatial as well as temporal.&lt;br /&gt;Coutinho’s depiction of Salvador renders it in all its complexity. The City is mystical (17) and mythical, but it is also a dystopian space divided by a deep social and racial chasm. Its cityscape alternates houses with crystal candelabra and winding, dusty streets where miserable but smiling people walk (30). The small and colorful colonial houses and the “turquoise-blue” sky are being destroyed by rapid industrialization, replaced by an ever-growing number of new skyscrapers, which is slowly turning the City in a desert, announcing a new era without trees and without shade (36). In this way, the City shows the signs of urban changes that threaten to erase its original mystery, to rob it of its identity, while accentuating all of its social problems—racial conflicts, economic disparity, and social exclusion. In this sense, it is a microcosmos representative of the problems Brazilian cities face today.&lt;br /&gt;O jogo de Ifá, as I have stated, narrates a search for the original space. This is the space to which the characters return in hopes of finding in their past, in their origins, an explanation and a definition of their identities. But Ifá is also a return to the origin of the Brazilian nation, for it is there in Bahia that the nation began. The author traces these origins through fragments of Brazilian history, and by doing so situates Salvador as the navel, the center from which Brazil grew and expanded, and in this way subverts the dichotomy between center and periphery. Coutinho displaces the center from the metropolitan spaces of Rio de Janeiro and São Paulo and, additionally, expands the national borders by inscribing the characters’ and the country’s histories in a continental context. “Mulher, sim, e latino-americana” [Yes, I am a woman, and Latin American], thinks Renata (18); and Renato: “soy latino-americano yo” [Me, I’m Latin American](43).&lt;br /&gt;O jogo de Ifá stages what Josefina Ludmer has described as “la progresiva borradura de la idea (y no solamente de la idea: del imaginario, de la referencia, de la política) de la nación [la cual] se acompaña . . . de la desintegración de la ‘modernidad’ y sus conquistas” [the progressive blurring of the idea—and not only the idea, but also the imaginary, the reference, the politics—of nation, which takes place at the same time as the disintegration of modernity and its conquests] (Ludmer 9). The cityscape Coutinho depicts retains some of its mythical quality, but appears at the same time as a dystopian postmodern space characterized as fragmented, multiple, a present-day Babel of conflicting voices. Among these, emerges the voice of a female subject who has stepped out of the enclosed domestic space to wander the streets and the realm of infinite possibilities:&lt;br /&gt;. . . vejo Renata como a heroína que eu gostaria de criar para meu livro, uma&lt;br /&gt;espécie de protótipo épico da Mulher Liberta do Terceiro Mundo, saindo do&lt;br /&gt;dolorido útero da América Latina, . . . do soturno mundo rural/feudal/patriarchal para a avançada vida urbana dos grandes centros onde, rompendo todos os tabus, vence, se impõe. . . .&lt;br /&gt;Eu traçaria então o itinerário pessoal de Renata. . . . Mostraria Renata entre índios ferozes, Renata caçando na selva amazônica, . . . , Renata deusa&lt;br /&gt;urbana . . . , pilotando aviões caça-bombardeiros, . . . recitando Dylan&lt;br /&gt;Thomas . . . em Copacabana, possuindo sucessivamente mil homens, qual&lt;br /&gt;Mae West ou Barbarella indígena. Verdade e mito, uma nova heroína brasileira.&lt;br /&gt;[I see Renata as the heroine I would like to create for my book, a kind of epic prototype of a Third World Liberated Woman, coming out of Latin America’s wounded womb, . . . from the gloomy rural/feudal/patriarchal world to the progressive urban life in the large urban centers where, breaking free of all taboos, she makes it, asserts herself . . .&lt;br /&gt;I would then trace Renata’s personal itinerary . . . I would show Renata among fierce Indians, Renata hunting in the Amazon forest, . . . Renata, urban goddess . . . , piloting fighter-bombers, . . . reciting Dylan Thomas . . . in Copacabana, successively making love to a thousand men, like an indigenous Mae West or Barbarella. Myth and truth: a new Brazilian heroine.] (Ifá 79)&lt;br /&gt;It is this heroine, the new Brazilian woman, that Coutinho will depict in her subsequent novels, walking the streets of Copacabana, looking for love, pleasure, and self-realization, but always returning to the original space of Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusion: The Murderous City&lt;br /&gt;The same tropes and themes explored in O jogo de Ifá are present in Atire em Sofia, O caso Alice and Dora Diamante. Like Renato and Renata, the protagonists of these novels experience travel, displacement, exile, and the return to their original space, which in the three novels is again Salvador. The city’s status as protagonist changes, however, as the narrative becomes less fragmented and the characters more fully developed. At the same time, the focus shifts from Salvador in Atire em Sofia to Rio de Janeiro in O caso Alice, and to a fictional town, Solinas, in Dora Diamante. Solinas shows many aspects that allow the reader to identify it with Salvador, including the sea, the beachfront avenue and its houses.&lt;br /&gt;The representation of the urban space is more fully developed in the first of these novels. Salvador’s many facets are depicted: a labyrinth and a mystical space where time is circular (85), and where history remains alive; a city of “animal-like sensuality” (83); a space of class and economic conflict, characterized by chaos, decadent homes (19) and litter-filled streets (24); a “White” and prejudiced city (24) that refuses to accept the social ascension of the Black population, and where racial discrimination leads to physical violence against Blacks. There are also many references to Afro-Brazilian gods, especially Iansã, goddess of the tempests, with whom Sofia is identified. The patriarchal society that reacts with violence against Blacks’ social ascension and the city’s Africanization (Atire em Sofia 35) reacts too against women who, like Sofia, have transgressed the imposed social norms. The opposition between Salvador and Rio de Janeiro is also present in these narratives, and underscores the changes in lifestyle the characters undergo. The influence of the urban space on the female subject is made explicit in Atire em Sofia, and the protagonist is shown as having experienced an identity split, thinking of herself as “a Sofia do Rio” and “a Sofia da cidade” [Sofia from Rio and Sofia from the city] (168). Rio de Janeiro is most clearly represented in O caso Alice, as a chaotic and violent city (O caso Alice 136) marked by murders, disappearances, robberies, and drug traffic, as well as slums, trash on the streets and open sewers. Nevertheless, just as Salvador in Ifá and in Atire em Sofia, Rio de Janeiro is also shown in the beauty of its Lagoa Rodrigo de Freitas, its sea and mountains. Moreover, at the very end of the novel Rio de Janeiro is described as a female entity, referred to as “Ela,” She, with capital S (O caso Alice 171).&lt;br /&gt;Both Salvador and Rio de Janeiro, then, are represented in their beauty as much as through the problems that assail Brazil’s urban spaces today. Both cityscapes stage the disintegration or the breakdown of modernity’s apparent conquests mentioned above. These conquests were achieved through the exclusion and marginalization of certain social segments, the same segments—women, racial minorities, homosexuals—whose struggles appear in Coutinho’s fiction. Sofia, Alice, Dora and Tessa, from Dora Diamante, are representative of a new generation of women, as is Renata, the new Brazilian heroine described in Ifá. They are women who have left their city of origin for the metropolis where, alone, they live out their sexuality and independence. The original city, however, holds for them punishment: murder, for Sofia and Tessa, and sexual abuse for Alice. The three novels are crime narratives. O caso Alice is also a mystery novel, where one of the main characters attempts to solve the mystery of Alice’s disappearance and her involvement in a murder. Dora Diamante, in turn, is a more traditional detective novel, with the protagonist playing the role of a journalist-detective who investigates Tessa’s death. The author’s choice of the crime narrative and the detective novel reflects the increased chaos and the increased number of dissonant voices speaking in the contemporary Babel. It reflects also a new degree of urban violence, never before seen in Brazil. If the city remains labyrinthine and mysterious, then, to unveil its mysteries has become less of a puzzle, and more a game of life and death.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Works Cited&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abreu, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga?Um romance B. São Paulo:&lt;br /&gt;Companhia das Letras, 1990.&lt;br /&gt;Abdala Jr., Benjamin. “Fronteiras múltiplas, identidades plurais.” Geografias literárias e&lt;br /&gt;culturais: espaços/temporalidades. Eds. Gilda Neves Bittencourt, Léa dos S.&lt;br /&gt;Masina, and Rita T. Schmidt. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004. 49-58.&lt;br /&gt;Brink-Friederici, Christl M. K. “Sonia Coutinho: Atire em Sofia, um romance policial?”&lt;br /&gt;Travessia 22 (1991): 51-62.&lt;br /&gt;Bueno, André. “Sinais da cidade: forma literária e vida cotidiana.” O imaginário da&lt;br /&gt;cidade. Eds. Rogério Lima and Ronaldo Costa Fernandes. 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Um destaque: o grande Kazimir Malievitch, que pertenceu a uma ala do Construtivismo designada como “estética”. Já Ródtchenko fica na ala do Construtivismo dito “ideológico”, junto com Vladimir Tátlin. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Cartaz de Ródtchenko&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545067849241334274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 226px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQJ1HF4EgI/AAAAAAAAATk/-Ml4YOA3ZwU/s320/rodtchenkolilia.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Rodtchenko foi pintor importante mas, dominado por sua característica inquietação e busca do novo, deixou a pintura pela fotografia, fotomontagem, colagens, cartazes – o material que agora o Instituto Moreira Salles expõe.&lt;br /&gt;O brilho da arte russa desse período se apaga com a consolidação do regime de Josef Stalin.&lt;br /&gt;Stalin subiu ao poder em 1922, mas o endurecimento da sua política se faria sentir com mais peso na década de 30. No primeiro congresso de escritores comunistas, em 1934, o Realismo Socialista foi decretado arte oficial.&lt;br /&gt;Enfrentando obstáculos e desprestígio, muitos artistas da vanguarda russa deixaram a então União Soviética. Os que ficaram, como omo o prteriores deixaram a entrda das distas, em 1934, o Realismo Socialista foi decretado a forma de arte oficial.&lt;br /&gt;Rodtchenko e Maliévitch, foram discriminados e desprestigiados.&lt;br /&gt;Rodtchenko é um grande pioneiro da fotografia. Inventou planos originais, angulares. Gostava de fotografar de baixo para cima, ou vice versa.&lt;br /&gt;E traz para nós, agora, no Moreira Salles, com seu olhar original, uma Moscou que a passagem do tempo torna inesperadamente poética – o balé, o circo, os grandes desfiles, os esportes, o povo nas ruas, os prédios dos grandes jornais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SOBRE FOTOGRAFIA&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(Frases de um texto escrito por Ródtchenko em 31 de outubro de 1934, para a revista “Soviétskoe Foto” – “A Fotografia Soviética”)&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Uma fotografia feita por Ródtchenko&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545068240380679890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 216px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQKL4Mw1tI/AAAAAAAAATs/i29_05ux_3c/s320/fotorodtchenko.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A fotografia deixou de ser secundária e de imitar técnicas de gravura, pintura ou tapeçaria. Ao encontrar caminho próprio, ela floresce, e o vento fresco traz um perfume peculiar à fotografia. Novas possibilidades se descortinam.&lt;br /&gt;Os contrastes das perspectivas. Os contrastes da luz. Os contrastes da forma. Pontos de vista impossíveis no desenho ou na pintura. Pontos de vista com encurtamentos exagerados e a impiedosa textura do material.&lt;br /&gt;Momentos inéditos de movimento, gente, animais, carros.&lt;br /&gt;Momentos antes desconhecidos ou, se conhecidos, certamente despercebidos, como o voo de uma bala.&lt;br /&gt;Composições que ultrapassam, em ousadia, a imaginação dos pintores. Tão carregadas de formas que Rubens fica para trás. Com padrões tão intrincados que japoneses ou holandeses não têm mais nada a dizer.&lt;br /&gt;Depois vem a criação de momentos fotográficos inexistentes, por meio da montagem.&lt;br /&gt;A fotografia se desenvolve rapidamente e conquista todos os campos.&lt;br /&gt;É preciso incentivar o amor pela fotografia, para que as fotos sejam colecionadas, para que se criem fototecas e aconteçam exposições fotográficas em grande escala.&lt;br /&gt;Precisamos publicar livros e revistas de fotografia. A fotografia tem todo o direito.&lt;br /&gt;Merece atenção, respeito e reconhecimento como a arte de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Desfile em Moscou, foto de Ródtchenko&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545068249761192642" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQKMbJQGsI/AAAAAAAAAT0/liwY-PziWyg/s320/rodtchenkofoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-9030737328987311537?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/9030737328987311537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/rodtchenko-e-maiakovski-no-instituto.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/9030737328987311537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/9030737328987311537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/rodtchenko-e-maiakovski-no-instituto.html' title='RÓDTCHENKO E MAIAKÓVSKI NO INSTITUTO MOREIRA SALLES'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQI8MvNi2I/AAAAAAAAATc/0M3Glvhdmuk/s72-c/rodtchenkostepanova.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-3624866613554057965</id><published>2010-11-29T12:01:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T12:08:51.719-08:00</updated><title type='text'>OS OLHOS DE MAIAKÓVSKI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;SONIA COUTINHO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;“Morrer não é difícil. Difícil é a vida e seu ofício.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Maiakóvski&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545065172137880818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQHZSGrLPI/AAAAAAAAATM/4lxG28H6meE/s320/maiakovski1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Estou na exposição de Aleksandr Ródtchenko. Fotografias, colagens, capas de livros.&lt;br /&gt;Na sala com fotos que ele tirou de seus parentes e amigos, levo um susto.&lt;br /&gt;Ah, eu me lembro! Vivi ali, naquele tempo. Sim, na Rússia, um pouco antes e um pouco depois da Revolução de Outubro.&lt;br /&gt;E convivi com essas pessoas.&lt;br /&gt;Vejo as fotos com os rostos tão familiares do próprio Ródtchenko e de sua mulher, Varvara Stiepânova. E aqui estão as do crítico de arte Óssip Brik e da mulher dele, Lilia.&lt;br /&gt;Agora, paro diante das fotografias de Vladimir Maiakovski. Seu rosto belo, intenso e sombrio, um rosto de louco, talvez, está voltado para diretamente para mim, num reconhecimento.&lt;br /&gt;O que foi feito de você, Nora? Ouço-o perguntar.&lt;br /&gt;Por que me chama assim?&lt;br /&gt;Que sensação estranha! O que era Maiakóvski para mim? Um irmão, amigo, amante?&lt;br /&gt;Os olhos dele me sugam, me arrastam.&lt;br /&gt;Segundos depois, verifico que continuo aqui, numa sala do Instituto, mas em que outra dimensão?&lt;br /&gt;Ouço um leve ruído, percebo que há alguém atrás de mim. E me viro bruscamente, esperando deparar-me com Vladimir.&lt;br /&gt;Mas não é ele, e sim Lilia Brik.&lt;br /&gt;Por que sinto tanto ciúme dela? Lilia não é propriamente bonita. Mas tem rosto doce, agradável, muito feminino. E um corpo bem modelado.&lt;br /&gt;Todos diziam que ela era o grande amor de Vladimir Maiakovski.&lt;br /&gt;Ela me toma pelo braço e me conduz para a área externa do Instituto.&lt;br /&gt;No caminho, passamos por uma parede de espelho, no corredor – e me vejo, de relance. Minha imagem não é mais a de Sonia Coutinho.&lt;br /&gt;Sou outra mulher, que identifico de repente.&lt;br /&gt;Sim, Nora Polonskaia, atriz, casada.&lt;br /&gt;Uma das três mulheres da vida de Vladimir. A outra era uma russa branca, Tatiana Iacovleva, que morava em Paris e a quem ele dedicou um poema.&lt;br /&gt;Lilia Brik me puxa pelo braço, agora, com uma raiva mal disfarçada, para que eu me afaste do espelho e continue a andar com ela.&lt;br /&gt;Lembro de tudo, cada vez mais claramente. Aos 22 anos, tive um caso com Maiakovski.&lt;br /&gt;Mas ele se suicidou, continuo a lembrar, agora cheia de dor, enquanto eu e Lilia seguimos para a piscina da bela casa onde funciona o Instituto.&lt;br /&gt;Ah, sim! Fui eu quem passou com Vladimir sua última noite vivo.&lt;br /&gt;Eu e Lilia nos sentamos a uma das mesas em torno da piscina. Em frente, um painel de azulejos de Portinari. Adiante, o oceano de mata que cerca e invade o Rio.&lt;br /&gt;Ainda é cedo, este lugar está vazio, não há ninguém, nas outras mesas, que pudesse estranhar nossas roupas de época e a conversa em russo.&lt;br /&gt;Lilia me diz:&lt;br /&gt;- O que você está fazendo aqui? Por que voltou? Era a mim que ele amava, não a você. O tempo inteiro, era a mim que ele amava. Infelizmente, quando Vladimir morreu, eu estava em Londres, com Óssip. Se estivesse em Moscou, quem sabe impediria que se suicidasse. Já tinha impedido duas vezes, antes.&lt;br /&gt;- Claro, você estava com Óssip. Não quis deixa-lo para ficar com Vladimir, como ele lhe pediu. Ele me contou que queria casar-se com você – cheia de espanto, ouço a mim mesma responder.&lt;br /&gt;Faço uma pausa, mas continuo:&lt;br /&gt;- Você sempre o colocou em segundo plano. E, quando me conheceu, foi a mim que ele passou a amar. Vladimir também me pediu em casamento. Mas fui fraca, tive medo. Tinha medo até de que alguém descobrisse meu caso com ele. Ah, eu queria aceitar seu pedido, devia ter aceito, mas não tive coragem. Tinha uma boa situação, com meu marido. Vladimir era sedutor, mas tão instável. Quem podia adivinhar o que ele faria no dia seguinte?&lt;br /&gt;Lilia me olha com raiva crescente.&lt;br /&gt;- Nunca senti ciúmes de você, como não sentia de Tatiana Iácovleva. Dizem que ele também a pediu em casamento. Mas era tudo para tentar fugir de mim. Era a mim que Vladimir queria. Mas eu não conseguiria separar-me de Óssip. Quando o conheci, eu tinha 13 anos. Nosso relacionamento não era o de um homem e uma mulher, ia muito além disso. Óssip não tinha ciúmes de mim. Vladimir, sim. Óssip sabia que eu nunca o deixaria. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Da esquerda para a direita, Óssip, Lilia e Maiakóvski&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545065358524085074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 219px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQHkIcm81I/AAAAAAAAATU/x9ZGuIljLso/s320/maiakovskiossiplilia.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;- Vocês três vivendo juntos, na mesma casa, um ménage à trois que causou algum escândalo, mesmo na Moscou liberada da moral burguesa.&lt;br /&gt;- Não houve ménage à trois. Quando me tornei a mulher de Vladimir, deixei de ser a mulher de Óssip, continuamos apenas irmãos.&lt;br /&gt;- Lilia, você pode tentar enganar a quem quiser, a mim não engana. Você e sua irmã, Elsa Triolet, sempre foram umas coquetes, mulheres fáceis, que ostentavam um verniz de cultura apenas para seduzir os intelectuais e artistas e viver livremente no meio deles, dormindo com quem quisessem.&lt;br /&gt;- Elsa se casou com Aragon e ela o amava – responde Lilia, ofendida. - Polonskaia, eu não tive ciúmes de você, mas uma coisa não lhe perdôo. Você passou a noite com Vladimir e o abandonou na hora da sua morte.&lt;br /&gt;- Eu já tinha saído do quarto, quando ouvi o tiro. Estava no corredor daquele maldito prédio da Travessa Lubiánski. Sabia que não adiantava voltar, estava tudo encerrado. Já antes, vez por outra, ele falava em suicídio. O revólver só tinha uma bala, mas ela se alojou bem em seu coração. Vladimir deve ter ensaiado muitas vezes aquele gesto final. Seu bilhete de despedida talvez tenha sido escrito com antecipação. “Como se diz, o caso está encerrado. Estou quite com a vida.” Mais ou menos isso. Não voltei ao quarto, não queria que ninguém soubesse do nosso caso. Só mais tarde me contaram os detalhes. Eu era tão jovem, tinha apenas 23 anos. E ele 36. O suicídio de Vladimir acabou para sempre com a minha felicidade.&lt;br /&gt;- Ele parecia disposto a atender ao chamado de outro suicida, o poeta Iessenin: “Até logo, até logo companheiro,/Guardo-te no meu peito e te asseguro:/O nosso afastamento passageiro/É sinal de um encontro no futuro.”&lt;br /&gt;Lilia se cala, ficamos ambas em silêncio. De dentro do Instituto vem uma voz de homem que grita o nome dela. Eu a reconheço, é a voz de Vladimir.&lt;br /&gt;Ela se levanta e vai correndo para dentro.&lt;br /&gt;Fico sentada por mais alguns instantes, olhando a piscina. Depois também sigo para dentro. Ao passar pela parede espelho, no corredor, é Sonia Coutinho quem devolve meu olhar, no Rio de Janeiro, no final do ano de 2010.&lt;br /&gt;Estou meio zonza, antes de voltar para casa decido tomar um café no restaurante do Instituto.&lt;br /&gt;Peço um expresso pingado, acompanhado de uma deliciosa bolinha de chocolate com pequenas abas, parecendo um chapéu.&lt;br /&gt;Depois, vou até o estacionamento, entro em meu carro, dirijo de volta para meu apartamento, onde abro o catálogo da exposição, que comprei.&lt;br /&gt;Torno a examinar as fotos tiradas por Rodtchenko. Detenho-me em Maiakovski.&lt;br /&gt;Os olhos dele se encontram com os meus e ainda me chamam, mas agora resisto.&lt;br /&gt;Vou ler tudo o que puder a respeito dele, decido. E quero saber sobre os anos finais da vida de Lilia Brik. Sobre o casamento dela, depois da morte de Óssip, com V. Katanian, o biógrafo de Maiakovski.&lt;br /&gt;E sobre o suicídio da própria Lilia, aos 86 anos.&lt;br /&gt;De noite, sem conseguir dormir, leio em voz alta, para mim mesma, poemas de Maiakovski traduzidos por Augusto e Haroldo de Campos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-3624866613554057965?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/3624866613554057965/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/os-olhos-de-maiakovski.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3624866613554057965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3624866613554057965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/os-olhos-de-maiakovski.html' title='OS OLHOS DE MAIAKÓVSKI'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQHZSGrLPI/AAAAAAAAATM/4lxG28H6meE/s72-c/maiakovski1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4745995662290485130</id><published>2010-11-29T11:18:00.000-08:00</published><updated>2010-12-08T04:43:21.561-08:00</updated><title type='text'>CADERNO DE POESIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;LÚCIO AUTRAN&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Lúcio em Barcelona&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 237px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545056688475270786" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP_rd_47oI/AAAAAAAAASs/3Fkx4h3lumg/s320/luciofotoxxx.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;AZUL&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Uma bolha azul&lt;br /&gt;(gelatina&lt;br /&gt;água?)&lt;br /&gt;membrana intangível&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria afogar a todos&lt;br /&gt;em silêncio&lt;br /&gt;em assepsia&lt;br /&gt;em dias inodoros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A todos tingia&lt;br /&gt;de azul&lt;br /&gt;os homens.&lt;br /&gt;Sem paz contudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bolha: azul&lt;br /&gt;de anomia,&lt;br /&gt;impediu a noite&lt;br /&gt;que prometia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todavia o dia não devolveu&lt;br /&gt;(mas a face dupla do nada)&lt;br /&gt;Nem era líquido. (Na verdade&lt;br /&gt;havia esperança de um rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que se rompesse, à cidade lavando,&lt;br /&gt;levando a todos em redemunho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era rio&lt;br /&gt;não era líquido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era um tempo gelatinoso nos retendo em azul&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e paralisia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;VENEZA, LÍNGUA SUBMERSA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;(o pesadelo do tempo e o exílio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após Mallarmé&lt;br /&gt;um copo de dados&lt;br /&gt;uma copa de dias&lt;br /&gt;um náufrago bienal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que&lt;br /&gt;rumei&lt;br /&gt;ao exílio&lt;br /&gt;voluntário?&lt;br /&gt;Porque vi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;iluminado&lt;br /&gt;sob um prisma de vidro&lt;br /&gt;e aço:&lt;br /&gt;um copo&lt;br /&gt;de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O autor&lt;br /&gt;esperava aplausos&lt;br /&gt;orgulhoso&lt;br /&gt;de seu copo&lt;br /&gt;e de seu sangue)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esta a língua&lt;br /&gt;do meu tempo?&lt;br /&gt;Lorca! Lorca! Gritei.&lt;br /&gt;(Era só fio de esperança&lt;br /&gt;lembrança de uns versos&lt;br /&gt;não um prenúncio de estética)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“¡Oh sangre dura de Ignácio!&lt;br /&gt;¡Oh ruiseñor de sus venas!&lt;br /&gt;No.&lt;br /&gt;¡Que no quiero verla!&lt;br /&gt;Que no hay cáliz que la contega”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritei mesmo por Neruda, poeta&lt;br /&gt;que nem desnuda minhas veias,&lt;br /&gt;secas e vazias: “un plato para el obispo,&lt;br /&gt;un plato de sangre de Almería. Un plato negro,&lt;br /&gt;un plato de sangre de Almería. Un plato destrozado,&lt;br /&gt;desbordado, sucio de sangre pobre”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era vão:&lt;br /&gt;demais sonoridade&lt;br /&gt;não estaria ali.&lt;br /&gt;Não queria mais ver.&lt;br /&gt;Silenciei para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo aconselhava a mudez&lt;br /&gt;forma possível&lt;br /&gt;frente à clausura&lt;br /&gt;daquela forma surda.&lt;br /&gt;Caminhei e calei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clausura.&lt;br /&gt;Queria apenas sonhar&lt;br /&gt;e acordar com palavras&lt;br /&gt;(inevitável e seminal poesia)&lt;br /&gt;Era minha, a clausura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao exílio voluntário, pois.&lt;br /&gt;Nada a falar ou ouvir.&lt;br /&gt;Não há mais silêncio&lt;br /&gt;(há só silêncio, de uma estridência&lt;br /&gt;que corta a cicatriz da forma)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi a voz na fala dos homens,&lt;br /&gt;via ali senão e apenas&lt;br /&gt;um copo, um signo vazio:&lt;br /&gt;nada é signo, mensagem&lt;br /&gt;tout signe est message?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um copo&lt;br /&gt;em estado de dicionário:&lt;br /&gt;“do latim poculum&lt;br /&gt;vaso para beber&lt;br /&gt;(ou nem isso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ordinariamente sem asas”&lt;br /&gt;O que lhe dava ares&lt;br /&gt;de falsa ave, vôo nenhum,&lt;br /&gt;composição galiforme&lt;br /&gt;um copo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com que os jogadores &lt;/div&gt;&lt;div&gt;de dados&lt;br /&gt;os lançam jogando”&lt;br /&gt;un coup de dés&lt;br /&gt;jogo perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impossíveis dados&lt;br /&gt;num copo de sangue&lt;br /&gt;SOIT&lt;br /&gt;que&lt;br /&gt;l’Abîme&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(que se abriu entre mim&lt;br /&gt;e o gesto&lt;br /&gt;e a língua dos homens)&lt;br /&gt;plane désespérément&lt;br /&gt;era o vácuo sob mim&lt;br /&gt;Caía&lt;br /&gt;por ver esfacelado o piso&lt;br /&gt;do simbólico.&lt;br /&gt;A estética possível.&lt;br /&gt;Cada vez mais só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resistira até então&lt;br /&gt;não por reação,&lt;br /&gt;mas por tragédia&lt;br /&gt;de cette conflagration&lt;br /&gt;de l’horizont unanime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como conflagrar&lt;br /&gt;reagir&lt;br /&gt;à unanimidade ?&lt;br /&gt;Estamos sós, cada vez mais&lt;br /&gt;sós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o albatroz&lt;br /&gt;de Charles:&lt;br /&gt;Exilé sur le sol&lt;br /&gt;au milieu&lt;br /&gt;des huées&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainsi que le fantôme d’un geste&lt;br /&gt;que não é meu&lt;br /&gt;(não me simplifiquem,&lt;br /&gt;o sangue? apenas o acho ridículo&lt;br /&gt;mais do que um copo vazio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N’ABOLIRA&lt;br /&gt;a ebulição que enlouquece&lt;br /&gt;a abolição&lt;br /&gt;das palavras&lt;br /&gt;do verso pouco que me resta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas palavras&lt;br /&gt;dans quelque proche tourbillon d’hilarité et d’horreur&lt;br /&gt;que garimpo na vocação da voz e do silêncio,&lt;br /&gt;onde germinam&lt;br /&gt;à surdez condenadas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos cansados da voz dos homens&lt;br /&gt;me deparei&lt;br /&gt;com essa língua&lt;br /&gt;que nem do silêncio é digna&lt;br /&gt;une stature mignonne ténébreuse de um copo inútil,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque cheio de sangue.&lt;br /&gt;Sangue de quem pensava&lt;br /&gt;que isso aboliria&lt;br /&gt;LE HASARD.&lt;br /&gt;Inútil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toute Pensée émete&lt;br /&gt;un Coup&lt;br /&gt;de&lt;br /&gt;Dés&lt;br /&gt;Maldita poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un coup de dés&lt;br /&gt;n’abolirá&lt;br /&gt;jamais&lt;br /&gt;le hasard.&lt;br /&gt;Maldita poesia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num copo de sangue&lt;br /&gt;se abriu entre mim&lt;br /&gt;e a língua dos homens&lt;br /&gt;o silêncio.&lt;br /&gt;Maldita poesia&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o sangue...&lt;br /&gt;o sangue&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Coagulou-se&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;como as idéias&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Uma cicatriz&lt;br /&gt;sobre a pele &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;da estética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Lúcio Autran estreou em 1985, com o livro “O piloto Antônio”. Tem um total de seis livros de poesia publicados, sendo o mais recente “Centro.” Figurou em antologias poéticas. Muito ligado às artes visuais, Lúcio preparou vários catálogos para exposições.  Os poemas aqui postados integram o livro "Fragmentos de sonhos e outros ciclos menores", a sair.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;NARLAN MATOS TEIXEIRA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Narlan na frente do famoso Café Vesúvio, em San Francisco, onde se reuniam os Beatnicks.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545058621275566882" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQBb-PY8yI/AAAAAAAAAS8/CDrwDzl9hO8/s320/narlanfoto1.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;VERSOS ENCANTADOS DESDE LA HABANA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu cometo versos&lt;br /&gt;Como quem caminha de madrugada por uma calle de la Habana&lt;br /&gt;e avista sobre um muro debruçadas magnólias&lt;br /&gt;materializadas como se fossem estrelas do mar&lt;br /&gt;ao seu redor ramas verdes lhe guardam da escuridão&lt;br /&gt;outras flores brancas caladas as observam&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;eu cometo versos&lt;br /&gt;como quem dedilha uma guitarra cigana na Plaza de España em Sevilla&lt;br /&gt;numa tarde onde uma árvore toureia o vento lento&lt;br /&gt;e uma dançarina de flamenco desenha pássaros com seus gestos&lt;br /&gt;(sob sua sombra fresca dorme a poesia)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;eu cometo versos&lt;br /&gt;como quem lê Florbela Espanca numa quinta de Lisboa&lt;br /&gt;repousado entre o branco marfim da cidade e o vermelho do sol&lt;br /&gt;na mesa de uma taberna ao lado de uma garrafa de vinho tinto&lt;br /&gt;descubro e me enamoro da musa e da brisa e do sal do mar&lt;br /&gt;ao longe a praia aguarda pelos marinheiros que nunca se foram&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;eu cometo versos&lt;br /&gt;como uma ilha chilena atenta à espera de um náufrago&lt;br /&gt;como colheres de prata ao sol matinal de Madrid&lt;br /&gt;a desconfiança da liberdade ante um campo florido&lt;br /&gt;como quem vê com alma e por isso não precisa mais dos olhos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu cometo versos&lt;br /&gt;Como quem nasce de repente como quem avista a Andaluzia&lt;br /&gt;Como quem brinca com a luz sobre a pele das coisas&lt;br /&gt;Como o vento cochichando com o porto e com as velas brancas&lt;br /&gt;Como quem busca sereias e tesouros em mares perdidos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eu cometo versos&lt;br /&gt;Como amantes ensandecidos pela beleza ardem numa tarde de Andorra&lt;br /&gt;Como os suicidas que partirão ao amanhecer na carruagem do indizível&lt;br /&gt;Sem cartas nem bilhetes suicida&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu cometo versos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como quem comete um crime e aguarda pelo castigo dos deuses.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Nascido em Itaquara, no interior da Bahia, Narlan ensina atualmente na Universidade do Illinois, em Urbana-Champaign, onde também está concluindo seu Doutourado.&lt;br /&gt;Ele obteve o título de Mestre na Universidade do Novo México, com dissertação sobre a Tropicália.Em suas andanças pelo mundo, Narlan conquistou amigos e admiradores na Eslovênia, conheceu os beatniks Lawrence Ferlinghetti e Robert Creeley e participou de uma oficina literária com Derek Walcott, Nobel em 1963. Last but not least, Narlan foi admirador e amigo de Waly Salomão, que o incentivava muito. O poema aqui postado já figurou no famoso blog Madame K, da poeta e jornalista Kátia Borges.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;HENRIQUE WAGNER&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;EM MEMÓRIA DE ILDÁSIO TAVARES&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ildásio Tavares&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 225px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545060590703684658" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPQDOm7pLDI/AAAAAAAAATE/FZ4f-ewjlt0/s320/ildasiofoto.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A VOLTA PARA CASA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De costas para o mar, voltamos à terra,&lt;br /&gt;com seus telefones, carros e postes em movimento.&lt;br /&gt;O corpo se pondo, resolve, provisoriamente,&lt;br /&gt;nossa elegante superfície. Voltamos estupidamente mais vivos,&lt;br /&gt;os olhos cheios d’água, como se quiséssemos afogar,&lt;br /&gt;com toda a segurança de um mar antigo, nossa vista&lt;br /&gt;de sobre o precipício dos ombros de nossos desassossegos.&lt;br /&gt;Voltamos. O corpo buliçoso e cansado dos que lamentam,&lt;br /&gt;praguejam, resolvem. As lojas da cidade continuam abertas&lt;br /&gt;e vendem cartões de aniversário e roupas de verão. As nuvens destoam.&lt;br /&gt;O trânsito é confuso porque obedece à lógica dos dias – não das noites.&lt;br /&gt;Há, no entanto, um silêncio que brota das coisas que têm odor,&lt;br /&gt;feito o cheiro de um nariz envelhecido; e parece velar, contrito,&lt;br /&gt;a imensidão dos pássaros de asas abertas.&lt;br /&gt;Olho para o céu e vejo, sobre o azul de indústria dos seres humanos,&lt;br /&gt;a imensa flor amarela cultivando a terra, agora cheirando&lt;br /&gt;a cágado, folhas de outono e ventania. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;No dia 31 de outubro passado, o poeta, ficcionista, letrista e professor Ildásio Tavares nos deixou. Grande figura, ninguém como ele entendia de Bahia e de candomblé: era membro da alta hierarquia do Axé Opô Afonjá. O poeta Henrique Wagner nos mandou este belo poema dedicado a ele. Henrique, que já figurou no Sidarta, faz jornalismo cultural e é autor de dois livros de poemas, “O grande pássaro” e “As horas do mundo,” os dois publicados pela editora Letras da Bahia. Recentemente, ele foi premiado por um ensaio sobre cinema.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4745995662290485130?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4745995662290485130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/caderno-de-poesia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4745995662290485130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4745995662290485130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/caderno-de-poesia.html' title='CADERNO DE POESIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP_rd_47oI/AAAAAAAAASs/3Fkx4h3lumg/s72-c/luciofotoxxx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-145381513232060906</id><published>2010-11-29T11:11:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T11:18:27.981-08:00</updated><title type='text'>COMENTÁRIO CRÍTICO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP8WQztogI/AAAAAAAAASk/JYxg37kcDkQ/s1600/lucindafoto.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545053025622401538" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 143px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP8WQztogI/AAAAAAAAASk/JYxg37kcDkQ/s320/lucindafoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;LUCINDA PERSONA, &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;sobre "OVELHA NEGRA E AMIGA LOURA"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É necessário que as histórias já se tenham passado", escreveu Thomas Mann enquanto explicava as razões do seu romance A Montanha Mágica. E é nesse clima, de tempo ideal decorrido, que se inicia um dos doze contos do mais recente livro de Sonia Coutinho, justamente o que dá o título: Ovelha negra e amiga loura (Rio de Janeiro: 7Letras, 2006).&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As criações de Sonia Coutinho revelam mais do que tudo as vicissitudes do homem comum, os instantes de desenlace e as sacudidelas que a vida confere. Privilegiam a paisagem circundante, povoada pela memória, seja de um fato imediato ou longínquo. À medida que o leitor se reconhece, ele também se envolve com as sutilezas, com a natureza cíclica dos relatos e com a habilidade da autora em costurar experiência e expressão. A adesão é imediata aos enredos e personagens, todos eles gente como a gente. A escrita é franca e ágil, ocorrendo captação certeira da tragédia cotidiana e da atmosfera de indiferença que às vezes envolve tudo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;As narrativas fluem com um sentido crítico profundamente realista, evidenciando a figura feminina em várias de suas dimensões: mãe, filha, amiga. E também em muitas condições diferentes, como na solidão e maturidade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os contos de Sonia Coutinho, como expressão da realidade contemporânea, expõem personagens num itinerário de necessidades, amarguras veladas, desafetos, estarrecimentos, fraquezas, decisões dolorosas e fatais. As vidas são duras e flutuam entre o temor e a coragem, entre o trivial e o absurdo. O conto "Às vezes venta, de madrugada", protocoliza as agitações próprias desse mundo regido por deuses devoradores, como é o caso do tempo. "D de descoberta" é uma história que manifesta a tensão emocional da protagonista, guardiã de uma verdade inquietante, cuja confissão mergulha profundamente na sensibilidade do leitor.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A presença da escritora na prosa brasileira é das mais significativas, tanto por um processo expressivo impecável, engenhoso, quanto pelo volume da obra, sendo detentora de vários prêmios e, por duas vezes, do Prêmio Jabuti.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nascida em Itabuna, Bahia, Sonia Coutinho vive há anos no Rio de Janeiro, cenário pleno de sentidos e muito freqüente em sua escrita, ambiente para o qual levou sua experiência de vida anterior, e onde plasma seu universo de ficções, paradoxalmente pleno de veracidade, valendo-se de uma prosa comunicativa e intensa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E num tempo de leitura, de conto a conto, a oportunidade de se perceber que a escritora confirma não somente sua experiência e intimidade com a escrita, mas seu encanto por essa atividade de encanto inigualável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;*Lucinda Persona é poeta e professora da Universidade de Cuiabá - UNIC&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-145381513232060906?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/145381513232060906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/comentario-critico.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/145381513232060906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/145381513232060906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/comentario-critico.html' title='COMENTÁRIO CRÍTICO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP8WQztogI/AAAAAAAAASk/JYxg37kcDkQ/s72-c/lucindafoto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4681028323543990350</id><published>2010-11-29T11:03:00.000-08:00</published><updated>2010-11-29T11:10:44.918-08:00</updated><title type='text'>TODA A VERDADE SOBRE A TIA DE LÚCIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Conto de Sonia Coutinho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545050179840504402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 266px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP5wncb8lI/AAAAAAAAASc/5IROyBFhouc/s320/anjo4.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;O escritor decide escrever a história que lhe ocorreu hoje, mesmo sendo triste. Decide escrever essa história que, além de triste, é incômoda. Está constrangido, prestes a pedir desculpas. Mas não pede. Apenas pensa: pena que eu não consiga fazer de outro jeito.&lt;br /&gt;“Claro que eu preferiria escrever histórias alegres. Mas, à minha revelia, sempre saem tristes e incômodas,” ele admite para si mesmo, um segundo antes de se sentar e começar a escrever “Toda a verdade sobre a tia de Lúcia.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Preciso falar com alguém sobre essa tia antes que ela morra e sua história se torne definitiva, antes que sua história se transforme, para mim, num epitáfio,” pensa Lúcia.&lt;br /&gt;É o primeiro parágrafo que o escritor escreve. E continua.&lt;br /&gt;Sentada em sua cama, Lúcia observa uma fotografia da sua velha tia Lina, que acabou de descobrir numa gaveta do seu armário, num maço de fotos antigas, tiradas ainda em Solinas. Nesta, além da tia, aparecem ainda ela própria, em menina, e sua mãe.&lt;br /&gt;A tia, de quase 90 anos, mora em Solinas. Ela e Ramiro, o filho de Lúcia, que também ainda mora lá, são os únicos parentes próximos lhe restam. Como Lúcia não se casou novamente e, de uns tempos para cá, seus relacionamentos amorosos cessaram, sua solidão se tornou radical.&lt;br /&gt;Nem amizades de verdade ela tem: jamais se entendeu bem com as pessoas, no Rio, e continua mais ligada, interiormente, às antigas amigas de Solinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcia teve de deixar o filho com sua mãe, quando se separou do marido e veio trabalhar no Rio. (Preciso descobrir o motivo grave e secreto para essa separação, pensa o escritor. Lúcia foi embora de repente, sem tratar nem de pensão do ex-marido.)&lt;br /&gt;No início, ela levou Ramiro, mas era difícil conseguir alguém que tomasse conta dele, quando Lúcia saía. Ela ficava muito preocupada com o que poderia acontecer com menino, não conseguia nem trabalhar direito. E, quando voltava, Ramiro dizia sempre que queria ir para Solinas, morar com sua avó. O que acabou acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da morte da mãe de Lúcia, Ramiro, a essa altura já um engenheiro, disse a ela: “Agora que minha avó morreu, não quero mais ter o desprazer de ver sua cara na minha frente. Se ainda via você, era porque ela pedia.”&lt;br /&gt;Uma completa mentira, Lúcia tinha certeza. A velha jamais pediria ao seu filho que continuasse seu amigo. Ao contrário, sempre fez tudo para separar os dois. Seu golpe de mestre foi o testamento que deixou, deserdando Lúcia em favor de Ramiro.&lt;br /&gt;Isso provocou a ruptura definitiva entre mãe e filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inesperadamente, o carinho que tia Lina lhe demonstra se tornou muito importante para Lúcia.&lt;br /&gt;A tia usa frases de uma bondade antiga: “Nossa Senhora cubra você com seu manto de luz.” Repete: “Você é uma filha para mim, uma verdadeira filha.” E continua a chamá-la de Lucinha, como ninguém mais chama, há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fala com tia Lina pelo telefone, Lúcia visualiza com ternura sua imagem: os óculos de lentes grossas, os cabelos já inteiramente brancos e ralos, a bengala que ela usa para caminhar.&lt;br /&gt;Mas não consegue deixar de lado suas dúvidas quanto à sinceridade da tia – o carinho não será um engodo? Tia Lina, afinal, era tão unida com a irmã dela, a mãe de Lúcia.&lt;br /&gt;E, se de fato a tia a ama, como diz, por que não lhe contou do testamento, quando a família inteira sabia de tudo e só ela, Lúcia, foi apanhada de surpresa?&lt;br /&gt;Lúcia, às vezes, acha o discurso da tia parecido com o pranto das carpideiras, tudo fingimento treinado.Mas está tão carente de qualquer tipo de carinho que se deixa envolver, de qualquer forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, bem cedo, Lúcia recebeu um telefonema da tia. Em seguida, como de costume, chorou um pouco. Por que chora, todas as vezes em que fala com tia Lina? Talvez porque afeto, para ela, está associado com sofrimento, pensa.&lt;br /&gt;Logo depois do telefonema, Lúcia se lembrou de uma certa fotografia. Onde estaria? Teve uma intuição, foi abrir a gaveta do armário - e lá a encontrou.&lt;br /&gt;Sim, essa foto que ela agora observa, demoradamente, antes mesmo de tomar o seu café e trocar de roupa para ir trabalhar.&lt;br /&gt;Tia Lina, sua mãe e ela estão na margem de um rio, em Solinas, onde há uma fileira de árvores finas e altas.&lt;br /&gt;A tia usa um penteado antigo, com um grande pimpão, e Lúcia lembra, num relâmpago, que esse pimpão era feito com um enchimento de pano que ela vira, certa vez, na casa da tia Lina.&lt;br /&gt;Agora, olha para sua mãe: linda, como sempre. Muito mais bonita do que Lúcia jamais fora. Menina, como aparece na foto, ela era feia, magríssima e com uns dentes tortos.&lt;br /&gt;Já sua mãe parece uma estrela de cinema, num filme de depois da Segunda Guerra Mundial: batom escuro, saia justa na altura dos joelhos, de um tecido quadriculado, miúdo e escuro, e uma blusa de seda branca com mangas compridas e fofas e punhos abotoados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcia se levanta, vai até o banheiro, pega uma tesoura. Volta para a cama e corta a fotografia pela metade, separando a imagem da sua mãe, que rasga em pedacinhos e vai jogar no saco de lixo.&lt;br /&gt;Foi demais o que a mãe fez com ela com aquele testamento, pensa, cheia de raiva. E fez isso mesmo sabendo das suas dificuldades financeiras, do seu novo emprego mal pago.&lt;br /&gt;O testamento está obrigando Lúcia a fazer economias do tipo que distorce a alma de uma pessoa. Ela se tornou alguém que não pode mais comprar uma blusinha nova nem um CD de harpas celtas.&lt;br /&gt;Resta decidir, agora, o que fará com a outra metade da foto, a parte em que ela aparece com tia Lina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num arquivo diferente, em seu computador, o escritor faz um resumo da vida de Lúcia, para usar em sua história.&lt;br /&gt;O pai, que tinha uma boa situação financeira, morreu quando ela era ainda pequena. Todos os bens da família ficaram com sua mãe.&lt;br /&gt;Mais tarde, já adulta, Lúcia não pensou em reivindicar direitos, achou que não era preciso, sendo filha única.&lt;br /&gt;Não tinha feito um curso universitário porque sua mãe achou que não valia a pena, era bobagem, “melhor seria arrumar um empreguinho enquanto esperava marido.”&lt;br /&gt;Lúcia, que naquele tempo era fraca e tola, deixou-se levar e arrumou um emprego que detestava. Então, nem essa saída ela teve, a de uma profissão rendosa.&lt;br /&gt;Seria por causa da fuga de Lúcia para o Rio que sua mãe quisera castigá-la? Indaga-se o escritor. Mas não, ele conclui.&lt;br /&gt;Lúcia tem certeza, ele escreve, de que o ódio da sua mãe era coisa mais antiga. Imperdoável, para mãe de Lúcia, era o próprio fato de ela ter nascido.&lt;br /&gt;Sua mãe a odiava por causa do pai dela, escreve em seguida o escritor. Tinha repulsa pelo marido, uma repulsa que se estendeu à filha, continua ele a escrever.&lt;br /&gt;Depois, de volta ao arquivo principal, o escritor passa a palavra à própria Lúcia, que conta seus primeiros tempos no Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Logo que cheguei, fiquei numa pensão no Catete, usando algumas economias que tinha. Procurei uma Antiga Amiga de Solinas e, a conselho dela, que conseguira seu emprego assim, esquadrinhei muitas páginas de Classificados.&lt;br /&gt;Afinal, consegui ficar como secretária de uma firma importadora. Sempre gostei de estudar inglês, foi o que ajudou. Além, claro, da boa aparência que eu já tinha, aos 30 anos.&lt;br /&gt;O salário deu para alugar um quarto-e-sala em Copacabana e então meu filho veio e ficou uns tempos comigo, antes de voltar. Mas férias e feriados, sempre eu sempre visitei Ramiro em Solinas.&lt;br /&gt;Mais tarde, na casa dos 50, fui demitida, tive de me contentar com outro emprego de salário inferior.&lt;br /&gt;O pior de tudo, meu pai morreu. Ele, que sempre me dizia: ‘Se precisar de alguma coisa, é só pedir.’”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor, que é jornalista free-lancer, depois de um período desocupado recebe uma porção de pedidos de matérias.&lt;br /&gt;E pára temporariamente sua história. Deixa Lúcia imóvel, sentada na cama, com os olhos voltados para a velha fotografia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5545050110517861106" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP5slMoWvI/AAAAAAAAASU/MI2zxde-26E/s320/anjo3.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Estranhamente, sem nenhum motivo aparente, mesmo estamdp muito ocupado, nesse período o escritor começa a pensar em anjos.&lt;br /&gt;Primeiro, vem uma imagem que parece de sonho, embora ele esteja acordado: anjos voam de um lado para outro, despejando flores em cima de um farol.&lt;br /&gt;Num estado quase de transe, o escritor, que às vezes pinta, faz um pequeno quadro onde aparecem o farol, uma lua imensa, estrelas douradas e muito anjos.&lt;br /&gt;Pensa: são anjos misteriosos como num quadro surrealista. Anjos sérios, graves, como no filme “Asas do desejo,” de Wim Wenders.&lt;br /&gt;E recita as “Elegias de Duíno”, de Rilke : “Quem, se eu gritasse, me escutaria, entre as hierarquias dos anjos...”&lt;br /&gt;Depois de algum tempo, já com menos trabalho, o escritor volta à história de Lúcia e da sua tia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que tia Lina não é nenhuma santa, argumenta Lúcia consigo mesma, tentando racionalizar uma relação que assume proporções imprevistas e a faz pensar em voltar para Solinas.&lt;br /&gt;Na verdade, não apenas por causa da tia Lina, mas pela falta de dinheiro. O que mais Lúcia teme é ser obrigada a sair de Copacabana, ir para a Zona Norte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor escreve que Lúcia vai agora para a cozinha, tira da geladeira um mamão papaia, coloca duas torradas no forno, põe água para ferver. Tem de tomar logo seu café e se preparar para ir trabalhar, não deve chegar novamente atrasada, adverte a si mesma.&lt;br /&gt;Mas, enquanto isso, continua a julgar mentalmente sua tia Lina.&lt;br /&gt;Claro que a tia sabia do testamento, mas não lhe contou nada. E o imenso apartamento da sua mãe e os investimentos dela, que vinham do tempo do marido vivo, e um terreno, e uma casa de praia, tudo passou diretamente para Ramiro.&lt;br /&gt;Surgiu até, Lúcia não sabia como, um documento forjado em que ela concordava com os termos do testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rasgará ou não a foto da tia Lina?&lt;br /&gt;Lúcia toma rapidamente seu café. Tem medo de ser novamente demitida. Na véspera, já chegara atrasada ao trabalho.&lt;br /&gt;Está cansadíssima de ser secretária e, atualmente, uma secretária mal paga. Mas, se parar de trabalhar, o que será dela?&lt;br /&gt;Seria bem melhor, pensa, lavando a xícara e o prato, se acreditasse mesmo no amor da tia Lina.&lt;br /&gt;Seria bem melhor se pudesse, sem dúvidas nem temores, continuar a ouvir a voz doce e cantante da tia, que vem pelo telefone, consoladora, lá de Solinas.&lt;br /&gt;Resistirá ela a uma vida inteiramente sem amor? É o que Lúcia se pergunta, neste momento, antecipando com um arrepio a solidão arrasadora de uma existência assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de enxergar a realidade, tia Lina escondeu o testamento de mim, pensa Lúcia outra vez.&lt;br /&gt;Mas, imediatamente, torna a perdoar a tia, lembrando de um presente dela, que recebeu dias atrás, pelo correio: uma camiseta com a imagem de Nossa Senhora da Glória.&lt;br /&gt;Olhando para aquele objeto ingênuo e tosco, Lúcia chorou novamente, e agora com força. Pensou, com raiva, que era de propósito que tia Lina lhe mandava presentes assim, patéticos.&lt;br /&gt;Só parou de chorar quando lembrou do advogado lhe dando, pelo telefone, a notícia do testamento.&lt;br /&gt;Prevendo a pobreza na velhice, Lúcia uivava: “Não, não, não, não.” Mas era “sim,” e o advogado foi muito objetivo, quando explicou os detalhes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O escritor reflete se vale a pena incluir em sua história pelo menos um resumo da vida da tia Lina. Decide que sim.&lt;br /&gt;Ingênua e acomodada, Claudelina no entanto se casou por paixão com um tipo meio aventureiro, um forasteiro em Solinas. Ao contrário da mãe de Lúcia, que fez um casamento rico e sem amor.&lt;br /&gt;Previsivelmente, o desastre foi completo, o marido de Lina logo a abandonou. E ela, depois da separação, Jamais Teve Outro Homem.&lt;br /&gt;Felizmente, era funcionária pública. Tinha seu dinheirinho e o apartamento dos seus pais para morar. Agora, com uma minúscula aposentadoria, continua a viver lá, mesmo já sozinha.&lt;br /&gt;O escritor pensa: é interessante duas criaturas com trajetórias tão diferentes, Lina e Lúcia, estarem agora lançadas numa situação parecida. Sim, de solidão, falta de dinheiro e envelhecimento, em maior ou menor grau.&lt;br /&gt;É uma história horrorosa, conclui. Pelo menos, repete para si mesmo, com certeza colocarei anjos nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcia tenta ainda decidir se rasga ou não a fotografia de tia Lina. Como pôde a tia silenciar, sabendo do cruel testamento? Como pôde concordar com o castigo que sua mãe lhe infligira?&lt;br /&gt;Se, pelo menos, Lúcia tivesse levado, no Rio, algum tipo de “vida alegre”, como diria sua mãe. “ Mas, na verdade,” pensa Lúcia, “os dias da minha vida foram todos consumidos pelo trabalho duro. Só que, claro, moro em Copacabana e o pessoal de Solinas acha que isto aqui é uma espécie de covil da devassidão.”&lt;br /&gt;Comentário da sua mãe, que lhe foi contado por alguém, ela não se lembra mais quem: “Lúcia sempre se deu muito bem com coisas dela, mas agora se dará muito mal”.&lt;br /&gt;“Com tanto ódio em redor de mim, uma hora dessas fico sem dinheiro nem comer,” pensa ela, desesperada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acaba de tomar seu café, Lúcia torna a se sentar na cama e a olhar a fotografia cortada pela metade, agora só com sua tia e ela, na margem do rio, entre as árvores finas e altas.&lt;br /&gt;Mas a tia é humilde, diz Lúcia a si mesma, tentando salvar seu último afeto. Com certeza, ela não contribuiu, de nenhuma maneira, para que o testamento fosse feito.&lt;br /&gt;Por um instante, decide ficar com a metade da foto. “Amanhã vou comprar um porta-retrato para esta parte,” pensa, quase feliz.&lt;br /&gt;Mas logo muda de idéia e tem um pensamento muito doloroso sobre tia Lina. Pensa que ela vive bajulando todo mundo, tirando casquinhas aqui e acolá, fazendo permanentemente o papel de boa, mas não é sincera. Tudo é fingimento, imagina Lúcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É quando o escritor sente que precisa pôr um ponto final em sua história. Não chegou a inventar o motivo para a separação de Lúcia e seu marido, o motivo grave e secreto que ele sabe que existiu, mas não podia ser revelado a ninguém e ela aceitou a culpa.&lt;br /&gt;E o escritor sente que não disse tudo o que era preciso sobre Lúcia e sua tia. Mas não agüenta continuar, precisa parar.&lt;br /&gt;Dispõe-se, então, a responder à pergunta: Lúcia rasga ou não a fotografia da tia Lina?&lt;br /&gt;Em arquivo separado, ele coloca duas possibilidades.&lt;br /&gt;A) Lúcia conclui que, sejam quais forem os defeitos da sua tia, ela ainda é a coisa mais próxima de uma mãe que conhece. E decide não rasgar a fotografia e continuar retribuindo o amor da Tia Lina.&lt;br /&gt;B) Lúcia decide rasgar a foto. Sua tia estava muito próxima da sua mãe e sabia de tudo. Impossível uma pessoa que a amasse não lhe contar sobre o testamento, talvez ainda a tempo de Lúcia evitar que a crueldade se consumasse.&lt;br /&gt;A decisão do escritor vem inesperadamente rápida. O correto é a possibilidade B, ele conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcia rasga a foto da sua tia e, como fez com a da sua mãe, joga os pedacinhos no saco do lixo.&lt;br /&gt;Todo o seu amor neste mundo tinha sarado, ela sentiu, como uma ferida que cicatriza e não deixa nenhuma dor. Não chorará mais.&lt;br /&gt;Segue para o banheiro, toma um banho, arruma-se para ir trabalhar. É melhor chegar atrasada do que não comparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, nos dias seguintes, Lúcia se movimenta pela vida a fora de maneira aparentemente normal: dorme sem insônia e acorda com coragem para dar um pulo da cama e seguir adiante.&lt;br /&gt;Mas é apenas uma trégua, reflete o escritor. Desacreditar do amor da tia Lina está além da capacidade de Lúcia para suportar.&lt;br /&gt;Sem a tia, só lhe resta aguardar a chegada dos Anjos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos dias depois. Lúcia começa a ver Anjos em toda parte. Anjos imensos e sombrios voam por cima do aglomerado dos prédios de Copacabana; um por um, descem, pousam no peitoril da sua janela e conversam com ela.&lt;br /&gt;Deixou de ir ao trabalho, já não sai mais de casa, sempre esperando por eles.&lt;br /&gt;Quando os anjos não aparecem, ela os invoca, com palavras que não sabe de onde vêm: MEBAHEL, HARIEL, HEKAMIAH!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anjos cabalísticos, com nomes hebraicos, pensa o escritor, acabando de escrever a história que lhe ocorreu hoje.&lt;br /&gt;Mesmo sendo triste.&lt;br /&gt;Está prestes a pedir desculpas, mas não pede.&lt;br /&gt;Apenas pensa: pena que eu não consiga fazer de outro jeito.&lt;br /&gt;Pelo menos, conclui, coloquei anjos nela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4681028323543990350?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4681028323543990350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/toda-verdade-sobre-tia-de-lucia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4681028323543990350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4681028323543990350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/11/toda-verdade-sobre-tia-de-lucia.html' title='TODA A VERDADE SOBRE A TIA DE LÚCIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TPP5wncb8lI/AAAAAAAAASc/5IROyBFhouc/s72-c/anjo4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-2691520446413538772</id><published>2010-10-30T13:49:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T14:05:41.926-07:00</updated><title type='text'>29ª BIENAL DE SÃO PAULO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;COMO A ARTE PODE MUDAR A VIDA?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Sonia Coutinho&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533944482676112530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 206px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyFL9ikfJI/AAAAAAAAARk/usbPu8TxVv4/s320/ffotosonia.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Depois que voltei de São Paulo, várias pessoas me perguntaram: “O que você achou da Bienal?” E respondi: “Adorei.” Sim, vesti a camisa da Bienal. Ou melhor, a camiseta.&lt;br /&gt;Na qual está escrita a pergunta que podem ver na foto: “Como a arte pode mudar a vida?” Os dos 159 artistas com trabalhos expostos no pavilhão Cicilo Matarazzo, no Ibirapuera (em boa parte na casa dos 30, 40 anos), tentam – cada qual à sua maneira – responder a essa pergunta.&lt;br /&gt;Como admitiu o curador Agnaldo Farias, em palestra exclusiva para o grupo de Charles Watson, do qual eu participava, nem todos esses artistas sobreviverão. Mas, no momento, é com eles que estão a pesquisa e a inovação contemporâneas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Agnaldo Farias &lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533944719801868658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 242px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyFZw5wYXI/AAAAAAAAARs/Jei43D6ZfdU/s320/agnaldofarias.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Eles representam o que está acontecendo agora pelo mundo, em matéria de arte. Então, a recomendação é: mantenha a disponibilidade interior e deixe de lado os preconceitos, para poder aceitar e apreciar o que mostram esses artistas.&lt;br /&gt;Não vamos entrar na detestável tendência que as pessoas têm, de só gostar de artistas e escritores mortos. A própria Clarice Lispector estava meio esquecidinha no fim da sua vida. Morava num apartamento modesto no Leme e passava dificuldades financeiras, fazendo um jornalismo tardio, para sobreviver.&lt;br /&gt;Postumamente, Clarice chegou afinal a glória, que, em vida, ela dizia que desprezava.&lt;br /&gt;Se não sabe nada sobre arte contemporânea, vá à Bienal como uma criança – e estará por dentro de tudo. Encontrei muitas crianças por lá - e pareciam divertir-se muito.&lt;br /&gt;Seja qual for a reação do público, posso dizer que, nos quatro dias em que andei por lá, todos os andares da Bienal estavam cheios de gente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Charles Watson&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533945341217320450" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyF972vrgI/AAAAAAAAAR0/j8G6OH6_xd4/s320/charles1.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;É natural uma certa perplexidade diante do que é novo. Eu, aliás, esperava ficar totalmente perplexa. Mas, feliz e até surpresa, não fiquei.&lt;br /&gt;Graças, em boa parte, à minha freqüência, há nada menos de 15 anos, aos cursos da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Vi com quase familiaridade os vídeos, filmes, desenhos, gravuras, colagens, fotografias na bienal.&lt;br /&gt;Tem muita gente, neste momento, acotovelando-se para ver a retrospectiva de Monet, no Grand Palais, em Paris. Mas é bom lembrar a rejeição furiosa com que ele foi recebido, no século XIX, quando expôs no Salon des Réfusés, junto com os outros Impressionistas, recusados pelo Salon oficial.&lt;br /&gt;O novo costuma provocar rejeições imediatas e burras. A pior de que me lembro foi a de Monteiro Lobato, a Anita Malfatti.&lt;br /&gt;Sobre as obras dela, influenciadas pelo Expressionismo já vitorioso na Europa, escreveu Lobato: “mistificação ou paranoia”. Vamos evitar o provincianismo, gente. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Fernando Cocchiarale&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533945864575405458" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 237px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyGcZhCTZI/AAAAAAAAAR8/ZNhb75kRl2U/s320/cocchiarale.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Passei quatro dias em São Paulo e não fui a outro lugar que não à Bienal. Fiquei encantada com uma tão ampla exposição da nova arte, ainda mais com um tema atraente: a relação entre arte e política.&lt;br /&gt;Em quatro dias, não deu para ver tudo, mas o que vi mexeu com minha cabeça. Trouxe o catálogo e continuo lendo-o.&lt;br /&gt;Outra pergunta que me fazem: “E o Nuno Ramos?”Quando cheguei à Bienal, os urubus, graças a Deus, já tinham sido tirados daquela prisão barulhenta e confinada, longe do ar livre.&lt;br /&gt;Comprei há algum tempo o romance “Ó,” do Nuno, premiado com o Telecom. Mas até agora não terminei de ler o livro, que é muito indigesto.&lt;br /&gt;Mas mexeu com a cabeça de muita gente o fato de Nuno Ramos, artista visual, ter ganho o Telecom. A tendência atual é essa mesma, para uma mistura de ofícios. Para não se fechar apenas em um. É hora de interdisciplinaridade, das redes.&lt;br /&gt;Acho que muitos artistas estão, neste momento, testando sua capacidade para lidar com palavras. O que, aliás, historicamente já tem sido feito. Lembrar, de imediato, alguns trabalhos de Picabia, frases escritas na tela. Os Cubistas.&lt;br /&gt;Victor Arruda está com uma exposição assim na Ana Maria Niemeyer.&lt;br /&gt;No próprio catálogo da Bienal, ao pé de cada página, há trechos de obras literárias famosas.&lt;br /&gt;Outra pergunta que me fizeram, na volta de São Paulo: “E o Gil Vicente?” Achei os trabalhos dele antes de mais nada fracos. Franz Manata admitiu, generosamente: “O desenho é bom.” &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Pedro França&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533946872669670258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyHXE9cC3I/AAAAAAAAASM/o9Pc_uk_pGY/s320/pedrofranca2.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Muita coisa na Bienal ninguém identificaria como “política”. Há trabalhos políticos de fato, como os de Cildo Meireles ou Antonio Manuel.&lt;br /&gt;E há outros trabalhos que estão “apenas” no território – outra vez segundo o curador Agnaldo Farias - da política da arte, isto entendido, acredito, como “inovação contemporânea.”&lt;br /&gt;Há um trabalho de Kosuth de que gostei muito. Quatro verbetes de dicionário, correspondentes a norte, sul, leste e oeste, cada um montado numa placa metálica. Abre-se diante de você, em sua cabeça, uma imensa extensão geográfica - é poético.&lt;br /&gt;Explica alguma coisa falar de “conceitual contemporâneo”, em relação à Bienal?&lt;br /&gt;Penetramos num “ninho” de Hélio Oiticica. O percurso do pioneiro Hélio é esclarecedor quanto ao que temos hoje em arte.&lt;br /&gt;A pintura e a escultura “expandidas”, saindo da tela e da materialidade. A ideia de “beleza” mudou muito. A ideia de “contemplação” caiu, substituída pela idéia de “interatividade.”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Charles &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;e Cocchiarale&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533946313295928242" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 252px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyG2hIWG7I/AAAAAAAAASE/tpupbXXObNw/s320/charlescocchiarale.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Tive companhia “da pesada” porque fui visitar a Bienal com um dos grupos do competente e sério Charles Watson (Charles é tão sério que às vezes parece mal-humorado, mas adivinho que ele tem muito humor escocês).&lt;br /&gt;Quando menciono companhia “da pesada”, refiro-me, além do próprio Charles, sobretudo ao brilhante professor e curador Fernando Cocchiarale e ao simpático Pedro França (25 anos), professor de História da Arte na EAV.&lt;br /&gt;Mas acabei, a maior parte do tempo, vagando sozinha pelos meandros da Bienal. Sou meio avessa a grupos – e a ficar em pé, ou sentada no chão, durante 12 horas por dia, ouvindo aulas, como meus companheiros fizeram.&lt;br /&gt;Não podendo falar de tudo o que vi, separo, neste momento, umas coisinhas, ao acaso.Destaque para a obra dos brasileiros já “históricos”, vivos ou mortos, como Flávio de Carvalho, Hélio Oiticica, Carlos Vergara, Cildo Meireles, Antonio Dias, Lygia Pape (está lá aquele trabalho lindo dela, o imenso pano branco do qual emergem cabeças, e que foi apresentado ainda nos anos 70).&lt;br /&gt;E, numa escolha caprichosa, casual, digo que adorei o trabalho de um artista belga nascido em 1969, David Claerbout, que lida muito poeticamente com o tempo, numa conjugação de fotografia/vídeo/música chamada “The Algiers’ Sections of a Happy Moment.”&lt;br /&gt;Ao som de música, vemos um grupo de rapazes numa espécie de pátio, em Argel, alimenta gaivotas que descem para comer nas mãos deles. Linda, a expressão dos seus rostos, o voo dos pássaros. Claerbout focaliza a luz mutável, denunciando a passagem do tempo.&lt;br /&gt;Ele quer questionar, como disse numa entrevista que li na web, “a substância do tempo.”&lt;br /&gt;Pintava desde os sete anos de idade. Mais tarde, deixou a pintura pela fotografia e o filme, porque acha, partindo para o conceitual, que “a arte não deve consistir apenas de objetos”. Ele mora e trabalha em Antuérpia e em Berlim.&lt;br /&gt;E meu olhar ainda algo nostálgico da pintura em tela bateu nos trabalhos de Rodrigo Lacerda, grandes e belas telas escuras com pontos muito coloridos, perto da entrada.&lt;br /&gt;E nos trabalhos de um negro nascido em Bournemouth, Inglaterra – Kimathi Donkor.&lt;br /&gt;Qual origem da sua família? Não consegui descobrir, nem no catálogo nem na Internet. Mas, pelo tema de algumas das suas telas, acho que ele é de origem haitiana.&lt;br /&gt;Na obra de Kimathi, que vi na web, em telas não expostas na Bienal, ele lida com questões raciais e representa a escravização dos negros no Haiti.&lt;br /&gt;Na Bienal, Kimathi apresenta uma tela sobre a morte do brasileiro Jean Charles, no metrô de Londres. As obras dele são vistosas e com um leve toque surreal, ou “ingênuo”.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-2691520446413538772?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/2691520446413538772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/29-bienal-de-sao-paulo.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2691520446413538772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2691520446413538772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/29-bienal-de-sao-paulo.html' title='29ª BIENAL DE SÃO PAULO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyFL9ikfJI/AAAAAAAAARk/usbPu8TxVv4/s72-c/ffotosonia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-5997727604187505785</id><published>2010-10-30T13:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T13:48:40.617-07:00</updated><title type='text'>MINICONTOS DE SONIA COUTINHO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;QUATRO TEMPOS&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Tela de Garouste&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533943543651497170" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 270px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyEVTZp9NI/AAAAAAAAARc/flXRG2s47H0/s320/garousteilustsonia.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os dois tomaram o trem em Frankfurt.&lt;br /&gt;Pessoas acenaram calorosamente da plataforma, em despedida, como nunca mais ninguém acenara para ela, em sua vida. Eles acenaram em resposta, por trás do vidro da janela.&lt;br /&gt;O trem seguiu pela margem do Reno e viram castelos muito antigos em cima das colinas.&lt;br /&gt;Ela começou a falar sem parar, enquanto ele ouvia, gentilmente.&lt;br /&gt;Era um homem muito gentil.&lt;br /&gt;E ela era jovem e bonita, sabia que podia falar o quanto quisesse e seria aceita.&lt;br /&gt;Quando chegaram a Colônia, havia outras pessoas da organização à espera deles, na estação.&lt;br /&gt;Uma recepção muito amistosa, não sabia que nunca mais seria recebida assim.&lt;br /&gt;Devia ser tudo para o homem gentil que a acompanhava, e não para ela, conclui agora.&lt;br /&gt;Aquele homem tão gentil e inteligente que, depois da viagem, ela nunca mais viu.&lt;br /&gt;Mas, na ocasião, não lhe ocorreu disso.&lt;br /&gt;Apenas apertou com força as mãos estendidas.&lt;br /&gt;E, de repente, erguendo os olhos para o teto de vidro da estação ferroviária, viu uma torre da Catedral de Colônia.&lt;br /&gt;Então começou a rir, gargalhava com a boca bem aberta, sem tentar esconder, como habitualmente fazia, seus dentes ligeiramente tortos.&lt;br /&gt;“Foi um dos momentos mais felizes da minha vida,” ela conta, vinte anos depois.&lt;br /&gt;De uma vida que, a partir dali, teve poucos momentos assim, ela pensa.&lt;br /&gt;Mas não diz.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Desde pequena conheci a violência, fala a mulher. E ela fica ouvindo.&lt;br /&gt;A mulher continua a falar.&lt;br /&gt;E diz que, até recentemente, não pensava naquilo como violência. Não sabia definir o que tinha acontecido com ela.&lt;br /&gt;Muitas vezes até duvidava que fosse verdade, achava que era tudo imaginação sua. Depois que conversou com uma psicanalista, passou a acreditar.&lt;br /&gt;Mas a pressão em torno era muito forte para que esquecesse tudo, minimizasse. Algumas vezes foi interrompida, quando tentou revelar.&lt;br /&gt;Termina dizendo, com voz abafada, que o homem, afinal, era seu próprio pai.&lt;br /&gt;E ela pensa: essa mulher nunca superará isso, o impacto é forte demais, insuportável.&lt;br /&gt;Ela sabe muito bem como é.&lt;br /&gt;Não se sente capaz de ouvir mais nada do que a mulher tem para dizer.&lt;br /&gt;E novamente se levanta, novamente vai embora.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;O período em que ela ia frequentemente a Petrópolis, quase sempre sozinha.&lt;br /&gt;Seu caso com Marcel tinha terminado.&lt;br /&gt;E, no apartamento minúsculo que comprara através dele, a solidão a impedia de dormir.&lt;br /&gt;Marcel, o dono de uma imobiliária lá. O primeiro homem lindo da sua vida.&lt;br /&gt;Mas, como descobriu um pouco mais tarde, muito bem casado. Uma mulher rica, dois filhos.&lt;br /&gt;Quando comprou o apartamento em Petrópolis, o caso já terminara, mas ela ainda amava Marcel.&lt;br /&gt;(Amor, a palavra é um luxo antiquado, pensa. Mas só saberia usar essa, com relação a ele.)&lt;br /&gt;O pequeno apartamento estava caindo aos pedaços, mas Marcel prometeu ajudar na reforma. Deixou-se influenciar, comprou.&lt;br /&gt;E tudo foi trocado no apartamento, que ficou com um piso de lajotas brancas, paredes pintadas de branco. Colocou dentro dele móveis bem coloridos, que comprou no Rio e mandou entregar lá.&lt;br /&gt;Levou também um pequeno aparelho de som. Ouvia Frank Sinatra cantar “Stranger in the Night.” E Ray Charles, “Georgia on My Mind.”&lt;br /&gt;Mas, depois que escurecia, a solidão a impedia de dormir.&lt;br /&gt;Então, passou a subir para Petrópolis, ficar lá apenas durante o dia, e descer antes de escurecer.&lt;br /&gt;Mesmo assim, gostava. Quando vendeu o apartamento foi que percebeu o quanto.&lt;br /&gt;Suas longas caminhadas através do ar transparente e frio, o céu azul do inverno na serra.&lt;br /&gt;Foi obrigada a vender o apartamento porque estava sem dinheiro. E, embora não o visse há muito tempo, ligou para Marcel.&lt;br /&gt;A venda foi às pressas, muito abaixo do preço. Quem sabe ele recebeu alguma coisa por fora, pensou depois.&lt;br /&gt;Perdeu Petrópolis e suas ilusões sobre Marcel.&lt;br /&gt;Mesmo assim, teria perdoado tudo, se não fosse o quadro. Sim, o quadro que ela pintou e deixou pendurado na parede do apartamento.&lt;br /&gt;Tinha trabalhado a tela a partir de esboços que fez lá em Petrópolis, na Praça da Liberdade, diante do chafariz de mil esguichos.&lt;br /&gt;Disse a Marcel que ele podia ficar com os móveis, fazer com eles o que quisesse.&lt;br /&gt;Mas o quadro, o melhor que já pintara em sua vida, o quadro como jamais pintaria igual, ela queria. E ele não devolveu.&lt;br /&gt;Telefonou para seu escritório, para seu celular, não teve mais resposta.&lt;br /&gt;Não chorou quando seus pais morreram. Não chora por seu dinheiro tão curto.&lt;br /&gt;Mas agora, lembrando o quadro, ela se vira de bruços na cama e explode em prantos, com a cara enfiada no travesseiro, como uma criança.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Sempre se surpreende com as transformações causadas pela passagem do tempo. Um processo que sua mente não consegue apreender.&lt;br /&gt;Na véspera, ficara de joelhos no chão, para procurar um anel que rolou para debaixo da sua cama - e quase não conseguiu ficar em pé outra vez. Teve de fazer muita força, o corpo todo doendo.&lt;br /&gt;Dias antes, tentara subir numa cadeira, para tirar a mala da parte de cima do armário, e quase desabou, as pernas não queriam endireitar-se.&lt;br /&gt;Antes, a mudança parecia mais lenta, agora tem a impressão de que se acelerou.&lt;br /&gt;Recusa a frase dramática que lhe vem à cabeça: “Estou muito velha.”&lt;br /&gt;Faz força para pensar que, apesar do desgaste físico, há a compensação de ter adquirido outro tipo de conhecimento da vida, uma nova lucidez.&lt;br /&gt;Mas não consegue acreditar nisso.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-5997727604187505785?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/5997727604187505785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/minicontos-de-sonia-coutinho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/5997727604187505785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/5997727604187505785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/minicontos-de-sonia-coutinho.html' title='MINICONTOS DE SONIA COUTINHO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyEVTZp9NI/AAAAAAAAARc/flXRG2s47H0/s72-c/garousteilustsonia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4742819425453004329</id><published>2010-10-30T13:21:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T13:45:17.694-07:00</updated><title type='text'>TRÊS MULHERES EM DESTAQUE</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;CRISTINA BAHIENSE&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533939188746623378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 182px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyAX0HbGZI/AAAAAAAAAQs/BeUszZW6A_Q/s320/cristinafotoo2.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O projeto que a artista visual Cristina Bahiense enviou para o Centro Cultural da Justiça Federal foi aprovado e ela exporá seus trabalhos lá no ano que vem.&lt;br /&gt;Cristina foi minha colega em dois cursos teóricos, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage: Teorias da Arte, com Fernando Cocchiarale, e Arte como conhecimento, com Franz Manata.&lt;br /&gt;Cristina participou da primeira e célebre exposição que a chamada Geração Oitenta fez no Parque Lage em 1984, com curadoria de Marcos Lontra.&lt;br /&gt;E continua a trabalhar, agora com peças em 3D, usando acrílico e folha de alumínio. Mas também faz colagens.&lt;br /&gt;Cristina me mostrou fotos de algumas das suas colagens e pedi que me enviasse uma, para o Sidarta. Ela enviou também um dos seus trabalhos em folha de alumínio.&lt;br /&gt;Além de fotos rasgadas e coladas, ela usa, nesta colagem, uma fita do mesmo material, superposta e também colada.&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533940430777024546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 249px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyBgHCjACI/AAAAAAAAAQ8/OzKqGpkIRf0/s320/serie+transit%C3%B3rio+1+Estudio+Lupa+045.jpg" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533939891480430402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 229px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyBAuAOB0I/AAAAAAAAAQ0/jwcaxe8cvQI/s320/4+movimentos+008.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Pergunta a Cristina : Pode dizer algumas palavras sobre seu processo criativo? Como é que você utiliza desenho e colagem?&lt;br /&gt;Resposta: O desenho funciona como um projeto onde o pensamento plástico se estrutura; nas colagens, esse pensamento é executado, mas de forma sempre sempre aberta às novas descobertas. Os materiais industriais que uso, como telas plásticas, tecidos, folhas transparentes em acrílico, etc, dialogam com meu processo criativo, muitas vezes sugerindo os caminhos a tomar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dados recentes do currículo de Cristina Bahiense:&lt;br /&gt;2010 - Projeto Zona Oculta – “Entre o público e o privado”.&lt;br /&gt;Coletiva no CEDIM, SESC (Rio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2009 - Percursos - individual Galeria do Centro Cultural IBEU - RJ.&lt;br /&gt;- Fotolaje – EAV – Projeto Foto Rio 2009&lt;br /&gt;- Construct.com - coletiva do Centro Cultural Candido Mendes - Centro RJ&lt;br /&gt;- Curso de Arte Contemporânea – Fernando Cocchiarale – P.O.P&lt;br /&gt;- Curso Teorias da Arte - Fernando Cocchiarale - EAV&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2008 – Superfícies Latinas - individual no SESC Teresópolis – RJ.&lt;br /&gt;- Curso de Arte Contemporânea – Paulo Sérgio Duarte – P.O.P&lt;br /&gt;Passagens e Persistências&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2007 – Novíssimos 2007 - Galeria IBEU – Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;URÂNIA TOURINHO PERES&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533940878139817954" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 210px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyB6JmJf-I/AAAAAAAAARE/Dc6Vd_WJ8Sg/s320/uraniafoto1.jpg" border="0" /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Urania com Emilio Rodrigué&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fui colega de escola de Urânia, hoje uma conceituada psicanalista baiana, mas passamos muito tempo sem contato. Recentemente, nos reaproximamos. E verifiquei que ela continua em plena ação, muito jovem.&lt;br /&gt;Não era nada comum, para as moças da nossa geração, apostar com tanto empenho numa atividade profissional. Mas Urânia fez isso – e o resultado é uma atuação profissional competente e reconhecida, que inclui a organização de seminários, palestras em várias cidades e a publicação de diversos livros.&lt;br /&gt;Urânia me deu alguns deles. “Frida Kahlo: dor e arte” (Colégio de Psicanálise da Bahia, Coleção Memorar), reune artigos sobre a saga de sofrimentos de Frida, sob a ótica psicanalítica. Outro, “Depressão e melancolia”, da série “Psicanálise passo a passo”, da Editora Zahar, aborda de forma bem pessoal o tema indicado pelo título.&lt;br /&gt;Ela organizou também um livro com ensaios sobre seu grande amigo, o psicanalista argentino Emilio Rodrigué, que foi morar em Salvador e lá teve uma atuação muito admirada e influente.&lt;br /&gt;Rodrigué morreu há poucos anos.&lt;br /&gt;Diz Urânia, em depoimento sobre ele:&lt;br /&gt;“O destino trouxe Emilio à Bahia, onde viveu o período de maior riqueza afetiva e intelectual. Ele disse: ‘Acho que a Bahia me tornou um homem notável e estou pensando em termos de sabedoria. Foi aqui que, seguindo o Eclesiastes, começou a hora da colheita. A Bahia foi o tempo de colher os frutos’. Emilio amou Salvador-Bahia como poucos amantes sabem fazê-lo: intensa e fielmente. Para ele, a sua vida dividiu-se entre um antes e um depois, e ele confessou que um sussurro vindo da boca do mar de Ondina disse-lhe: ‘Fique aqui!’ E ele ficou.”&lt;br /&gt;Urânia é casada com o poeta Fernando da Rocha Peres, membro da famosa Geração Mapa, que incluiu, entre outros, o cineasta Glauber Rocha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SONIA PEÇANHA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533942291673779938" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 220px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyDMba6DuI/AAAAAAAAARU/5GcY-JWEjnw/s320/soniapecanhafoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Penso sempre em Sonia Peçanha com carinho especial porque, alguns anos atrás, ela foi minha aluna numa oficina literária, de curta duração.&lt;br /&gt;Sonia, junto com Alexandre Brandão, Cristina Zarur, Marilena Moraes, Miriam Mambrini, Nilma Lacerda e Vânia Osório estão em “Amores vagos”, recém-lançada coletânea de contos.&lt;br /&gt;O livro é uma celebração. Antes de mais nada, da própria literatura. Mas também dos 25 anos de um grupo de criação literária formado pelos autores, o “Estilingues”. &lt;a href="http://estilingues.wordpress.com/"&gt;http://estilingues.wordpress.com/&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A orelha de “Amores vagos” é de Luiz Ruffatto, que diz: ...“Desse encontro... nasceu uma grande amizade, edificada em interesses comuns e admiração mútua. Vencendo as vicissitudes dos dias – e foram tempos difíceis, e foram tempos complicados -, eles mantiveram-se unidos e lá se vão 25 anos! Em 1991, publicaram ‘A palavra em construção’, a primeira coletânea a reunir os contos do grupo, do qual ‘Amores vagos’ é desdobramento e coroamento. O leitor perceberá, neste livro, que, embora não necessariamente comunguem ideias estéticas (afinal, distante está a época das ‘profissões de fé’), podemos detectar alguns procedimentos convergentes, como a preponderância do espaço urbano, o realismo da narrativa, a linguagem coloquial. ‘Amores vagos’, enfim, é uma declaração de princípios, que tem como corolário a reafirmação da literatura e a reafirmação da amizade num mundo que vem refutando uma e menosprezando a outra. E é também um convite: um convite para que nós, leitores, partilhemos esse momento de trégua e reflexão.’” O volume, de 141 páginas, foi publicado pela Editora Alternativa, de Niteroi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4742819425453004329?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4742819425453004329/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/tres-mulheres-em-destaque.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4742819425453004329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4742819425453004329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/tres-mulheres-em-destaque.html' title='TRÊS MULHERES EM DESTAQUE'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMyAX0HbGZI/AAAAAAAAAQs/BeUszZW6A_Q/s72-c/cristinafotoo2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-2219342232112767976</id><published>2010-10-30T13:15:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T13:20:59.920-07:00</updated><title type='text'>COMENTÁRIOS CRÍTICOS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;MÁRCIA DENSER&lt;/strong&gt;,&lt;br /&gt;sobre “Atire em Sofia”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533935736155662162" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 289px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMx9O2Nl51I/AAAAAAAAAQc/nwDUwh6rDYc/s320/marciadenser.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Prosa em dolby&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Atire em Sofia,” o primeiro romance de Sonia Coutinho, é um livro definitivo. Com um estilo aprimorado ao longo de cinco livros (O último verão de Copacabana, Venenos de Lucrécia, Uma certa felicidade, O jogo de Ifá, Nascimento de uma mulher), a contista traduzida na Alemanha e jornalista de O Globo dá o salto qualitativo.&lt;br /&gt;A exemplo de outros escritores da década de 70, Sonia Coutinho está fazendo prosa de sistema dolby: dois canais de linguagens superpostas, cujas associações subliminais soam como música. Através desta técnica de linguagem, a autora corta fundo e de forma indolor, expondo o funcionamento dos mecanismos da estrutura do poder pelo lado de dentro.Dentro de nós. O opressor está aqui dentro. Desconsiderá-lo é crime de lesa humanidade.&lt;br /&gt;O sistema dolby envolve o leitor pelo sentimento, sem exigir referencial de leitura. Naturalmente, quanto mais amplo o referencial, mais o texto se amplia. É a tecnologia do futuro em literatura.&lt;br /&gt;A narrativa do romance insinua-se como um ritual encantatório, ao som dos atabaques do candomblé, trechos de ópera mesclados com versos metálicos da Iron Maiden, a poesia de Homero, frases de jazz, rezas, esconjuros, fundindo-se numa sinfonia profana de maldições. Minando por baixo, despertando criptominésias (memórias sepultadas no inconsciente coletivo), começa o deslocamento no tempo e no espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estrutura do romance é uma construção “em abismo” em três níveis. Maravilhas da ficção. Chega-se a uma Salvador mítica, semelhante a Alexandria, Tanger ou Gaza. Depois de 20 anos de ausência e com olhos de quem já viu tudo, a jornalista Sofia do Rosário volta à terra natal e descobre uma cidade arcaica onde o tempo é circular, encruzilhada de raças pecados inconfessáveis, preconceitos. Terceiro Mundo.&lt;br /&gt;Neste verão, retorna João Paulo, outro jornalista, viciado em uísque, jazz e Scott Fitzgerald. Um anjo exterminador que decola em Salvador para escrev3er a história de Laura Luedi, ex-miss assassinada num hotel de luxo em Copacabana. Ele delira: “Me chame de Stingo, o apelido pelo qual eu era conhecido naquele tempo, se é que alguém me conhecia.” Contudo, nesta zona fora do tempo, os deuses impiedosos castigam os anjos arrogantes que os desafiam.&lt;br /&gt;A punição chama-se Moira, o destino cego. De fato. É um erro subestimar os “deuses” ou os opressores internos. O que ocorre entre Sofia e João Paulo é um duplo equívoco por sobre seus ombros e à revelia de ambos: “Num gesto rápido, cobre a arma com travesseiro e diz: Que sensação esquisita. Estou dividido em dois. Há um que age e outro observa, lá em cima. Este me ordena ‘Atire na miss.’” É o tênue limite entre o sublime e o ridículo, contudo é neste fio de navalha que se desenrola toda a tragédia humana – esta comédia de erros. É a boa ficção de Sonia Coutinho. Mesmo porque não se trata da questão bizantina homem/mulher. O buraco é mais embaixo: o indivíduo. É ele quem morre, é ele quem mata. Enquanto os demônios no porão continuam donos da casa. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Resenha da primeira edição do “Atire em Sofia”, na revista “Isto é”&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CLAUDIUS PORTUGAL&lt;/strong&gt;,&lt;br /&gt;sobre “Uma certa felicidade”&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533936206457990962" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMx9qOOZ7zI/AAAAAAAAAQk/0TdTnvWUjwU/s320/fotoclaudius.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O sonho de todo autor&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores sonhos de todo autor é ter toda a sua obra publicada por uma mesma casa editorial. E isto é o que está acontecendo com a romancista e contista baiana Sonia Coutinho. A editora 7 Letras, com a publicação de “Uma certa felicidade”, fecha o ciclo de edições de todos os livros de contos dessa escritora, nascida em Itabuna, mas residindo no Rio de Janeiro há muitos anos, e também jornalista e tradutora. “Uma certa felicidade”, agora na terceira edição revista e ampliada, com mais um conto, teve sua primeira edição em 1976. São ao todo oito histórias.&lt;br /&gt;Histórias que tratam de temas como a deste início do conto “Essas tardes de maio”:&lt;br /&gt;“ É sinistro um apartamento solitário de noite, ainda mais com o telefone mudo. E para quem poderia eu telefonar, a esta hora? Rodrigo não tem celular, ligar para o seu telefone fixo é impossível, a mulher dele pode atender. Ele ficou de vir, mas até agora não apareceu.&lt;br /&gt;Vou até a cozinha, dou outra olhada no relógio de parede, já são onze e meia. Agora, no banheiro, diante do espelho, retoco mais uma vez, - inutilmente, eu sei – a maquilagem.&lt;br /&gt;Fumo outro cigarro, vou à janela do quarto – e espio, amedrontada, a intransponível muralha de concreto, com seus quadrados já apagados, os prédios de repente imensos erguendo-se silenciosos no escuro, como árvores gigantescas de uma floresta toda metal e cimento, nenhuma umidade ou frescor, estranho mecanismo adormecido, Copacabana.”&lt;br /&gt;Em “Uma certa felicidade,” Sonia Coutinho descreve com originalidade e criatividade o universo feminino da solidão, da necessidade financeira, do mundo do trabalho e das dificuldades em uma cidade grande, nos seus movimentos onde pequenos e novos detalhes se incorporam ao cotidiano, onde personagens aparecem e somem, deixando apenas marcas e lembranças. São as mulheres de hoje e de sempre, com seus enigmas, seus amores, suas histórias de vida.&lt;br /&gt;Autora de seis livros de contos, quatro romances e um livro de ensaio, e tendo recebido prêmios como o Jabuti em 1979 e 1999m e o prêmio Clarice Lispector de Conto, da Biblioteca Nacional, em 2006, e participado de inúmeras antologias no Brasil e no exterior, Sonia Coutinho é hoje uma das mais importantes escritoras que temos no Brasil. Sua obra como contista, agora ao alcance de todos, pode finalmente ser lida. Com isto, a Bahia, sua terra, pode finalmente conhecer e admirar esta escritora. Nunca é tarde, sempre dizemos. &lt;p&gt;&lt;em&gt;Este texto de Claudius foi lido recentemente em seu programa numa rádio de Salvador&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-2219342232112767976?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/2219342232112767976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/comentarios-criticos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2219342232112767976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2219342232112767976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/comentarios-criticos.html' title='COMENTÁRIOS CRÍTICOS'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMx9O2Nl51I/AAAAAAAAAQc/nwDUwh6rDYc/s72-c/marciadenser.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-7254455484608065660</id><published>2010-10-30T13:09:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T13:15:06.728-07:00</updated><title type='text'>POESIA - BAHIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;WLADIMIR SALDANHA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533934382992888050" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 266px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMx8AFSckPI/AAAAAAAAAQM/tScir72vbmg/s320/wladimir.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;REGISTRO GERAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número é o mesmo, desde o dia&lt;br /&gt;em que o recebi, sem questionar.&lt;br /&gt;Meu número: sem numerologia,&lt;br /&gt;grudou-se, grudou-se em mim! Sorte? Azar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Sei que me lembro das mãos pretas&lt;br /&gt;com que fiquei, tão sujas!, pra deixar&lt;br /&gt;as minhas digitais nas tabuletas&lt;br /&gt;e que não foi “poeta” – ao perguntar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a profissão, o que lhe declarei&lt;br /&gt;- àquela, também ela, funcionária...&lt;br /&gt;E lá estou... Aguardo Wladimir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o novo, numerado, menos pária!&lt;br /&gt;Aquele que não vem, mas o que hei&lt;br /&gt;de ser quando depois chegar a vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÁGUA-VIVA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Difícil é saber&lt;br /&gt;o que, sendo translúcido,&lt;br /&gt;é ácido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que, sendo flébil,&lt;br /&gt;é açoite&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que, sendo nado,&lt;br /&gt;bruxuleia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque, sendo nada,&lt;br /&gt;é vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Wladimir é contista e poeta. Formado em Direito pela UFBA, atua profissionalmente na área jurídica, como analista judiciário.Tem Mestrado em Teoria Literária pelo Instituto de Letras da UFBA, com dissertação sobre a obra de Jorge Amado. Cursa atualmente o Doutorado em Letras no mesmo Instituto, com tese sobre a obra de Lêdo Ivo.Tem, inéditos, os livros “Pequenas Avarias” (contos), “Fardo Sutil” (poesia) e “Pesca e Pronúncia” (poesia).Participou das coletâneas “Poetas na surrealidade em Estremoz”, publicada pela Câmara Municipal de Estremoz (Portugal, 2007) e “DiVersos − Poesia e Tradução” (Águas Santas, Portugal, 2008). Outros poemas seus foram publicados na “Revista Iararana”, de Salvador (2000) e no jornal “A Tarde Cultural” (2000 e 2007). Tem contos na internet.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SILVÉRIO DUQUE&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5533934644261218114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMx8PSlq50I/AAAAAAAAAQU/bXHRpMSuHnQ/s320/silveriofoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;E o que adoro em ti é tua carne,&lt;br /&gt;porque tudo o que é vivo se deseja;&lt;br /&gt;assim, desejo em ti o meu tormento&lt;br /&gt;que há-de crescer na proporção do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu almejo em ti é tua sombra,&lt;br /&gt;pois toda boca habita as mesas vozes&lt;br /&gt;que hão-de tecer com gritos o teu nome&lt;br /&gt;na tarde azul tragada pela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo o teu rosto como se existisse&lt;br /&gt;algum lugar pr’além do Precipício,&lt;br /&gt;e, junto ao gosto de teu lábio esquivo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma palavra, sobrescrita em sangue,&lt;br /&gt;há-de adornar o verso em que eu me esqueço,&lt;br /&gt;e há-de extirpar, do amor, a fúria imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sabes tu dos frutos, das sementes,&lt;br /&gt;da dureza das flores contra o vento?&lt;br /&gt;A aurora vem tragar a noite espessa&lt;br /&gt;de onde brotou, sem dores, o teu grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a afirmação do amor nos aborrece,&lt;br /&gt;Morrer é mera vocação dos vivos,&lt;br /&gt;pois no morrer de tudo há um recomeço.&lt;br /&gt;Não queiras mal ao tempo ou ao espanto;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não queiras mal ao grão, à terra escura...&lt;br /&gt;Que sabes tu das trevas ou da carne?&lt;br /&gt;Que sabes tu das noites, dos princípios?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, é chegado o tempo dos retornos&lt;br /&gt;e toda forma espera o seu ofício&lt;br /&gt;como o vaso existente todo o barro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Silvério nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 1978. Trabalhou como desenhista, restaurador e ajudante de mecânico, antes de descobrir sua vocação, o magistério. Diplomou-se em Letras Vernáculas na Universidade Estadual de Feira de Santana. Sua primeira paixão foi a música. Ainda menino, foi clarinetista de duas Bandas Filarmônicas, na cidade de Tanquinho. Em Feira de Santana, foi coordenador de uma escola de música. Seu primeiro livro foi “O crânio dos peixes” (Edições MAC/2002), seguindo-se “Baladas e outros aportes de viagem” (Edições Pirapuama/2006). Participou de concursos literários (ganhou alguns prêmios) e antologias, e vem colaborando com periódicos, bienais e em vários projetos musicais. “A pele de Esaú” (Ed. Via Literarum/ 2010), de onde foram tirados os poemas a seguir, é seu livro mais recente. Mas ele já tem outro no prelo, “Ciranda de sombras”.Sobre “A pele de Esaú,” escreve Ildásio Tavares: “Neste meridiano da perda e da rejeição, na figura de um Esaú destituído de seu destino, Silvério elabora uma intricada associação de sentimento e pensamento, buscando a verticalidade de personagens que se multiplicam porque se querem fundir em um só. Afinal, o drama de degredo e aparte que sofre Esaú é de todo ser humano, anjo caído que, um dia, se afastou da presença de Deus. E toda odisséia que Esaú tem que executar, na busca de si mesmo, pode-se configurar em seus aspectos trágicos e cada poema desse livro, pois, discorre sobre um jaez da personalidade humana com este suporte analógico, na verdade.”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-7254455484608065660?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/7254455484608065660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/poesia-bahia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7254455484608065660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7254455484608065660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/10/poesia-bahia.html' title='POESIA - BAHIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TMx8AFSckPI/AAAAAAAAAQM/tScir72vbmg/s72-c/wladimir.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-737321334602141750</id><published>2010-09-09T14:52:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T15:06:22.750-07:00</updated><title type='text'>SONIA COUTINHO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;Tela de Adriana Cangalaya&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TIlaBG6PB4I/AAAAAAAAAQE/LDHA-SSKY34/s1600/!cid_C67C5148-EBC1-4BF1-9665-6455A80712BC.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515038193773119362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 314px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TIlaBG6PB4I/AAAAAAAAAQE/LDHA-SSKY34/s320/!cid_C67C5148-EBC1-4BF1-9665-6455A80712BC.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A PAIXÃO DA MULHER BARBADA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Vou contar, Solange.&lt;br /&gt;Uma história de imensas improbabilidades.&lt;br /&gt;Digamos que alguém viaja para Lhasa e, dentro do Potala, encontra um amigo que não via no Rio há mais de vinte anos.&lt;br /&gt;Nenhum dos dois esperara jamais ir ao Tibete mas, por motivos inteiramente inesperados e casuais, acabaram indo.&lt;br /&gt;Os amigos passam a imaginar que existe algum tipo de elo misterioso unindo suas vidas. Que um golpe inesperado do destino, atingindo ambos, será desferido a qualquer momento.&lt;br /&gt;Então, quando voltam para o Rio, telefonam-se regularmente durante anos, aguardando com temor o Acontecimento Apocalíptico.&lt;br /&gt;a)Até que uma Coisa Incrível acontece.&lt;br /&gt;b) Até que nada acontece, nunca.&lt;br /&gt;É mais ou menos assim, Solange, a história da Mulher Barbada e do Trapezista do Outro Circo.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Talita e Jancsi, assim se chamam.&lt;br /&gt;(Ela me explicou: soa Iante, mas se escreve Jancsi, a família dele é húngara, embora eles morem há muitos anos em Bhagsu, uma vila perto de Dharamsala, onde está refugiado o Dalai Lama.)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um homem, uma mulher. Uma separação e um reencontro, muitos anos depois.&lt;br /&gt;Sim, a mesma história. A que conto sempre.&lt;br /&gt;Mas cada dia os personagens usam máscaras e fantasias diferentes.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;+++&lt;br /&gt;O dia começou com a voz de Adriana Calcanhoto cantando no rádio.&lt;br /&gt;“Com o que será que sonha/ A mulher barbada?/ Será que no sonho ela salta, como a trapezista?/ Será que sonhando se arrisca/ Como um domador?/ Vai ver ela só tira a máscara/Como o palhaço.&lt;br /&gt;O que será que tem/ O que será que hein?/ O que será que tem a perder/ A mulher barbada?”&lt;br /&gt;E, às nove em ponto, Talita tocou a campainha. Abri a porta e viemos para este quartinho onde boto cartas. Ela se sentou onde você está, à minha frente.&lt;br /&gt;E agora faço um jogo, Solange, para me inspirar. Uma a uma, coloco entre nós, em cima da mesa, cinco cartas do meu Tarô formando uma cruz.&lt;br /&gt;A Força. O Enforcado. A Lua. Os amorosos.&lt;br /&gt;A quinta carta, a ser posta no centro da cruz, quando a vejo me assusta: A Roda da Fortuna.&lt;br /&gt;Mas não se preocupe, Solange. Não estou lendo sua sorte, sei que você não gosta.&lt;br /&gt;É apenas uma brincadeira.&lt;br /&gt;Através dessa janela, vi os pombos voarem entre as muralhas de prédios, num ameno céu de setembro, em Copacabana.&lt;br /&gt;E arrumei na mesa as cartas do Tarô, enquanto Talita me contava que se apresentara, durante anos, como mulher barbada de um circo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Mas nada, em sua aparência naquele momento, deixava adivinhar isso.&lt;br /&gt;Ela era como o resto das minhas clientes: uma mulher de classe média, meia-idade, bem vestida. Nenhuma barba visível. Nem feia nem bonita, talvez um pouco gorda.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Sempre amei o Tarô, Solange, mas nunca imaginei que fosse virar uma fonte de renda indispensável para mim.&lt;br /&gt;Eu era professora, você sabe, mas me aposentei ainda jovem. E, em vez de dar cursos particulares, como minhas amigas sugeriam, virei cartomante.&lt;br /&gt;No começo, jogava cartas de graça, para conhecidos. Hoje, cobro de todo mundo, sem constrangimento, virei profissional.&lt;br /&gt;E fico sabendo da vida de muita gente, principalmente de mulheres.&lt;br /&gt;Como Talita.&lt;br /&gt;Nunca ligo o rádio do meu aparelho de som, mas naquele dia liguei. “Mulher barbada”, cantou Adriana Calcanhoto.&lt;br /&gt;E a música atingiu profundamente alguma coisa dentro de mim. De primeira, registrei mentalmente, cada palavra da letra.&lt;br /&gt;Pouco depois que a Calcanhoto acabou de cantar, fui ociosamente até minha estante, tirei um livro qualquer e o abri ao acaso.&lt;br /&gt;Era um volume das obras completas de Kafka e na página aberta estava um conto que amo, “Um artista do trapézio.”&lt;br /&gt;Pouco depois, quando conversei com Talita e ela me contou que fora mulher barbada e amava um trapezista, senti um calafrio. A música, o conto, de Kafka, eram prenúncios, pensei. Mas do quê?&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Talita veio aqui porque queria saber se, algum dia, o Trapezista Jancsi voltaria ao Brasil, como lhe dissera em muitos dos e-mails que lhe mandara.&lt;br /&gt;Ou, pelo menos, queria saber se ele voltaria para Paris, onde ela o conhecera, muitos anos antes.&lt;br /&gt;Estava preocupada porque, na véspera, recebera um e-mail no qual ele contava que se afastara do seu circo e voltara para o vilarejo hindu onde nasceu.&lt;br /&gt;Demitido do circo? Aposentado? Talita não sabia, ele nunca revelava nada com clareza.&lt;br /&gt;E, se ela se permitia sonhar que o reveria em Paris, sabia que ao Himalaia não iria nunca.&lt;br /&gt;Em certo momento, Talita revelou que Jancsi tinha um assunto pendente no Rio. Dinheiro para receber, de apresentações, e não queriam pagar.&lt;br /&gt;Um amigo de Talita, advogado, cuidava disso.&lt;br /&gt;Será que ele mantinha a correspondência com Talita apenas por interesse?, indaguei imediatamente a mim mesma, cética que sou.&lt;br /&gt;Parecia estranho, considerando tudo, o fato de Jancsi ter escrito para ela durante quase dois anos.&lt;br /&gt;Precisaria apenas de uma pessoa para solucionar suas questões profissionais? Estaria vaidoso com a declarada paixão de Talita por ele?&lt;br /&gt;Ou também sentia alguma coisa por ela?&lt;br /&gt;Não sei, Solange. Não saberei nunca. Talita também me disse que nunca saberá.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Quer que eu continue? Então, vamos.&lt;br /&gt;Recapitulo: ainda jovem e barbada, Talita foi a Paris com seu circo, então muito conceituado. E lá conheceu o Trapezista Jancsi, um rapaz alguns anos mais novo do que ela e muito bonito.&lt;br /&gt;Conversavam longamente e Talita se encantou por ele; mas nada aconteceu entre os dois.&lt;br /&gt;O inesperado e casual reencontro deles, 25 anos depois, numa esquina de Copacabana, deflagrou a paixão de Talita.&lt;br /&gt;Em parte, como ela me explicou, por uma crença irracional de que voltaria ao passado através de Jancsi, de que recuperaria sua juventude.&lt;br /&gt;E ela também viu o Dedo do Destino num reencontro tão improvável.&lt;br /&gt;Eles se encontraram algumas vezes, aqui em Copacabana, mas o Trapezista já estava com viagem marcada de volta a Paris e ficou apenas mais três semanas no Rio.&lt;br /&gt;Antes da partida dele, Talita falou dos seus sentimentos: “Não sei que nome dar a isso.”&lt;br /&gt;Mas sabia que tinha poucas chances. Era uma mulher barbada diante de um belo e ainda muito bem apessoado Trapezista.&lt;br /&gt;Depois da partida de Jancsi, Talita mudou de vida. Abandonou o circo, fez um tratamento a laser para tirar os pêlos do rosto e arrumou um emprego de secretária numa grande firma, graças às línguas que aprendera em suas viagens circenses.&lt;br /&gt;Atualmente, como eu, ela mora aqui em Copacabana, no Posto 4.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Explico um pouco mais, Solange.&lt;br /&gt;Na verdade, a barba de Talita nunca foi tão espessa quanto aparentava no circo, ela me disse.&lt;br /&gt;Tinha no rosto apenas fios ralos, que reforçava, para suas apresentações, com a aplicação de chumaços postiços.&lt;br /&gt;Se entendo de circos? Nada, ou quase nada.&lt;br /&gt;De trapezistas, só sei o que aprendi naquele conto de Kafka, tão cheio de uma louca e inexplicável nostalgia.&lt;br /&gt;Também sei pouco sobre a própria Talita. Por que ela, filha de uma família de classe média da Tijuca, moça com alguma cultura, acabou mulher barbada de um circo? Ignoro a resposta.&lt;br /&gt;Aquele primeiro dia, a consulta de Talita foi curta e não lhe disse nada conclusivo, só falei que era preciso tornar a botar o Tarô.&lt;br /&gt;Quando já nos despedíamos, movida por uma intuição repentina, declarei:&lt;br /&gt;- O Trapezista voltará, sim, mas talvez as circunstâncias não sejam como você gostaria.&lt;br /&gt;E fechei a porta.&lt;br /&gt;Tempos depois, Talita veio aqui e confirmou minha profecia. Sim, Jancsi reaparecera, estivera no Rio com um circo indiano.&lt;br /&gt;E, quase 30 anos depois do primeiro encontro, foram afinal para a cama.&lt;br /&gt;Foi quando Talita descobriu que não tinha verdadeira atração física por ele, sua paixão era uma coisa mental, nada a ver com sexo. Ela me revelou: era como acontecera, durante toda sua vida, em seus relacionamentos com os homens.&lt;br /&gt;Perguntei se sentia atração por mulheres e Talita admitiu que sim, mas tudo num plano fantasioso. Nunca acontecera nada de concreto.&lt;br /&gt;E então ela declarou que preferia , àquela altura, a solidão. Não se arriscaria a novos amores, teria apenas amizades, fosse com homens ou mulheres.&lt;br /&gt;Mas não sei se devo acreditar nisso. Naquele dia mesmo apareceu aqui, para se encontrar com Talita, uma moça muito bonita, mas com um buço mais cerrado que o da Frida Kahlo.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Sim, Solange, admito, é mentira.&lt;br /&gt;Claro que não aconteceu nada disso.&lt;br /&gt;Digamos que a história me veio à cabeça quando ouvi Adriana Calcanhoto cantando “Mulher barbada” e o livro se abriu na página do conto “Um artista do trapézio.”&lt;br /&gt;Há uma Talita e um Trapezista, mas o final da história é diferente.&lt;br /&gt;Então agora lhe conto o final verdadeiro.&lt;br /&gt;Talita continuou a se corresponder com Jancsi, até entender que ele nunca mais voltaria ao Brasil, como dissera no início da correspondência dos dois.&lt;br /&gt;Nem ela iria nunca à Índia, sequer a Paris.&lt;br /&gt;E aí ela parou de escrever. E aí ele também parou de escrever. O tempo passou, veio o esquecimento.&lt;br /&gt;Foi só isso.&lt;br /&gt;Não tem muita graça.&lt;br /&gt;Enfeitei a história para divertir você.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Mas você ainda me olha com descrença.&lt;br /&gt;E tem razão, Solange.&lt;br /&gt;Então, parece que chegou o momento de tirar todas as máscaras. Não há nenhuma Talita, a personagem central dessa história sou eu mesma.&lt;br /&gt;Também não há trapezista, mas um professor.&lt;br /&gt;Como sabe, fui professora de literatura. Veio ao Rio um professor estrangeiro que eu conhecera há muitos anos, num congresso em Paris.&lt;br /&gt;Um homem que eu não via há tanto tempo e revi por acaso, numa esquina de Copacabana. Sim, eu o reconheci imediatamente e ele a mim.&lt;br /&gt;Tive a impressão de que era possível trazer de volta o passado, transcender espaço e tempo.&lt;br /&gt;Ele viajou de volta, nós nos correspondemos por e-mail. Mas tudo acabou quando descobri que ele omitia e distorcia muita coisa sobre sua vida.&lt;br /&gt;E fazia promessas que, como fui descobrindo, não se cumpririam nunca. Por exemplo, nunca teve a menor intenção de voltar algum dia ao Brasil.&lt;br /&gt;O que havia por trás das suas frases elípticas era banal, distante dos delírios da minha imaginação. Casado, três filhos, vida rotineira.&lt;br /&gt;Assim, tudo se desfez.&lt;br /&gt;Ele se tornou irreal e remoto, como uma cifra na imensa estatística da população de um país distante, que nunca visitaremos.&lt;br /&gt;Cuidei de alguns interesses dele, no Rio. Não me custou tanto assim. Se era por isso que ele me escrevia todo dia, não sei.&lt;br /&gt;Mas lhe digo, Solange, pelo menos foi um amor que teve um fim indolor. Acabou como a Boa Morte, pela qual tantos rezam.&lt;br /&gt;Acha que amanhã contarei outra vez a mesma história, mudando apenas as máscaras?&lt;br /&gt;Não, nunca mais. Passou.&lt;br /&gt;Agora, guardo meu Tarô e vou descansar.&lt;br /&gt;Volte amanhã, estarei te esperando como Xerazada ao seu príncipe. Garanto que minha nova história não terá mais uma mulher, um estrangeiro e um reencontro improvável, muitos anos depois.&lt;br /&gt;E você, quando tirará sua máscara, Solange?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-737321334602141750?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/737321334602141750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/09/sonia-coutinho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/737321334602141750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/737321334602141750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/09/sonia-coutinho.html' title='SONIA COUTINHO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TIlaBG6PB4I/AAAAAAAAAQE/LDHA-SSKY34/s72-c/!cid_C67C5148-EBC1-4BF1-9665-6455A80712BC.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-832835217067642932</id><published>2010-09-09T14:47:00.001-07:00</published><updated>2010-09-09T14:52:13.888-07:00</updated><title type='text'>CARLOS HENRIQUE SCHROEDER</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5515034156574021730" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 271px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TIlWWHK9mGI/AAAAAAAAAP8/2Gv1AH_UinM/s320/chan_281.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;AS CERTEZAS E AS PALAVRAS&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Se excluirmos a morte, ao nascermos, duas outras certezas nos acompanharão: a de que seremos filhos frustrados, num determinado momento, e pais inseguros, em outro.&lt;br /&gt;Cássio sabia disso e coçava a cabeça quando essas certezas o afligiam, certeiras, e mesmo com as insistentes reprovações de Sarah, o incerto Cássio coçava e coçava, e por entre seus finos cabelos, se bem perscrutássemos, as feridas existiam. Cássio também tinha a certeza de que não choraria no enterro de seu pai. Não me surpreendo. Nunca o vi chorar nesses quinze anos em que o conheço, nem uma lágrima, sequer um brilho etéreo nos olhos, apenas um campo vasto e esverdeado nas pupilas. Ele se culpa por não nutrir nenhum sentimento, nenhum mesmo, pelo pai, nem amor, nem ódio, eu não entendo e ele não consegue me explicar. Ele acha que não sabe educar os filhos, mas eu lhe digo, e quem sabe? Quando me mostrou sua coleção de tampas de caneta, pensei que nada mais pudesse me surpreender nele, mas Sarah, sua esposa, me confidenciou algo. Cássio tem fixação por uma palavra da qual eu nem sabia o significado, mas descobri: afinal, era o sétimo verbete da terceira coluna da página 2.072 do Dicionário Houaiss. Segundo Sarah, ele se diverte criando historietas com a palavra “opróbrio”. Pelo que eu sabia, Cássio era um ágrafo e suas obras completas poderiam se resumir a suas assinaturas no talão de cheques. Também não me lembro de Cássio ter lido um livro sequer na vida, e fiquei ainda mais surpreso quando certo dia Sarah me entregou uma de suas histórias num guardanapo: "Há na palavra opróbrio algo de indecente, até mesmo de pornográfico, talvez seja a exposição indecorosa das três letras o, sugerindo um casal e o filho assassinado com uma facada nas costas, ou ainda um casal e seu filho punk. Não consigo vislumbrar nada em prol desta palavra, tampouco brio, em duas sílabas espremidas entre vogais, sufocadas, reticentes, impróprias. Dentre as palavras com oito letras, ela é, sem sombra de dúvida, a mais perigosa. Esconde em suas letras a simbologia do assassinato: o p matou o r com a ajuda do o e uma faca aguda, e ainda com a ajuda de b jogaram o corpo no rio. Reparem que este é um momento revelador da língua portuguesa, talvez até o Holanda e o Houassis possam se levantar de seus túmulos; afinal, não é sempre que descobrimos que um substantivo masculino é, na verdade, um substantivo maldito, e que esconde um caso de amor entre duas palavras do mesmo sexo, e vizinhas: p e r".&lt;br /&gt;Disse para Sarah que isso tinha um nome: - Obra-prima?, perguntou. - Esquizofrenia!, disse eu. Não levamos a sério meu diagnóstico. Afinal, ele havia me ensinado uma palavra nova. Nunca cheguei a comentar isso com ele, nem poderia. Mas gostaria, pois estava ficando chateado por, toda vez que conversava com Cássio, ele retomar o assunto das certezas. E eu tinha que engolir em seco minhas duas certezas, que não podiam ser compartilhadas. A primeira, de que ele era um corno; a segunda, de que o terceiro filho dele, de apenas dois anos, era na verdade meu filho. Ele me ensinou uma palavra, mas fui eu quem ensinou a Sarah o último verbete da terceira coluna da página 2.079 do Dicionário Houaiss: orgasmo. A verdade dói mais do que as palavras. Ambas são mortais. E prefiro, muitas vezes, me abster dessas armas, pois se amo o cheiro que emana dentre as pernas de Sarah, amo sobretudo a mim, e também a Cássio, meu primeiro, e talvez único amigo. E se algum dia meu telefone tocar e uma voz gritar inúmeras vezes a palavra opróbrio, só restará aos meus pulsos o beijo frio da lâmina de barbear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este conto integra o livro com o mesmo título lançado este ano pela Editora da Casa. Carlos nasceu em Trombudo Central, no interior de Santa Catarina. Estreou na literatura em 1998 com a novela “O publicitário do diabo” (Manjar de Letras), e desde então já lançou quase uma dezena de livros, entre eles os romances “A rosa verde” (Editora da UFSC, 2005), “Ensaio do Vazio” (7 Letras, 2006). Em 2009, foi contemplado pelo Edital Elisabete Anderle, do Governo do Estado de Santa Catarina, com recursos para publicar uma antologia de suas peças de teatro. Ainda em 2009, foi um dos escritores catarinenses selecionados para representar o estado na Feira do Livro de Porto Alegre. Em 2010 ,foi agraciado com a Bolsa Funarte de Criação Literária, do Governo Federal, para pesquisa e conclusão de seu romance “A mulher sem qualidades”. Desde 2007 é cronista fixo (escreve todos os sábados) dos diários “A notícia” e “O correio do povo”. Participa de várias antologias de contos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-832835217067642932?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/832835217067642932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/09/carlos-henrique-schroeder.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/832835217067642932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/832835217067642932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/09/carlos-henrique-schroeder.html' title='CARLOS HENRIQUE SCHROEDER'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TIlWWHK9mGI/AAAAAAAAAP8/2Gv1AH_UinM/s72-c/chan_281.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-9219092455297076752</id><published>2010-08-26T14:22:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T14:28:21.130-07:00</updated><title type='text'>NOVIDADE: ANTOLOGIAS</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbcOXebDrI/AAAAAAAAAPc/sn-vyTtcwTo/s1600/brazilantolg.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509833333512277682" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 227px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbcOXebDrI/AAAAAAAAAPc/sn-vyTtcwTo/s320/brazilantolg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509833342905027362" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 234px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbcO6d1CyI/AAAAAAAAAPk/moS9OxcgFIA/s320/antologiaAngola.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Estou feliz com minha participação em duas antologias que saíram recentemente.&lt;br /&gt;Uma delas é “Brazil, a Traveler’s Literary Companion”, editada por Alexis Levitin e com prefácio de Gregory Rabassa, Whereabouts Press, Berkeley, California. Esta traz um elenco numeroso de autores brasileiros.&lt;br /&gt;A outra, “Puxando pela língua,” menos volumosa, é uma coletânea de textos literários angolanos e brasileiros, com organização e apresentação de Luísa Coelho. Foi lançada este ano pela Maza Edições, Belo Horizonte, com os autores: António Fonseca, Celestina Fernandes, Chó do Guri, Isabel Ferreira, João Ubaldo Ribeiro, José Mena Abrantes, Luiz Ruffato, Márcia Denser, Moacyr Scliar, Ondjaki, Pepetela, Rogério Andrade Barbosa, Silviano Santiago e eu.&lt;br /&gt;Este livro será distribuído gratuitamente a alunos do ensino médio em Angola e no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-9219092455297076752?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/9219092455297076752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/novidade-antologias.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/9219092455297076752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/9219092455297076752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/novidade-antologias.html' title='NOVIDADE: ANTOLOGIAS'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbcOXebDrI/AAAAAAAAAPc/sn-vyTtcwTo/s72-c/brazilantolg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-5378199080726905802</id><published>2010-08-26T14:14:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T14:21:48.988-07:00</updated><title type='text'>POESIA BRASILEIRA QUE VEM DOS EUA</title><content type='html'>CRISTINA FERREIRA-PINTO BAILEY&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509831487341737602" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbai59ENoI/AAAAAAAAAPU/Z6takDLmRLo/s320/g_559277_0001.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os poemas a seguir estão no livro “Os homens e outras mentiras,” de Cristina Ferreira-Pinto Bailey, lançado em 2010 pela Scortecci. Escritora, tradutora literária e professora universitária, Cristina mora há mais de vinte e cinco anos nos Estados Unidos. Entre outros livros, tem: “Clarice Lispector, novos aportes críticos”, com Regina Zilberman, 2007;”Gender, Discourse and Desire in Twentieth Century Brazilian Women’s Literature, 2004; “Poemas da vida meia,” 2002; “Contemporary Short Stories from Brasil”, 1999.&lt;br /&gt;Participou de várias antologias literárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DUELO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio grosso da tarde&lt;br /&gt;liquefeito&lt;br /&gt;escorre no brilho&lt;br /&gt;teu olhar.&lt;br /&gt;Cavaleiro de armadura&lt;br /&gt;olhar de Charles Sheen&lt;br /&gt;Bright Knight&lt;br /&gt;shines.&lt;br /&gt;Reluz teu duro olhar&lt;br /&gt;frio&lt;br /&gt;de quem perdeu&lt;br /&gt;compaixão&lt;br /&gt;com perdão&lt;br /&gt;me afasto&lt;br /&gt;te deixo&lt;br /&gt;te afago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No teu silêncio&lt;br /&gt;grosso de desejo&lt;br /&gt;escorre no peito&lt;br /&gt;feito baba&lt;br /&gt;caracóis em valsa&lt;br /&gt;silêncio de carne&lt;br /&gt;da carne.&lt;br /&gt;Cavaleiro&lt;br /&gt;eu te monto&lt;br /&gt;e te assomo&lt;br /&gt;shining&lt;br /&gt;vou eu,&lt;br /&gt;Amazona,&lt;br /&gt;Brilho&lt;br /&gt;sobre teu corpo&lt;br /&gt;cavaleiro morto&lt;br /&gt;venço eu&lt;br /&gt;venho eu&lt;br /&gt;te montar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COOTER BROWN’S&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1005 Lowerline Street.&lt;br /&gt;Sento neste bar&lt;br /&gt;e alguém me chama:&lt;br /&gt;- Hey, sweetie!&lt;br /&gt;Olho o cara atrás do balcão&lt;br /&gt;um sorriso – são $ 2.30.&lt;br /&gt;But it’s hard, it’s hard&lt;br /&gt;even to be alone.&lt;br /&gt;- Vê se some, ô cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I sit here in this bar&lt;br /&gt;someone calls me:&lt;br /&gt;- Hey, sweetie!&lt;br /&gt;The bartender seems to be nice,&lt;br /&gt;he offers me thesmile I need&lt;br /&gt;all I want:&lt;br /&gt;a warm smile&lt;br /&gt;someone who knows&lt;br /&gt;what a woman is all about.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POEMINHA TRISTE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria&lt;br /&gt;Só&lt;br /&gt;Um mito&lt;br /&gt;Um mágico&lt;br /&gt;Um louco&lt;br /&gt;Alguém tão feio&lt;br /&gt;Que fosse lindo&lt;br /&gt;Alguém tão mau&lt;br /&gt;Que me chamassem&lt;br /&gt;Também&lt;br /&gt;Louca.&lt;br /&gt;Eu queria&lt;br /&gt;Só&lt;br /&gt;Um guerreiro&lt;br /&gt;Um santo&lt;br /&gt;Um sonhador&lt;br /&gt;Alguém assim&lt;br /&gt;Como o Klaus Kinski.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-5378199080726905802?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/5378199080726905802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/poesia-brasileira-que-vem-dos-eua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/5378199080726905802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/5378199080726905802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/poesia-brasileira-que-vem-dos-eua.html' title='POESIA BRASILEIRA QUE VEM DOS EUA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbai59ENoI/AAAAAAAAAPU/Z6takDLmRLo/s72-c/g_559277_0001.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-7789674149297951166</id><published>2010-08-26T13:42:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T14:12:58.542-07:00</updated><title type='text'>FICÇÃO BAHIA</title><content type='html'>&lt;div&gt;Estive recentemente em Salvador, onde houve um evento em torno da nova edição do meu romance “Atire em Sofia.”&lt;br /&gt;Fiquei encantada com o grande número de escritores baianos que apareceram na Livraria LDM. Entre eles, alguns cujo trabalho eu ainda não conhecia, mas passei a conhecer, lendo os livros que recebi deles.&lt;br /&gt;É o caso de Carlos Barbosa, Lima Trindade (o criador da revista eletrônica Verbo 21 (&lt;a href="http://www.verbo21.com.br/"&gt;http://www.verbo21.com.br/&lt;/a&gt;).) e Aramis Ribeiro Costa.&lt;br /&gt;Trago uma mostra da prosa dos três. Um trecho do romance de Carlos Barbosa, “Beira de rio, correnteza,” lançado este ano pela Editora Bomtexto; um conto de Lima Trindade, do volume “Corações blues e serpentinas”, Editora Artepaubrasil, também deste ano; e outro conto de Aramis, do livro “Os bandidos”, lançado pela Imago em 2005. (Hélio Pólvora disse, dos trabalhos de A.R.C: “contos que são contos, na tradição dos clássicos.”&lt;br /&gt;E trago mais: dois minicontos de um autor já meu conhecido, Mayrant Gallo, do livro “nem mesmo os passarinhos tristes,” três por quatro, 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LIMA TRINDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509824012825419522" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbTv1NgXwI/AAAAAAAAAO0/aSVcV0xvFYU/s320/Lima+no+MAMXXX.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;O AMOR INCONSÚTIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça de André tombou sobre o ombro de Antônio. Não que estivesse morto ou desmaiasse, mas, sim, como quem de súbito se prepara para o que há de vir e espera o pior. Ensaiou a palavra de amor, entreabrindo os lábios curtos e grossos, porém, recolheu-se avaro.&lt;br /&gt;Antônio gostava de sentir o peso da cabeça de André reclinada sobre seu ombro, mas aquela situação de estarem os dois um de costas para o outro incomodava.&lt;br /&gt;Da janela da sala soprava um vento frio de junho que tornava o branco das paredes gelo. Pequenas gotas de suor borbulhavam na testa de André.&lt;br /&gt;Então, sem avisar, Antônio se virou e abraçou aquele corpo robusto, fazendo com que a cabeça do outro repousasse sobre seu colo, os cabelos longos e lisos acariciando-lhe a perna.&lt;br /&gt;- Você me ama?&lt;br /&gt;- O que é amar?&lt;br /&gt;- É me possuir como se eu fosse um cãozinho, protegendo e alimentando...&lt;br /&gt;- Então, eu não te amo.&lt;br /&gt;Lúcio nada lhe cobrava, não pedia amor nem gestos de carinho. Quando falava, era sempre a respeito de coisas não-refletidas, ecos ou cacos sonoros captados pelo acaso. Você viu o último capítulo da novela das oito? Conhece a piada do...? Estou a fim de comprar um carro novo.&lt;br /&gt;Curioso foi André descobri-lo na House of Games. Comprara uma ficha para o Fight of Heroes e perdia vergonhosamente. Lúcio surgiu ao seu lado e começou a lhe dar dicas. Em poucos minutos, jogava por ele. Formamos uma grande dupla. Que tal tomarmos um chope para comemorar?&lt;br /&gt;- O que você viu em mim, garoto?&lt;br /&gt;- Eu?&lt;br /&gt;– É, tu mesmo.&lt;br /&gt;&amp;shy;&amp;shy;– Ah, gostei do seu jeito.&lt;br /&gt;&amp;shy;&amp;shy;&amp;shy;– E como é o meu jeito?&lt;br /&gt;– Sei lá, é teu jeito, oras.&lt;br /&gt;O frio bateu e Antônio se levantou para fechar as janelas. Pequenas folhas secas estalavam enquanto ele pisava o mármore. Era o inconveniente de se ter plantas em casa. Perto do sofá, um livro aberto oscilava de uma página para outra. André nunca lia um livro só, daí que eles se espalhavam pelo chão como migalhas esquecidas de conhecimento.&lt;br /&gt;Tudo era grande demais, distante demais. André não tinha mais ilusões. Estava à deriva.&lt;br /&gt;A mesa da sala era oval e nela estavam depositadas folhas de papel, uma caneta, um jogo de lápis de cor. Antônio, em pé, pegou uma folha em branco e a amassou.&lt;br /&gt;- Por que compramos novos discos se eles estão sempre repetindo tudo o que ouvimos antes?&lt;br /&gt;- Toni, querido!... Nada é... absolutamente igual. O novo não precisa ser completamente novo, basta que seja alguma coisa diferente.&lt;br /&gt;André olhou o relógio. Em seguida, abriu mais a janela. Antônio estava agora deitado sobre o sofá e se encolhia - vestiam somente calções.&lt;br /&gt;- Estou com calor.&lt;br /&gt;- Eu estou com frio. Mas deixe aberta. Sentir frio é bom e nos conscientiza da nossa solidão.&lt;br /&gt;– E eu, não estou aqui?&lt;br /&gt;Antônio não respondeu. Ao invés disso, enfiou o nariz no estofado e tentou não imaginar os longos cabelos grisalhos de André recebendo o vento enquanto ele apreciava a vista lá fora.&lt;br /&gt;- Não sou mais um garoto para você?&lt;br /&gt;- Por que pergunta? Eu é que sou velho demais para você.&lt;br /&gt;- Mas não era quando eu tinha dezessete e você cinqüenta, André. Ou, pelo menos, você não parecia pensar assim – disse num tom triste, mas calmo.&lt;br /&gt;- As coisas mudam.&lt;br /&gt;- Sim, elas sempre mudam. Hoje eu tenho vinte e cinco. Amanhã terei vinte e seis, ano que vem... – calou-se.&lt;br /&gt;André fechou a janela.&lt;br /&gt;- Que idade ele tem?&lt;br /&gt;- O que lhe importa? Você não me ama mais, não gosta mais de sexo.&lt;br /&gt;- Eu te amo mais que tudo, André! O meu amor é um amor sem fronteiras e sem remendos. O que é o sexo perto disso?&lt;br /&gt;Ficaram mudos por muito tempo. Depois, André se vestiu e sem se despedir foi ao encontro de Lúcio. Ele não voltou para pegar os livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Lima Trindade é autor de “Supermercado da Solidão” (romance, 2005), “Todo Sol mais o Espírito Santo” (contos, 2005) e “Corações Blues e Serpentinas” (contos, 2007). Integra as antologias “Tempo bom” (contos, 2010), organizada por Sidney Rocha, e “Geração Zero Zero” (contos, no prelo), organizada por Nelson de Oliveira.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAYRANT GALLO&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509824021003285042" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 269px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbTwTrQsjI/AAAAAAAAAO8/mHNi4A0mWME/s320/mayrantfoto.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;A DESCULPA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai, antes de sair, havia dito: “Neste verão, não quero que você solte pipa.” O motivo eram talvez as torres de alta voltagem recém instaladas no bairro e que, à noite, zumbiam. Mas quando o pai saiu para o trabalho, o menino cortou as varetas de bambu, pegou cola e linha, armou o esqueleto da pipa e colou papel fino. Por fim, pôs a rabiola, amarrou a linha e saiu para o campo. Antes do fim da manhã, estava feito: o menino havia derrubado o sol, mas em meio ao caos que se seguiu – de fim de mundo em filme de Hollywood – só ocorria ao menino dizer ao pai que, ora, o sol estava morrendo mesmo, só fiz abreviar a coisa – e não foi assim que o senhor fez com a mamãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O BILHETE SUICIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um dia diferente: de sol, de trabalho, de dor, mas diferente, singular. Singularidade que está dentro de mim e de cada um de nós, e que, de súbito, sem motivação alguma, nos sobe e nos anima a continuar vivendo, apesar de tudo. Pena que esteja chovendo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Mayrant Gallo, nascido em 1962, é escritor e professor de Teoria da Literatura. Publicou “O inédito de Kafka” (2003), “Dizer adeus” (2005), “Dia sim e sempre” (2000), entre outros livros. “Ele traz para os leitores um universo próprio, inconfundível e inquietante, de situações insólitas e seres deslocados,” diz C. Ribeiro na orelha de “nem mesmo os passarinhos tristes.”&lt;br /&gt;PORTAL 2001&lt;br /&gt;Mayrant está com um conto na recém saída revista PORTAL 2001, editada por NELSON DE OLIVEIRA.Vejamos o que diz Nelson, na apresentação da sua instigante revista:&lt;br /&gt;“Não queremos o leitor indiferente e entediado. Queremos a máxima potência da poiesis, da aisthesis e da katharsis. Por isso este portal, como os anteriores, não está disponível a qualquer curioso. Não está à venda. Não é o leitor quem escolhe o portal, é o portal que escolhe seu leitor. Aceite a dádiva. Integre-se nele com reverência e entusiasmo. Deixe-se envolver amorosamente pelo mistério e pela poesia.”&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARAMIS RIBEIRO COSTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509824000292586546" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 278px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbTvGhchDI/AAAAAAAAAOk/CR8DvYzz0Uk/s320/aramis.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;DONA LAURA ESTÁ DORMINDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Letícia e a filha, Vívian, só conseguiram chegar em casa às 18 horas e 25 minutos. Vinham do salão de beleza e estavam atrasadas. Felizmente saíra tudo como elas queriam, penteados, unhas, maquiagens, estavam ambas muito bonitas e ficariam ainda mais quando colocassem os vestidos comprados com exclusividade para aquela noite. Era uma noite especialíssima: a da formatura de Vívian. Consultando o relógio, Otávio repreendeu-as, ao entrarem:&lt;br /&gt;— Isto são horas? Daqui que vocês se aprontem, vamos chegar atrasados!&lt;br /&gt;— O salão estava cheio — explicou rapidamente Letícia. Em seguida, correu para o quarto.&lt;br /&gt;Vívian também foi direto para o seu quarto. Era a filha única do casal, e a formatura em Direito significava um notável acontecimento para a família. Otávio e Letícia viam aquele dia como uma grande conquista de Vívian, mas também como um triunfo deles próprios, pois tinham conseguido, mesmo com o sacrifício de todos aqueles anos, pagar a caríssima faculdade particular da filha. O mais importante, porém, é que isso fora conseguido sem que nada de essencial faltasse à família, da qual fazia parte a mãe de Otávio, dona Laura, que ficara viúva poucos anos após o casamento do único filho, passando a morar com eles. Era uma senhora nonagenária e enferma que já não saía do quarto, quase não andava e necessitava de cuidados médicos especiais, o que muito pesava no orçamento familiar. A formatura, com todos os seus gastos, principalmente os convites, o bufê do baile e os vestidos de Vívian e de Letícia, também representava um sacrifício financeiro considerável. Mas tudo valia a pena para que a moça, uma ótima filha, uma boa aluna, se formasse com a solenidade e a festa que ela merecia. Otávio e Letícia viam dessa forma, e aquele dia estava sendo para eles tão especial e tão feliz quanto o fora o dia do nascimento de Vívian. Otávio, pronto desde as 18 horas, impecável no seu terno azul-marinho, a gravata de seda pura também azul, os sapatos pretos lustrando, foi até a cozinha, perguntou à empregada:&lt;br /&gt;— Minha mãe já tomou o mingau?&lt;br /&gt;— Já, sim senhor — respondeu Elvira. — E já tomou os remédios.&lt;br /&gt;No comecinho da noite, exatamente às 18 horas, dona Laura tomava apenas um prato fundo de mingau, não conseguiam que ela aceitasse mais nada. Uma noite era de maizena, outra de tapioca. Não gostava de nenhum outro. Tomava no quarto, sentada na sua cadeira de balanço, que ficava diante do televisor que era só dela, um televisor que ela fazia questão que permanecesse ligado, embora quase já não enxergasse, passando pouco depois para a cama. Dormia cedo, e dormia a noite inteira, sem incomodar. Letícia, extremamente dedicada, ajudava-a com o mingau, dando-lhe na boca as colheradas retiradas das bordas, por ser menos quente, com muito cuidado para que ela não engasgasse nem sujasse o vestido, limpando-lhe depois os lábios com um guardanapo. Aliás, era também a nora quem lhe dava banho, trocava-lhe a roupa, punha-lhe pó-de-arroz nas faces, dava-lhe os remédios na hora certa, acomodava-a à noite na cama, enfim, cuidava de tudo que se relacionasse àquela velhinha de cabelos ralos e alvíssimos, o olhar manso e quase apagado, o sorriso apenas esboçado nos lábios muito finos, e por quem ela tinha o carinho e a consideração que teria com a sua própria mãe, se ela ainda estivesse viva. Só quando estava muito ocupada, ou quando precisava sair, é que deixava a empregada tomar conta dela.&lt;br /&gt;Indo e voltando ao comprido da sala, Otávio consultou o relógio, impaciente. Sabia como a mulher e a filha demoravam para aprontar-se. A solenidade estava marcada para as 20 horas, mas tinha de pensar no congestionamento do tráfego até o Centro de Convenções. Além disso, Vívian devia chegar mais cedo. Depois da solenidade, haveria o baile. Mesmo com toda a ansiedade, ao caminhar repetidamente de um lado para outro da sala, naqueles minutos de espera, Otávio repassava, com um misto de ternura e orgulho, todos aqueles anos dos estudos de Vívian, do primeiro dia de escola àquela noite suprema, que simbolizava a realização de um sonho longamente acalentado.&lt;br /&gt;— Ela escolherá o que quer ser — dizia ele a Letícia, quando confabulavam sobre o destino da filha. — Não vamos interferir, nem mesmo influenciar. Contanto que se forme.&lt;br /&gt;— Ela vai se formar — afirmava Letícia. — É inteligente e determinada.&lt;br /&gt;De fato. Vívian mostrou-se, desde o início, uma aluna aplicada, disposta a seguir em frente. Desde cedo, também, decidiu que seria advogada. Nos anos de faculdade, foram necessários alguns sacrifícios, por vezes verdadeiros malabarismos financeiros, para que as matrículas e as mensalidades não fossem pagas com atraso. Mas ali estavam. Dentro de mais algumas horas, Vívian estaria com o diploma nas mãos.&lt;br /&gt;— Dra. Vívian Ferreira Lima, advogada — murmurou ele, com orgulho, como se lesse os dizeres de uma placa na entrada de um escritório de advocacia.&lt;br /&gt;Estava nesses devaneios, quando Letícia e Vívian saíram dos quartos quase ao mesmo tempo e colocaram-se diante dele, como dois manequins numa vitrine.&lt;br /&gt;— Então, estamos bonitas? — perguntou Letícia com um sorriso, orgulhosa dela mesma e da filha. — Muito bonitas — concordou Otávio.&lt;br /&gt;Então Letícia lembrou que as duas deviam ir ao quarto de dona Laura, para que ela as visse vestidas, sobretudo visse a neta no vestido da formatura. Pegando a filha pelo braço, levou-a. Sentada na sua cadeira de balanço diante do televisor ligado, dona Laura cochilava. A cabeça completamente alva pendia para um lado, enquanto as mãos, ossudas e enrugadas, pareciam também adormecer no regaço. Quando as duas se aproximaram da cadeira, ela abriu os olhos, a princípio um pouco assustada, como sempre acontecia quando acordava daqueles cochilos, mas, logo em seguida, fitando-as com o seu olhar manso habitual. Como fizeram com Otávio, as duas postaram-se diante dela, Letícia orgulhosa da filha, Vívian radiante. Letícia perguntou:&lt;br /&gt;— Então, o que a senhora acha? A doutora Vívian está bonita para a formatura?&lt;br /&gt;Dona Laura apertou um pouco os olhos, no esforço de enxergar e, sorrindo para a neta, murmurou:&lt;br /&gt;— Bonita.&lt;br /&gt;Vívian também sorriu, satisfeita.&lt;br /&gt;— Obrigada, vó.&lt;br /&gt;— A senhora parece cansada — disse Letícia, observando a sogra. — Não quer deitar?&lt;br /&gt;Dona Laura fez que sim com a cabeça.&lt;br /&gt;— Eu vou botar a senhora na cama — disse Letícia, desligando o televisor.&lt;br /&gt;— Tchau, vó — disse Vívian, aproximando-se da avó e dando-lhe um beijo na testa.&lt;br /&gt;Precisava telefonar para o namorado, dizer que já estavam saindo. Haviam combinado encontrar-se no salão de entrada do Centro de Convenções, faziam questão de ver-se antes da solenidade, nem que fosse apenas por alguns minutos. Enquanto ela deixava o quarto, afogueada, farfalhando alegremente o seu vestido novo, Letícia segurou dona Laura fortemente com ambas as mãos para ajudá-la a levantar-se. Era um ritual a que ambas já estavam acostumadas. Depois de erguê-la, sustentando com facilidade o peso daquele corpo franzino que a idade devastara, continuou apoiando-a para mantê-la em pé. Então, acompanhando o passinho miúdo e arrastado da anciã, foi conduzindo-a devagarinho até a cama, como fazia todas as noites.&lt;br /&gt;Ao sentá-la na cama, Letícia voltou a achar que dona Laura estava mais cansada do que nos outros dias. Ela arfava.&lt;br /&gt;— A senhora hoje está muito cansada — tornou a dizer Letícia, observando-lhe o semblante abatido, a respiração acelerada. — A senhora está bem?&lt;br /&gt;— Quero deitar — murmurou dona Laura.&lt;br /&gt;— Vamos deitar, sim — concordou Letícia, carinhosa. — Mas, antes, vamos tirar essa roupa, vestir a camisola.&lt;br /&gt;Letícia pegou a camisola no armário e, com a destreza com que fazia aquilo todas as noites, trocou-a rapidamente. Ao terminar, notou que dona Laura tinha uma expressão estranha. Assustada, perguntou:&lt;br /&gt;— A senhora está sentindo alguma coisa?&lt;br /&gt;Mas dona Laura não respondeu. Sentada ainda, deixou tombar a cabeça e o corpo para diante. Letícia apenas teve tempo de segurá-la antes que ela fosse ao chão. Em seguida deitou-a no leito, chamando repetidamente:&lt;br /&gt;— Dona Laura! Dona Laura!&lt;br /&gt;Dona Laura estava de olhos abertos, porém completamente imóvel.&lt;br /&gt;— Dona Laura! Dona Laura! — insistiu Letícia, com a angústia das situações inesperadas e terríveis.&lt;br /&gt;Agoniada, pegou-a, sacudiu-a, tentou perceber nela alguma respiração, algum sinal de pulso, mas a evidência era muito clara: dona Laura estava morta. Largou-a, num ímpeto, o grito na garganta. E já ia desferi-lo, quando se lembrou da formatura de Vívian. Na sala, Otávio e Vívian apenas a esperavam para irem. A formatura de Vívian. A concretização do sonho de toda uma vida. A solenidade. O baile. O bufê. Os vestidos. Os convidados. A alegria. A emoção de tudo aquilo. A noite suprema. Tudo, tudo desfeito de um momento para o outro, como se um grande cataclismo destruísse tudo. Ouviu o grito de Otávio:&lt;br /&gt;— Letícia, vamos embora!&lt;br /&gt;— Mamãe, já estamos atrasados! — completou Letícia.&lt;br /&gt;Não, não, pensou Letícia, aquilo não podia acontecer. Dona Laura não estava morta, estava apenas dormindo. Sim, dona Laura estava dormindo. Trêmula, como se cometesse um crime, fechou aqueles olhos parados e sem vida que pareciam fitá-la, ajeitou o corpo pequeno e flácido ao comprido da cama, na posição em que a sogra costumava dormir, cobriu-a com a sua coberta leve de todas as noites. Agora era ela quem arfava, sufocada, mal conseguindo respirar. Na garganta, no lugar do grito, havia um nó que a trancava; as lágrimas reprimidas teimavam em vir aos olhos. Rapidamente ajeitou tudo, olhou ainda uma vez o corpo de dona Laura imóvel sob a coberta, apagou a luz e saiu do quarto às pressas, encostando a porta.&lt;br /&gt;Na sala, lado a lado, Otávio e Vívian, impacientes, apenas a aguardavam.&lt;br /&gt;— Vamos — conseguiu dizer ela com a voz trêmula.&lt;br /&gt;Otávio notou-lhe a palidez, o tremor na voz, os olhos vermelhos no esforço de conter o choro.&lt;br /&gt;— Você está bem?&lt;br /&gt;Ela fez que sim com a cabeça. Sentia uma vontade enorme de abraçá-lo, de soluçar no ombro dele. Otávio atribuiu aquele estado de Letícia à emoção pela formatura de Vívian, sentiu-se também emocionado.&lt;br /&gt;— Vamos — disse ele, abrindo a porta da rua.&lt;br /&gt;— Espere um pouco — disse Letícia, arquejando, a garganta em fogo.&lt;br /&gt;Foi até a cozinha, bebeu um copo d’água, procurando acalmar-se. As mãos tremiam, toda ela tremia. Antes de sair, avisou à empregada, com voz sumida:&lt;br /&gt;— Já vamos. Dona Laura está dormindo.&lt;br /&gt;— Sim, senhora — respondeu Elvira, sem olhar para ela, sem largar o que estava fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ainda muito jovem, Aramis Ribeiro Costa publicou semanalmente fábulas, contos e pequenas novelas na página infantil de “A Tarde”. Foi, nessa época, colaborador desse jornal também em outras páginas, com artigos, crônicas, contos e poemas. Sua ficção curta e seus ensaios têm sido publicados em antologias, jornais e revistas, e seus poemas, particularmente os sonetos, amplamente reproduzidos em blogs, por todo o Brasil e em Portugal. É diplomado em medicina e Letras Vernáculas com Inglês. Pertence à Academia de Letras da Bahia. Entre os seus livros, estão: “Quarto escuro e Espelho partido”, poemas; “A nota de Rosália”, “A assinatura perdida”, “O Mar que a noite esconde”, “Baú dos inventados”, “Os Bandidos” e “Reportagem urbana”, contos; “O Fogo dos infernos” e “Episódio em Curicica”, novelas; “Uma varanda para o jardim”, romance, e outros títulos de literatura infantil.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;CARLOS BARBOSA &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509829154329644818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 268px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbYbGzozxI/AAAAAAAAAPE/tR7n51Wb_o0/s320/CBarbosa02XXX.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;BEIRA DE RIO, CORRENTEZA &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(TRECHO) &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;“A correnteza. Gero sabia bem da correnteza do rio. Experimentara sua força por mais de uma vez. No Bom Jardim da Rica Flor, não havia quem não possuísse história de enfrentamento, superação ou sucumbência ante a força e a imprevisão da correnteza do rio. A correnteza era ser mutante. Durante o ano, alterava velocidade e empuxo em acordo com o volume das águas do rio; era assim em qualquer rio, por certo, mas no Velho Chico, no rio de Gero, a correnteza possuía qualidades de mando; era imperiosa, manhosa e de caprichos curvilíneos e redemoinhados. Quando as águas subiam e se avermelhavam, a correnteza era inteira, total. Todo o rio era correnteza célere, urgente e desrespeitosa. Barcos e canos mal aportados, casebres ribeirinhos, barrancos escavados, toros e plantas, todo treco deixado à solta, a correnteza arrastava rio abaixo sem apelação. Inclusive animais de criação e silvestres. E também o bicho-homem, de mamando a caducando, pois, como se sabia bem no Bom Jardim, quando mais a pessoa bem nadava mais a correnteza apreciava levá-la consigo para sumidouros. A correnteza se amansava no período da seca. O rio deslizava espelho ao passar pelo Bom Jardim da Rica Flor. Mas aos ribeirinhos não escapava que ela escondia sempre propósitos encantatórios e arrastantes: era traiçoeira, na essência, a danada. Era nessa época que se especializava no disfarce da quietude. A correnteza se ausentava, o rio se tornava bucólico e o banho se impunha pelo atrativo do frescor das águas e pelo calor abusivo do ambiente ribeirinho. Nesse cenário, muitas alminhas se desgarravam de corpos, no repentino de um escorrego nos arrecifes limosos ou na lama do fundo, desequilibravam-se e eram tomados pela até então insuspeitada e ausente correnteza. A cada episódio enfrentado nas águas do rio, Gero sentia mais respeito pela correnteza. Mais que um estado, condição ou possibilidade, pressentia nela uma entidade independente do rio.”&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Carlos Barbosa é jornalista e escritor. Seu romance “A dama do Velho Chico” (Bom Texto, 2002), foi selecionado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação para o Programa Nacional Biblioteca Escola, 2009.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-7789674149297951166?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/7789674149297951166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/ficcao-bahia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7789674149297951166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7789674149297951166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/ficcao-bahia.html' title='FICÇÃO BAHIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbTv1NgXwI/AAAAAAAAAO0/aSVcV0xvFYU/s72-c/Lima+no+MAMXXX.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-1934937833134068634</id><published>2010-08-26T13:31:00.000-07:00</published><updated>2010-09-09T14:42:22.384-07:00</updated><title type='text'>POESIA BAHIA</title><content type='html'>E vai aqui uma mostra da poesia em Salvador e Feira de Santana, agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROBERVAL PEREYR&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509819777971972834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 230px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbP5VJw6uI/AAAAAAAAAOM/fsqnwIahJJ0/s320/roberval.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;MUITO LONGE DO CAIS&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Um barco à deriva: desterro&lt;br /&gt;e fome&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.................&lt;/span&gt;no Aquém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha sombra sabe o que digo.&lt;br /&gt;Certos monstros também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre eles, só eu duvido.&lt;br /&gt;Mas duvido de quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POEMA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou de luz e de aço.&lt;br /&gt;Faço-me ao revés dos nãos&lt;br /&gt;e perfaço-me. Dádiva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é florir no invisível&lt;br /&gt;dar do avesso a visão&lt;br /&gt;para o céu se espelhar.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;DEPOIMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um adeus na ponta da língua&lt;br /&gt;livros na alma, meus erros&lt;br /&gt;catalogados&lt;br /&gt;e minhas formas de ser:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu que sou calmo, cheio&lt;br /&gt;de dobras, semitonado&lt;br /&gt;em mi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e falso e feio e verdadeiro e só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EM TRÂNSITO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bússola que me deram&lt;br /&gt;me errou em cheio;&lt;br /&gt;me guiei por ela,&lt;br /&gt;seu norte erafeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emito esta voz&lt;br /&gt;que me urde e nega&lt;br /&gt;e que me sonega&lt;br /&gt;quando diz: eu sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não sou nada&lt;br /&gt;(e meu nome ilude):&lt;br /&gt;sou só esta estrada&lt;br /&gt;antes que ela mude.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Roberval Pereyr (1953)é poeta, ficcionista, desenhista, compositor, teórico e editor. Onze livros publicados, dez de poesia. Entre estes, “Amálgama – Nas praias do avesso” e “Poesia anterior” (2004). Incluído em várias antologias poéticas, no Brasil e no exterior. Doutor em Letras e professor da UEFS. Estes poemas figuram em seu livro “Acordes,” lançado este ano de 2010 pela editora Tulle, de Feira de Santana, que se destaca pelas publicações de alta qualidade gráfica. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;SEBASTIÃO MARQUES&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509820507295037442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbQjyF7uAI/AAAAAAAAAOU/w_eddXQ6i9A/s320/sebastiaofotoo.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;INCOMPLETUDE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extraviou-me o dicionário e a certeza de saber&lt;br /&gt;Ignoro até o sabor do canto&lt;br /&gt;e o doer de estar aqui.&lt;br /&gt;Oh exaustiva descoberta, o poema escorregadio solta-se do liame habitado na página.&lt;br /&gt;Em mim, o vazio é conhecer o verso que ainda não fiz.&lt;br /&gt;Feito, o mundo do demasiado e tardio sentimento&lt;br /&gt;terá sido&lt;br /&gt;completo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sebastião Marques nasceu em Salvador em 1962 e se formou em Letras. É poeta, contista e professor de Literatura Brasileira e de Leitura e Interpretação de Textos no ensino médio e superior. Publicou pela UFBA o livro de poemas “Raro efeito” e, em 2002, pelo Banco Capital, “Escrito a giz”.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SANDRO ORNELLAS &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509820513277822034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 231px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbQkIYVxFI/AAAAAAAAAOc/I9MPD6fbYl0/s320/sandrogrupo.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;DERIVAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ando atrás, farejo&lt;br /&gt;o cheiro das solas que vão&lt;br /&gt;mercúrio dos sonhos sombrios&lt;br /&gt;hermes dos aferrolhados fados&lt;br /&gt;exu das visões mais venéreas&lt;br /&gt;não acelero, vou passo a passo&lt;br /&gt;não deprimo ao primeiro passo em falso&lt;br /&gt;ao primeiro risco na folha do asfalto&lt;br /&gt;ao atropelo iminente na oswaldo&lt;br /&gt;cruz do pé andarilho, em falso&lt;br /&gt;sempre estou, e por isso&lt;br /&gt;é tanta excomunhão&lt;br /&gt;é tanto zunido grito rodopio&lt;br /&gt;é tanto terço traça caliça que desce&lt;br /&gt;ressequida em meus ombros&lt;br /&gt;escrevo vazio, em vão a seco&lt;br /&gt;no vácuo do saco do pão&lt;br /&gt;endurecido e embolorado, escrita&lt;br /&gt;e pão de carcomidos traçados&lt;br /&gt;e ultrapasso os percalços&lt;br /&gt;e persigo o encalço do que ontem&lt;br /&gt;era cinemascope a céu aberto&lt;br /&gt;um quasar de amanhecer sideral&lt;br /&gt;um suave pulsar em minha mão maquinante&lt;br /&gt;uma escrita a polir um estilo de viver&lt;br /&gt;a domar as formas do escrever&lt;br /&gt;do corpo que volta a percorrer sinais&lt;br /&gt;que as ruas lhe abrem aos frágeis sentidos&lt;br /&gt;- sentidos do sobrevivente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A VIDA E A VIDA&lt;br /&gt;Para Miguel Ângelo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a vida sempre vence a vida&lt;br /&gt;mesmo no intervalo da frase&lt;br /&gt;febre que conspira contra o presente&lt;br /&gt;palco para o pensamento mais físico&lt;br /&gt;o afeto mais íntimo&lt;br /&gt;a respiração mais ríspida&lt;br /&gt;a experiência brutal&lt;br /&gt;nos braços delicados da realidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a vida sempre vence a vida&lt;br /&gt;ávida às vezes de alegria pública&lt;br /&gt;entrelinhas de um livro diabólico&lt;br /&gt;um texto inacabado&lt;br /&gt;a vida sempre cresce por fora&lt;br /&gt;cortando cabeças&lt;br /&gt;perdendo-se entre alimárias&lt;br /&gt;soltas sob o teto de tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Sandro Ornellas nasceu em Brasília, em 1971 e mora em Salvador. É professor de literatura na UFBA. Publicou o livro de poemas “Simulações”, em 1998. Participou de antologias e tem poemas e artigos publicados em revistas e jornais impressos e on-line. Os poemas aqui postados são do livro “Trabalhos do corpo”, da editora Carta Capital, lançado em 2007.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-1934937833134068634?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/1934937833134068634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/poesia-bahia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1934937833134068634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/1934937833134068634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/poesia-bahia.html' title='POESIA BAHIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbP5VJw6uI/AAAAAAAAAOM/fsqnwIahJJ0/s72-c/roberval.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-6699843750322026843</id><published>2010-08-26T13:10:00.000-07:00</published><updated>2010-08-26T13:31:49.366-07:00</updated><title type='text'>GALERIA DE PERSONAGENS</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;EAV Parque Lage &lt;/span&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbK7WvgvtI/AAAAAAAAANM/cst5AjFOebw/s1600/250px-ParqueLage-CCBY.jpeg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509814315200331474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbK7WvgvtI/AAAAAAAAANM/cst5AjFOebw/s320/250px-ParqueLage-CCBY.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;SENNA ENTRE AVES E ORQUÍDEAS &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509814895248531842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbLdHlx4YI/AAAAAAAAANU/EpGOBgcNcEI/s320/jose_6939.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;No pátio da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, nas mesas do Café do Lage, em torno da piscina, além da beleza do ambiente há a atração das muitas pessoas interessantes e simpáticas que passam por ali. Uma delas é o José Senna, orquidófilo e fotógrafo.&lt;br /&gt;Acompanhado por sua mulher, também ex-empresária, José Senna, entre outras coisas, já viajou pelo mundo inteiro (incluindo a Ásia). Em sua casa em Angra, ele cultiva orquídeas, que fotografa.&lt;br /&gt;Recentemente, na Flórida, Senna participou de um evento de fotos de aves de rapina. Ele se inscreveu no Brasil e já foi para os Estados Unidos levando todo o seu equipamento fotográfico.&lt;br /&gt;Senna está fazendo Fotografia no Parque Lage com a Denise Cathilina.&lt;br /&gt;Mostramos aqui um pouco do trabalho dele. Orquídeas, entardecer, águia voando. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509815762362088082" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 119px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbMPl1wupI/AAAAAAAAANc/nowFvx6sHeE/s320/!cid_5127581324679634337.jpg" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509816291579516818" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 128px; CURSOR: hand; HEIGHT: 84px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbMuZVB15I/AAAAAAAAANs/6eq6Au53U8s/s320/Fotoo+Senna.jpg" border="0" /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509816184974739442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 85px; CURSOR: hand; HEIGHT: 128px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbMoMMeB_I/AAAAAAAAANk/I_A9144FpL4/s320/Picasa-020.jpg" border="0" /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O SORRISO IMPERDÍVEL DE GRAÇA &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509817023020884850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbNY-KPY3I/AAAAAAAAAN0/drZ2ITWO5qA/s320/gra%C3%A7a.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;Maria das Graças Magalhães de Mendonça, ou simplesmente Graça, bibliotecária da EAV, sempre me reconforta com seu sorriso, quando a vejo no mágico pátio do casarão da Gabriella Besanzoni.&lt;br /&gt;Graça, com seus conhecimentos, é ótima para orientar quem vai à biblioteca pesquisar alguma coisa. A mim, ela já deu dicas ótimas sobre a obra da chamada Geração Oitenta das artes brasileiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REINHARD LACKINGER &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509817424586337698" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbNwWG57aI/AAAAAAAAAN8/AlF6V3Tyy70/s320/lackinger.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;UM AUSTRÍACO NO PORTO DA BARRA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador, vizinhanças do Porto da Barra. É aqui que vamos encontrar diariamente o austríaco Reinhard Lackinger.&lt;br /&gt;Embora truculento, em seus artigos e comentários pela internet contra a depredação de um bairro que eu amo, a Barra baiana, Lackinger, ao vivo, é uma simpatia.&lt;br /&gt;Eu o conheci no evento em torno do meu romance “Atire em Sofia,” na livraria LDM, em Salvador, onde ele apareceu usando seu característico suspensório austríaco.&lt;br /&gt;Todas as noites Lackinger está em sua “taverna”, como ele chama, o restaurante Bistrô PortoSol, na esquina da Rua Barão de Sergy com César Zama, perto da praia do Porto da Barra.&lt;br /&gt;Quem comanda a cozinha é a mulher dele - uma baiana por quem Lackinger se apaixonou e o trouxe para viver aqui.&lt;br /&gt;Uma amiga minha, a Daisy Schwab, foi ao Bistrô PortoSol e adorou a comida. Vão lá, confiram. Depois, mandem dizer alguma.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Praia do Porto da Barra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5509817780362340850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 204px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbOFDeg6fI/AAAAAAAAAOE/67qZj4q0oYc/s320/504020.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-6699843750322026843?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/6699843750322026843/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/galeria-de-personagens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/6699843750322026843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/6699843750322026843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/08/galeria-de-personagens.html' title='GALERIA DE PERSONAGENS'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/THbK7WvgvtI/AAAAAAAAANM/cst5AjFOebw/s72-c/250px-ParqueLage-CCBY.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-2458136226732244797</id><published>2010-06-16T14:06:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T14:12:01.642-07:00</updated><title type='text'>SOFIA EM SALVADOR</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk9upaFw7I/AAAAAAAAANE/JLOC4-u71xc/s1600/CAPA+COMPLETA+DO+LIVRO.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483481892898849714" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 157px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk9upaFw7I/AAAAAAAAANE/JLOC4-u71xc/s320/CAPA+COMPLETA+DO+LIVRO.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A partir da quarta-feira, dia 23 de julho, estarei em Salvador. E, no dia 31 de julho, um sábado, a partir das dez da manhã, na livraria LDM (Multi Campi), Rua Direita da Piedade 20. Lá, haverá um encontro comemorativo da saída da nova edição, revista, do meu romance “Atire em Sofia,” pela 7 Letras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-2458136226732244797?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/2458136226732244797/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/sofia-em-salvador.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2458136226732244797'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2458136226732244797'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/sofia-em-salvador.html' title='SOFIA EM SALVADOR'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk9upaFw7I/AAAAAAAAANE/JLOC4-u71xc/s72-c/CAPA+COMPLETA+DO+LIVRO.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4450232717905643885</id><published>2010-06-16T13:55:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T14:06:01.434-07:00</updated><title type='text'>O PIANO ALADO DE REBECCA HORN</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk74Qbzs4I/AAAAAAAAAM0/yd5gda5Cuck/s1600/rebecca_resize.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483479858970604418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 216px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk74Qbzs4I/AAAAAAAAAM0/yd5gda5Cuck/s320/rebecca_resize.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Sonia Coutinho&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Já fui ver duas vezes a retrospectiva de Rebecca Horn, no CCBB. Da segunda vez, em pé, com um caderninho na mão, copiei dois poemas da Rebecca, escritos nas paredes.&lt;br /&gt;(Não sei se a tradução está boa, não deu tempo para verificar. Não gostei que Renato Rezende traduzisse “rod” por “rodo”. Aqui, coloco “varinha” mesmo.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LUMIÈRE EN PRISON DANS LE VENTRE DE LA BALEINE&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/strong&gt;Raízes horizontais&lt;br /&gt;guelras – asas ramificadas,&lt;br /&gt;amamentadas com sangue frio&lt;br /&gt;Eternamente solitárias em corredores escorregadios&lt;br /&gt;formas de ar, formas de lua&lt;br /&gt;onde segurar em meio a tudo isso que flutua?&lt;br /&gt;Esfregando o corpo, para criar um fogo&lt;br /&gt;no hotel das palavras não nascidas&lt;br /&gt;Bessie Love (*) em Paris, 1928&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite as palavras vagam&lt;br /&gt;como sombras dentro da mente&lt;br /&gt;deslizam sobre mármore e água.&lt;br /&gt;Uma varinha dourada interrompe o fluxo,&lt;br /&gt;escreve ao revés na água escura,&lt;br /&gt;desmancha sentenças nas ondas,&lt;br /&gt;acende um turbilhão de signos&lt;br /&gt;em transparências espelhadas.&lt;br /&gt;Palavras trêmulas procuram uma nova ordem&lt;br /&gt;pedindo orientação à lua&lt;br /&gt;na cúpula de palavras entrelaçadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escape do ventre de ecos ramificados&lt;br /&gt;rodopiando ao redor do coração pulsante da baleia.&lt;br /&gt;Minha sombra desvenda sua febre&lt;br /&gt;abraça o pulsar frio,&lt;br /&gt;envia labaredas de luz&lt;br /&gt;ao centro do coração.&lt;br /&gt;Incerto se o amor carrega a redenção dentro do fogo.&lt;br /&gt;O grão de semente da palavra,&lt;br /&gt;nutrido de escuridão,&lt;br /&gt;incapaz de cravar o nó do coração,&lt;br /&gt;ao mesmo tempo luz e sombra&lt;br /&gt;flutuando na esfera.&lt;br /&gt;Uma gota de ar e água&lt;br /&gt;ganha forma dentro da baleia&lt;br /&gt;como um grito.&lt;br /&gt;Nascimento de palavras,&lt;br /&gt;ressoando pelas ondas,&lt;br /&gt;deslizando em direção ao sol.&lt;br /&gt;(2002)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;(*) Atriz americana do cinema mudo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este poema se refere a uma instalação de Rebecca, no ventre na baleia, na sala vizinha, escurecida. Luzes projetam essas palavras pelas paredes, rodopiando.&lt;br /&gt;No centro da sala, um pequeno tanque.&lt;br /&gt;Há outro poema na parede do CCBB, referente a uma peça móvel presa à parede, com conchas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CANTO DE LUZ&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Através da lente de aumento de algas entrelaçadas&lt;br /&gt;ele coleta as marés de luz de madrepérola&lt;br /&gt;com a obsessão dos solitários.&lt;br /&gt;Serpentes de Júpiter acendem vórtices de luz,&lt;br /&gt;cruzando o espaço no interior das palavras&lt;br /&gt;tocando o zênite do ovo da ema&lt;br /&gt;o Saturno de Pessoa.&lt;br /&gt;(2005)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;INSTALAÇÕES E FILMES&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O piano de Rebecca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483480020500015874" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 110px; CURSOR: hand; HEIGHT: 131px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk8BqLa6wI/AAAAAAAAAM8/jWKRWVRqFuM/s320/piano.rebecca.jpeg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Rebecca (1944), um dos grandes nomes da arte contemporânea, está mostrando no Rio, cidade onde nunca havia exposto, 18 instalações e seis filmes, de diversos momentos dos seus 35 anos de atividades.&lt;br /&gt;A peça-choque, para mim, é um piano pendurado no teto, de cabeça para baixo, que põe para fora suas teclas (ou suas entranhas?) a cada 15 minutos, despertando o espectador, com o susto, para um outro plano da realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;TECNOLOGIA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;É grande a diversidade dos trabalhos apresentados no CCBB, inclusive pela extensão do tempo em que foram produzidos; mas algumas características comuns são logo identificáveis.&lt;br /&gt;Entre elas, o uso do aparato tecnológico, incluindo todo tipo de pequenas máquinas. Rebecca, é uma pioneira, já nos anos 60 usava a tecnologia em sua arte.&lt;br /&gt;A “rebelião” do título pode ser a das máquinas, que parecem adquirir autonomia, vida própria. Mas é uma rebelião que não chega a assustar.&lt;br /&gt;A atmosfera da exposição de Rebecca Horn é lúdica, surreal, poética. Não há o clima kitsch desafiador de muitos outros artistas contemporâneos.&lt;br /&gt;O que ela faz tem uma veia poética. Pode-se lembrar, vendo seus trabalhos: a “brincadeira” dadaísta, os ready-mades de Duchamp.&lt;br /&gt;Borboletas batem asas graças a uma maquininha; uma longa haste de metal espirra tinta sobre uma parede branca, criando uma pintura abstrata; outra haste metálica mergulha num tanque uma cobra também de metal, sob uma iluminação lateral que projeta sombras ondulantes na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;PERFORMANCES&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na década de 70, Rebecca fazia performances. Para participar com esses trabalhos da Documenta 5, de Kassel, pediram-lhe que os documentasse e ela começou a filmar. Há filmes dessas performances na mostra do CCBB.&lt;br /&gt;O trabalho é com corpos humanos, aos quais são presos apêndices. Asas, grandes hastes suspensas aos ombros, mantos de penas. A nudez cria um clima sensual, sexual.&lt;br /&gt;E há também filmes longos, também dos anos 70. Um deles, com uma narrativa surreal, já pondo em cena muitas máquinas “vivas” e borboletas, tem como protagonistas Geraldine Chaplin ainda jovem e Donald Sutherland ídem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;NA FLORESTA&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Rebecca nasceu em Michelstadt, na floresta de Odenwald, no Hesse.&lt;br /&gt;Consta dos seus dados biográficos que seu pai a lhe contava, quando era menina, muitas histórias sobre bruxas, dragões e duendes. E ela cresceu angustiada, claustrófoba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MULHERES ARTISTAS&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Tradicionalmente, a história da arte omitia nomes de mulheres.&lt;br /&gt;Hoje, o elenco das artistas já é numeroso, incluindo figuras como Mona Hatoum, Barbara Kruger, Jenny Holzer, Marlene Dumas, Pippilotti Rist, Cindy Sherman, entre muitas outras.&lt;br /&gt;Até talvez uma década atrás, quem estudava História da Arte só encontrava mulheres no limiar ou no início do século XX. Mary Cassat, Berthe Morisot ou Paula Modersohn-Becker.&lt;br /&gt;Será que, até então, não havia nenhuma mulher fazendo arte? Ou seus nomes não constam por causa do preconceito contra elas?&lt;br /&gt;A segunda hipótese é confirmada pelo trabalho de pesquisadoras como Wendy Slatkin, que cita, em seu livro “Women Artists in History”, Sofonisba Anguissola e Artemisia Gentileschi, entre outras, pouco conhecidas mas com trabalho respeitável, isto já a partir dos anos 1550.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4450232717905643885?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4450232717905643885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/o-piano-alado-de-rebecca-horn.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4450232717905643885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4450232717905643885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/o-piano-alado-de-rebecca-horn.html' title='O PIANO ALADO DE REBECCA HORN'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk74Qbzs4I/AAAAAAAAAM0/yd5gda5Cuck/s72-c/rebecca_resize.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-2943187893886003641</id><published>2010-06-16T13:43:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T13:55:40.997-07:00</updated><title type='text'>CADERNO DE POESIA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;VALESKA DE AGUIRRE&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483476620675490914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 206px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk47w2FpGI/AAAAAAAAAMc/4_5lr9xOSBk/s320/foto+valeska+suco2X.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;ASSOBIO VOCÊ&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Caixa preta&lt;br /&gt;furo preto&lt;br /&gt;parecia experiência de colégio&lt;br /&gt;algo como “a lâmpada acende&lt;br /&gt;se amarrar os fios” ou “o feijão&lt;br /&gt;nasce no algodão” parei&lt;br /&gt;ao escutar a vibração&lt;br /&gt;das experiências sonoras&lt;br /&gt;contidas em oito&lt;br /&gt;caixotes de dois metros&lt;br /&gt;de alto-falantes&lt;br /&gt;em círculo claustrofóbico&lt;br /&gt;convidando a mexer&lt;br /&gt;as partes do corpo&lt;br /&gt;que melhor estalam&lt;br /&gt;e continuam a estalar&lt;br /&gt;cada vez mais baixo no infinito pretume&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ruído&lt;br /&gt;ruído&lt;br /&gt;a mandíbula&lt;br /&gt;a língua&lt;br /&gt;o dente&lt;br /&gt;a garganta&lt;br /&gt;a glote&lt;br /&gt;a direção do vento&lt;br /&gt;o lábio superior e inferior&lt;br /&gt;assobio você&lt;br /&gt;do corredor o círculo&lt;br /&gt;preto de dois metros falantes&lt;br /&gt;ocupam seu espaço ao chão&lt;br /&gt;octogonal corrompem a visão&lt;br /&gt;o corpo estica-se ao encontro&lt;br /&gt;gigante postura em vale árido&lt;br /&gt;duas caixas se distanciam de acordo&lt;br /&gt;sugerindo passagem ao corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alongamento de vértebras&lt;br /&gt;conversam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;KRILL PARA HEITOR&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa manhã meio-cinza, meio-clara&lt;br /&gt;leio sua mensagem e penso nas noites de sua cidade&lt;br /&gt;(só lembro das noites&lt;br /&gt;Os dias passam rápido demais&lt;br /&gt;Ou escuros ou mesmo iguais aos de minha cidade)&lt;br /&gt;mas as noites não&lt;br /&gt;elas se preparam se vestem de preto purpurina&lt;br /&gt;e todos tremem à sua espera sua boca enorme&lt;br /&gt;não há pessoa alheia os que dormem&lt;br /&gt;sentem um comichão e rezam ave-marias para suportar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui passamos as manhãs imprimindo krill&lt;br /&gt;treze páginas mais treze páginas&lt;br /&gt;olhamos a tinta olhamos a foto, de novo&lt;br /&gt;café, bolo ana-maria, pão-de-queijo&lt;br /&gt;é o que nos alimenta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você chama o correio&lt;br /&gt;mas ele ainda dorme (não sabe que há manhãs)&lt;br /&gt;mas eu te digo, heitor:&lt;br /&gt;aqui passamos as manhãs imprimindo krill&lt;br /&gt;à noite teremos ele na estante&lt;br /&gt;distante como se houvesse chegado pelo correio&lt;br /&gt;e você ao passar suas folhas e sentir sua cor&lt;br /&gt;lembrará das manhãs da minha cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;AO SOM DO VINIL&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não acredito que te perdi”&lt;br /&gt;cochichou perdendo a faixa&lt;br /&gt;da música que deveria colocar&lt;br /&gt;para as pessoas não escutarem&lt;br /&gt;o que gritava tentando cochichar&lt;br /&gt;ao ouvido da garota que se despedia&lt;br /&gt;e que pensou escutar&lt;br /&gt;“não acredito que te perdi”&lt;br /&gt;mas não pediu para ele repetir&lt;br /&gt;pois já tinha ouvido o ruído da faixa&lt;br /&gt;terminando e ele afastando-se&lt;br /&gt;para posicionar a agulha em qualquer&lt;br /&gt;outro círculo e assim ninguém&lt;br /&gt;reparar na garota que ali permanecia&lt;br /&gt;na tentativa de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;+++&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pegar a condução pagar a condução e sair para almoçar às doze horas algumas alfaces variadas carnes variadas e hoje sobremesa com o sol e a lua chegar a fim do dia com o telefone sem linha com a pele coçando com a cidade sem água passar pelo dia oito de abril e não achar estranho acordar com gritos no quarto vizinho meu filho acordar querendo dormr sair para o trabalho comas pernas dormentes a mão presa à xícara, a cara lavada pelo resto de água a boca sem dizer palavra a noite corre a lua sobe e pára. Passaram-se alguns anos e a mão ainda presa às coisas da manhã a meia de lã o pão preto com mel lentamente passando pelos lábios quentes da noite do café preto e todas as palavras que ainda não chegaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Valeska de Aguirre publicou o minilivro “Ela disse, Ele disse”, pela Moby-Dick, em 2001. Mas antes viajou pelo Ocidente e pelo Oriente, trabalhou como garçonete, caixa, modelo; casou algumas vezes; hoje, trabalha numa editora; tem marido e dois filhos. Estes poemas integram o livro “Atos de repetição”, da 7 Letras.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MARCIO ZARDO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483476879487433394" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk5K0_qerI/AAAAAAAAAMk/JC6yWJ4WtIo/s320/Marcio+Zardo+foto+4.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;TUDOSOBRENADA&lt;br /&gt;NADASOBRENADA&lt;br /&gt;NADASOBRETUDO&lt;/div&gt;&lt;div&gt;TUDOSOBRETUDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Transcrevemos aqui as palavras de uma imagem criada por Marcio Zardo, na qual elas funcionam plasticamente, colocadas sobre um fundo colorido.&lt;br /&gt;O resultado é um poema visual, como explica Marcio. Algo para ser colocado na parede, um “quadro”.&lt;br /&gt;Marcio era um poeta ligado ao Concretismo mas, a certa altura, decidiu “materializar” seus poemas.&lt;br /&gt;Passou para o lado das artes visuais.&lt;br /&gt;Ele explica sua proposta:&lt;br /&gt;- Interesso-me pela desconstrução das relações tradicionais da linguagem e da imagem, seja em poemas visuais, pequenos textos, frases soltas ou mesmo palavras.&lt;br /&gt;Sempre busquei nas minhas experimentações enfatizar a materialidade da palavra, seus valores plásticos e sonoros.&lt;br /&gt;Busco nas figuras de linguagem, na justaposição de significados, nas analogias ou na ambiguidade das palavras, surpreender o leitor/visitante e envolvê-lo na proposta.&lt;br /&gt;Proponho um ato de criação conjunta onde o espectador deixa de ser contemplativo e torna-se explorador das possibilidades e probabilidades desencadeadas pelo trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483477135367266738" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 203px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk5ZuOK4bI/AAAAAAAAAMs/R7XvS1bViw0/s320/Raz%C3%A3o+da+minha+d%C3%BAvida.JPG" border="0" /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Quem é Marcio Zardo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Artista plástico e jornalista nascido em Santa Catarina e radicado no Rio, atuou por mais de 20 anos em comunicação empresarial. Em 1999 passou a dedicar-se integralmente às artes plásticas.&lt;br /&gt;Participou de cursos na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Realizou quatro exposições individuais, destacando: “Vida-te”, no Espaço Cultural Sérgio Porto (2003) e “APALAVRALAVRA”, no Solar da PUC/Rio (2007) e participou de mais de 20 coletivas, destacando: “Reactions”, no Exitart, em N.York (2002), “Projéteis de Arte Contemporânea”, Funarte(2003)e“OBRANOME II”, nas Cavalariças da EAV do Parque Lage (2009).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-2943187893886003641?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/2943187893886003641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/caderno-de-poesia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2943187893886003641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/2943187893886003641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/caderno-de-poesia.html' title='CADERNO DE POESIA'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk47w2FpGI/AAAAAAAAAMc/4_5lr9xOSBk/s72-c/foto+valeska+suco2X.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-3331567709994470801</id><published>2010-06-16T13:38:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T13:43:25.743-07:00</updated><title type='text'>LOUZEIRO VESTIDO DE NOIVO</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;José Louzeiro&lt;/span&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483474675055348914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 135px; CURSOR: hand; HEIGHT: 194px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk3Kg2GTLI/AAAAAAAAAMU/Im1XNBmlwhE/s320/662eaa47199461d01a623884080934ab75.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Nelson Rodrigues por José Louzeiro&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Fuad Atala&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O maranhense José Louzeiro, radicado no Rio de Janeiro desde a década de 1950, está lançando “Vestido de Noivo”, uma alegoria em torno de “Vestido de noiva”, a polêmica peça de Nelson Rodrigues, que montada pela primeira vez em 1943 no Theatro Municipal do Rio de Janeiro provocou um verdadeiro escândalo.&lt;br /&gt;Em sua estréia como autor de teatro, Louzeiro transpõe com precisão para o palco a técnica que adquiriu no exercício da reportagem policial, gênero que cultivou por mais de 20 anos. Tendo freqüentado as melhores redações da época de ouro da imprensa carioca, e por curto período a paulistana, mergulhou fundo na questão da violência urbana e das desigualdades sociais. Suas reportagens polêmicas ocuparam-se quase que obsessivamente do cotidiano miserável e violento dos morros cariocas, com seus guetos de exclusão social e seus heróis-bandidos assombrando a população local e a parte luminosa da cidade a seus pés.&lt;br /&gt;Louzeiro projetou-se não apenas na crônica policial, onde deixou em memoráveis reportagens sua marca de repórter de faro aguçado. Com a bagagem vivenciada na cobertura do submundo do crime, Louzeiro fez uma vitoriosa incursão pela literatura, onde estreou em 1958 com o volume de contos “Depois da luta”.&lt;br /&gt;Era o ponta-pé inicial de uma obra sui generis, que inauguraria entre nós o romance-reportagem. Entre seus mais de 50 livros publicados, alguns foram parar no cinema, como “Infância dos mortos, de que resultou o filme “Pixote”, “Lúcio Flávio, o passageiro da agonia”, escrito a partir de uma audaciosa entrevista com o personagem que dominou a cena policial carioca e da qual se originou o filme com título homônimo.&lt;br /&gt;Ainda na área policial, seguem-se “Aracelli, meu amor”, “O caso Cláudia” e “O homem da capa preta”, entre outros. Não escaparam também às suas preocupações a violência policial e o horror que fluía dos porões da ditadura. O drama da estilista Zuzu Angel e de seu filho Stuart Angel, torturado e morto na década de 1960, “Em carne viva”, e o massacre dos meninos da Candelária, em 1993, em “Praça das dores”, marcam essa fase.&lt;br /&gt;No cinema assinou vários roteiros, alguns dos quais, baseados em obras suas, ganharam o gosto popular. De sua lavra saíram ainda algumas biografias, como a de Elza Soares, André Rebouças, Ana Néri e Gregório Fortunato, o “anjo negro” de Getúlio Vargas, além de obras voltadas para o público infanto-juvenil.&lt;br /&gt;Em “Vestido de noivo” Louzeiro reúne personagens reais com os quais conviveu nas redações, inclusive Nelson Rodrigues, ele próprio o foco para onde converge o centro da trama, criando a partir daí uma ficção digna do seu inspirador. Lá estão os repórteres João Ribeiro, Pinheiro Júnior e Antonio Carbone, entre outros personagens no clima nervoso da redação, enfrentando o delegado Rescala Bittar e o detetive Perpétuo de Freitas na busca frenética de notícias.&lt;br /&gt;Na elaboração da trama Louzeiro capta toda a atmosfera rodriguesiana, utilizando com propriedade a técnica e os motes do discurso do teatrólogo. A história gira em torno do suicídio da jovem Marlizinha, motivo de uma crônica de Nelson, a quem a mãe da vítima procura na redação no dia seguinte para repor a verdade – não havia morte naquela história. Estabelece-se a partir daí um diálogo que mistura transcendentalidade, non sense e sado-masoquismo.&lt;br /&gt;O cronista tenta provar o contrário, mostrando à mãe aflita que, com aquele gesto, a suicida (ou quase) decidira integrar “o panteão das deusas”. Para ele, Marlizinha teve a ousadia de desafiar o que o ser humano mais teme, a morte. “Na minha crônica, explica ele à mulher, tudo o que faço é exaltar sua menina, cuja coragem foge à compreensão da maioria dos mortais”. Era suicídio, e pronto.&lt;br /&gt;Aqui está José Louzeiro, em sua melhor forma de romancista-repórter, recriando com palavras próprias o mais genuíno Nelson Rodrigues. “Vestido de noivo”, Nelson passeia pela redação esparzindo seus deliciosos cacoetes e inconfundíveis idiossincrasias. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-3331567709994470801?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/3331567709994470801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/louzeiro-vestido-de-noivo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3331567709994470801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/3331567709994470801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/louzeiro-vestido-de-noivo.html' title='LOUZEIRO VESTIDO DE NOIVO'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk3Kg2GTLI/AAAAAAAAAMU/Im1XNBmlwhE/s72-c/662eaa47199461d01a623884080934ab75.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-4071966568696118833</id><published>2010-06-16T13:35:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T13:38:28.775-07:00</updated><title type='text'>EU E O COIOTE DE JOSEPH BEUYS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk2F5Fl9dI/AAAAAAAAAMM/pzmR_Z5zShA/s1600/images.jpeg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483473496151815634" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 144px; CURSOR: hand; HEIGHT: 196px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk2F5Fl9dI/AAAAAAAAAMM/pzmR_Z5zShA/s320/images.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Conto de Sonia Coutinho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu caminhava pela beira da Lagoa, instantes atrás, quando me veio a lembrança: viajei no mesmo avião em que Joseph Beuys foi para Nova York fazer sua performance “I like America and America likes me”. Puxa vida, mas parece um sonho! Isto foi em 1974, quando eu ainda era um puto filhinho do papai! Hoje sou Juan Bingen, todos me conhecem...&lt;br /&gt;Fiquei num assento bem atrás de Beuys e o segui de perto, quando ele desembarcou do avião.&lt;br /&gt;Um grupo de amigos o esperava no Aeroporto Kennedy. Para minha surpresa, eles o enrolaram imediatamente num pedaço de feltro.&lt;br /&gt;O passo seguinte foi a ambulância. Havia uma à espera e Beuys foi posto dentro dela, sempre enrolado no feltro. Assim o levaram para a René Block Gallery. Para onde me dirigi imediatamente, depois de deixar as malas no hotel.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;O que deflagrou a lembrança de Beuys, hoje, foi o fato de eu ter visto, pregado num poste na beira da Lagoa, um cartaz onde estava escrito USA, três letras grandes e negras, cortadas por dois traços vermelhos cruzados, como num veto absoluto.&lt;br /&gt;Como se dissessem, ao reverso de Beuys: “I dislike America and America dislikes me”.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Beuys, piloto da Luftwaffe na Segunda Guerra Mundial, caiu com seu avião na Criméia.&lt;br /&gt;Foi salvo num frio de abaixo de zero por nômades tártaros, que untaram seu corpo com gordura e o envolveram num pedaço de feltro.&lt;br /&gt;Ele passou a usar feltro e gordura como materiais para seu trabalho.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Naquele dia de 1974, em Nova York, eu o observei muito tempo, na galeria onde ele ficou fechado um mês com um coiote vivo.&lt;br /&gt;Quando cheguei, Beuys continuava enrolado no feltro. Tinha ao seu lado uma lanterna elétrica, um exemplar novo do “The Wall Street Journal” (era entregue todo dia, segundo me disseram) e uma bengala que parecia um cajado de pastor de ovelhas.&lt;br /&gt;O que mais me impressionou foi o coiote mesmo, girando de um lado para outro no espaço da sala. Às vezes, Beuys se desenrolava do seu feltro e lhe dava comida.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Hoje, ao chegar em casa, de volta da minha caminhada pela beira da Lagoa, fui logo para o computador, procurar na internet imagens daquela performance e o que se escreveu sobre ela.&lt;br /&gt;Leio explicações que não me parecem muito exatas para a presença do coiote.&lt;br /&gt;Diz Emily Rekow: “A escolha do coiote foi, talvez, o reconhecimento de um animal que tem grande significado espiritual para os americanos nativos, ou um comentário de Beuys sobre um país que, em sua expansão para o Oeste, tornou-se a América ‘perdida’”.&lt;br /&gt;Encontro também palavras de um certo Thorsten Scheerer: “O coiote que esperava por Beuys na galeria é um símbolo, para o americano do Oeste. Beuys queria viver e se comunicar com o coiote por um certo período de tempo. Mas por que a ambulância? É emergência? Temos de nos apressar para chegar lá? Existe algum segredo que deveríamos conhecer?”&lt;br /&gt;Uma frase do próprio Beuys: “Todo o processo de viver é meu ato criativo.”&lt;br /&gt;Leio mais sobre ele e seu trabalho: “Vestia-se e se comportava de uma maneira muito especial... Como um xamã... A arte da performance, para Beuys, era um meio de autocura e transformação social... Achava que, representando os rituais que inventava, podia afetar o mundo em torno dele...”&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Desligo o computador.&lt;br /&gt;Mas ainda não consigo esquecer o coiote.&lt;br /&gt;O animal em si.&lt;br /&gt;Ao longo dos anos, por causa daquele bicho que Beuys mandou colocar na galeria, tenho lido um bocado a respeito de coiotes.&lt;br /&gt;Gostei mais do que aprendi sobre o coiote do Texas, também conhecido como o “lobo da pradaria.” Vi fotos dele. Seu corpo parece o de um cachorro, com uma cauda comprida e cheia de longos pêlos acinzentados.&lt;br /&gt;A pelagem do coiote do Texas ganha tons avermelhados em suas pernas e orelhas, enquanto na barriga e no pescoço o cinza é mais claro.&lt;br /&gt;Não é um animal muito grande, pesa em média apenas uns 15 quilos.&lt;br /&gt;Outra informação que me encantou: os coiotes têm olhos amarelos, que à noite emitem reflexos de um tom dourado, meio esverdeado.&lt;br /&gt;Aprendi também que são bichos muito inteligentes, curiosos e adaptáveis e moram em diversos habitats, entre eles o Oeste americano.&lt;br /&gt;São arredios com os seres humanos, mas se acostumam com as pessoas que os alimentam.&lt;br /&gt;+++&lt;br /&gt;Confesso, desde que vi aquele animal na galeria, todas as noites, ao fechar os olhos, tentando dormir, vejo coiotes. Eles uivam lamentosamente, ou dão latidos esganiçados, que enchem minhas insônias de canções mal-assombradas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-4071966568696118833?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/4071966568696118833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/eu-e-o-coiote-de-joseph-beuys.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4071966568696118833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/4071966568696118833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/eu-e-o-coiote-de-joseph-beuys.html' title='EU E O COIOTE DE JOSEPH BEUYS'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBk2F5Fl9dI/AAAAAAAAAMM/pzmR_Z5zShA/s72-c/images.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-7397596194056700452</id><published>2010-06-16T13:02:00.000-07:00</published><updated>2010-06-16T13:35:40.800-07:00</updated><title type='text'>SANTE SCALDAFERRI</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sante e Sonia C. no lançamento da revista EXU, Rio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBkzL2EVgrI/AAAAAAAAAL0/0yh_ALIJDq4/s1600/LanÃ§amento+da+revista+EXU-Rio2x.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483470299885568690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 170px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBkzL2EVgrI/AAAAAAAAAL0/0yh_ALIJDq4/s320/Lan%C3%A7amento+da+revista+EXU-Rio2x.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; A Cinearte é uma revista trimestral editada em Roma e muito conceituada na Itália. Enfoca cinema, audiovisual e arte, em geral. Recentemente, a Cinearte deu esta entrevista do artista baiano (de origem italiana) Sante Scaldaferri.&lt;br /&gt;Para acessar a revista on line: www.cinearteonline.com&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Antonella Rita Roscilli&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/strong&gt;Intervista esclusiva realizzata a Salvador (Bahia) Brasile &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;L’ « italiano» Sante Scaldaferri è considerato uno dei più importanti e rappresentativi tra i pittori brasiliani contemporanei. La sua pittura, arte erudita su radice popolare riflette il dramma e la tragedia del popolo della regione dei “sertões” nordestini del Brasile. Non è un regionalista provinciale, ma, unendo un linguaggio contemporaneo a una tematica brasiliana di religiosità e cultura popolare, Sante riesce a raggiungere una lettura universale e, realizzando lavori di grande forza, riesce allo stesso tempo, a creare un linguaggio molto personale, creativo e inconfondibile. Sante mi aspetta per l’intervista sulla soglia della sua bella casa di Itapõa, a Salvador (Bahia).Vi si respira arte e creatività in ogni angolo: mobili, quadri, sculture parlano della sua vita e anche delle sue origini italiane.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Può parlarci della sua infanzia e dei suoi legami con l’Italia?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sono nato nel 1928 in una casa del Porto da Barra. Mia madre era arrivata dall’Italia già incinta. Perciò io sono stato “fabbricato” in Italia” e “sbarcato”a Salvador, nello stato brasiliano di Bahia. Quando avevo un anno e mezzo mio padre si ammalò e così tornammo a Trecchina, in provincia di Potenza, in Basilicata, dove morì. Ho pochi ricordi di quell’epoca. Le vacanze a Maratea e il nostro soggiorno a Napoli, dove mio zio aveva una bella casa al Vomero. Malgrado ciò la forza atavica è potente e io sento di avere due identità che non si scontrano, anzi, vivono in armonia. Mi piace ugualmente il samba e l’opera, e la mia identità italiana mi ha portato varie volte alla conoscenza della mia origine. In Italia mi sento a casa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Lei è uno dei più importanti e rappresentativi tra i pittori brasiliani contemporanei. Com’è arrivato all’arte plastica?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fin da bambino ho sempre pensato di diventare pittore. Così, quando ho terminato il ginnasio, ho fatto la prova per entrare alla “Escola de Belas Artes”. Il cammino per conquistare una posizione nel panorama delle arti plastiche è molto difficile e divenni noto avendo partecipato ad esposizioni in varie città brasiliane. Così la critica conobbe il mio lavoro. Lei appartiene alla seconda generazione di artisti moderni di Bahia. Può parlarcene? La seconda generazione di artisti plastici moderni di Bahia sorse nel 1957. In quell’epoca i miei rapporti con gli artisti della prima generazione erano molto cordiali. Ma con il tempo alcuni artisti mi si schierarono contro, denigrando la mia adesione a nuovi linguaggi. Tuttavia, col passare del tempo, i mass-media, attraverso la critica nazionale, vennero a conoscenza del mio lavoro. Ho preso molte batoste, ma ne ho date io di più. Oggi non sono un artista realizzato, a mi considero un vittorioso per quanto riguarda questo discorso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483471032148196882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 231px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBkz2d9WfhI/AAAAAAAAAL8/4lnBjJ1wOUk/s320/2546.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;A quell’epoca esisteva una generazione che voleva produrre qualcosa di nuovo anche nella letteratura, nel teatro, nella pittura e nel cinema?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nonostante la rottura della prima generazione di artisti plastici con l’accademismo, quella&lt;br /&gt;posteriore incontrò ancora molte e serie difficoltà. L’anno prima avevo già conosciuto e avevo partecipato alle attività artistiche e culturali di un gruppo di giovani di valore, che prese&lt;br /&gt;il nome di Generazione MAPA. Questi giovani di allora dettero tutti un grande contributo allo sviluppo dell’arte moderna a Bahia in tutti i linguaggi artistici e chi di essi rimane continua&lt;br /&gt;ancor oggi ad aggiornarsi e a produrre. Questi giovani in realtà ebbero la fortuna di partecipare al maggiore e più fecondo periodo culturale di Bahia durante il rettorato del dr. Edgard Santos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Ci racconta del ruolo che ebbe all’epoca il rettore Edgar Santos nella cultura di Bahia?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/strong&gt;In quell’epoca i mezzi di comunicazione di massa non erano come oggi, pertanto c’era sempre un po’ di ritardo nei contatti. Eppure esistevano varie riviste e le mostre erano importantissime per prendere conoscenza di ciò che si faceva in Brasile nel mondo artistico. Sicuramente le informazioni arrivavano con un po’ di ritardo. Chi poteva viaggiare al sud era avvantaggiato. Quando il dr. Edgard Santos divenne rettore della UFBA, questa lacuna fu colmata con programmi culturali organizzati dall’Università Federale di Bahia e dal Museo di Arte Moderna di Bahia. Durante il periodo scolastico io già partecipavo alle esposizioni e dipingevo all’aperto, da lì non mi sono più fermato e grazie a Dio, con salute, ad 81 anni continuo lavorando ogni giorno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;L’interesse centrale nella sua opera è l’ex-voto, più tardi seguito anche da altri artisti plastici. Dal 1957 nella sua pittura è presente come segno e simbolo. Com’è nato e perché questo interesse?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dal 1957, influenzato da una materia chiamata “Estudos Brasileiros”, ho iniziato ad elaborare il contenuto della mia pittura. È molto importante la preservazione delle manifestazioni spontanee&lt;br /&gt;della nostra cultura popolare e soprattutto quella del Nordest è di una ricchezza&lt;br /&gt;immensa. Tutte le manifestazioni popolari del popolo nordestino, come l’artigianato, l’arte e cultura, il messianismo, la religiosità, io le rappresento appropriandomi dell’ex-voto che nel mio lavoro è un segno/simbolo per esprimere tutta questa ricchezza, tutto il mio pensiero e tutto il mio sentimento. Ho sempre pensato questo, fin dagli inizi della mia carriera. La nascita dell’opera d’arte nella mia pittura discende dalla trasfigurazione di una tematica che abbraccia cultura e arte del Nordest brasiliano, associato al linguaggio contemporaneo internazionale. La forma cambia con la nascita di nuovi linguaggi, ma il contenuto rimane identico. È una ricerca incessante dell’identità culturale brasiliana e questo accade ancora oggi, sempre coerente al mio pensiero, senza fare alcun tipo di compromesso. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;La sua opera pittorica si divide in diverse fasi. Ne possiamo parlare?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nella “Escola de Belas Artes” di Salvador durante il mio ultimo anno, frequentavo una materia chiamata “Estudos Brasileiros” che dava una visione generale del Brasile. I temi erano di sociologia, linguaggi artistici, tecniche, cultura popolare, artigianato, antropologia, etnologia,&lt;br /&gt;religioni africane etc. C’era un piccolo museo dove erano esposte ceramiche e opere di artigianato. Tra le altre c’era una piccola collezione di ex-voto. Nacque da lì la mia passione per gli exvoto:&lt;br /&gt;era il 1955. Mi appropriai di loro nel mio linguaggio e così divennero il segno/simbolo per esprimere tutti i miei sentimenti in linguaggi contemporanei, attualizzandoli sempre. Da tutto&lt;br /&gt;ciò sorse nel 1957 la mia prima fase che chiamo POPOLARE. Dal ‘60 al ‘64 venne la seconda fase, ASTRATTA, che si compone di due segmenti: l’aerofotogrammetrico e il cosmico. Poi è seguita la fase cosiddetta antropomorfica Si, agli inizi degli anni ’80 ci fu un cambiamento brusco&lt;br /&gt;della forma nella mia pittura. Fu quando, pur continuando con lo stesso contenuto, adottai la TRANSVARGUARDIA, che è una tendenza più recente dell’espressionismo&lt;br /&gt;o neo-espressionismo. In questa direzione sorsero varie altre sottofasi con caratteristiche di&lt;br /&gt;“Pop”, “Monocromatiche”, “Linee marcate”, “Senza linee”, “Colorate”, e “Le debolezze del carattere umano”. Ma tutto ciò si inquadra in una fase generale nella quale adotto il nome di ANTROPOMORFICA. Spiegando ad un giornalista argentino, che all’epoca&lt;br /&gt;mi intervistò, questo mutamento nella forma della mia pittura gli dissi: “Prima erano ex-voto con la faccia di persone, ora sono persone con la faccia di ex-voto”.&lt;br /&gt;È un’arte molto seria e forte che possiede un contenuto profondo. Sono ex-voto che assumono la condizione umana per esprimere dolori, angustie, invidie, terrore, corruzione di tutti i tipi, violenza, omicidi, insomma tutto ciò che è inerente all’essere umano. È il riscontro&lt;br /&gt;plastico/visuale tra il bene e il male. La forma di questa fase, che la distingue dalla forma di altri pittori, è la mia “scrittura”personale, ma il contenuto non è un fatto inedito, risale a duemila anni fa. Prenda queste citazioni: Marco 7, 21-23 Dal di dentro, infatti, cioè dal cuore degli uomini, escono le intenzioni cattive: fornicazioni, furti, omicidi, adulteri, cupidigie, malvagità, inganno, impudicizia, invidia,&lt;br /&gt;calunnia, superbia, stoltezza. Tutte queste cose cattive vengono fuori dal di dentro e contaminano l’uomo. Chi abbia capacità e voglia studiare tutta la mia opera dall’inizio, ne verificherà il suo contenuto sociale, filosofico, politico e non di partito, religioso, messianico, ironico. La mia preoccupazione nella costruzione del mio lavoro dall’inizio ad oggi è l’ESSERE UMANO.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Una sua esposizione ha celebrato i 50 anni della così detta Generazione Mapa a Bahia. Può illustrarcela?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Non è possibile in una sola intervista parlare della Generazione MAPA perché furono molti gli eventi in pochi anni e occorrerebbe fare una ricerca. Ma farò un piccolo riassunto dell’inizio del Modernismo in Brasile. Negli anni ’30 a Salvador dominavano gli artisti accademici, in maggior parte professori della “Escola de Belas Artes”. Alcuni, i più conosciuti e importanti, andarono a studiare a Parigi. Al ritorno si definirono impressionisti. Negli anni ‘30 esistevano già i Nabis, i Fauves, l’Astrattismo, il Cubismo, l’Espressionismo, il Futurismo, il movimento Dada, il Surrealismo, per citare solo alcuni dei nuovi linguaggi che non vennero assorbiti da questi artisti.&lt;br /&gt;Nel 1922 si tenne a São Paulo la Settimana di Arte Moderna. Nel 1932 torna da Parigi il pittore baiano José Tertuliano Guimarães. Io ho scritto un libro su di lui e l’arte moderna a Bahia,&lt;br /&gt;dal sec. XIX al 1964. José Tertuliano Guimarães, pur&lt;br /&gt;non avendo assorbito nessuno dei nuovi linguaggi contemporanei dell’epoca, riuscì a intendere la pittura di Cézanne che lo influenzò molto. Fu lui ad innovare quello che qui era chiamato&lt;br /&gt;impressionismo. José Guimarães rinnovò l’arte, realizzando anche per la prima volta lavori creati a partire dalla cultura afro-baiana, che illustrarono il numero 4 della rivista Seiva del&lt;br /&gt;maggio 1939, interamente dedicata ai neri. Così egli fu il primo artista baiano a diminuire la discrepanza tra i nuovi linguaggi e l’arte anacronistica che era praticata a Bahia.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5483471142217321650" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 238px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBkz83_4DLI/AAAAAAAAAME/6vHjnEeQsPY/s320/2551.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Come è avvenuta l’integrazione della sua arte con il computer?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ho sempre adottato un nuovo linguaggio non appena sorgeva mantenendo, comunque, la stessa tematica. Perciò non potevo non utilizzare questa favolosa macchina che è il computer. Così ebbe inizio la produzione di INFOGRAVURE. Le Infogravure sono realizzate con innumerevoli elementi o immagini, sia esistenti nel computer che aggiunte. Si può avere sovrapposizione di immagini o composizione, ma la cosa più importante da dire è che nella Infogravura bisogna avere necessariamente l’intervento manuale dell’artista. Non è solo computer, non è “Fotoshop”, come pensano gli incompetenti. È Arte Grafica.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Può descrivere la sua esperienza con la tecnica encaustica?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/strong&gt;Ho appreso varie tecniche di pittura nella “Escola de Belas Artes” e, tra queste, l’encaustica con la quale ho realizzato alcuni lavori fino al 1959. Nel 1980 quando ho mutato la mia pittura, ho capito che la migliore tecnica per esprimermi era l’encaustica e così tornai ad utilizzarla. La tecnica di encaustica risale agli antichi Greci e Romani ed ha innumerevoli qualità. Inoltre, al contrairo della pittura ad olio che riflette la luce, l’encaustica la assorbe e pertanto può essere vista da qualsiasi angolo. Consiste nell’unione della cera di api con una resina trasformata in vernice. Quando è pronta bisogna aggiungere il pigmento e iniziare a dipingere.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Oggi nell’arte brasiliana cosa attira maggiormente la sua attenzione?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;L’arte brasiliana non esiste. L’arte oggi è globalizzata. Perciò quello che mi può attirare in alcuni&lt;br /&gt;artisti brasiliani, mi può attirare in altri pittori di altri Paesi.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Il famoso scrittore brasiliano Jorge Amado ha identificato in lei una “ libertà di espressione che non rimane attaccata al gioco retorico. Il mondo popolare e baiano, Sante lo conosce&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;attraverso esperienze vitali ”. Cosa pensa di questa frase?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Non posso dire altro che sono veramente lusingato!&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3739029828434107185-7397596194056700452?l=jornalsidarta.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/feeds/7397596194056700452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/sante-scaldaferri.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7397596194056700452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3739029828434107185/posts/default/7397596194056700452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://jornalsidarta.blogspot.com/2010/06/sante-scaldaferri.html' title='SANTE SCALDAFERRI'/><author><name>Sonia Coutinho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04190922525509515505</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/SuC-_pWG7fI/AAAAAAAAAI8/6giWXHkqD2Y/S220/Fotos+novas+046.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/TBkzL2EVgrI/AAAAAAAAAL0/0yh_ALIJDq4/s72-c/Lan%C3%A7amento+da+revista+EXU-Rio2x.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3739029828434107185.post-6863285702985719795</id><published>2010-04-30T14:55:00.000-07:00</published><updated>2010-04-30T15:36:49.905-07:00</updated><title type='text'>“ATIRE EM SOFIA”</title><content type='html'>&lt;strong&gt;FESTA NO JARDIM BOTÂNICO&lt;/strong&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/S9tUzf7rogI/AAAAAAAAAKk/V85qBSNo0e8/s1600/CONVITE.JPEG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466055816466113026" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 313px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/S9tUzf7rogI/AAAAAAAAAKk/V85qBSNo0e8/s400/CONVITE.JPEG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No dia 15 de maio próximo, na Associação de Amigos do Jardim Botânico, haverá uma comemoração pela nova edição do romance “Atire em Sofia,” de Sonia Coutinho, que acaba de sair pela 7 Letras. Na Casa 6 do Jardim, junto ao estacionamento, haverá um coquetel e leitura dramática de trechos do livro, pelo ator Edward Boggiss. Em entrevista ao escritor e jornalista Rubem Mauro Machado, Sonia analisa seu livro. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;SoniaC. e Rubem Mauro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466058469321056834" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/S9tXN6llokI/AAAAAAAAAKs/lQptT3KRe1o/s200/Fotos+novas+046.jpg" border="0" /&gt;&lt;/div&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5466058567691374514" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 152px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kdWx98UTLmg/S9tXTpC5j7I/AAAAAAAAAK0/-Fp3HxTFZPI/s200/CMM_1260XX.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;RUBEM MAURO: Fale um pouco do “Atire em Sofia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;SONIA C.&lt;/strong&gt; –O romance, antes de mais nada, fala de um verão em que uma cidade misteriosa se torna palco de aparições, assombrações. E há um assassinato cometido a várias mãos...&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;RUBEM MAURO – Personagens femininas são predominantes em sua literatura. É assim também em “Atire em Sofia”?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;SONIA C.&lt;/strong&gt; – Neste romance há vários personagens, muitos deles masculinos, mas o destaque é o percurso de Sofia. Na verdade, nunca antes coloquei tantos personagens num texto como aqui. Temos, por exemplo, João Paulo, o jornalista que deixa seu emprego para escrever um romance policial... Há Fernando, um advogado acomodado, que tenta preservar seu conforto, acima de tudo. E Matilde, uma mulher desesperada, que dialoga com Maria Callas... Mas, segundo o Dudu Boggiss, que fará a leitura dramática de trechos do livro, o que se pode chamar de “
